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Dênis Casemiro
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Dênis Casemiro
Cidade:
(onde nasceu)
Votuporanga
Estado:
(onde nasceu)
SP
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
9/12/1942
Atividade: Camponês
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Vanguarda Popular Revolucionária VPR
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Douglas, Dimas
Prisão: 0/4/1971
Imperatriz MA Brasil
Morto ou Desaparecido:
Desaparecido
18/5/1971
São Paulo SP Brasil
DOPS/SP
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/SP DOPS/SP ou DEOPS/SP SP Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Sérgio Paranhos Fleury
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Paulo Augusto Queiroz Rocha, Renato Capellano
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Parte de artigo, sem título, do Jornal Movimento, São Paulo, 27 ago./ 9 set. 1979, p. 9. Descreve a forma como a polícia encobria as mortes de presos políticos por tortura. Segundo depoimento de um ex-funcionário do IML, num primeiro momento os próprios policiais levavam os corpos para serem enterrados na Estrada Velha de Cotia, em São Paulo. Mais tarde, foi necessário sofisticar os métodos e o preso era enterrado com seu nome falso. Isto também se tornou falho pois algum militante poderia denunciar os nomes. Veio então a terceira fase, quando os policiais passaram a montar verdadeiras operações de substituição de cadáveres, uma vez que os corpos de indigentes ficavam até 40 dias aguardando identificação no IML. No caso de Alexandre Vannucchi Leme, as testemunhas da morte de fato viram o atropelamento de um indivíduo. Já Susana Lisbôa não encontrou nenhuma foto do marido Luiz Eurico Tejera no IML e foi informada de que só fotografavam corpos de desconhecidos; no entanto, Luiz foi enterrado como indigente. Norberto Nehring, preso e morto no cárcere pela ação de Fleury, teve seu corpo trocado pelo próprio Fleury que se aproveitou do suicídio de um estrangeiro num hotel próximo à sede do DOPS. Eduardo Leite, o Bacuri, foi entregue à família com a versão de morte em tiroteio; mas, sem a "máquina de atestados", como explicar os dois olhos vazados, as orelhas decepadas e todos os dentes arrancados? O corpo de Luís Eduardo Merlino foi em vão procurado pelos seus familiares no IML até que um parente burlou a vigilância e abriu gaveta a gaveta, encontrando o que buscava. Caso semelhante foi o do estudante Manoel Lisboa de Moura, torturado e morto, noticiado como morte devido a tiroteio. No Cemitério Dom Bosco, de Perus, estão enterrados vários desaparecidos que a polícia não assumiu sequer a prisão: Luiz Eurico, Dênis Casemiro, Iuri Xavier Pereira, Alex Gomes de Paula (de fato, Alex de Paula Xavier Pereira, enterrado com o nome falso de João Maria de Freitas) e, provavelmente, Alexandre Vannucchi Leme. O IML era peça fundamental nestas operações e, por isso, uma das principais manifestações dos médicos que lutam pelo fim do aparelho repressivo do Estado é a não subordinação do IML à Secretaria de Segurança Pública.

Artigo de jornal
Legistas identificam ossadas de militantes. Diário Popular, São Paulo, 10 jul. 1991. p. 3. Artigo sobre a identificação de algumas ossadas encontradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo, SP, pela equipe chefiada pelo legista Fortunato Badan Palhares, da Universidade de Campinas (UNICAMP). Foram identificados os desaparecidos Dênis Casemiro, Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria Lopes de Moraes. Houve uma cerimônia na qual participaram a prefeita Luíza Erundina e o secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, entre outras autoridades. Segundo o delegado Jair Cesário da Silva, que conduz o inquérito sobre a vala comum em Perus, esses fatos são novos e podem levar à responsabilização criminal dos envolvidos nos crimes políticos da ditadura. A família de Sônia pretende processar a União, lembrando que os torturadores continuam impunes. Em Perus podem estar também as ossadas de Dimas Antonio Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Francisco José de Oliveira, Frederico Eduardo Mayr e Grenaldo de Jesus Silva. Para isso, as ossadas foram divididas em cinco grupos, conforme as condições de identificação, e a UNICAMP está solicitando verbas para a compra de equipamento para a realização de exames de DNA. As informações dadas pelas famílias dos desaparecidos foram fundamentais para a identificação das ossadas, pois seus laudos necroscópicos não descreviam todas as lesões sofridas pelas vítimas. Luíza Erundina voltou a exigir que os arquivos do DOPS fossem liberados pela Polícia Federal, passando para o Arquivo do Estado de São Paulo, lembrando a importância dessas informações para as investigações da UNICAMP.

Artigo de jornal
Chega a Rio Preto o corpo do ex-militante político. A Notícia, São José do Rio Preto, 12 ago. 1991. Restos mortais de vítima da repressão chegam a Votuporanga depois de 20 anos. Diário da Região, São José do Rio Preto, 13 ago. 1991, p. 1 e 3. Votuporanga, descanso ao guerrilheiro - Dênis Casemiro será sepultado hoje. A Notícia, São José do Rio Preto, 13 ago. 1991, p. A-3. Família de desaparecido quer indenização. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 ago. 1991, p. 8. (Caderno SP Norte). Ossada de Dênis Casemiro é sepultada no cemitério local. Diário de Votuporanga, Votuporanga, 14 ago 1991. Ossada de Dênis Casemiro será sepultada hoje. Diário de Votuporanga, Votuporanga, 13 ago. 1991. Culto à vítima do Regime Militar. A Cidade, Votuporanga, 13 ago. 1991. Legislativo suspende Ordem do Dia para culto a Dênis Casemiro. A Cidade, Votuporanga, 14 ago. 1991. Dênis é enterrado com honras de herói em Votuporanga, Diário da Região, São José do Rio Preto, 14 ago. 1991. Família só soube das atividades de Casemiro no último contato. A Cidade, Votuporanga, 15 ago. 1991, p. 3. A ossada de Dênis Casemiro foi enterrada em Votuporanga, SP, em meio a várias homenagens. O presidente da Câmara Municipal de Votuporanga, SP, suspendeu os trabalhos do dia, permitindo que os ossos de Dênis Casemiro fossem visitados publicamente. Houve atraso, pois a companhia aérea TAM negou-se a transportar o corpo, que teve de ir de carro. Dênis foi fuzilado pelo delegado Sérgio Fleury em 18/05/71, após um mês de torturas no DOPS/SP, e enterrado como indigente com dados físicos alterados na vala clandestina do cemitério de Perus, em São Paulo, SP. Acredita-se que mais presos políticos estejam enterrados na vala: Dimas Casemiro, irmão de Dênis, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, Grenaldo Jesus da Silva e Francisco José de Oliveira. Fabiano César Casemiro, sobrinho de Dênis vai pedir indenização ao Estado pela morte de seu tio.

Artigo de jornal
Artigo intitulado Dênis Casemiro, sem fonte e data. Dênis era militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), foi preso no sul do Pará, em 04/71, trazido para São Paulo e torturado por um mês, até ser fuzilado pelo delegado Sérgio Fleury, que relatou como Dênis chorava, implorando para não morrer. A versão oficial publicada foi de que Denis, ao ser preso, tentou fugir com a arma de um policial, morrendo em tiroteio com as forças da repressão. No entanto, seu corpo teria sido encontrado no pátio do IML/SP. O laudo necroscópico apenas descreve os tiros, sem mencionar as marcas de tortura. Dênis foi enterrado em uma vala comum no cemitério de Perus, em São Paulo, SP, com seus dados alterados. Também estão lá enterrados e esperando identificação seu irmão Dimas Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Grenaldo Jesus Silva e Francisco José de Oliveira.

Artigo de jornal
Polícia negou a prisão. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 ago. 1991. (Caderno SP Norte). Os irmãos Dênis e Dimas Casemiro, desapareceram durante o regime militar. A família ficou sabendo da morte de Dimas pela televisão e foi Waldemar Andreu, conhecido da família e que esteve preso com Dênis em São Paulo, que relatou a morte dele para a família. Tentaram obter informações com a polícia, que sempre negava a prisão de Dênis, até que, através de um conhecido dentro da polícia, a família teve acesso à certidão de óbito de Dênis em um cartório de São Paulo.

Artigo de jornal
Barros, Marcelo Faria de. (Sem título). O Globo, Rio de Janeiro, 28 out. 1990. Fabiano César Casemiro, filho de Dimas Casemiro vai entrar na justiça com pedido de indenização pela morte de seu pai, exigindo também o pagamento ou devolução dos móveis e utensílios roubados pelos agentes da repressão, em 17/04/71. Dimas faleceu nesse dia, em tiroteio iniciado por agentes de segurança, quando tentava furar o cerco na rua em que morava, na zona sul de São Paulo, SP. Um mês depois, seu irmão Dênis foi morto pelo DOI-CODI e ambos enterrados na vala clandestina do cemitério de Perus, em São Paulo. A polícia explica que invadiu a casa em busca de materiais subversivos, dinamites, mimeógrafos, cédulas de identidade falsas, chapas de carro frias, armas e munição.

Artigo de jornal
Quadro publicado em artigo do jornal O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 set. 1990. Traz os nomes, organização a qual pertenciam e data da morte de militantes, cujos corpos foram encontrados na década de 80 no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Entre eles: Luís Eurico Tejera Lisboa, Iuri Xavier Pereira, Alex Xavier Pereira, Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, Joaquim Alencar de Seixas, Antônio Benetazzo, Carlos Nicolau Danielli e Gelson Reicher. Também traz as mesmas informações de militantes, cujos corpos podem estar nesse cemitério: Aylton Adalberto Mortati, Hioraki Torigoi, José Roberto Arantes de Almeida, Dimas Antônio Casemiro, Denis Casemiro, Devanir José de Carvalho, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, José Roman, Honestino Monteiro Guimarães e Virgílio Gomes da Silva.

Foto
Fotos originais e preto e branco do corpo, encontrada no DOPS/SP.

Foto
Foto original e preto e branco de busto.

Foto
Foto original e preto e branco de evento de inauguração da rua Dênis Casemiro, com a então prefeita do município de São Paulo Luíza Erundina discursando em primeiro plano.

Relatório
Relatório confidencial da Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública de São Paulo à Delegacia Especializada de Ordem Social, em 19/05/71, assinado pelo delegado Sergio Fleury. Descreve a volta da cidade de Ubatuba, quando transportava o preso Dênis Casemiro. Este informou que em Taubaté havia um foco de militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e o delegado mandou que seguissem para lá. Tiveram que parar pois Dênis precisava fazer uma necessidade fisiológica, mas quando este desceu do carro, aproveitou a oportunidade para fugir adentrando um matagal na beira da estrada. Iniciou-se um tiroteio que feriu Dênis, mas mesmo assim ele desapareceu. Os policiais voltaram a Ubatuba e informaram o ocorrido, regressando em seguida para a cidade de São Paulo. No dia seguinte, receberam a informação das autoridades de Ubatuba que Dênis estava internado na Santa Casa da cidade para tratar-se do ferimento. O delegado Fleury mandou transferi-lo para o Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde receberia melhor tratamento. No entanto, Dênis faleceu a caminho do hospital, sendo levado ao IML/SP.

Relatório
Documento do Serviço Público Federal com informações sobre Dênis Casemiro. Consta que Dênis passou por algumas organizações de esquerda, tendo realizado assalto a banco em 1969 e roubo de armas. Há a informação de sua morte em 19/05/71, quando fugiu dos policiais do DOPS que o escoltavam, sendo baleado e morto, em Ubatuba, SP. Consta que a Anistia Internacional teria declarado, em 03/74, que Dênis teria morrido sob tortura. Possui códigos das pastas onde constam as informações de cada parágrafo.

Relatório
Primeiro relatório preliminar das atividades de Dênis Casemiro, assinado pelo delegado adjunto de Ordem Social. São duas cópias, uma com o carimbo do arquivo do DOPS. Inclui transcrição das declarações de Dênis, contando como ingressou no movimento de esquerda, já em Votuporanga, SP, cidade onde nasceu, transferindo-se para Artur Alvim e depois para São Paulo, onde começou de fato a lutar contra o regime militar, relatando algumas "ações subversivas". Depois Dênis foi para a Bahia integrando o grupo de Carlos Lamarca, sendo preso na cidade de Imperatriz, MA. Inclui fotos da casa de Dênis nessa cidade.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Ficha pessoal
Ficha com dados pessoais para antropologia forense na UNICAMP e IML (Campinas), preenchida por familiares para identificação das ossadas de Perus.

Ficha pessoal
Documento com os dados físicos de ossatura, dentição e descrição de doenças e deformidades de Dênis Casemiro. Preenchida por Fabiano Casemiro, sobrinho de Dênis.

Ficha pessoal
Três documentos em nome de Dênis Casemiro, sem identificação do órgão, e com códigos das pastas onde constam as informações de cada parágrafo. O último documento menciona o laudo de exame de corpo delito de Dênis como informação de 21/07/91.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 04/06/71, realizado por Renato Capellano e Paulo Augusto Queiroz Rocha.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de identificação da ossada de Dênis Casemiro, que foi encontrada na vala comum do Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo, SP. A identificação foi realizada pela equipe da UNICAMP.

Certidão de óbito
Documentos emitidos pelo Cartório do Registro Civil do Jardim América, São Paulo, SP. O primeiro é de 07/08/71 e o segundo, original, é de 16/08/79.

Requisição de exame de cadáver
Documento ao IML/SP, solicitada pelo DOPS, de 19/05/71. Apresenta a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de pessoa considerada terrorista. Consta que Dênis tentou fugir do policial que o escoltava e iniciou-se tiroteio onde recebeu ferimentos fatais.

Ofício
Autorização de translado da Delegacia Seccional Oeste da Capital, SP, em 07/08/91. Requer a transferência dos restos mortais de Dênis Casemiro, encontrados no cemitério de Perus, em São Paulo, SP, e identificados na UNICAMP, para a cidade de Votuporanga, SP.

Evento/ Homenagem
Homenagem do Grupo de Estudos e Integração Universidade/Sociedade (GEIUS)/USP, Núcleo de Estudos da Violência/USP, União de Mulheres de São Paulo, Gabinete do Vereador César Caligiuri Filho, da Câmara Municipal de São Paulo, aos mortos políticos cujos corpos foram encontrados no Cemitério de Perus, em São Paulo, SP.

Evento/ Homenagem
Feghali, Jandira. Fazendo Justiça. 15 ago. 1991. Texto lido no Pequeno Expediente da Câmara dos Deputados, por ocasião da CPI das Ossadas e do sepultamento dos restos mortais de Sônia Maria Moraes Angel Jones, Antônio Carlos Bicalho Lana e Dênis Casemiro.

Legislação
Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes.


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