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Morto e desaparecido
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Almir Custódio de Lima
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Almir Custódio de Lima
Cidade:
(onde nasceu)
Recife
Estado:
(onde nasceu)
PE
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
24/5/1950
Atividade: Operário
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Partido Comunista Brasileiro Revolucionário PCBR
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Otávio
Morto ou Desaparecido:
Morto
27/10/1973
Rio de Janeiro RJ Brasil
Praça do Sentinela, Jacarepaguá
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/RJ DOPS/RJ ou DEOPS/RJ RJ Brasil
Polícia Civil Brasil
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Hélder Machado Paupério, Roberto Blanco dos Santos
   
Biografia  
Biografia
Militante do PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO REVOLUCIONÁRIO (PCBR).
Nasceu no dia 24 de maio de 1950, em Recife, Pernambuco, filho de João Custódio de Lima e Maria de Lourdes Custódio de Lima.
Estudante secundarista da Escola Técnica Federal de Pernambuco.
No Rio de Janeiro trabalhou como operário metalúrgico da ALUFERCO.
Foi morto em 27 de outubro de 1973, junto com Ranúsia Alves Rodrigues, Vitorino Alves Moitinho e Ramires Maranhão do Vale. Todos os quatro foram presos em circunstâncias até hoje desconhecidas e levados para a Praça da Sentinela, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, onde foram carbonizados dentro de um carro.
O documento de informação do Ministério da Aeronáutica de 22 de novembro de 1973, de n. 575, encontrado no arquivo do antigo DOPS/SP, diz:
"Dia 27 de outubro de 1973, em tiroteio com elementos dos órgãos de segurança da Guanabara, foram mortos os seguintes militantes do PCBR: Ranúsia Alves Rodrigues, Ramirez Maranhão do Vale, Almir Custódio de Lima e Vitorino Alves Moitinho."
Esse documento desmente, portanto, a versão oficial daquela época de que haviam sido encontrados num carro em chamas, provavelmente como resultado de briga entre quadrilhas, permitindo esclarecer o destino de dois desaparecidos: Ramirez e Vitorino.
O corpo de Almir entrou no IML/RJ com a Guia n. 17 do DOPS como desconhecido, carbonizado, sendo necropsiado pelos Drs. Hélder Machado Paupério e Roberto Blanco dos Santos, em 28 de outubro de 1973.
A perícia de local de n. 947/73, realizada pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli, em 27 de outubro de 1973, dá como homicídio ocorrido na circunscrição da 32ª D.P.
Supõe-se que o óbito de Almir, seja o de n. 17.412, referente a um homem desconhecido, tendo como causa mortis carbonização, sendo declarante José Severino Teixeira. Almir foi enterrado como indigente no Cemitério de Ricardo de Albuquerque em 31 de dezembro de 1973, na sepultura n. 29.230, quadra 23. Em 2 de abril de 1979, seus restos mortais foram para um ossário geral e em 1980/81, colocados em uma vala clandestina nesse Cemitério.
No arquivo do DOPS/RJ, foi encontrado documento do I Exército, informação n. 2805, de 29 de outubro de 1973, que narra o cerco feito aos quatro desde o dia 8 de outubro de 1973. Esse cerco culminou com a prisão de Ranúsia na manhã do dia 27 de outubro. Há nesse documento interrogatório e declarações de Ranúsia no DOI-CODI/RJ. O documento fala de farta documentação encontrada com Ranúsia e da morte dos 4 militantes, dando-lhes os nomes completos. Termina da seguinte forma: "A imprensa da Guanabara noticiou o acontecimento da Pça. Sentinela, com versões colhidas na 32ª D.P. O DOPS/GB instaurou ‘investigação policial’, cuja conclusão demorará bastante, inclusive pela dificuldade de identificar oficialmente os terroristas cujos corpos foram carbonizados. Por tudo isto, e mais pela continuidade da ação, já que há mais onze subversivos cujos passos permanecem vigiados na esperança de registrar o encontro PCBR-ALN, esta Agência achou por bem não permitir a divulgação de nota alguma para o público externo sobre o fato".
A imprensa carioca simplesmente noticiou a morte de dois casais em Jacarepaguá. O "Jornal do Brasil" de 29 de outubro de 1973, à página 4, na matéria "Polícia especula, mas nada sabe ainda sobre os casais executados em Jacarepaguá" e "O Globo", de 29 de outubro de 1973, à página 20, na matéria "Metralhados Dois Casais em Jacarepaguá", não citam os nomes dos mortos. A mesma coisa ocorre na matéria da Revista "Veja", de 07 de novembro de 1973, "Quem Matou Quem?". Somente em 17 de novembro de 1973, tanto em "O Globo", quanto no "Jornal do Brasil", respectivamente, sob os títulos "Terroristas Morrem em Tiroteio com as Forças de Segurança" e "Terroristas São Mortos em Tiroteio" é que foram publicados os nomes de Ranúsia e Almir. Apesar de ter sido reconhecida oficialmente sua morte, Almir foi sepultado como indigente desconhecido.
Nos arquivos da Secretaria Estadual de Polícia Civil do Rio de Janeiro, o Registro de Ocorrência da 32ª D.P., de n. 4.041, feito às 22:00 horas do dia 27 de outubro de 1973, comunica um incêndio no carro placa VW/AA-6960 e informa: "No local já se encontrava o Comissário Kalil, de plantão no DOPS, que esclareceu ser a dita ocorrência de interesse de seu Departamento e já se encarregara das providências exigidas pelo fato..."
Os Relatórios dos Ministérios da Marinha e da Aeronáutica falam de morte em tiroteio ao resistir à prisão e esquecem-se do fato de haverem sido carbonizados. O Relatório do Exército sequer cita o nome de Almir. Qual a intenção dos órgãos de repressão ao carbonizar seus corpos? Esconder marcas de tortura? Ocultar cadáveres?
   
Documentos  
Artigo de jornal
Terroristas morrem em tiroteio com as forças de segurança, O Estado de S. Paulo, São Paulo, 29 out. 1973. Artigo sobre a morte de Almir Custódio de Lima, Ranúsia Alves Rodrigues e mais duas pessoas não identificadas, em tiroteio com órgãos de segurança no dia 28/10/73. Eles eram militantes do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e acusados de participação em roubos e um assassinato. Consta que Ranúsia também desenvolveu atividades subversivas no Nordeste, como pichações e panfletagens.

Artigo de jornal
Polícia especula, mas nada sabe sobre os casais executados em Jacarepaguá. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 out. 1973. p. 4. Dois casais foram metralhados e carbonizados na Praça Sentinela em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, RJ, durante a noite de 27/10/73. Segundo testemunhas, o carro das vítimas estava estacionado quando a rua foi cercada por cerca de oito carros e de um deles saltou um homem. Ele gritou para que todos se afastassem e iniciou tiroteio em direção ao carro com os casais, que chegou a explodir. Não havia documentos nesse carro, apenas um revólver e balas.

Foto
Foto original e preto e branco dos corpos de Ramires Maranhão do Vale, Almir Custódio de Lima e Vitório Alves Moitinho no local de morte.

Relatório
Informação da Divisão de Informações de Segurança da Aeronáutica, para o II Exército e DOPS, de 22/11/73. Consta que em 27/10/73, em tiroteiro com órgãos de segurança do Estado da Guanabara, foram mortos militantes do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR): Ranúsia Alves Rodrigues, Ramirez Maranhão do Valle, Almir Custódio de Lima e Vitorino Alves Moitinho. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Ficha pessoal
Registro de Identificação na Secretaria de Segurança Pública.

Artigo de revista
Quem matou quem? Veja, São Paulo, 7 nov. 1973, p. 34 e 36. Durante a noite de 27/10/73, dois casais que se encontravam em um carro estacionado da Praça Sentinela em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, RJ, foram cercados por oito ou nove carros. Um homem saltou de um deles, gritou para que todos se afastassem e começou a metralhar o carro com os casais. Uma das moças tentou fugir, mas também foi morta. Em seguida, os assassinos atiraram no carro uma bomba e fugiram rapidamente. Até o momento não se sabia a identificação dos assassinos ou das vítimas, pois nenhum documento foi encontrado, apenas um revólver e balas.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.


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