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Aldo de Sá Brito Souza Neto
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Aldo de Sá Brito Souza Neto
Cidade:
(onde nasceu)
Rio de Janeiro
Estado:
(onde nasceu)
RJ
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
20/1/1951
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Ação Libertadora Nacional ALN
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Renê, Giovani, Wagner, Wagner Luiz Santos Pereira
Prisão: 2/1/1971
Belo Horizonte MG Brasil
Morto ou Desaparecido:
Morto
6/2/1971
Belo Horizonte MG Brasil
DOI-CODI/MG
Segundo depoimento de pessoas que estavam presas na época.
Clandestinidade
Morto
7/1/1971
Belo Horizonte MG Brasil
Hospital Militar (BH/MG)
Segundo certidão de óbito.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/MG DOI-CODI/MG MG Brasil
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Djezza Gonçalves Leite, Neyder Teixeira, Vera Lúcia Junqueira Monteiro de Barros
   
Biografia  
Biografia
Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).
Nasceu em 20 de janeiro de 1951, no Rio de Janeiro, filho de Aldo Leão de Souza e Therezinha Barros Câmara de Souza.
Concluiu o ginásio no Colégio Santo Inácio e fez o curso científico no Colégio Mallet Soares, no Rio de Janeiro.
Como militante da ALN foi do Comando Regional da organização.
Foi preso no dia 2 de janeiro de 1971 pelos agentes do DOI-CODI de Belo Horizonte, sendo imediatamente torturado, juntamente com outros companheiros.
Jornais do dia seguinte publicaram a notícia de sua prisão como decorrência de uma frustrada ação armada.
Entretanto, Aldo, que acabara de chegar do Rio de Janeiro, foi preso como suspeito na participação do seqüestro do embaixador da Suíça no Brasil (até aquele momento ainda em curso), Giovanne Enrico Bucher.
Dois dias após a sua prisão, os jornais publicaram um desmentido.
Aldo, já muito torturado, passou a ser castigado com a chamada coroa de cristo, fita de aço que vai sendo gradativamente apertada, esmagando aos poucos o crânio da vítima.
No dia 6 de janeiro, não resistindo a tão bárbaros sofrimentos, morreu com o crânio apresentando um afundamento de cerca de 2 cm.
Apesar do testemunho dos companheiros de prisão, os órgãos de repressão divulgaram nota oficial noticiando que sua morte fora em decorrência da tentativa de fuga, ao saltar do terceiro andar de um prédio.
Em pesquisa realizada no DOPS/SP foi encontrada apenas uma ficha, marcada com uma cruz, onde dizia que Aldo estava com pedido de Pena de Morte em decorrência de haver morrido um guarda no assalto ao Banco Nacional de Minas Gerais em que Aldo era acusado de participação.
No relatório do Ministério da Aeronáutica é mantida a falsa versão de que teria se atirado da janela de um prédio de apartamentos, quando tentava fugir da polícia, e que teria falecido no hospital para o qual fora levado em 6 de janeiro de 1971.
O exame necroscópico, realizado no IML/MG, em 07/01/71, firmado pelos Drs. Neyder Teixeira e Vera Lúcia Junqueira Monteiro de Barros confirma outra falsa versão oficial da repressão de que Aldo teria morrido em tiroteio. Esses médicos não foram investigados pelo CRM/MG pois sua diretoria arquivou a solicitação do Grupo Tortura Nunca Mais (GTNM)/MG.
A certidão de óbito atesta sua morte em 7 de janeiro de 1971, sendo firmada por outro médico, que não participou da necrópsia, o Dr. Djezzar Gonçalves Leite. Informa que Aldo morreu no Hospital Militar (BH/MG), sendo enterrado pela família em Cemitério do Rio de Janeiro.
Sua avó relata que o viu pela última vez em outubro de 1970. Estava magro e lhe dizia que iria viajar sem dizer para onde. Dizia também que daria notícias quando pudesse e que se precisasse de dinheiro a procuraria.
Mais tarde escreveu a seu pai, pedindo que levasse a sua avó ao médico e que a felicitasse pelo seu aniversário.
A avó, que o criou desde pequeno, pois perdera a mãe, conta como foi a procura nos órgãos de repressão:
"Fui avisada na repartição, por um telefonema anônimo, que meu neto havia sido preso em Belo Horizonte no dia 6 e pedia que eu providenciasse um advogado.
"A notícia também foi dada pelos jornais, mas com o retrato de outra pessoa.
"Pedi, então, uma apresentação do Cardeal D. Jayme de Barros Câmara para o Arcebispo de Belo Horizonte e viajei no mesmo dia. Lá, fui muito bem acolhida pelo Arcebispo que designou o seu bispo auxiliar para me acompanhar onde fosse necessário. Fomos à delegacia de polícia onde nos informaram que Aldo havia sido transferido para Juiz de Fora, mas que dentro de dois dias ele retornaria a Belo Horizonte, quando então, eu poderia vê-lo. Ao retornar ao aeroporto, deparei com a notícia no jornal local de que Aldo havia falecido. Voltei novamente à delegacia e me disseram que havia morrido um jovem de 20 anos por atropelamento, gerando a partir disso uma generalizada confusão, mas que eu seria levada ao necrotério para certificar-me da veracidade dos fatos. "Ao chegar no necrotério constatei que não era Aldo. Diante disto voltei ao Rio.
"Dois dias depois, conforme havia sido acertado com o delegado, voltei a Belo Horizonte com meu genro. Na delegacia, pediram a meu genro para que passasse para outra sala onde lhe mostraram vários retratos de rapazes presos, entre eles uma de meu neto que foi logo reconhecido pelo pai. Então lhe foi dito que Aldo havia falecido em conseqüência de uma queda, ao tentar fugir, pulando de uma janela no bairro de Santa Inês e em seguida pediram dados sobre o Aldo: filiação, idade etc.
"Ao anoitecer, voltamos ao Rio de avião. Meu genro estava muito nervoso.
"Ao chegarmos, deparamos com a casa cheia de parentes, ocasião em que me disseram que uma pessoa ligara para mim com insistência, mas sem se identificar.
"Em seguida, meu genro, chorando, deu-me a notícia de que Aldo havia falecido. Horas depois, a pessoa que não quis identificar-se, ligou novamente dando a notícia da morte de Aldo e dizendo que se a família quisesse o corpo que providenciasse a sua remoção para o Rio.
"O corpo foi removido para o Rio com ordem expressa das autoridades competentes de que não poderia haver velório. Apenas seria permitido a abertura do caixão no cemitério, o que foi feito para um rápido reconhecimento..."
   
Documentos  
Artigo de jornal
O terrorismo ataca o hospital. Jornal da Tarde, São Paulo, 11 dez. 1970. Reportagem sobre assalto ao Banco Itaú que funciona no Hospital Nossa Senhora da Conceição em Porto Alegre, RS. A polícia suspeita de alguns "terroristas", já envolvidos em seqüestros e assaltos. Falta continuação da reportagem.

Relatório
Informação confidencial do Exército, Rio de Janeiro, de 03/02/72, para vários órgãos de segurança sobre a Ação Libertadora Nacional (ALN). Traz o resumo de depoimentos, que segundo a polícia teriam sido prestados por Hélcio Pereira Fortes, morto em São Paulo ao tentar fugir em um "ponto". São citados: Hélcio Pereira Fortes, Arnaldo Cardoso Rocha, Sérgio Landulfo Furtado, Antônio Sérgio de Mattos, Mário de Souza Prata, Marcos Nonato da Fonseca, Paulo de Tarso Celestino da Silva, Aurora Maria do Nascimento, Ísis Dias de Oliveira, Antônio Carlos Nogueira Cabral, Alex e Iuri Xavier Pereira, José Miltom Barbosa, Aldo de Sá Brito, Getúlio d'Oliveira Cabral e James Allen Luz. Há ainda informações sobre vários militantes como Josephina Vargas Hernandes, mulher de Luiz Almeida Araújo, que estaria grávida, morando na Guanabara.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Ficha pessoal
Documento do DOPS/PR, de 25/02/71, informando que Aldo está com pedido de pena de morte por assalto à agência do Banco Nacional de Minas Gerais, quando um guarda faleceu (25/02/71), e que foi morto quando tentava reagir à voz de prisão (jornal O Estado de S. Paulo, de 21/09/71).

Ficha pessoal
Documento do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), sem data, com carimbo do DOPS. Apresenta foto de rosto, nome falso de Wagner Luiz Santos Pereira e descrição física.

Pedido de busca
Documento do Gabinete do Exército, Rio de Janeiro, de 1972. Trata-se de pedido de busca ao Dr. Iberê Brandão e Fonseca. O item sobre os dados conhecidos informa que: o Dr. Iberê pertenceu ao esquema médico da Ação Libertadora Nacional (ALN), sendo ligado a Carlos Marighella, Joaquim Câmara Ferreira, Hélcio Pereira Fortes e a Aldo de Sá Brito (morto). Em anexo, cópia da foto de Iberê Brandão e Fonseca.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.


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