Lista de nomes
Pesquisa
  OK
Morto e desaparecido
Audiovisual
Bibliografia
Eventos
História
Legislação
Notícias
Luiz Eurico Tejera Lisbôa
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Luiz Eurico Tejera Lisbôa
Cidade:
(onde nasceu)
Porto União
Estado:
(onde nasceu)
SC
País:
(onde nasceu)
Brasil
Atividade: Escriturário
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Ação Libertadora Nacional ALN
Brasil
Partido Comunista Brasileiro PCB
Brasil
Vanguarda Armada Revolucionária Palmares VAR-Palmares
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Mário
Prisão: 0/9/1972
São Paulo SP Brasil
Morto ou Desaparecido:
Desaparecido
0/9/1972
São Paulo SP Brasil
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Octávio D'Andrea, Orlando Brandão
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Parte de artigo, sem título, do Jornal Movimento, São Paulo, 27 ago./ 9 set. 1979, p. 9. Descreve a forma como a polícia encobria as mortes de presos políticos por tortura. Segundo depoimento de um ex-funcionário do IML, num primeiro momento os próprios policiais levavam os corpos para serem enterrados na Estrada Velha de Cotia, em São Paulo. Mais tarde, foi necessário sofisticar os métodos e o preso era enterrado com seu nome falso. Isto também se tornou falho pois algum militante poderia denunciar os nomes. Veio então a terceira fase, quando os policiais passaram a montar verdadeiras operações de substituição de cadáveres, uma vez que os corpos de indigentes ficavam até 40 dias aguardando identificação no IML. No caso de Alexandre Vannucchi Leme, as testemunhas da morte de fato viram o atropelamento de um indivíduo. Já Susana Lisbôa não encontrou nenhuma foto do marido Luiz Eurico Tejera no IML e foi informada de que só fotografavam corpos de desconhecidos; no entanto, Luiz foi enterrado como indigente. Norberto Nehring, preso e morto no cárcere pela ação de Fleury, teve seu corpo trocado pelo próprio Fleury que se aproveitou do suicídio de um estrangeiro num hotel próximo à sede do DOPS. Eduardo Leite, o Bacuri, foi entregue à família com a versão de morte em tiroteio; mas, sem a "máquina de atestados", como explicar os dois olhos vazados, as orelhas decepadas e todos os dentes arrancados? O corpo de Luís Eduardo Merlino foi em vão procurado pelos seus familiares no IML até que um parente burlou a vigilância e abriu gaveta a gaveta, encontrando o que buscava. Caso semelhante foi o do estudante Manoel Lisboa de Moura, torturado e morto, noticiado como morte devido a tiroteio. No Cemitério Dom Bosco, de Perus, estão enterrados vários desaparecidos que a polícia não assumiu sequer a prisão: Luiz Eurico, Dênis Casemiro, Iuri Xavier Pereira, Alex Gomes de Paula (de fato, Alex de Paula Xavier Pereira, enterrado com o nome falso de João Maria de Freitas) e, provavelmente, Alexandre Vannucchi Leme. O IML era peça fundamental nestas operações e, por isso, uma das principais manifestações dos médicos que lutam pelo fim do aparelho repressivo do Estado é a não subordinação do IML à Secretaria de Segurança Pública.

Artigo de jornal
Teich, Daniela Hessel. Legista depõe na CPI sobre desaparecidos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 fev. 1991. Trata do depoimento do médico Isaac Abramovich perante a Comissão Parlamentar de Inquérito, da Câmara Municipal de São Paulo, que investiga o destino de presos políticos. O médico é acusado de emitir laudos necroscópicos falsos de vítimas da polícia política à época em que trabalhava no IML/SP. O legista alegou inocência, mas teria assinado o laudo de Alexandre Vannucchi Leme, no qual afirma que o estudante teria se atirado sobre um automóvel; no entanto, presos políticos e policiais confirmam que Alexandre foi torturado. Também em Minas Gerais, o Movimento Tortura Nunca Mais está acusando 12 médicos legistas que teriam assinado laudos falsos de presos políticos mortos de 1974 a 1979. A identificação de pessoas acusadas de torturar e matar presos políticos teve início com a revelação da vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. Lá foram encontradas as ossadas de Joaquim Alencar Seixas, Carlos Nicolau Danielli, Luís Eurico Tejera Lisboa, os irmãos Iuri e Alex de Paula Xavier, Frederico Mayr e Flávio Carvalho Molina (este ainda não identificado, mas acredita-se que seja uma das ossadas da vala clandestina). Segundo o artigo, também foi enterrado, no Cemitério Vila Formosa I, na Zona Leste de São Paulo, o corpo de José Maria Ferreira de Araújo. No entanto, apesar de terem sido encontrados documentos nos arquivos do IML/SP sob o nome falso de Edson Cabral Sardinha informando que seus restos estariam na quadra 11, sepultura 119 do Cemitério de Vila Formosa I, nunca foi possível encontrá-los, pois houve alteração da quadra.

Artigo de jornal
Quadro publicado em artigo do jornal O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 set. 1990. Traz os nomes, organização a qual pertenciam e data da morte de militantes, cujos corpos foram encontrados na década de 80 no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Entre eles: Luís Eurico Tejera Lisboa, Iuri Xavier Pereira, Alex Xavier Pereira, Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, Joaquim Alencar de Seixas, Antônio Benetazzo, Carlos Nicolau Danielli e Gelson Reicher. Também traz as mesmas informações de militantes, cujos corpos podem estar nesse cemitério: Aylton Adalberto Mortati, Hioraki Torigoi, José Roberto Arantes de Almeida, Dimas Antônio Casemiro, Denis Casemiro, Devanir José de Carvalho, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, José Roman, Honestino Monteiro Guimarães e Virgílio Gomes da Silva.

Artigo de jornal
Artigo publicado em 25/10/69, sem fonte, com pequena nota sobre a condenação a sete meses de reclusão pelo Superior Tribunal Militar, no Rio de Janeiro, de Cláudio Antônio Wayne Gutierrez e Luiz Eurico Tejera Lisboa.

Artigo de jornal
Diário Catarinense, Florianópolis, 13 dez. 1992. "Violência marcou vida de famílias", "Marcas das torturas reavivam a memória", "SC carrega oito cruzes". O primeiro artigo informa como foi o desaparecimento de Lucindo Costa. O segundo traz o depoimento de Derlei Catarina de Luca sobre sua participação na luta contra a ditadura e o último traz o nome de oito vítimas da ditadura que eram do estado de Santa Catarina: João Batista Rita, Arno Preis, Frederico Eduardo Mayr, Paulo Stuart Wright, Lucindo Costa, Luis Eurico Tejera Lisbôa, Rui Pfutzenreuter e Vânio José de Matos.

Foto
Fotos originais e preto e branco de rosto em vários momentos.

Relatório
Documento do arquivo do DOPS/SP, com carimbo de 1972 e a anotação manuscrita "Equipe do Dr. Haroldo". Contém relação de membros constituintes das seguintes organizações: Ala Vermelha, Ação Libertadora Nacional (ALN), Ação Popular (AP), Fração Bolchevique Trotskysta, Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), Movimento 26 de Março (MR-26), Partido Comunista do Brasil (PC do B), Partido Operário Comunista (POC), VAR-Palmares e Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Constam os nomes de Luiz Eurico Tejera Lisboa (ALN), João Carlos Haas Sobrinho e José Huberto Bronca (PC do B) e Jorge Alberto Basso (POC).

Relatório
Documento do Instituto de Polícia Técnica, de São Paulo, com as fotos do corpo de Luiz Eurico, indicadas pelo nome falso de Nelson Bueno. As fotos mostram o corpo na cama na situação em que foi encontrado, assim como, de distâncias e ângulos variados e do local onde se vê um lascamento de madeira no guarda-roupa. Encontrado no DOPS/SP.

Folheto
Folheto de divulgação de ato na Assembléia Legislativa em 04/09 (sem informação de ano), por ter sido nesta data o dia da abertura da vala de Perus, quando foi descoberto o corpo do líder estudantil gaúcho Luís Eurico Tejera Lisboa, então dado como desaparecido. A manifestação conta com a participação do Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA/RS), da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos e da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Apresenta breve história de Luís Eurico Tejera Lisboa.

Folheto
Cópia de folheto elaborado por Derlei De Lucca, coordenadora do Comitê Catarinense Pró-Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos de Santa Catarina, em 07/95. Apresenta breve relato sobre Luiz Eurico, que casou-se com Suzana e, juntos, assumiram a luta contra a ditadura militar. Processado pela Lei de Segurança Nacional, passa a viver na clandestinidade e ingressa na Ação Libertadora Nacional (ALN), vindo a desaparecer em 09/72. Em 09/79, seus restos mortais foram os primeiros a serem encontrados no Cemitério de Perus, em São Paulo, SP, onde haviam sido enterrados sob nome falso. Hoje, Luiz Eurico é nome de ruas em várias capitais brasileiras, é patrono de centros estudantis e sua biografia tem sido constantemente publicada em jornais de circulação nacional. Suzana coordena a Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos.

Ficha pessoal
Ficha pessoal de Porto Alegre, de 08/02/72, do arquivo do DOPS/SP. Informa que Luiz Eurico é casado com Susana Keniger, pertencia à Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), pertence então à Ação Libertadora Nacional (ALN) e foi condenado pelo Superior Tribunal Militar (STM) a 6 meses de detenção.

Ficha pessoal
Documento do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), sem data, do arquivo do DOPS, com foto pouco legível e informando que Luiz Eurico é estudante e encontra-se asilado no Uruguai.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 27/09/72, realizado por Octávio D'Andrea e Orlando Brandão, com o nome falso de Nelson Bueno. A segunda e última página está pouco legível.

Requisição de exame de cadáver
Requisição de exame ao IML/SP, em 04/09/72, em nome de Nelson Bueno. Consta que a vítima praticou suicídio no dia anterior, com um tiro na cabeça. Apresenta a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de indivíduo considerado terrorista.

Ofício
Informação confidencial do I Exército para o DOPS/RJ, entre outros, de 10/02/72. Informa que, segundo Hélcio Pereira Fortes (morto em tiroteio), Luiz Eurico Tejera Lisboa e sua esposa, estariam voltando ao Brasil depois de terem feito curso de guerrilha em Cuba.

Produção artística
Pasta com cópias de poemas escritos por Luiz Eurico nas folhas de agenda de 1966.

Evento/ Homenagem
História ressuscita sempre seus mártires. Eles são heróis e já pertencem à nossa história. Homenagem em memória dos desaparecidos políticos de Santa Catarina. Entre eles estão: Paulo Stuart Wright, Arno Preis, Luiz Eurico Tejera Lisbôa, João Batista Rita e Ruy Osvaldo Aguiar Pfitzenreuter.

Evento/ Homenagem
Cartão de divulgação de lançamento de livro de Luiz Eurico Tejera Lisboa, a 30/05 (sem informação de ano), no TUCA, em São Paulo, SP, por Suzana Lisboa. O livro é intitulado "Condições ideais para o amor: poemas, manifestos e correspondência de um poeta-guerrilheiro", organizado por Antonio Hohlfeldt, Coleção Documentos Vivos.

Evento/ Homenagem
Convite e programação da Semana Pró-Memória dos Catarinenses Mortos e Desaparecidos, em Criciúma, entre os dias 31/08 e 04/09/83. São homenageados: Arno Preis, João Batista Rita, José Lima Piauhy Dourado, Luiz Eurico Tejera, Paulo Stuart Wright e Ruy Oswaldo Pfitezreuter.

Evento/ Homenagem
Celebração litúrgica em memória de Ruy Pfitzenreuter, João Batista Rita, Arno Preis, Luiz Eurico Tejera e Paulo Stuart Wright, em Criciúma, em 04/09/83.

Legislação
Decreto n. 31.804 da cidade de São Paulo, conferindo nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas de Cidade Dutra. Diário Oficial do Município, São Paulo, v. 37, n. 120, 27 jun. 1992, p. 7.

Legislação
Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes.

Requerimento
Requerimento de Suzana Keniger Lisbôa, viúva de Luiz Eurico Tejera Lisbôa, à Comissão Especial Lei 9.140/95, em 31/03/96. Pede a identificação dos restos mortais de Luiz, retificação do atestado de óbito e indenização, nos termos da lei 9.140/95.


voltar
EREMIAS DELIZOICOV - Centro de documentação | DOSSIÊ - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil
2002 - 2007 Todos os direitos Reservados