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Ana Rosa Kucinski Silva
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Ana Rosa Kucinski Silva
Cidade:
(onde nasceu)
São Paulo
Estado:
(onde nasceu)
SP
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
12/1/1942
Atividade: Professora
UniversidadeUniversidade de São Paulo USP
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Ação Libertadora Nacional ALN
Brasil
Prisão: 22/4/1974
São Paulo SP Brasil
Morto ou Desaparecido:
Desaparecido
22/4/1974
São Paulo SP Brasil
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
   
Biografia  
Biografia
Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).
Nasceu no dia 12 de janeiro de 1942, em São Paulo, filha de Majer Kucinski e de Ester Kucinski.
Esposa de Wilson Silva, ambos desaparecidos desde o dia 22 de abril de 1974. Tinha 32 anos de idade.
Professora universitária no Instituto de Química da Universidade de São Paulo.
A família de Ana Rosa e Wilson impetrou vários habeas-corpus na tentativa de localizá-los, todos eles prejudicados pela resposta de que nenhum dos dois se encontrava preso.
Nas pesquisas feitas pelos familiares nos arquivos do antigo DOPS/SP, apenas uma ficha foi encontrada onde se lê: "presa no dia 22 de abril de 1974 em SP".
O Relatório do Ministério da Marinha faz referências caluniosas a Ana Rosa.
Trechos de depoimento de seu irmão, Bernardo Kucinsky:
"Minha irmã, Ana Rosa Kucinski, e meu cunhado, Wilson Silva, foram presos e desaparecidos em São Paulo, na tarde de 22 de abril de 1974. Nesse dia, Wilson Silva e seu colega de trabalho Osmar Miranda Dias foram fazer um trabalho de rotina, saindo do escritório da Av. Paulista para o centro da cidade, um pouco antes da hora do almoço, após o que Wilson se separou de Osmar dizendo que iria se encontrar com sua esposa Ana Rosa, na Praça da República. A partir desta tarde, nunca mais foram vistos. A família tomou conhecimento, através de colegas, da ausência de Ana Rosa na Universidade e, de imediato, passou a tomar providências no sentido de localizar o casal.
Impetrou-se Habeas Corpus através do advogado Aldo Lins e Silva, sem nenhum resultado. No dia 10 de dezembro de 1974, foi enviado pedido de investigação à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Meses depois, a família recebeu resposta da OEA, onde esta afirmava que, consultado, o Governo Brasileiro declinava qualquer responsabilidade no episódio.
O general Golberi do Couto e Silva chegou a reconhecer, em dezembro de 1974, que Ana Rosa se encontrava presa numa instituição da Aeronáutica.
O governo americano - por meio do Departamento de Estado - encaminhou informações à família de que Ana Rosa ainda estaria viva, presa em local não sabido e que Wilson Silva provavelmente estaria morto.
As famílias dos desaparecidos políticos estiveram com o General Golberi do Couto e Silva em Brasília, em audiência solicitada por D. Paulo Evaristo Arns. Dias depois, o Ministro de Justiça, Armando Falcão, em nota oficial, informou sobre os ‘desaparecidos políticos' e incluiu na lista nomes de pessoas que jamais foram tidas como desaparecidas. Em relação a Ana Rosa e Wilson Silva, a nota do Ministério alegava que eram ‘terroristas' e estavam ‘foragidos'.
Amílcar Lobo, o médico psiquiatra envolvido com torturas no Rio de Janeiro, e que resolveu denunciar os assassinatos políticos, em uma entrevista comigo, quando lhe mostrei fotos de minha irmã e seu marido, este reconheceu as fotos de Wilson Silva como sendo uma pessoa que ele atendera após uma seção de torturas. Quanto a Ana Rosa, entretanto, o reconhecimento foi positivo, mas não categórico."
   
Documentos  
Artigo de jornal
Bernardo à procura da irmã assassinada. Gazeta de Pinheiros, São Paulo, 16 set. 1990, p. 5. Caderno A. Entrevista do irmão de Rosa sobre o desaparecimento da mesma.

Foto
Foto original em preto e branco de rosto com a data 22/04/74 indicada no verso.

Foto
Foto de rosto retrirada de um cartaz de "Procurados".

Foto
Fotos de Ana Maria de corpo inteiro, usadas em uma matéria de 08/04/87 sobre desaparecidos da revista Isto é.

Relatório
Parte de relatório, de 17/11/75, pertencente ao arquivo do DOPS. Traz informações sobre a denúncia que Bernardo, irmão de Ana Rosa Kucinski, fez à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), sobre o desaparecimento da mesma e de seu marido, Wilson Silva.

Termo de declarações
Depoimento de Bernardo Kucinski, irmão de Ana Rosa, em 20/09/90, à Cúria Metropolitana de São Paulo, sala da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, descrevendo as circunstâncias em que se deu o desaparecimento de Rosa e Wilson.

Folheto
Biografia sobre o casal Ana Rosa Kucinski e Wilson Silva produzida pela família de Ana Rosa, pelo Centro Acadêmico Heinrich Rheinboldt e pelo Comitê Brasileiro de Anistia, provavelmente em 1979. Acompanha várias fotos.

Ficha pessoal
Duas fichas do DOPS, sem data, informando data de prisão em 22/04/74, em São Paulo.

Ofício
Documento do Ministério da Aeronáutica de 17/03/75 ao DEOPS/SP. Encaminha os seguintes documentos anexados: relatórios do Serviço de Informação do DOPS/SP sobre Ieda Santos Delgado e Ana Rosa Kucinski que informam que ambas estão envolvidas com pessoas presas ou seqüestradas pela polícia; ofício do Ministério da Aeronáutica ao Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), onde discute-se a intensificação das ações dos subversivos contra o governo militar, segundo o documento, através do uso de documentos sem valor para, até em âmbito internacional, responsabilizar o governo pelos desaparecimentos de pessoas; e dois históricos, o primeiro sobre Paulo Stuart Wright, onde consta sua participação na Ação Popular Marxista-Leninista do Brasil (APML do B), informa que como deputado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) procurava persuadir trabalhadores e estudantes, teria feito e organizado cursos de guerrilha no exterior, e após tiroteio com a polícia em 1973, conseguiu escapar, encontrando-se foragido. O segundo histórico trata de Umberto de Albuquerque Câmara Neto, informando sua participação na Ação Popular Marxista-Leninista do Brasil (APML do B). Consta que distribuía panfletos subversivos e conclamava os estudantes a se manifestarem contra o governo militar, e também participou do XXX Congresso da UNE em Ibiúna, encontrando-se foragido.

Evento/ Homenagem
Homenagem aos desaparecidos políticos por meio de ato de oficialização dos nomes das ruas do Jardim da Toca, em São Paulo, SP, em 04/09/91, contando com a presença da prefeita Luíza Erundina, do vereador Ítalo Cardoso, dos familiares dos homenageados e de representantes da sociedade. Homenageados: Ana Rosa Kucinski Silva, Antônio Carlos Bicalho Lana, Antônio dos Três Reis Oliveira, Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, Aylton Adalberto Mortati, Elson Costa, Hiran de Lima Pereira, Honestino Monteiro Guimarães, Ieda Santos Delgado, Maria Lúcia Petit da Silva e Sônia Maria de Moraes Angel Jones. Acompanha convite para a solenidade.

Legislação
Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes.


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