Lista de nomes
Pesquisa
  OK
Morto e desaparecido
Audiovisual
Bibliografia
Eventos
História
Legislação
Notícias
Adriano Fonseca Filho
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Adriano Fonseca Filho
Cidade:
(onde nasceu)
Ponte Nova
Estado:
(onde nasceu)
MG
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
18/12/1945
Atividade: Estudante universitário
UniversidadeUniversidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Partido Comunista do Brasil PC do B
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Chico, Queixada, Alberto, Felipe, Alemão
Morto ou Desaparecido:
Desaparecido
29/11/1973
PA Brasil
região do Araguaia, grota do Nascimento
Segundo Relatório Arroyo, desapareceu entre 28 e 29/11/73, após ter sido ferido em combate.
Clandestinidade
Desaparecido
3/12/1973
PA Brasil
região do Araguaia
Segundo Relatório do Ministério da Marinha.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
   
Biografia  
Biografia
Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).
Nasceu em Ponte Nova, MG, no dia 18 de dezembro de 1945, filho de Adriano Fonseca e de Zely Eustáquio Fonseca.
Desaparecido em 28 ou 29 de novembro de 1973.
Era o segundo de cinco irmãos em uma família presbiteriana.
Fez o curso primário numa escola particular de Ponte Nova e, aos 10 anos, transferiu-se para o Colégio Batista, em Belo Horizonte, MG, para fazer o curso ginasial como aluno interno. Posteriormente, mudou-se para Lavras, no mesmo estado, onde fez o curso científico, no Instituto Gammon, também em regime de internato. Muito ligado à música, Adriano estudava e tocava piano desde os 5 anos. Aos 17 anos terminou o curso científico em Lavras, transferindo-se, então, para o Rio de Janeiro. Aluno brilhante do curso primário ao científico, tirava sempre os primeiros lugares nas escolas por onde passou.
No período em que estudou fora, Adriano só passava em casa durante as férias. Depois que se mudou para o Rio, suas idas ficaram mais escassas. Escrevia raramente para a mãe. Os irmãos acreditavam que ele desenvolvesse alguma ação política pois, apesar de serem mais novos, tinham conhecimento da luta de oposição ao regime. Como gostava muito de ler e de estudar filosofia, quando ia a Ponte Nova levava livros para os irmãos e os orientava.
Pouco depois da morte de Edson Luís de Lima Souto, no Restaurante Calabouço em 1968, no Rio de Janeiro, Adriano foi para Ponte Nova onde ficou por seis meses com a família.
Nos períodos de férias que passava em Ponte Nova, estreitava sua amizade com o compositor e cantor João Bosco. Adriano era também muito ligado às artes plásticas, gostava de pintar e, principalmente, fazer gravuras. Era um homem muito atraente, fino e elegante. Era muito alto, medindo 1,96 m e foi jogador de basquete, em Ponte Nova.
Deve ter ido para o Rio de Janeiro por volta de 1967/1968, indo morar num apartamento em Ipanema, a "república" dos intelectuais, escritores e artistas. Trabalhou no Superior Tribunal Eleitoral (STE) e se dedicou ao teatro, encenando e escrevendo peças teatrais. Uma das peças em que atuou como ator foi encenada no Teatro Tereza Rachel, na Praça Cardeal Arcoverde. Adriano estudou no cursinho pré-vestibular do Centro Acadêmico "Edson Luís" (CAEL) em 1968 e, nesse período, iniciou sua participação no movimento estudantil em luta por aumento de vagas nas universidades. É importante destacar que o Centro Acadêmico "Edson Luís" foi fundado em 1968 e criado por ocasião do desmembramento da Faculdade Nacional de Filosofia (FNFI) e a criação do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) (que hoje constituem a UFRJ).
Adriano foi aprovado no vestibular no final de 1968, iniciando o curso de Filosofia em 1969. Ainda no primeiro semestre de 1969, começou sua militância política no Partido Comunista do Brasil (PC do B). Participou ativamente do movimento estudantil e, em 1970, após a edição do Ato Institucional n. 5 (AI-5), com a intensificação da repressão foi obrigado a entrar para a clandestinidade. Nesse período, foi morar num sótão, em um prédio antigo no Leblon com Ronald de Oliveira Rocha, seu companheiro de organização. Aí viveu durante um ano e meio. Segundo depoimento de Ronald e Myriam, que foram muito ligados a Adriano, ele era uma pessoa muito meiga, educada e amiga. Pessoa combativa que se dedicava por inteiro ao que acreditava. Adriano era um idealista, um humanista e sua dedicação ao Partido vinha de um vínculo profundo com a luta popular e os ideais revolucionários.
Gostava muito de música popular brasileira, jazz, música erudita e, principalmente, dos Beatles. Jogava xadrez, lia muito, gostando mais de literatura e teatro do que de livros teóricos - mesmo os de filosofia. Como bom mineiro adorava uma goiabada.
No final de 1970, início de 1971, participou da Comissão Organizadora da Juventude Patriótica, movimento de frente única de jovens, criado por iniciativa do PC do B. Já nessa época abandonou o emprego devido a questões de segurança, por já estar vivendo como clandestino. Foi então que se colocou à disposição do PC do B para fazer um trabalho especial no campo. Em função disso, foi destacado para ir para o Araguaia, indo viver na região da Gameleira, incorporando-se ao Destacamento B, cujo comandante era Osvaldo Orlando da Costa - o Osvaldão e usando os codinomes Chico, Queixada, Alberto e Felipe. Tinha, nessa época, 23 anos de idade. Adriano Fonseca Filho foi ferido em combate no dia 28 ou 29 de novembro de 1973, próximo à grota do Nascimento, estando desaparecido desde então.
O Relatório do Ministério da Marinha diz que ele foi "morto na região do Araguaia em 3 de dezembro de 1973".
   
Documentos  
Foto
Foto original e preto e branco de rosto.

Legislação
Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7.

Legislação
Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes.

Legislação
Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I.


voltar
EREMIAS DELIZOICOV - Centro de documentação | DOSSIÊ - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil
2002 - 2007 Todos os direitos Reservados