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Hamilton Fernando da Cunha
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Hamilton Fernando da Cunha
Cidade:
(onde nasceu)
Florianópolis
Estado:
(onde nasceu)
SC
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
/1941
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Vanguarda Popular Revolucionária VPR
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Escoteiro
Morto ou Desaparecido:
Morto
11/2/1969
SP Brasil
Gráfica Urupês
Segundo uma funcionária da gráfica, recebeu voz de prisão seguida de tiros que o matou.
Clandestinidade
Morto
11/2/1969
SP Brasil
Gráfica Urupês
Segundo a versão policial, foi atingido por um companheiro quando recebeu voz de prisão.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/SP DOPS/SP ou DEOPS/SP SP Brasil
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Paulo Augusto Queiroz Rocha, Pérsio José R. Carneiro
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Transcrição do artigo intitulado: As torturas são aplicadas no Brasil sob a direção do Exército nos quartéis e nas dependências de todas as organizações policiais. Prensa Latina, Santiago do Chile, 21 nov. (sem identificação do ano). Informa que a Frente Brasileira de Informações, criada para romper a censura imposta pelo regime militar do Brasil, com sede em Paris, encaminhou a este jornal comunicado sobre os métodos selvagens aplicados aos presos políticos, sobre a morte de mais de 40 trabalhadores, estudantes e camponeses. Dentre as mortes, cita o conhecido líder guerrilheiro, Carlos Marighella, chefe da Ação Libertadora Nacional (ALN) e iniciador da luta armada no país. Outras mortes causadas pelos militares citadas no documento são: o ex-sargento João Lucas Alves, Severino Viana Colon, José Araújo Nóbrega (que era de fato, Eremias Delizoicov, mas foi identificado pela repressão como sendo deste outro militante), Hamilton Cunha e Fernando Borges de Paula Ferreira. O documento pertence ao arquivo do DOPS.

Artigo de jornal
Artigo intitulado "Lamarca levou cofre do Dr. Rui", sem fonte e data, com carimbo do DOPS de 24/09/69. Informa que o capitão Lamarca, em entrevista distribuída às agências internacionais, afirma que sua organização, a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), está com o cofre de Ana Maria Benchimol Capriglione, amante do falecido governador Ademar de Barros e conhecida internacionalmente como Dr. Rui, no qual foram encontrados dois milhões e meio de dólares, em dinheiro. Lamarca esclarece que só se tornou um revolucionário após o golpe de 64. Assume a responsabilidade por 21 "expropriações financeiras" e, em contrapartida, relaciona os nomes de cinco companheiros assassinados pela ditadura, de janeiro a agosto de 1969: João Lucas Alves, Severino Viana Colon, Hamilton Cunha, Carlos Roberto Zanirato e Fernando Borges de Paula Ferreira.

Artigo de jornal
Armas, um objetivo que valia qualquer risco. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 abr. 1980, p. 12. Artigo que faz parte de uma série de reportagens deste jornal com depoimentos de Hermes Camargo Batista. Relato de ação efetuada por membros da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Dentre as cinco pessoas participantes, Ismael de Souza, José Raimundo, Hamilton Cunha, Antônio Nogueira e Diógenes Oliveira, dois foram posteriormente metralhados pela polícia. Documento pertencente ao arquivo do DOPS.

Foto
Foto de busto, ampliada, onde Hamilton tinha aproximadamente 22 anos.

Foto
Foto do corpo do IML/SP, de 12/02/69. Encontrada no DOPS/SP

Relatório
Relatório de investigadores de plantão, de 18/02/69, informando sobre encaminhamento de presos e morte de subversivos. Entre outros, comunica recebimento de ofício que informa sobre o homicídio contra Hamilton Fernando da Cunha, a fim de ser anexado aos autos de inquérito que tramita naquele DOPS.

Relatório
Documento do Serviço Secreto do DOPS, sem data, intitulado "Relação de vulgos conhecidos integrantes da VPR". A lista apresenta 40 codinomes em ordem alfabética, seguidos de respectivos nomes, quando identificados. Dentre eles, constam Onofre Pinto, Eduardo Leite, Carlos Roberto Zanirato, Antônio Raymundo Lucena, Yoshitane Fujimori, Hamilton Fernando da Cunha e Carlos Lamarca.

Relatório
Documento sem data, do DOPS, provavelmente parte de inquérito policial. Cita várias pessoas como Yoshitame Fujimori, que se encontra foragido, Hamilton Fernando da Cunha, que teria sido morto por um de seus companheiros em tiroteio com a polícia, e Marco Antônio Brás de Carvalho, que também teria morrido em tiroteio com a polícia.

Relatório
Ofício do delegado Alcides Cintra Bueno Filho, de 11/02/69, relatando a ida de investigadores à Gráfica Urupês, São Paulo, SP, para efetuar a detenção de Hamilton Fernando da Cunha, pertencente à quadrilha de terroristas e que para lá fora receber seus dias de trabalho, pois havia se demitido da firma. Quando sua detenção estava sendo conduzida, Hamilton começou a se debater e a gritar por socorro. Uma pessoa desconhecida que o acompanhara até a firma entrou armada, disparando. Os tiros feriram várias pessoas e acertaram Hamilton, pois um dos investigadores o usou como escudo, levando-o a falecer no local. O desconhecido e mais duas outras fugiram. Foram apreendidos um revólver e cinco balas que Hamilton havia deixado embrulhados em um banco da firma, no saguão de entrada.

Relatório
Comunicado da Assessoria de Imprensa, do Gabinete de Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, de 24/02/69, sobre a prisão de "terroristas" em São Paulo. Comunica a população sobre o prosseguimento dos inquéritos sobre atentados a bombas, roubos de armas e dinamites e assaltos a bancos e informa sobre esclarecimentos de assaltos a bancos por grupo de terroristas, apreensão de armas, munições e equipamentos de telecomunicações e outros. Também informa sobre diligência realizada pelo DOPS no dia 11/02/69 à Gráfica Urupês, na cidade de São Paulo, para a prisão de Hamilton Fernando Cunha, envolvido em atentados a bomba, roubo de armas e assalto a banco; este e mais três companheiros resistiram à prisão a bala, decorrendo um tiroteio que feriu um investigador e um motorista e levou à morte de Hamilton, sendo que seus três companheiros conseguiram fugir. Finaliza afirmando que as diligências do DOPS prosseguem com êxito, em sintonia com as realizadas pelas Forças Armadas e pela Polícia Federal. Documento do arquivo do DOPS.

Relatório
Parte de relatório do Serviço Secreto do DOPS, com foto do corpo. Informa que Hamilton participou do atentado a bomba ao Jornal O Estado de S. Paulo, em São Paulo e de roubo de armas.

Relatório
Relatório sem identificação de fonte e data, pertencente ao arquivo do DOPS, intitulado "Informação Reservada". Discorre sobre a criação do grupo denominado Centro Popular de Arte que se reunia na sede do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e que se propunha a promover espetáculos em favelas, portas de fábricas, vilas operárias, praças públicas e auditórios de faculdades. Foram criados vários departamentos, sendo que o informante deste relatório foi designado para o Departamento de Folclore. Além dos diretores, são citados outros membros, entre eles, Hamilton Fernando da Cunha.

Relatório
Parte de relatório do DOPS/SP com nomes de pessoas e seus dados gerais, em ordem alfabética. Constam os nomes de Hamilton Fernando da Cunha e Heleny Ferreira Telles Guariba. Informa que Hamilton é foragido.

Relatório
Lista do DOPS/SP, com nomes, codinomes, páginas dos processos e organização a que pertence, onde Hamilton está indicado.

Relatório
Página 2 de documento com denúncia de organizações de esquerda encontrado no arquivo do DOPS/SP. Possui lista dos brasileiros assassinados pela ditadura militar, cita três brasileiros inválidos e artigo do Estado de São Paulo de 13/05/70, questionando sobre pena de morte no Brasil em virtude de comissão especial de justiça a ser designada para julgar quatro acusados de terrorismo em Olinda, PE, que poderá condená-los à pena de morte. Na lista dos brasileiros assassinados constam: Carlos Marighella, Edson Luiz, José Guimarães, João Roberto, Chael, Padre Henrique (Antônio Henrique), Bernardino Saraiva, Carlos Roberto Zanirato, Carlos Schirmer, José de Souza, João Lucas Alves, Manuel Alves de Oliveira, Pedro Inácio de Araújo, Hamilton Cunha, Severino Melo, Severino Viana Colon, Reinaldo Pimenta, Fernando Ruivo (Fernando Borges de Paula Ferreira), Virgílio Gomes, Mário Alves, além de José Araújo Nóbrega.

Relatório
Parte de documento produzido por organismo internacional, encontrado no arquivo do DOPS/SP, com nomes de pessoas mortas ou desaparecidas pela ditadura militar brasileira, seguidos de texto em inglês indicando alguns dados da morte e fonte da informação, a maioria da Anistia Internacional. São citados, entre outros: Fernando Borges de Paula Ferreira, Fernando Augusto da Fonseca, Gastone L. Beltrão, Gelson Reicher, Gerson Teodoro de Oliveira, Getúlio de Oliveira Cabral, Grenaldo de Jesus Silva, Hamilton Fernando Cunha, Hélcio Pereira Fortes, Heleny Ferreira Teles Guariba, Hiroaki Torigoi, Ísis Dias de Oliveira del Royo e Ismael da Silva de Jesus.

Relatório
Parte de documento, encontrado no arquivo do DOPS, de organização de esquerda contendo denúncias de mortes, violências e ilegalidades cometidas pela ditadura militar. Comenta que, para a ditadura defender-se, viola as leis que ela própria elaborou, entregando o comando da repressão a órgãos clandestinos como o DOI-CODI e a OBAN e cita nomes de pessoas mortas ou desaparecidas por estes órgãos, como: Marighella, Edson Luís, José Guimarães, João Roberto, Padre Henrique (Antônio Henrique Pereira Neto), Bernardino Saraiva, João Domingues da Silva, Carlos Schirmer, Marco Antônio Braz Carvalho, Pedro Inácio de Araújo, Hamilton Cunha, Eremias Delizoicov (considerado aqui como ex-militar morto no Rio), Carlos Roberto Zanirato, Antônio Raymundo Lucena, José Wilson Lessa Sabag, José Roberto Spiegner, Dorival Ferreira, José Idésio Brianezi e Juarez P. de Brito.

Relatório
Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, em 18/03/96. Relatora: Suzana Keniger Lisboa. Referente ao requerimento de Nilsa Cunha, irmã de Hamilton Fernando da Cunha, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de Hamilton e o voto de Suzana favorável ao deferimento do pedido.

Prontuário/ Dossiê
Conjunto de documentos manifestando apoio para que sejam reconhecidas as responsabilidades do Estado pelas mortes de Arno Preis e Hamilton Fernando da Cunha e o direito de suas famílias à indenização devida. São eles: moção de 1996 de autoria do Deputado Renato Simões, da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo ao Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, com tal requerimento; parecer do relator da Comissão de Constituição e Justiça, comunicado de manifestação de apoio do presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Legal, aprovação da moção sem emendas pela Divisão de Proposições Legislativas da Assembléia e ofício do presidente da Assembléia Legislativa. O apelo ao Presidente da República segue em função da reprovação da inclusão das pessoas citadas na lista de indenizados, por ter sido assumida a versão oficial de suas mortes.

Ficha pessoal
Auto de Qualificação Indireta, da Delegacia Especializada de Ordem Social, do DOPS/SP, de 04/09/70, informando dados gerais e residência ignorada.

Ficha pessoal
Documento, da Delegacia de Ordem Política e Social, de 19/07/71, com a palavra "Falecido" manuscrita. Informa que Hamilton é simpatizante e militante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), que aparece como indiciado em inquérito que apurou as atividades da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e que morreu em combate em 08/02/69, segundo o Jornal do Brasil, publicado no Rio de Janeiro, de 29/03/78.

Ficha pessoal
Documento do IML/SP, de 24/02/69, com dados do óbito.

Ficha pessoal
Documento do DOPS com foto, dados gerais e a informação de que um companheiro de Hamilton, no momento em que este estava sendo preso, fez diversos disparos ferindo um investigador de polícia do DOPS e matando Hamilton.

Documento pessoal
Registro de empregado, de 01/11/67 a 04/02/69. Documento do arquivo do DOPS.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 12/02/69, realizado por Pérsio José Ribeiro Carneiro e Paulo A. de Queiroz Rocha.

Certidão de óbito
Documento emitido pelo Cartório do Registro Civil do Jardim América, São Paulo, SP, em 21/02/69, firmado pelo médico Pérsio J. R. Carneiro.

Interrogatório
Parte de interrogatório de Diógenes José Carvalho de Oliveira, na Delegacia Especializada de Ordem Política, sem data, mas com carimbo do DOPS de 23/06/69. Segundo as palavras do documento, Diógenes afirma que embarcou para São Paulo, no segundo semestre de 1967, com endereço de Onofre Pinto, a fim de tentar trabalhar. Encontrou-se com Onofre que disse estar em fase de iniciação uma nova organização clandestina de caráter "terrorista", denominada Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), passando a reunir-se com ele e outros militantes, dentre os quais, Hamilton Fernando da Cunha e Yoshitane Fujimori. Conta que a organização foi crescendo e se estruturando. Além disso, afirma que manteve dois contatos com Carlos Marighella em 1968.

Interrogatório
Parte do auto de qualificação e interrogatório de preso político, na Delegacia Especializada de Ordem Social, sem data, mas com carimbo do DOPS de 23/06/69. A partir de um álbum de fotografias reconheceu, entre outros, Carlos Lamarca, Onofre Pinto, Hamilton Fernando Cunha, Marco Antônio Brás de Carvalho, Yoshitane Fujimori, Eduardo Leite e Antônio Raymundo Lucena.

Interrogatório
Parte de interrogatório de Onofre Pinto, na Delegacia Especializada de Ordem Social, sem data, com carimbo do DOPS de 23/06/69.

Interrogatório
Transcrição do interrogatório de Ladislas Dowbor, na Delegacia Especializada de Ordem Social, incompleto, sem data. Cita vários militantes mortos: Eduardo Leite, o Bacuri; José Raimundo da Costa; Hamilton Fernando da Cunha; Onofre Pinto e Gerson Teodoro de Oliveira.

Requisição de exame de cadáver
Requisição de exame ao IML/SP, de 11/02/69. Informa que Hamilton Fernando Cunha, ao ser detido por ser participante de quadrilha de assalto a bancos, reagiu e um companheiro de identificação desconhecida atirou, ferindo gravemente um investigador e atingindo Hamilton, vindo a falecer em conseqüência.

Ofício
Comunicado do Serviço de Informações do DOPS, de 16/06/69, sobre a morte de Hamilton. Uma das cópias possui o carimbo do DOPS e os códigos das duas pastas do arquivo que informam sobre este fato.

Ofício
Cartas manuscritas de Nilsa Cunha, irmã de Hamilton, de São Paulo, 05/05/95, ao Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, ao Ministro da Justiça Nelson Jobim e ao Deputado Federal Nilmário Miranda, pedindo a inclusão de seu nome na lista das vítimas fatais em decorrência da ação policial do Estado no período da ditadura militar.

Depoimento
Documento ao Dr. Miguel Reale Júnior, Presidente da Comissão Especial da Lei n. 9140, de Nilsa Cunha, irmã de Hamilton, de 23/01/96, requerendo os benefícios da Lei, de 05/12/95, pelos motivos que expõe em seu depoimento e em função dos documentos que cita como anexados. Nilsa conta as circunstâncias de morte de seu irmão em 11/02/69. Informa que os agentes do DOPS ligaram para a Gráfica Urupês, em São Paulo, SP, onde Hamilton trabalhava e perguntaram sobre ele. Confirmada a informação, foram até lá, deram voz de prisão a Hamilton que, assustado, levantou as mãos e perguntou o que estava acontecendo, após o que recebeu uma rajada de metralhadora e morreu no mesmo instante. Seis dias depois, Nilsa cita que recebeu intimação para ir reconhecer o corpo de seu irmão. Os policiais não permitiram que tomasse iniciativas para o enterro, o qual ocorreu com ela e seu outro irmão seguidos de quatro policiais, sendo os amigos obrigados a acompanhar à distância. Um dos amigos que se aproximou foi preso. A perseguição policial a Nilsa continuou, tendo seu apartamento vasculhado e sido submetida a vários interrogatórios, ameaças e torturas. Passou dois anos com o prédio em que morava sendo vigiado.

Boletim de ocorrência
Documento do DOPS/SP, de 11/02/69, sobre o assassinato de Hamilton. O indiciado é apontado como desconhecido.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.


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