Lista de nomes
Pesquisa
  OK
Morto e desaparecido
Audiovisual
Bibliografia
Eventos
História
Legislação
Notícias
José Maria Ferreira Araújo
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: José Maria Ferreira Araújo
Estado:
(onde nasceu)
CE
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
6/6/1941
Atividade: Militar (Marinha)
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Vanguarda Popular Revolucionária VPR
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Aribóia, Miguel, Araribóia, Cabeção, Boêmio, Carecão
Prisão: 23/9/1970
São Paulo SP Brasil
15/4/1964
Brasil
Morto ou Desaparecido:
Desaparecido
0/0/1970
Brasil
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Operação Bandeirante OBAN Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
, Dr. Raul, Pedro DKW, Benoni Arruda Albernaz , Paulo Bordim , Tomás Paulino Rosa
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Paulo Augusto Queiroz Rocha, Sérgio Belmiro Acquestra
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Teich, Daniela Hessel. Legista depõe na CPI sobre desaparecidos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 fev. 1991. Trata do depoimento do médico Isaac Abramovich perante a Comissão Parlamentar de Inquérito, da Câmara Municipal de São Paulo, que investiga o destino de presos políticos. O médico é acusado de emitir laudos necroscópicos falsos de vítimas da polícia política à época em que trabalhava no IML/SP. O legista alegou inocência, mas teria assinado o laudo de Alexandre Vannucchi Leme, no qual afirma que o estudante teria se atirado sobre um automóvel; no entanto, presos políticos e policiais confirmam que Alexandre foi torturado. Também em Minas Gerais, o Movimento Tortura Nunca Mais está acusando 12 médicos legistas que teriam assinado laudos falsos de presos políticos mortos de 1974 a 1979. A identificação de pessoas acusadas de torturar e matar presos políticos teve início com a revelação da vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. Lá foram encontradas as ossadas de Joaquim Alencar Seixas, Carlos Nicolau Danielli, Luís Eurico Tejera Lisboa, os irmãos Iuri e Alex de Paula Xavier, Frederico Mayr e Flávio Carvalho Molina (este ainda não identificado, mas acredita-se que seja uma das ossadas da vala clandestina). Segundo o artigo, também foi enterrado, no Cemitério Vila Formosa I, na Zona Leste de São Paulo, o corpo de José Maria Ferreira de Araújo. No entanto, apesar de terem sido encontrados documentos nos arquivos do IML/SP sob o nome falso de Edson Cabral Sardinha informando que seus restos estariam na quadra 11, sepultura 119 do Cemitério de Vila Formosa I, nunca foi possível encontrá-los, pois houve alteração da quadra.

Foto
Foto do cadáver, encontrada no IML/SP, e outra de rosto, ainda vivo.

Foto
Fotos originais e preto e branco do corpo.

Relatório
Documento do Delegado Titular da Delegacia Especializada de Ordem Política, de 07/01/71, determinando arquivamento do óbito de Edson Cabral Sardinha. Este foi preso pela Operação Bandeirantes (OBAN) por atividades subversivas, falecendo ao dar entrada na Delegacia Distrital, em decorrência de mal súbito. Os laudos apresentaram conclusões indicativas de morte natural, em função do que não foi instaurado inquérito policial.

Relatório
Documento do Laboratório de Toxicologia do IML/SP, de 23/10/70, com exame químico toxicológico de Edson Cabral Sardinha. Trata-se de exames solicitados pelos Dr. Sérgio Belmiro Acquestra, um dos médicos responsáveis pelo exame necroscópico, a fim de verificar a possível existência de material tóxico no corpo da vítima. Resultado: Negativo para venenos propriamente ditos.

Relatório
Laudo de exame do Laboratório de Anatomia Patológica e Microscopia, de 28/10/70, solicitado pelo Dr. Sérgio Belmiro Acquestra, um dos médicos responsáveis pelo exame necroscópico, sobre alterações no fígado, pulmão, coração, rim, baço e supra-renal de Edson Cabral Sardinha.

Relatório
Documento do Serviço Público Federal, sem data, sobre José Maria Ferreira de Araújo. Cita que, em material apreendido no "aparelho" de Dimas Antonio Casemiro, na Água Funda, São Paulo, SP, em 17/04/71, havia relação de nomes em que aparecia o de José Maria. Segundo declaração prestada por outro militante, em 01/78, participou de curso de guerrilha em Cuba. Comenta ainda suas condenações e citações em declarações de outros militantes que o conheceram. Possui os códigos das pastas de onde foram retiradas as informações de cada parágrafo.

Relatório
Documento do Serviço Público Federal, sem data, sobre Edson Cabral Sardinha (cujo nome verdadeiro, José Maria Ferreira Araújo, não consta no documento). O relatório cita, entre outros: segundo declaração de militante, em 04/71, participou de ação contra o carro pagador da Brink's na Rua Estados Unidos, em São Paulo, SP; artigos publicados em 17 e 30/06/73 por Jack Anderson cita as vítimas das autoridades brasileiras, onde consta seu nome; aparece em mais duas outras manifestações: nos panfletos "Convocação" e "Aos Srs. Ministros do Superior Tribunal Militar", afixados no mural do Centro de Física e Matemática (CEFISMA) e na Carta Aberta entregue ao Presidente da República, ambos arquivados em 1975; outro documento arquivado por este órgão é o do 1º Congresso Brasileiro pela Anistia, realizado na PUC/SP, em 03/11/78, onde consta seu nome e se descreve a tortura no "pau-de-arara", onde foi submetido a espancamento e choques elétricos, vindo a falecer após 30 minutos (soube-se que sofria de problemas cardíacos). Possui os códigos das pastas de onde foram retiradas as informações de cada parágrafo.

Relatório
Duas páginas do caderno de registro do IML/SP, com data de 09/70 e uma lista de nomes, com seus números correspondentes, incluindo Edson Cabral Sardinha, nome falso de José Maria Ferreira Araújo.

Relatório
Folha do livro de cemitério com os dados de inumação do cadáver de Edson Cabral Sardinha, nome falso de José Maria Ferreira Araújo.

Termo de declarações
Declarações prestadas por Paulo Maria Ferreira de Araújo, irmão de José Maria, desaparecido a partir de 12/66, para a Comissão Justiça e Paz em São Paulo, em 21/11/90. Informa que José Maria era marinheiro e servia no Rio de Janeiro desde 1959, enquanto a família continuava vivendo na Paraíba. Quando esteve em férias, em 02/64, José Maria informou sobre a sua participação em movimentos sindicais: pretendia criar uma instituição denominada Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil (AMFNB), apoiados pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, mesmo sabendo que poderia ser punido por tal fato. No entanto, assim que o golpe militar de 64 foi deflagrado, José Maria e outros companheiros foram presos por "insubordinação". Após um período, a família passou a receber algumas notícias por meio de cartas, percebendo a certa altura que estas estavam sendo violadas, sendo que a última recebida data de 06/12/66. Em 1970, seu irmão veio ao Rio e encontrando-se com a noiva de José Maria, que também não tinha notícias desde 1966. Com o movimento pela anistia, por volta de 1981, surgiram notícias mais concretas sobre José Maria, em especial, devido a artigo de Paulo Conserva, publicado em João Pessoa, PA, o qual relata tê-lo conhecido em Cuba e que havia morrido sob tortura. José Maria havia se casado com uma paraguaia e tido uma filha e preso após a delação do Cabo Anselmo. Com a identificação das ossadas de Perus, foi possível acessar os documentos do IML, quando puderam constatar que os restos de José Maria estavam no Cemitério da Vila Formosa, em São Paulo, SP, sendo possível fazer a denúncia oficial dos fatos.

Ficha pessoal
Registro de José Maria Ferreira Araújo no Gabinete de Identificação da Marinha, encontrado no arquivo do DOPS.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML, de 17/11/70, realizado por Sérgio Belmiro Acquesta e Paulo Augusto de Q. Rocha. A cópia possui carimbo do DOPS.

Certidão de óbito
Documento do Registro Civil da Vila Mariana, São Paulo, SP, de 12/07/72, com atestado de óbito firmado por Sérgio Belmiro Acquesta. A certidão está em nome de Edson Cabral Sardinha.

Requisição de exame de cadáver
Requisição de exame ao IML/SP, solicitada pelo DOPS/SP, em 23/09/70, em nome de Edson Cabral Sardinha. Histórico do caso: após ter sido preso por atividades terroristas, faleceu ao dar entrada na Delegacia Distrital, presumindo-se mal súbito. Há cópia com a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de pessoa considerada terrorista. Inclui ainda outra cópia com foto do corpo e carimbo do DOPS.

Impressões digitais
Impressões digitais com foto do cadáver em nome de Edson Cabral Sardinha, de 23/09/70. Documento do arquivo do DOPS.

Ofício
Documento do Delegacia Especializada de Ordem Política do DOPS/SP para o Oficial de Registro Civil da Vila Mariana, São Paulo, SP, de 10/07/72, solicitando duas cópias da certidão de óbito em nome de Edson Cabral Sardinha, registrado naquele cartório em 09/70. Este é o nome pelo qual José Maria foi identificado.

Ofício
Solicitação urgente do II Exército ao DOPS/SP, de 20/06/72, de cópias de foto, ficha dactiloscópia, exame necrológico e atestado de óbito do "terrorista" morto em 09/70, Edson Cabral Sardinha. Este é o nome pelo qual o corpo de José Maria foi identificado.

Ofício
Documento de investigador de polícia do Setor Um, do Departamento Regional de Polícia da Grande São Paulo (DEGRAN) ao delegado chefe deste Setor, de 09/12/70, informando que o laudo de exame necroscópico de Edson Cabral Sardinha foi requisitado por Alcides Cintra Bueno Filho, Diretor do DOPS. Em anexo, ofício do Departamento Regional de Polícia da Grande São Paulo (DEGRAN), na mesma data, solicitando encaminhamento destes documentos ao Diretor do DOPS.

Legislação
Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes.


voltar
EREMIAS DELIZOICOV - Centro de documentação | DOSSIÊ - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil
2002 - 2007 Todos os direitos Reservados