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Mário Alves de Souza Vieira
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Mário Alves de Souza Vieira
Cidade:
(onde nasceu)
Santa Sé
Estado:
(onde nasceu)
BA
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
14/2/1923
Atividade: Jornalista
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Partido Comunista Brasileiro PCB
Brasil
Partido Comunista Brasileiro Revolucionário PCBR
Brasil
Prisão: 0/7/1964
Rio de Janeiro RJ Brasil
Libertado um ano depois por concessão de habeas-corpus.16/1/1970
Rio de Janeiro RJ Brasil
Morto ou Desaparecido:
Desaparecido
17/1/1970
Rio de Janeiro RJ Brasil
DOI-CODI/RJ
Morto sob torturas.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/RJ DOI-CODI/RJ RJ Brasil
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Os desaparecidos, uma questão que vai persistir. Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 jan. 1979. Parte de artigo sobre a questão dos desaparecidos políticos no período da ditadura militar. Segundo generais do Exército, há somente quatro possibilidades de desaparecimento de uma pessoa: ela teria sido executada por sua própria organização, que jogaria a culpa no Exército; ela poderia ficar tão desestruturada mentalmente que romperia com todos os conhecidos e sua família a ajudaria a se mudar para o exterior alegando que seu ente sumiu; o suposto desaparecido seria na verdade um membro infiltrado pelas forças de segurança nacional que, ao terminar seu serviço, fazia plástica e recuperava sua antiga identidade; ou mortos por acidente, mas que o Exército não permitiu a publicidade do fato. Cita uma lista de pessoas dadas como desaparecidas pelas organizações cujas fichas estavam no necrotério de um órgão de segurança em 12/73. São elas: Jorge Leal Gonçalves Pereira, Mário Alves de Souza Vieira, Ruy Carlos Vieira Berbert, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar Sobrinho, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Joaquim Pires Cerveira, Ísis Dias de Oliveira, Ramires Maranhão do Vale, Thomas Antônio da Silva Meirelles Neto. Apresenta ainda alguns detalhes controvertidos das histórias dos desaparecidos Edgar de Aquino Duarte, Joaquim Pires Cerveira, João Batista Rita e Paulo Costa Ribeiro Bastos. Também contesta a lista de desaparecidos divulgada pelo Comitê Brasileiro de Anistia em relação aos nomes de Antônio dos Três Reis Oliveira.

Artigo de jornal
Fiuza e Frota desmentem versão sobre desaparecido. (Sem fonte), de 31 jan. 1980. O general Adir Fiuza de Castro desmente as acusações feitas a ele e ao general Sílvio Frota de serem os responsáveis pelo desaparecimento de Joaquim Pires Cerveira, afirmando que na época do ocorrido já não comandava o DOI-CODI/RJ. No início de 1979 dois generais e mais um oficial que participavam da repressão declararam que alguns dos desaparecidos foram de fato mortos por órgãos de segurança, mas que por alguma razão não podiam assumir o fato publicamente. Foram citados os seguintes desaparecidos: Jorge Leal Gonçalves Pereira, Mário Alves de Souza Vieira, Ruy Carlos Vieira Berbert, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar, Paulo César Botelho Massa, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Ísis Dias de Oliveira, Ramires Maranhão do Vale e Thomaz Antônio da Silva Meireles Neto. O general Frota declarou que isso é impossível de ter acontecido no I Exército. Enquanto isso, o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA) continua exigindo que o governo esclareça o desaparecimento de mais de cento e vinte e cinco militantes, após suas prisões.

Artigo de jornal
A semântica da violência. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 3 ago. 1979. p. 5. Entrevista com Antônio Houaiss, lingüista, escritor e diplomata que teve seus direitos políticos cassados na ditadura militar. Ele levanta a seguinte questão: "...Como explicar também que o golpe de 1964, no Brasil, se tenha auto-intitulado 'revolução' para combater a 'subversão', palavras que o bom senso e qualquer dicionário identificam como sinônimos?". Também fala sobre o projeto de anistia do governo, que na realidade não dá a anistia e sim obriga os funcionários públicos cassados a requerê-la assumindo, dessa forma, que fizeram algum ato ilegal no passado e, além disso, não abrange todas as pessoas anistiáveis. O quadro intitulado "Estes 'desaparecidos' foram mortos" traz a informação de que dois generais e um coronel afirmaram que catorze pessoas consideradas desaparecidas políticas foram, de fato, mortas pelo serviço secreto das Forças Armadas. Entre elas estão: Ruy Carlos Vieira Berbert, Mário Alves de Souza Vieira, Jorge Leal Gonçalves Pereira, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar Sobrinho, Paulo César Botelho Massa, Ísis Dias de Oliveira, Stuart Edgar Angel Jones, Joaquim Pires Cerveira, Sérgio Landulfo Furtado, Ramires Maranhão do Vale, Rubens Beirodt Paiva e Thomas Antônio da Silva Meirelles Neto. As mortes foram classificadas por esses militares como acidentes de trabalho. Essa declaração possibilitou identificar "aparelhos" secretos utilizados por oficiais para tortura, como a Fazenda 31 de Março, em Parelheiros, SP, muito usada pelo delegado Sérgio Fleury.

Foto
Foto original e preto e branco de busto.

Foto
Fotos originais e preto e branco de busto e de corpo inteiro, em épocas distintas.

Foto
Foto original e preto e branco de Dilma Alves, viúva de Mário, durante ato público pelos desaparecidos políticos com cartaz de Mário Alves. Ao lado dela outra pessoa esta com cartaz de Joel Vasconcelos Santos.

Relatório
Documento do Serviço de Informações do DOPS, de 28/03/69, relatando que tomou posse uma nova diretoria para a Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado de São Paulo, tendo Mário Alves da Silva como segundo tesoureiro. Possui código de localização da pasta de onde foi retirada a informação.

Relatório
Relato cronológico sobre a vida de Mário Alves de Souza Vieira, elaborado por sua filha Lúcia. Ela conta ano a ano o que ocorria com seu pai. Inicia-se em 1923, com o nascimento de Mário, segue para 1939, com sua filiação ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), terminando em 1970, quando em 16 de janeiro ele saiu de casa, no Rio de Janeiro e nunca mais voltou.

Relatório
Página 2 de documento com denúncia de organizações de esquerda encontrado no arquivo do DOPS/SP. Possui lista dos brasileiros assassinados pela ditadura militar, cita três brasileiros inválidos e artigo do Estado de São Paulo de 13/05/70, questionando sobre pena de morte no Brasil em virtude de comissão especial de justiça a ser designada para julgar quatro acusados de terrorismo em Olinda, PE, que poderá condená-los à pena de morte. Na lista dos brasileiros assassinados constam: Carlos Marighella, Edson Luiz, José Guimarães, João Roberto, Chael, Padre Henrique (Antônio Henrique), Bernardino Saraiva, Carlos Roberto Zanirato, Carlos Schirmer, José de Souza, João Lucas Alves, Manuel Alves de Oliveira, Pedro Inácio de Araújo, Hamilton Cunha, Severino Melo, Severino Viana Colon, Reinaldo Pimenta, Fernando Ruivo (Fernando Borges de Paula Ferreira), Virgílio Gomes, Mário Alves, além de José Araújo Nóbrega.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Folheto
Folheto de divulgação do Instituto de Estudos Políticos Mário Alves, em São Paulo, SP. Este instituto foi criado em homenagem ao desaparecido político Mário Alves de Souza Vieira, intelectual dedicado ao estudo do marxismo e sua prática no Brasil.

Artigo de revista
Filgueiras, Otto. Guerreiro da grande batalha: a história de Mário Alves. Revista Brasil Revolucionário, São Paulo, n. 21, nov. 1995/ jan. 1996, p. 21-36. O artigo relata a vida de Mário Alves de Souza: seu nascimento, estudos em Salvador, a entrada para o movimento estudantil, a afiliação ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o casamento com Dilma Borges. Conta também o posicionamento de Mário diante da II Guerra Mundial, quando apresentou-se como voluntário para a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Dá um panorama da situação do país desde o período de Getúlio Vargas até a ditadura militar, mostrando a entrada de Mário e sua família para a vida clandestina. Descreve o suposto desaparecimento de Mário que, de fato, foi morto sob tortura nas dependências do DOI-CODI/RJ, em 17/01/70, segundo depoimento de outros presos. Dilma, apesar de vários esforços não conseguiu reaver o corpo do marido, que hoje dá nome a uma rua na cidade de São Paulo.

Ofício
Memorando da Aeronáutica, do Serviço Secreto do DOPS/SP, de 05/02/69, solicitando a ficha pessoal de algumas pessoas, entre elas Mário Alves de Souza Vieira. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Depoimento
Texto escrito por Célia Frazão Soares Linhares, irmã de Ruy e membro do Grupo Tortura Nunca Mais, intitulado "Restaurando a dignidade nacional: os desaparecidos políticos". Nele, Célia cita a tragédia trazida pela ditadura em diversos países latino-americanos, produzindo os desaparecidos políticos. Relembra o sofrimento pessoal com a prisão violenta do irmão seguida de seu desaparecimento, por ocasião do reconhecimento oficial da morte de Ruy Frazão e de Mário Alves, dentre os quase 500 “desaparecidos”. Faz questão de enfatizar a figura do juiz Roberto Wanderley Nogueira que, em nome da nação, desculpou-se pelo caos gerado pelo terror e seus produtos, afirmando que os atos dos repressores para a tentativa de controle dos comunistas foram completamente vergonhosos e vazios, trazendo o terror em nome da segurança nacional.

Legislação
Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7.

Legislação
Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes.

Parte de livro
Trecho de livro onde estão transcritos alguns trechos de uma carta de Dilma Borges Vieira, esposa de Mário Alves de Souza Vieira, de 27/09/70, enviada a Aparecida Gomide, esposa do cônsul brasileiro que foi preso no Uruguai pela organização anti-imperialista Tupamaros. Dilma relata o assassinato sob tortura de Mário pelo I Exército, sem direito algum, e o fato de ela não ter o direito de enterrar o corpo de seu marido, que está desaparecido.

Carta
Carta de Dilma Borges Vieira, esposa de Mário Alves de Souza Vieira, de 27/09/70, enviada a Aparecida Gomide, esposa do cônsul brasileiro que foi preso no Uruguai pela organização anti-imperialista Tupamaros. Dilma relata o assassinato sob tortura de Mário pelo I Exército, sem direito algum, e o fato de ela não ter o direito de enterrar o corpo de seu marido, que está desaparecido. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.


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