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Aderval Alves Coqueiro
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Aderval Alves Coqueiro
Cidade:
(onde nasceu)
Aracatu
Estado:
(onde nasceu)
BA
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
18/7/1937
Atividade: Operário (construção civil)
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Ala Vermelha
Brasil
Movimento Revolucionário Tiradentes MRT
Brasil
Partido Comunista Brasileiro PCB
Brasil
Partido Comunista do Brasil PC do B
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Baiano, Coqueiro, Haroldo, José Joaquim de Moura
Prisão: 29/5/1969
São Paulo SP Brasil
Foi preso e banido.
Morto ou Desaparecido:
Morto
6/2/1971
Rio de Janeiro RJ Brasil
Cosme Velho, prédio onde morava
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/SP DOPS/SP ou DEOPS/SP SP Brasil
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/RJ DOI-CODI/RJ RJ Brasil
Polícia do Exército PE Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Sérgio Paranhos Fleury
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
João Guilherme Figueiredo, Mário Santalúcia
   
Biografia  
Biografia
Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO TIRADENTES (MRT).
Nasceu, em 18 de julho de 1937, em Aracatu, BA, filho de José Augusto Coqueiro e Jovelina Alves Coqueiro. Casado com Isaura, teve duas filhas.
De origem operária, iniciou cedo sua militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Como candango participou da construção de Brasília. Desligando-se do PCB, integrou o Comitê Regional do Partido Comunista do Brasil (PC do B), centrando suas atividades na zona rural. Também participou da Ala Vermelha.
Desde 1961 vivia em São Paulo onde trabalhava como operário da construção civil.
Preso em 29 de maio de 1969, na 2ª Companhia da Polícia do Exército (PE), em São Paulo. Mais tarde, foi transferido para o DOPS/SP e torturado pelo Delegado Sérgio Fleury. Em junho de 1970, foi banido do território brasileiro, quando do seqüestro do embaixador da Alemanha no Brasil, Von Holleben, indo para a Argélia com outros 39 companheiros. De imediato, procurou reunir condições de voltar ao país para retomar a luta, sendo o primeiro banido a conseguir voltar.
Coqueiro regressou ao Brasil no dia 31 de janeiro de 1971, indo morar em um apartamento no bairro Cosme Velho, Rio de Janeiro, onde foi localizado e morto no dia 6 de fevereiro de 1971.
Segundo testemunhas, uma grande área do bairro foi cercada pelos agentes policiais, com o objetivo de evitar sua fuga. Assim que os policiais do DOI-CODI/RJ invadiram o apartamento, começaram a atirar. Coqueiro tentou fugir, mas foi abatido pelas costas, no pátio interno do prédio.
Jornais da época noticiaram como sendo mais uma morte em violento tiroteio. Algumas revistas publicaram fotos onde Coqueiro jazia no chão, estando cerca de 30 cm de sua mão estendida um revólver, que ele não chegou a portar. Mais uma farsa dos agentes da repressão para encobrir um frio assassinato.
Seu corpo entrou no IML com guia s/n. do DOPS. O óbito foi firmado pelo Dr. João Guilherme Figueiredo e teve como declarante Reinaldo da Fonseca Mota e foi entregue à sua família, que o sepultou no Cemitério de Inhaúma (RJ), em 14 de fevereiro de 1971.
Com o intuito de restabelecer a verdade, 25 anos depois a Comissão de Familiares voltou ao prédio onde ocorreu a execução de Aderval e ouviu a versão de Francisco Soares, antigo zelador do prédio, a qual reproduzimos abaixo:
"(...) nesse mesmo dia, após algumas horas, cheguei à janela e vi que o prédio estava cercado por uma centena de policiais civis e a Polícia do Exército, logo depois, o prédio foi invadido por vários homens armados, e foram direto para o apartamento 202. Nesse momento, um oficial mandou que eu saísse da janela. Posteriormente, escutei um militar gritar 'atira e mata'. Logo depois escutei uma grande gritaria nos fundos do prédio e vários disparos de armas, que durou somente alguns segundos. Escutei uma pessoa falar 'temos presunto fresco'.
(...) quando eu cheguei nos fundos, onde encontra-se a piscina, vi o rapaz do apartamento 202 estirado no chão, perguntaram se eu o conhecia, disse que era a pessoa que estava limpando o apartamento 202, me responderam que ele era um perigoso subversivo chamado 'Baiano Coqueiro'. Observei várias marcas de tiros, não sabendo dizer quantas, estando ele somente de calção, sem camisa e desarmado. Também ouvi o policial dizer 'bota a arma do lado dele' ..."
Nas pesquisas feitas no IML não foram encontrados laudo de necrópsia, nem laudos e fotos de perícia local no Instituto de Criminalística do Estado (ICE/RJ), apesar da existência das fotos fornecidas, à época, para imprensa. Posteriormente, foi encontrado o laudo médico no arquivo do DOPS/SP.Militante do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO TIRADENTES (MRT).
Nasceu, em 18 de julho de 1937, em Aracatu, BA, filho de José Augusto Coqueiro e Jovelina Alves Coqueiro. Casado com Isaura, teve duas filhas.
De origem operária, iniciou cedo sua militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Como candango participou da construção de Brasília. Desligando-se do PCB, integrou o Comitê Regional do Partido Comunista do Brasil (PC do B), centrando suas atividades na zona rural. Também participou da Ala Vermelha.
Desde 1961 vivia em São Paulo onde trabalhava como operário da construção civil.
Preso em 29 de maio de 1969, na 2ª Companhia da Polícia do Exército (PE), em São Paulo. Mais tarde, foi transferido para o DOPS/SP e torturado pelo Delegado Sérgio Fleury. Em junho de 1970, foi banido do território brasileiro, quando do seqüestro do embaixador da Alemanha no Brasil, Von Holleben, indo para a Argélia com outros 39 companheiros. De imediato, procurou reunir condições de voltar ao país para retomar a luta, sendo o primeiro banido a conseguir voltar.
Coqueiro regressou ao Brasil no dia 31 de janeiro de 1971, indo morar em um apartamento no bairro Cosme Velho, Rio de Janeiro, onde foi localizado e morto no dia 6 de fevereiro de 1971.
Segundo testemunhas, uma grande área do bairro foi cercada pelos agentes policiais, com o objetivo de evitar sua fuga. Assim que os policiais do DOI-CODI/RJ invadiram o apartamento, começaram a atirar. Coqueiro tentou fugir, mas foi abatido pelas costas, no pátio interno do prédio.
Jornais da época noticiaram como sendo mais uma morte em violento tiroteio. Algumas revistas publicaram fotos onde Coqueiro jazia no chão, estando cerca de 30 cm de sua mão estendida um revólver, que ele não chegou a portar. Mais uma farsa dos agentes da repressão para encobrir um frio assassinato.
Seu corpo entrou no IML com guia s/n. do DOPS. O óbito foi firmado pelo Dr. João Guilherme Figueiredo e teve como declarante Reinaldo da Fonseca Mota e foi entregue à sua família, que o sepultou no Cemitério de Inhaúma (RJ), em 14 de fevereiro de 1971.
Com o intuito de restabelecer a verdade, 25 anos depois a Comissão de Familiares voltou ao prédio onde ocorreu a execução de Aderval e ouviu a versão de Francisco Soares, antigo zelador do prédio, a qual reproduzimos abaixo:
"(...) nesse mesmo dia, após algumas horas, cheguei à janela e vi que o prédio estava cercado por uma centena de policiais civis e a Polícia do Exército, logo depois, o prédio foi invadido por vários homens armados, e foram direto para o apartamento 202. Nesse momento, um oficial mandou que eu saísse da janela. Posteriormente, escutei um militar gritar 'atira e mata'. Logo depois escutei uma grande gritaria nos fundos do prédio e vários disparos de armas, que durou somente alguns segundos. Escutei uma pessoa falar 'temos presunto fresco'.
(...) quando eu cheguei nos fundos, onde encontra-se a piscina, vi o rapaz do apartamento 202 estirado no chão, perguntaram se eu o conhecia, disse que era a pessoa que estava limpando o apartamento 202, me responderam que ele era um perigoso subversivo chamado 'Baiano Coqueiro'. Observei várias marcas de tiros, não sabendo dizer quantas, estando ele somente de calção, sem camisa e desarmado. Também ouvi o policial dizer 'bota a arma do lado dele' ..."
Nas pesquisas feitas no IML não foram encontrados laudo de necrópsia, nem laudos e fotos de perícia local no Instituto de Criminalística do Estado (ICE/RJ), apesar da existência das fotos fornecidas, à época, para imprensa. Posteriormente, foi encontrado o laudo médico no arquivo do DOPS/SP.
   
Documentos  
Foto
Foto original e preto e branco de busto.

Foto
Fotos originais em preto e branco, cedidas pelo Jornal do Brasil, do corpo de Aderval no local de morte.

Relatório
Relatório do Serviço de Informações do DOPS, confidencial, sobre Aderval Alves Coqueiro. Cita o depoimento do dono do imóvel em que morava Daniel José de Carvalho (02/06/69), que diz ter conhecido pessoas que freqüentavam a casa, entre eles Haroldo que, depois veio a saber, tratava-se de Aderval; cita declaração do próprio Aderval (14/10/69), em que conta sua passagem por São Bernardo do Campo e Diadema, depois vindo para São Paulo morar com Daniel José de Carvalho (em casa alocada em nome de seu irmão Devanir José de Carvalho), até seu ingresso na organização Ala Vermelha e participação em diversas ações; menciona que o nome de Aderval consta em lista de pessoas banidas do território nacional, publicada no Diário Oficial de 15/06/70 e que, em 16/07/70, enviou carta de Argel aos seus companheiros no Presídio Tiradentes. O documento apresenta declarações de outras pessoas e resumo de documentos dos órgãos de repressão sobre Aderval, de 1969 a 1976. Há três cópias, sendo que duas possuem o código da pasta de onde foi retirada a informação após cada parágrafo, e uma delas, datada de 15/06/70, apresenta os mesmos dados apenas até 05/70, finalizando com a informação de que se trata de documento enviado a pedido de chefia.

Relatório
Relação com os nomes das pessoas banidas do Território Nacional em troca do embaixador da Alemanha Ocidental, que foi seqüestrado em 11/06/70. Entre elas: Eudaldo Gomes da Silva, Aderval Alves Coqueiro, Ângelo Pezzuti da Silva, Carlos Eduardo Pires Fleury, Jeová de Assis Gomes, Joaquim Pires Cerveira e José Lavechia. O documento apresenta carimbo do DOPS.
913.jpg
Relatório
Documento do Ministério da Aeronáutica, de 08/12/71. Traz relação de nomes de pessoas que fizeram curso de "terrorismo" em Cuba e de pessoas banidas do território nacional que retornaram ao país, dando continuidade às suas atividades políticas. O documento possui carimbo do DOPS.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Ficha pessoal
Documento do DOPS/PR, de 22/10/70, com a palavra "Falecido" anotada à mão. Informa que Aderval foi preso em São Paulo, SP, por estar envolvido em assaltos a banco e outros atentados terroristas e ter sido banido do país devido ao seqüestro do embaixador da Alemanha, em 1970. Em 05/71, registra que Aderval está morto.
72.jpg
Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 16/06/70, realizado por Mário Santalúcia. Documento localizado no arquivo no DOPS.

Auto de exibição e apreensão
Documento da Delegacia Especializada de Ordem Social, do DOPS, de 14/10/69, sobre a apreensão de título eleitoral localizado pelo Delegado de Polícia Sérgio Paranhos Fleury, em nome de José Joaquim de Moura, mas com foto de Aderval Alves Coqueiro.

Interrogatório
Documento de informações sobre a vida pregressa de Aderval, na Delegacia de Polícia, da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, de 14/10/69. Aderval afirma que trabalhava como operador de máquinas até 03/67, depois atuando como vendedor autônomo, sendo que, atualmente trabalha para a organização. O documento possui o carimbo do DOPS.

Interrogatório
Auto de Qualificação e Interrogatório do DOPS/SP, de 14/10/69, em que Aderval afirma ser operário, tendo trabalhado em São Bernardo do Campo e Diadema, SP. Foi para São Paulo, onde veio a residir na casa de Daniel José de Carvalho com quem havia trabalhado em indústria do ABC, período em que também conheceu seu irmão, Devanir José de Carvalho. Os irmãos Daniel e Devanir, entre outros, apresentaram-lhe idéias de esquerda e a organização Ala Vermelha, dissidência do Partido Comunista do Brasil (PC do B), onde ingressou em fins de 1967.

Ofício
Solicitação do Serviço Secreto do DOPS/SP, de 07/07/70, à Delegacia Especializada de Ordem Social, de São Paulo, SP, sobre dados cadastrais de Aderval Alves Coqueiro, Dulce de Sousa, Edmauro Gopfert (nome de guerra), Flávio Roberto de Souza e José Nicola Lavechia. Em anexo, documento do Fichário e Arquivo, da Delegacia Especializada de Ordem Social, de mesma data, com as informações solicitadas.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.


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