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Morto e desaparecido
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Pedro Alexandrino de Oliveira Filho
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Pedro Alexandrino de Oliveira Filho
Cidade:
(onde nasceu)
Belo Horizonte
Estado:
(onde nasceu)
MG
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
19/3/1947
Atividade: Estudante universitário
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Partido Comunista do Brasil PC do B
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Peri, Moisés, Chico
Prisão: 0/0/1969
Belo Horizonte MG Brasil
casa da irmã, Bairro Gutierrez
Morto ou Desaparecido:
Desaparecido
4/8/1974
Xambioá TO Brasil
região do Araguaia
Segundo Relatório do Ministério da Marinha.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/MG DOPS/MG ou DEOPS/MG MG Brasil
   
Biografia  
Biografia
Militante do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B). Filho de Pedro Alexandrino de Oliveira e de Diana Piló Oliveira, nasceu em Belo Horizonte no dia 19 de março de 1947. Tinha três irmãs: Ângela, Eliana Maria e Diana Maria. Sempre foi um filho e um irmão muito amigo, amoroso e alegre. Perto ou longe, participava intensamente da vida da família e tratava as irmãs com um carinho incomum. Fez o curso primário e o ginasial no Colégio Monte Calvário e o científico no Colégio Anchieta. Gostava muito de cantar e o fazia muito bem, pois era dono de uma belíssima voz. Adorava fazer serenatas com os seus amigos, inclusive para as próprias irmãs. Duas eram as músicas de sua preferência, as que mais marcaram sua irmã Eliana: "Perfídia" e "Relógio". Era uma pessoa tranqüila e muito querida por seus inúmeros amigos: Fredinho Silésio, Leonardo Andrade, Didiu e muitos outros. Pedro trabalhou no antigo Banco Hipotecário, hoje Banco do Estado de Minas Gerais e, quando foi transferido para São Paulo, em 1967, lá terminou seus estudos, fazendo também um curso de Inglês. Retornou a Belo Horizonte em 1969, onde já era procurado e foi preso em dezembro do mesmo ano, dentro da casa de sua irmã Ângela, no bairro Gutierrez, para onde correu quando se sentiu seguido e ameaçado. Na própria casa de Ângela, que se encontrava no trabalho, levou coronhadas na cabeça, pontapés, foi colocado nu e espancado na frente de suas duas sobrinhas, de 3 e 4 anos de idade. Levado para o DOPS/MG, foi torturado com choques elétricos no intestino, "pau de arara", palmatória, enforcamento e outras atrocidades. Quando foi solto, estava surdo de um ouvido e o outro encontrava-se em estado lastimável. Pedro Alexandrino passou o Natal de 1969 com a família, almoçando com todos na casa dos avós. Depois do almoço, foi à residência do casal Mário Silésio e D. Maria Eugênia, pais de seu amigo Fredinho. Saiu da casa dos amigos e nunca mais foi visto. Sem condições de viver como até então, optou pela clandestinidade. Estudante universitário, Pedro já participava ativamente do movimento estudantil em São Paulo. A partir desse período, a família não teve mais paz: a casa onde moravam era freqüentemente invadida por policiais à procura de Pedro Alexandrino. D. Diana, não suportando as constantes violências, resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro, onde foi tentar encontrar o paradeiro de seu filho tão querido. Bateu em todas as portas possíveis: Igreja, Comissão de Direitos Humanos, Comissão Justiça e Paz e outras tantas, até que encontrou um casal, Sr. Edgar e D. Cirene (hoje falecidos), que buscavam notícias de dois filhos e uma nora, também desaparecidos. Nessa ocasião, a família soube que ele tinha uma namorada, Tuca (Maria Luiza Garlipe, também desaparecida), enfermeira do Hospital das Clínicas de São Paulo e que havia ido com ele para o Araguaia. Pedrinho - como era carinhosamente chamado pela família - ou Peri pelos companheiros, ao transferir-se para a região do Araguaia, foi residir na região do Gameleira, incorporando-se depois, como combatente, ao Destacamento B. Desapareceu naquela região, em 1974, quando tinha 24 anos. As cartas escritas por Pedro Alexandrino para a família eram extremamente afetivas e carinhosas. As saudades eram sempre imensas e a vontade de poder abraçar, beijar, sorrir e cantar com as irmãs era seu cuidado constante. Sempre se colocava como um grande amigo e companheiro delas, para o que viessem a precisar algum dia. Perguntava pelos sobrinhos, queria notícias de todos. De seus projetos pessoais e de sua vida, pouco falava. Mas falava de sua caminhada, de seu compromisso com o povo brasileiro, do significado da luta política, da importância da honestidade, da seriedade, do crescimento interior, de atitudes decentes e até da vontade de ter um filho, um dia. Dizia numa das cartas: "Tudo do amanhã está sempre no campo das possibilidades, é de hoje que temos a certeza, é hoje que criamos as condições objetivas para o amanhã." O Relatório do Ministério da Marinha diz que foi morto em 4 de agosto de 1974, em Xambioá. Já o Relatório do Ministério do Exército, afirma que Pedro Alexandrino de Oliveira Filho participou da Guerrilha do Araguaia, usando os codinomes de Moisés, Chico e Peri, sem esclarecer sobre o seu paradeiro.
   
Documentos  
Foto
Foto original e preto e branco de rosto.

Legislação
Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes.

Legislação
Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I.


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