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Ruy Carlos Vieira Berbert
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Ruy Carlos Vieira Berbert
Cidade:
(onde nasceu)
Regente Feijó
Estado:
(onde nasceu)
SP
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
16/12/1947
Atividade: Estudante universitário
UniversidadeUniversidade de São Paulo USP
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Ação Libertadora Nacional ALN
Brasil
Movimento de Libertação Popular MOLIPO
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
João Silvino Lopes, Osvaldo, Joaquim, Silvino
Prisão: 31/12/1971
Natividade TO Brasil
Preso como João Silvino Lopes.
Morto ou Desaparecido:
Morto
2/1/1972
Natividade TO Brasil
Cadeia Pública
Morte reconhecida pela Justiça em 30/06/92.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Delegado Pedro Soares Lopes
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Os desaparecidos, uma questão que vai persistir. Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 jan. 1979. Parte de artigo sobre a questão dos desaparecidos políticos no período da ditadura militar. Segundo generais do Exército, há somente quatro possibilidades de desaparecimento de uma pessoa: ela teria sido executada por sua própria organização, que jogaria a culpa no Exército; ela poderia ficar tão desestruturada mentalmente que romperia com todos os conhecidos e sua família a ajudaria a se mudar para o exterior alegando que seu ente sumiu; o suposto desaparecido seria na verdade um membro infiltrado pelas forças de segurança nacional que, ao terminar seu serviço, fazia plástica e recuperava sua antiga identidade; ou mortos por acidente, mas que o Exército não permitiu a publicidade do fato. Cita uma lista de pessoas dadas como desaparecidas pelas organizações cujas fichas estavam no necrotério de um órgão de segurança em 12/73. São elas: Jorge Leal Gonçalves Pereira, Mário Alves de Souza Vieira, Ruy Carlos Vieira Berbert, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar Sobrinho, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Joaquim Pires Cerveira, Ísis Dias de Oliveira, Ramires Maranhão do Vale, Thomas Antônio da Silva Meirelles Neto. Apresenta ainda alguns detalhes controvertidos das histórias dos desaparecidos Edgar de Aquino Duarte, Joaquim Pires Cerveira, João Batista Rita e Paulo Costa Ribeiro Bastos. Também contesta a lista de desaparecidos divulgada pelo Comitê Brasileiro de Anistia em relação aos nomes de Antônio dos Três Reis Oliveira.

Artigo de jornal
Artigo incompleto, sem fonte e data, intitulado "A Aeronáutica relata como foi o seqüestro". Divulga o relatório elaborado pela Aeronáutica sobre o seqüestro de um avião. Segundo o relatório, entre os envolvidos estava Maria Augusta Thomaz, Aylton Adalberto Mortati, Lauriberto José Reyes e Ruy Carlos Vieira Berbert.

Artigo de jornal
Documento sem fonte e data intitulado: O "código Lindenbergh" na mira dos advogados. O artigo comenta a afirmação feita pelos advogados Idibal Piveta e Paulo Gerab, de que todos os desaparecidos estariam catalogados nos órgãos de segurança sob a sigla "código Lindenbergh". Os advogados contam que em 07/02/75 o então ministro da Justiça, Armando Falcão, publicou dados sobre vinte e três desaparecidos, cuja fonte seria o "código Lindenbergh - 23", que depois de atualizado em maio do mesmo ano passou a chamar-se "código Lindenbergh - 121". Segundo os advogados, esse dossiê teria informações sobre Hélio Luiz Navarro de Magalhães e Ruy Carlos Vieira Berbert. Ruy participou de atividades como o XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, SP, sendo condenado pela participação no seqüestro do avião da Varig que ia de Buenos Aires a Santiago, juntamente com Aylton Adalberto Mortati, Maria Augusta Thomaz e Lauriberto José Reyes.

Artigo de jornal
Hatori, Elza. Provas confirmam mortes da ditadura. Diário Popular, São Paulo, 1 de ago. 1991, p. 2. Trata da disponibilização do arquivo do DOPS/PR à Prefeitura de São Paulo para a realização de trabalho em Curitiba pela Comissão Especial de Investigação que foi criada por esta Prefeitura para acompanhar o processo das ossadas enterradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. As investigações levaram à confirmação da morte de vítimas da ditadura que não tiveram o óbito assumido pelo regime militar. Foram localizadas 17 fichas de militantes desaparecidos no arquivo do Paraná dentro de uma gaveta com a inscrição "Falecidos". Apesar das fichas e prontuários terem sido localizados em Curitiba, a maior parte destes 17 militantes desapareceu em São Paulo, depois de serem presos e torturados.

Artigo de jornal
STM pede todos os processos para dar anistia aos revéis. Folha de S. Paulo, São Paulo, 22 set. 1979. Segundo o Superior Tribunal Militar (STM), os réus que foram julgados à revelia devem ser beneficiados pela Lei da Anistia. No Rio de Janeiro já foram anistiadas várias pessoas condenadas por crimes contra a segurança nacional, entre eles: Ruy Carlos Vieira Berbet, Maria Augusta Thomaz, Mariano Joaquim da Silva e Maria Auxiliadora Lara Barcelos. Em Brasília foram beneficiadas quatro pessoas e, em São Paulo, foram concedidos dois livramentos condicionais.

Artigo de jornal
Aeronáutica divulga relatório e aponta responsáveis pelo seqüestro do "Boeing". (Sem fonte), 13 dez. 1969. O Boeing da Varig, que ia de Buenos Aires a Santiago do Chile em 04/11/69, foi seqüestrado por nove brasileiros, entre eles os estudantes paulistas Ailton Adalberto Mortati, Maria Augusta Thomaz e Lauriberto José Reyes.

Artigo de jornal
Justiça Militar condena 27 subversivos em SP. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 22 mar. 1975. A Auditoria da Justiça Militar, após mais de treze horas de julgamento de processo sobre "terrorismo e subversão" em São Paulo, condena vinte e sete réus, absolve cinqüenta, entre eles Norberto Nehring e Ruy Carlos Vieira Berbert, extingue a punibilidade de doze, entre eles Nestor Veras, exclui do processo dezessete e declara encerrado o processo de treze indiciados que foram banidos do Brasil. Entre estes últimos estão: Carlos Eduardo Pires Fleury, Edmur Péricles Camargo, Jeová de Assis Gomes e João Leonardo da Silva Rocha. Seqüestro: juiz intima indiciados. (Sem fonte), 10 mar. 1970. Consta que o juiz auditor Milton Fiuza intimou três jornalistas e um comerciário por causa do seqüestro do embaixador dos Estados Unidos e que a corregedoria da Justiça Militar enviou inquérito para a Marinha sobre o seqüestro do Boeing da Varig, em 04/11/69, estando indiciados Aylton Adalberto Mortati, Lauriberto José Reyes, Maria Augusta Thomaz e Ruy Carlos Vieira Berbert.

Artigo de jornal
Cardeal apóia a violência do padre. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 28 jul. 1972. O artigo comenta o fato do cardeal dom Eugênio Salles apoiar o padre José Artolas que, para defender o interesse de favelados, depredou o escritório da Codesco, em 12/70. Segundo o cardeal, o padre aumentou a confiança dos favelados na Igreja de Cristo. O bispo auxiliar dom José de Castro Pinto, no entanto, disse que a igreja não poderia arcar com a defesa do padre e de nenhum outro sacerdote que cometesse um crime. Prossegue o inquérito que acusa uma gráfica de editar o panfleto Venceremos, da Ação Libertadora Nacional (ALN), e condena à revelia Ayrton Adalberto Mortati, Ruy Carlos Vieira Berbert e Maria Augusta Thomaz, acusados do seqüestro do Boeing da Varig, desviando seu curso para Havana, Cuba. Lauriberto José Reyes teve sua punibilidade extinta por ter falecido durante o processo. O advogado de defesa tentou alegar que o crime foi cometido fora das fronteiras brasileiras e que o Brasil não possui leis para punir o seqüestro de aeronaves, sendo rejeitado. Também foram absolvidos estudantes de direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro que haviam sido acusados de crime contra a segurança nacional.

Artigo de jornal
STM julga processo de 119 acusados de ações pela ALN. Sem fonte e data. Trata do julgamento do processo da Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo de Carlos Marighella, que não foi julgado por ter morrido em tiroteio antes da conclusão do inquérito. O processo resultou em vinte e oito condenados, cinqüenta e dois absolvidos, catorze excluídos, treze banidos e oito pessoas com penas prescritas.

Artigo de jornal
Fiuza e Frota desmentem versão sobre desaparecido. (Sem fonte), de 31 jan. 1980. O general Adir Fiuza de Castro desmente as acusações feitas a ele e ao general Sílvio Frota de serem os responsáveis pelo desaparecimento de Joaquim Pires Cerveira, afirmando que na época do ocorrido já não comandava o DOI-CODI/RJ. No início de 1979 dois generais e mais um oficial que participavam da repressão declararam que alguns dos desaparecidos foram de fato mortos por órgãos de segurança, mas que por alguma razão não podiam assumir o fato publicamente. Foram citados os seguintes desaparecidos: Jorge Leal Gonçalves Pereira, Mário Alves de Souza Vieira, Ruy Carlos Vieira Berbert, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar, Paulo César Botelho Massa, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Ísis Dias de Oliveira, Ramires Maranhão do Vale e Thomaz Antônio da Silva Meireles Neto. O general Frota declarou que isso é impossível de ter acontecido no I Exército. Enquanto isso, o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA) continua exigindo que o governo esclareça o desaparecimento de mais de cento e vinte e cinco militantes, após suas prisões.

Artigo de jornal
Comissão acha cova de outro desaparecido político. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 abr. 1992. Informa que foi localizada, em Natividade, TO, a sepultura de Ruy, que foi enterrado como João Silvino Lopes, depois de, segundo a versão oficial, ter se suicidado na cadeia local. O local foi reconhecido pelo coveiro e outras testemunhas, que também identificaram Ruy como João Silvino. Já foi feito o pedido para retificação da certidão de óbito. Em documentos do DOPS/PR constava que Rui falecera na mesma delegacia onde Silvino estava, as datas de nascimento coincidiam e nessa mesma ficha havia a informação de que Ruy usava o codinome de João Silvino. Ruy Carlos Vieira Berbert era estudante universitário, preso ao participar do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, SP, e participou em 11/69 do seqüestro do jato Varig, junto de mais companheiros.

Artigo de jornal
A semântica da violência. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 3 ago. 1979. p. 5. Entrevista com Antônio Houaiss, lingüista, escritor e diplomata que teve seus direitos políticos cassados na ditadura militar. Ele levanta a seguinte questão: "...Como explicar também que o golpe de 1964, no Brasil, se tenha auto-intitulado 'revolução' para combater a 'subversão', palavras que o bom senso e qualquer dicionário identificam como sinônimos?". Também fala sobre o projeto de anistia do governo, que na realidade não dá a anistia e sim obriga os funcionários públicos cassados a requerê-la assumindo, dessa forma, que fizeram algum ato ilegal no passado e, além disso, não abrange todas as pessoas anistiáveis. O quadro intitulado "Estes 'desaparecidos' foram mortos" traz a informação de que dois generais e um coronel afirmaram que catorze pessoas consideradas desaparecidas políticas foram, de fato, mortas pelo serviço secreto das Forças Armadas. Entre elas estão: Ruy Carlos Vieira Berbert, Mário Alves de Souza Vieira, Jorge Leal Gonçalves Pereira, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar Sobrinho, Paulo César Botelho Massa, Ísis Dias de Oliveira, Stuart Edgar Angel Jones, Joaquim Pires Cerveira, Sérgio Landulfo Furtado, Ramires Maranhão do Vale, Rubens Beirodt Paiva e Thomas Antônio da Silva Meirelles Neto. As mortes foram classificadas por esses militares como acidentes de trabalho. Essa declaração possibilitou identificar "aparelhos" secretos utilizados por oficiais para tortura, como a Fazenda 31 de Março, em Parelheiros, SP, muito usada pelo delegado Sérgio Fleury.

Artigo de jornal
Jales resgata episódio não contado na história do Brasil. Jornal de Jales, 25 maio 1993. p. 10. Trata do evento ocorrido em 19/05/93, na Câmara Municipal de Jales, São Paulo, SP, homenageando Ruy Carlos Vieira Berbert, morto em Natividade, TO, e que teve seu corpo encontrado somente em 1992. Ele foi preso nessa cidade e, segundo versão oficial, suicidou-se. Foi enterrado com o nome de João Silvino Lopes. A família soube da sua morte quando teve acesso ao arquivo do DOPS/PR em 1992. Há a transcrição do discurso de seu pai e também o da veterinária Dalila Maria Lopes Rodrigues, última pessoa a ver Ruy em Natividade.

Artigo de jornal
Artigo incompleto, sem fonte e sem data, intitulado: Encontro de anistia divulga lista com novos desaparecidos. Informa que o Congresso Nacional pela Anistia divulgou lista com nomes de pessoas mortas e desaparecidas a partir de 1964.

Foto
Foto da cerimônia realizada na Câmara Municipal de Jales, SP, em 19/05/93, em homenagem a Ruy Carlos Vieira Berbert, que em 1992 teve seu corpo encontrado em Natividade, TO, enterrado com o nome de João Silvino Lopes.

Foto
Foto dos rostos de Maria Augusta Thomaz, Lauriberto Reyes, Ruy Berbert e Aylton Mortati, publicadas em jornal de 13/12/69.

Foto
Fotos originais e preto e branco de busto.

Foto
Fotos originais e preto e branco de Ruy com outras pessoas

Relatório
Documento do Ministério da Aeronáutica, de 08/12/71. Traz relação de nomes de pessoas que fizeram curso de "terrorismo" em Cuba e de pessoas banidas do território nacional que retornaram ao país, dando continuidade às suas atividades políticas. O documento possui carimbo do DOPS.

Relatório
Relatório do delegado Pedro Soares Lopes da Delegacia Especial de Polícia de Natividade ao juiz, em 10/01/72. Relata que prendeu João Silvino Lopes (nome falso de Ruy) em 31/12/71 e com ele apreendeu revólver, balas, canivete e uma granada. Mantido preso por se tratar de elemento subversivo, foi encontrado morto em sua cela na madrugada de 02/01/72, onde se enforcou.

Relatório
Relatório da Comissão 261/90, de 01/10/92. Informa sobre a exumação dos restos mortais de Ruy Carlos Vieira Berbert, em 20/10/92. Informa que Ruy desapareceu no final de 1971 e, em 1991, foram entregues à Comissão documentos sobre João Silvino Lopes, que se suicidara na cadeia de Natividade, TO, em 02/01/72. Através de pesquisas descobriu-se que Ruy e João eram a mesma pessoa e um grupo foi formado para ir ao local. A família de Ruy, através de seus contatos, conseguiu recursos para fazer a exumação e o transporte dos restos mortais, tornando desnecessário o acompanhamento da Comissão 261/90. Aguarda-se a localização exata da sepultura de Arno Preis, morto em 15/02/72 em Paraíso do Norte, GO.

Termo de declarações
Documento da Delegacia Especial de Polícia de Natividade, GO, de 31/12/71. Nele João ou Ruy conta que durante 1971 andou pelo Brasil, sendo que em São Paulo, um conhecido do Serviço de Identificação Criminal lhe arranjou uma arma, balas, uma carteira de identidade e uma carteira de trabalho, ambas em branco, e que com outro conhecido do Hospital das Clínicas conseguiu amostras grátis de remédios. Contou também que já fora abordado pela polícia em suas andanças, mas portava outra identidade.

Folheto
Folheto elaborado pela família de Ruy. Conta que Ruy começou a participar do movimento estudantil depois de entrar na Universidade de São Paulo (USP) e que depois do AI-5 foi obrigado a se ausentar do país. Traz também um trecho da sentença cível da juíza Sarita Von Roeder Michels, da comarca de Natividade, TO, que lembra a importância da luta anti-ditadura.

Folheto
Folheto elaborado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos a partir de depoimento de Otacília Berbert, mãe de Ruy. Traz uma breve biografia de Ruy, notas de algumas informações publicadas na imprensa sobre o desaparecimento do mesmo e descrição da angústia vivida pela família devido ao seu desaparecimento.

Prontuário/ Dossiê
Ficha com dados pessoais e físicos para antropologia forense na UNICAMP preenchida por familiares para identificação das ossadas de Perus.

Ficha pessoal
Documento da Delegacia de Ordem Política e Social, de 05/10/71. No seu histórico consta que Ruy participou do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, SP, que fez curso de "sabotagem e terrorismo" em Cuba e que em 26/06/78 foi absolvido pelo Superior Tribunal Militar (STM), que o havia acusado de participar da Ação Libertadora Nacional (ALN).

Ficha pessoal
Documentos do DOPS. Na primeira ficha consta que Ruy fez curso de guerrilha em Cuba, militava na Ação Libertadora Nacional (ALN), deixando-a para integrar o Movimento de Libertação Popular (MOLIPO). Na segunda ficha há informação de que integrava o MOLIPO, acompanhada de fotos de rosto numeradas. Na terceira consta que Ruy tem curso de guerrilha, que se encontrava em Cuba e que era procurado pela Justiça Militar. Nas duas últimas fichas consta que se suicidou na delegacia de polícia de Natividade, GO, em 01/72. Todas as fichas possuem os códigos das pastas de onde as informações foram retiradas.

Ficha pessoal
Documento do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), sem data e com foto numerada. Consta que Ruy seqüestrou avião para Cuba. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Ficha pessoal
Documento do DOPS/SP, sem data. No histórico consta que Ruy foi indiciado em 18/10/68 por participar do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, SP, que em 24/09/69 participou de tiroteio com o DOPS na cidade de São Paulo, no qual o estudante Luiz Fogaça Balboni faleceu, e que em 27/07/72 foi condenado por ter desviado um avião para Havana, Cuba.

Ficha pessoal
Documento da Delegacia Especializada de Ordem Social, sem data, com foto de rosto numerada. Consta que Ruy foi indiciado pela sua participação no XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, SP, e que em 24/09/69 teria participado de tiroteio com policiais do DOPS na cidade de São Paulo, quando faleceu Luiz Fogaça Balboni.

Documento pessoal
Certidão de nascimento de Ruy, de 18/12/47 e atestado de saúde, de 21/02/68.

Laudo de exame de corpo delito
Auto de exame cadavérico do Serviço Médico Legal/GO, de 02/01/72, em nome de João Silvino Lopes, realizado pelo enfermeiro Carmindo Moreira Granja e por Maria Lima Lopes. Em anexo está atestado de óbito da Unidade Sanitária de Natividade, GO à Delegacia Especial de Polícia de Natividade, de 05/01/72.

Certidão de óbito
Duas certidões do Cartório de Registro Civil de Natividade, GO, em nome João Silvino Lopes: uma de 11/04/72, e outra de 13/01/86, ambas indicando suicídio por enforcamento.

Auto de exibição e apreensão
Documento da Delegacia Especial de Polícia de Natividade, GO, de 31/12/71. Consta que foi aprendido um revólver Taurus, um canivete e uma bomba de fabricação caseira.

Interrogatório
Assentada à Delegacia Especial de Polícia de Natividade, GO, de 03/01/72. Tem o depoimento de quatro testemunhas a respeito de João Silvino Lopes, nome falso de Ruy. As duas primeiras, ao passarem pela delegacia e sabendo que lá estava preso um terrorista, olharam pela janela e viram o rapaz morto, enforcado em uma rede. A terceira testemunha, segurança do banco vizinho à delegacia, ouviu os comentários das duas primeiras e foi averiguar, confirmando o enforcamento. A quarta testemunha, ao passar pela delegacia ainda no dia 01/01/72, olhou pela janela e nada viu; ficou sabendo da morte quando o delegado da cidade passou em sua casa para pedir cordas para remover o corpo do preso.

Requisição de exame de cadáver
Documento solicitado pela Delegacia Especial de Polícia de Natividade, GO, de 02/01/72, em nome de João Silvino Lopes.

Depoimento
Biografia sobre Ruy Berbert, vulgo Joaquim, escrita em 26/03/92, por Ana Corbisier. Conta como foi a vida de Ruy em Cuba junto a alguns militantes brasileiros como Maria Augusta Thomaz, Aylton Adalberto Mortati, Arno Preis, Lauriberto Reyes, Antônio Benetazzo, João Leonardo da Silva Rocha, Boanerges de Souza Massa e a própria autora. Ficavam em uma casa cedida pelo governo cubano onde pela manhã faziam exercícios físicos e à tarde estudavam. Visitavam a cidade, freqüentavam a praia, sempre pensando na preparação para voltar ao Brasil. Acabaram por formar o Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), nascido dos questionamentos em relação à Ação Libertadora Nacional (ALN). Há a carta datilografada e o original manuscrito.

Evento/ Homenagem
Convite de Ruy Jaccoud Berbert (pai de Ruy) e família e o Grêmio estudantil Ruy Carlos Vieira Berbert, para ato em homenagem a Ruy, em 19/05/93, no Plenário da Câmara Municipal de Jales.

Auto de depósito
Auto de Entrega da Delegacia Especial de Polícia de Natividade, GO, de 02/01/72. Entrega os objetos apreendidos com João Silvino Lopes, nome falso de Ruy: um revólver, balas, uma bomba caseira, documentos, fotos, um canivete, roupas, sapatos e itens de higiene pessoal, além de algum dinheiro.

Legislação
Portaria da Delegacia Especial de Polícia de Natividade, GO, de 02/01/72, designando dois enfermeiros para fazerem o exame cadavérico em João Silvino Lopes (nome falso de Ruy), já que a cidade não possuía médicos oficiais. Em anexo está o termo de compromisso dos enfermeiros.

Legislação
Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes.

Certidão
Certidão da Divisão de Segurança e Informações, da Polícia Civil do Paraná, para a Comissão Especial de Investigação das Ossadas encontradas no Cemitério de Perus, de 24/07/91. Certifica que as fichas das pessoas a seguir foram encontradas no arquivo do DOPS, em gaveta com a identificação "Falecidos": Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, Hiran de Lima Ferreira, Edgard de Aquino Duarte, Paulo Stuart Wright, Eduardo Collier Filho, Helenira Resende de Sousa Nazareth, Miguel Pereira dos Santos, José Huberto Bronca, Isis Dias de Oliveira, Antônio dos Três Reis Oliveira, Ayrton Adalberto Mortati, Jorge Leal Gonçalves Pereira, Luiz Almeida, Ruy Carlos Vieira Berbert, Joaquim Pires Cerveira, Virgílio Gomes da Silva e Elson da Costa.

Certidão
Documento do Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais de Natividade, do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins, de 31/03/92. Nele, confirma-se que o delegado Pedro Soares Lopes levou ao cartório, em 07/02/72, atestado de óbito de João Silvino Lopes, que se suicidou por enforcamento. Esse era o nome falso de Ruy. São duas cópias, apenas uma com a assinatura da escrivã Irene Aires Nogueira.

Comprovante de pagamento
Nota fiscal de compras para o funeral de João Silvino Lopes, nome falso de Ruy, feitas pelo delegado de Natividade, GO, em 02/01/72. Em anexo estão os carimbos de trâmite do processo de João Silvino. O documento está parcialmente ilegível.

Requerimento
Documento de Ruy Jaccoud Berbert, pai de Ruy Carlos, representado pelo advogado Idibal Almeida Pimenta e enviado à juíza de Natividade, TO, em 31/03/92. Pede a retificação da certidão de óbito de Ruy Carlos, que foi enterrado como João Silvino Lopes.

Requerimento
Pedido de Rui Jaccoud Berbert, pai de Ruy, solicitando a retificação da certidão de óbito de João Silvino Lopes, que na realidade é Ruy. Documento pouco legível.


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