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Morto e desaparecido
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Ramires Maranhão do Vale
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Ramires Maranhão do Vale
Cidade:
(onde nasceu)
Recife
Estado:
(onde nasceu)
PE
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
2/11/1950
Atividade: Estudante secundarista
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Partido Comunista Brasileiro Revolucionário PCBR
Brasil
Morto ou Desaparecido:
Desaparecido
27/10/1973
Rio de Janeiro RJ Brasil
Jacarepaguá, Praça Sentinela
Clandestinidade
Desaparecido
23/10/1973
Rio de Janeiro RJ Brasil
Segundo Relatório do Ministério do Exército.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/RJ DOPS/RJ ou DEOPS/RJ RJ Brasil
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Hélder Machado Paupério, Roberto Blanco dos Santos
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Os desaparecidos, uma questão que vai persistir. Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 jan. 1979. Parte de artigo sobre a questão dos desaparecidos políticos no período da ditadura militar. Segundo generais do Exército, há somente quatro possibilidades de desaparecimento de uma pessoa: ela teria sido executada por sua própria organização, que jogaria a culpa no Exército; ela poderia ficar tão desestruturada mentalmente que romperia com todos os conhecidos e sua família a ajudaria a se mudar para o exterior alegando que seu ente sumiu; o suposto desaparecido seria na verdade um membro infiltrado pelas forças de segurança nacional que, ao terminar seu serviço, fazia plástica e recuperava sua antiga identidade; ou mortos por acidente, mas que o Exército não permitiu a publicidade do fato. Cita uma lista de pessoas dadas como desaparecidas pelas organizações cujas fichas estavam no necrotério de um órgão de segurança em 12/73. São elas: Jorge Leal Gonçalves Pereira, Mário Alves de Souza Vieira, Ruy Carlos Vieira Berbert, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar Sobrinho, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Joaquim Pires Cerveira, Ísis Dias de Oliveira, Ramires Maranhão do Vale, Thomas Antônio da Silva Meirelles Neto. Apresenta ainda alguns detalhes controvertidos das histórias dos desaparecidos Edgar de Aquino Duarte, Joaquim Pires Cerveira, João Batista Rita e Paulo Costa Ribeiro Bastos. Também contesta a lista de desaparecidos divulgada pelo Comitê Brasileiro de Anistia em relação aos nomes de Antônio dos Três Reis Oliveira.

Artigo de jornal
Polícia especula, mas nada sabe sobre os casais executados em Jacarepaguá. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 out. 1973. p. 4. Dois casais foram metralhados e carbonizados na Praça Sentinela em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, RJ, durante a noite de 27/10/73. Segundo testemunhas, o carro das vítimas estava estacionado quando a rua foi cercada por cerca de oito carros e de um deles saltou um homem. Ele gritou para que todos se afastassem e iniciou tiroteio em direção ao carro com os casais, que chegou a explodir. Não havia documentos nesse carro, apenas um revólver e balas.

Artigo de jornal
Fiuza e Frota desmentem versão sobre desaparecido. (Sem fonte), de 31 jan. 1980. O general Adir Fiuza de Castro desmente as acusações feitas a ele e ao general Sílvio Frota de serem os responsáveis pelo desaparecimento de Joaquim Pires Cerveira, afirmando que na época do ocorrido já não comandava o DOI-CODI/RJ. No início de 1979 dois generais e mais um oficial que participavam da repressão declararam que alguns dos desaparecidos foram de fato mortos por órgãos de segurança, mas que por alguma razão não podiam assumir o fato publicamente. Foram citados os seguintes desaparecidos: Jorge Leal Gonçalves Pereira, Mário Alves de Souza Vieira, Ruy Carlos Vieira Berbert, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar, Paulo César Botelho Massa, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Ísis Dias de Oliveira, Ramires Maranhão do Vale e Thomaz Antônio da Silva Meireles Neto. O general Frota declarou que isso é impossível de ter acontecido no I Exército. Enquanto isso, o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA) continua exigindo que o governo esclareça o desaparecimento de mais de cento e vinte e cinco militantes, após suas prisões.

Artigo de jornal
A semântica da violência. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 3 ago. 1979. p. 5. Entrevista com Antônio Houaiss, lingüista, escritor e diplomata que teve seus direitos políticos cassados na ditadura militar. Ele levanta a seguinte questão: "...Como explicar também que o golpe de 1964, no Brasil, se tenha auto-intitulado 'revolução' para combater a 'subversão', palavras que o bom senso e qualquer dicionário identificam como sinônimos?". Também fala sobre o projeto de anistia do governo, que na realidade não dá a anistia e sim obriga os funcionários públicos cassados a requerê-la assumindo, dessa forma, que fizeram algum ato ilegal no passado e, além disso, não abrange todas as pessoas anistiáveis. O quadro intitulado "Estes 'desaparecidos' foram mortos" traz a informação de que dois generais e um coronel afirmaram que catorze pessoas consideradas desaparecidas políticas foram, de fato, mortas pelo serviço secreto das Forças Armadas. Entre elas estão: Ruy Carlos Vieira Berbert, Mário Alves de Souza Vieira, Jorge Leal Gonçalves Pereira, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar Sobrinho, Paulo César Botelho Massa, Ísis Dias de Oliveira, Stuart Edgar Angel Jones, Joaquim Pires Cerveira, Sérgio Landulfo Furtado, Ramires Maranhão do Vale, Rubens Beirodt Paiva e Thomas Antônio da Silva Meirelles Neto. As mortes foram classificadas por esses militares como acidentes de trabalho. Essa declaração possibilitou identificar "aparelhos" secretos utilizados por oficiais para tortura, como a Fazenda 31 de Março, em Parelheiros, SP, muito usada pelo delegado Sérgio Fleury.

Foto
Fotos de rosto preto e branco, e algumas ampliadas.

Foto
Foto original e preto e branco dos corpos de Ramires Maranhão do Vale, Almir Custódio de Lima e Vitório Alves Moitinho no local de morte.

Relatório
Informação da Divisão de Informações de Segurança da Aeronáutica, para o II Exército e DOPS, de 22/11/73. Consta que em 27/10/73, em tiroteiro com órgãos de segurança do Estado da Guanabara, foram mortos militantes do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR): Ranúsia Alves Rodrigues, Ramirez Maranhão do Valle, Almir Custódio de Lima e Vitorino Alves Moitinho. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Artigo de revista
Quem matou quem? Veja, São Paulo, 7 nov. 1973, p. 34 e 36. Durante a noite de 27/10/73, dois casais que se encontravam em um carro estacionado da Praça Sentinela em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, RJ, foram cercados por oito ou nove carros. Um homem saltou de um deles, gritou para que todos se afastassem e começou a metralhar o carro com os casais. Uma das moças tentou fugir, mas também foi morta. Em seguida, os assassinos atiraram no carro uma bomba e fugiram rapidamente. Até o momento não se sabia a identificação dos assassinos ou das vítimas, pois nenhum documento foi encontrado, apenas um revólver e balas.

Legislação
Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes.


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