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Aylton Adalberto Mortati
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Aylton Adalberto Mortati
Cidade:
(onde nasceu)
Catanduva
Estado:
(onde nasceu)
SP
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
13/1/1946
Atividade: Estudante universitário e ex-militar
UniversidadeUniversidade Mackenzie
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Movimento de Libertação Popular MOLIPO
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Romualdo, Tenente, Eduardo, Pratini, Érico, Humberto, Beto, Oscar, Eduardo Janot Pacheco
Prisão: 4/11/1971
São Paulo SP Brasil
R. Cervantes, 7, Vila Prudente
0/0/1968
Ibiúna SP Brasil
XXX Congresso da UNE
Morto ou Desaparecido:
Desaparecido
4/11/1971
São Paulo SP Brasil
R. Cervantes, 7, Vila Prudente
Segundo relatório do Ministério da Aeronáutica.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Força Aérea Brasileira FAB Brasil
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Terrorista revela ligação de brasileiros com grupo internacional. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 19 fev. 1970. Artigo de imprensa do arquivo do DOPS, que segundo depoimento, confirma que o "terrorismo" no Brasil recebe orientações de Cuba.

Artigo de jornal
Paulistas envolvidos no seqüestro do "Boeing". Artigo sem data (provavelmente em fins 1969 ou início de 1970) e sem fonte, do arquivo do DOPS, sobre divulgação dos resultados das investigações sobre o seqüestro do "Boeing" da Varig em 04/11, quando voava entre Buenos Aires e Santiago do Chile. O seqüestro foi comandado por Aylton Adalberto Mortati. A ação contou com a participação de nove brasileiros que estavam vivendo em Montevidéu, Uruguai.

Artigo de jornal
Paulistas entre os nove seqüestradores do "Boeing" da Varig. Diário de São Paulo, São Paulo, 13 dez. 1969. Informa a divulgação dos resultados das investigações sobre o seqüestro do "Boeing" da Varig em 04/11, ocorrido na rota Buenos Aires-Santiago do Chile. Os nomes dos nove brasileiros foram identificados, mas apenas quatro foram divulgados. Destes, todos são de São Paulo e incluem Aylton Adalberto Mortati e Maria Augusta Thomaz.

Artigo de jornal
Quadro publicado em artigo do jornal O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 set. 1990. Traz os nomes, organização a qual pertenciam e data da morte de militantes, cujos corpos foram encontrados na década de 80 no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Entre eles: Luís Eurico Tejera Lisboa, Iuri Xavier Pereira, Alex Xavier Pereira, Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, Joaquim Alencar de Seixas, Antônio Benetazzo, Carlos Nicolau Danielli e Gelson Reicher. Também traz as mesmas informações de militantes, cujos corpos podem estar nesse cemitério: Aylton Adalberto Mortati, Hioraki Torigoi, José Roberto Arantes de Almeida, Dimas Antônio Casemiro, Denis Casemiro, Devanir José de Carvalho, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, José Roman, Honestino Monteiro Guimarães e Virgílio Gomes da Silva.

Artigo de jornal
Os desaparecidos, uma questão que vai persistir. Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 jan. 1979. Parte de artigo sobre a questão dos desaparecidos políticos no período da ditadura militar. Segundo generais do Exército, há somente quatro possibilidades de desaparecimento de uma pessoa: ela teria sido executada por sua própria organização, que jogaria a culpa no Exército; ela poderia ficar tão desestruturada mentalmente que romperia com todos os conhecidos e sua família a ajudaria a se mudar para o exterior alegando que seu ente sumiu; o suposto desaparecido seria na verdade um membro infiltrado pelas forças de segurança nacional que, ao terminar seu serviço, fazia plástica e recuperava sua antiga identidade; ou mortos por acidente, mas que o Exército não permitiu a publicidade do fato. Cita uma lista de pessoas dadas como desaparecidas pelas organizações cujas fichas estavam no necrotério de um órgão de segurança em 12/73. São elas: Jorge Leal Gonçalves Pereira, Mário Alves de Souza Vieira, Ruy Carlos Vieira Berbert, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar Sobrinho, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Joaquim Pires Cerveira, Ísis Dias de Oliveira, Ramires Maranhão do Vale, Thomas Antônio da Silva Meirelles Neto. Apresenta ainda alguns detalhes controvertidos das histórias dos desaparecidos Edgar de Aquino Duarte, Joaquim Pires Cerveira, João Batista Rita e Paulo Costa Ribeiro Bastos. Também contesta a lista de desaparecidos divulgada pelo Comitê Brasileiro de Anistia em relação aos nomes de Antônio dos Três Reis Oliveira.

Artigo de jornal
Artigo incompleto, sem fonte e data, intitulado "A Aeronáutica relata como foi o seqüestro". Divulga o relatório elaborado pela Aeronáutica sobre o seqüestro de um avião. Segundo o relatório, entre os envolvidos estava Maria Augusta Thomaz, Aylton Adalberto Mortati, Lauriberto José Reyes e Ruy Carlos Vieira Berbert.

Artigo de jornal
Documento sem fonte e data intitulado: O "código Lindenbergh" na mira dos advogados. O artigo comenta a afirmação feita pelos advogados Idibal Piveta e Paulo Gerab, de que todos os desaparecidos estariam catalogados nos órgãos de segurança sob a sigla "código Lindenbergh". Os advogados contam que em 07/02/75 o então ministro da Justiça, Armando Falcão, publicou dados sobre vinte e três desaparecidos, cuja fonte seria o "código Lindenbergh - 23", que depois de atualizado em maio do mesmo ano passou a chamar-se "código Lindenbergh - 121". Segundo os advogados, esse dossiê teria informações sobre Hélio Luiz Navarro de Magalhães e Ruy Carlos Vieira Berbert. Ruy participou de atividades como o XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, SP, sendo condenado pela participação no seqüestro do avião da Varig que ia de Buenos Aires a Santiago, juntamente com Aylton Adalberto Mortati, Maria Augusta Thomaz e Lauriberto José Reyes.

Artigo de jornal
Hatori, Elza. Provas confirmam mortes da ditadura. Diário Popular, São Paulo, 1 de ago. 1991, p. 2. Trata da disponibilização do arquivo do DOPS/PR à Prefeitura de São Paulo para a realização de trabalho em Curitiba pela Comissão Especial de Investigação que foi criada por esta Prefeitura para acompanhar o processo das ossadas enterradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. As investigações levaram à confirmação da morte de vítimas da ditadura que não tiveram o óbito assumido pelo regime militar. Foram localizadas 17 fichas de militantes desaparecidos no arquivo do Paraná dentro de uma gaveta com a inscrição "Falecidos". Apesar das fichas e prontuários terem sido localizados em Curitiba, a maior parte destes 17 militantes desapareceu em São Paulo, depois de serem presos e torturados.

Artigo de jornal
Aeronáutica divulga relatório e aponta responsáveis pelo seqüestro do "Boeing". (Sem fonte), 13 dez. 1969. O Boeing da Varig, que ia de Buenos Aires a Santiago do Chile em 04/11/69, foi seqüestrado por nove brasileiros, entre eles os estudantes paulistas Ailton Adalberto Mortati, Maria Augusta Thomaz e Lauriberto José Reyes.

Artigo de jornal
Justiça Militar condena 27 subversivos em SP. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 22 mar. 1975. A Auditoria da Justiça Militar, após mais de treze horas de julgamento de processo sobre "terrorismo e subversão" em São Paulo, condena vinte e sete réus, absolve cinqüenta, entre eles Norberto Nehring e Ruy Carlos Vieira Berbert, extingue a punibilidade de doze, entre eles Nestor Veras, exclui do processo dezessete e declara encerrado o processo de treze indiciados que foram banidos do Brasil. Entre estes últimos estão: Carlos Eduardo Pires Fleury, Edmur Péricles Camargo, Jeová de Assis Gomes e João Leonardo da Silva Rocha. Seqüestro: juiz intima indiciados. (Sem fonte), 10 mar. 1970. Consta que o juiz auditor Milton Fiuza intimou três jornalistas e um comerciário por causa do seqüestro do embaixador dos Estados Unidos e que a corregedoria da Justiça Militar enviou inquérito para a Marinha sobre o seqüestro do Boeing da Varig, em 04/11/69, estando indiciados Aylton Adalberto Mortati, Lauriberto José Reyes, Maria Augusta Thomaz e Ruy Carlos Vieira Berbert.

Artigo de jornal
Cardeal apóia a violência do padre. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 28 jul. 1972. O artigo comenta o fato do cardeal dom Eugênio Salles apoiar o padre José Artolas que, para defender o interesse de favelados, depredou o escritório da Codesco, em 12/70. Segundo o cardeal, o padre aumentou a confiança dos favelados na Igreja de Cristo. O bispo auxiliar dom José de Castro Pinto, no entanto, disse que a igreja não poderia arcar com a defesa do padre e de nenhum outro sacerdote que cometesse um crime. Prossegue o inquérito que acusa uma gráfica de editar o panfleto Venceremos, da Ação Libertadora Nacional (ALN), e condena à revelia Ayrton Adalberto Mortati, Ruy Carlos Vieira Berbert e Maria Augusta Thomaz, acusados do seqüestro do Boeing da Varig, desviando seu curso para Havana, Cuba. Lauriberto José Reyes teve sua punibilidade extinta por ter falecido durante o processo. O advogado de defesa tentou alegar que o crime foi cometido fora das fronteiras brasileiras e que o Brasil não possui leis para punir o seqüestro de aeronaves, sendo rejeitado. Também foram absolvidos estudantes de direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro que haviam sido acusados de crime contra a segurança nacional.

Artigo de jornal
STM julga processo de 119 acusados de ações pela ALN. Sem fonte e data. Trata do julgamento do processo da Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo de Carlos Marighella, que não foi julgado por ter morrido em tiroteio antes da conclusão do inquérito. O processo resultou em vinte e oito condenados, cinqüenta e dois absolvidos, catorze excluídos, treze banidos e oito pessoas com penas prescritas.

Artigo de jornal
Fiuza e Frota desmentem versão sobre desaparecido. (Sem fonte), de 31 jan. 1980. O general Adir Fiuza de Castro desmente as acusações feitas a ele e ao general Sílvio Frota de serem os responsáveis pelo desaparecimento de Joaquim Pires Cerveira, afirmando que na época do ocorrido já não comandava o DOI-CODI/RJ. No início de 1979 dois generais e mais um oficial que participavam da repressão declararam que alguns dos desaparecidos foram de fato mortos por órgãos de segurança, mas que por alguma razão não podiam assumir o fato publicamente. Foram citados os seguintes desaparecidos: Jorge Leal Gonçalves Pereira, Mário Alves de Souza Vieira, Ruy Carlos Vieira Berbert, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar, Paulo César Botelho Massa, Sérgio Landulfo Furtado, Stuart Edgard Angel Jones, Ísis Dias de Oliveira, Ramires Maranhão do Vale e Thomaz Antônio da Silva Meireles Neto. O general Frota declarou que isso é impossível de ter acontecido no I Exército. Enquanto isso, o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA) continua exigindo que o governo esclareça o desaparecimento de mais de cento e vinte e cinco militantes, após suas prisões.

Artigo de jornal
A semântica da violência. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 3 ago. 1979. p. 5. Entrevista com Antônio Houaiss, lingüista, escritor e diplomata que teve seus direitos políticos cassados na ditadura militar. Ele levanta a seguinte questão: "...Como explicar também que o golpe de 1964, no Brasil, se tenha auto-intitulado 'revolução' para combater a 'subversão', palavras que o bom senso e qualquer dicionário identificam como sinônimos?". Também fala sobre o projeto de anistia do governo, que na realidade não dá a anistia e sim obriga os funcionários públicos cassados a requerê-la assumindo, dessa forma, que fizeram algum ato ilegal no passado e, além disso, não abrange todas as pessoas anistiáveis. O quadro intitulado "Estes 'desaparecidos' foram mortos" traz a informação de que dois generais e um coronel afirmaram que catorze pessoas consideradas desaparecidas políticas foram, de fato, mortas pelo serviço secreto das Forças Armadas. Entre elas estão: Ruy Carlos Vieira Berbert, Mário Alves de Souza Vieira, Jorge Leal Gonçalves Pereira, Virgílio Gomes da Silva, Aylton Adalberto Mortati, Félix Escobar Sobrinho, Paulo César Botelho Massa, Ísis Dias de Oliveira, Stuart Edgar Angel Jones, Joaquim Pires Cerveira, Sérgio Landulfo Furtado, Ramires Maranhão do Vale, Rubens Beirodt Paiva e Thomas Antônio da Silva Meirelles Neto. As mortes foram classificadas por esses militares como acidentes de trabalho. Essa declaração possibilitou identificar "aparelhos" secretos utilizados por oficiais para tortura, como a Fazenda 31 de Março, em Parelheiros, SP, muito usada pelo delegado Sérgio Fleury.

Foto
Foto dos rostos de Maria Augusta Thomaz, Lauriberto Reyes, Ruy Berbert e Aylton Mortati, publicadas em jornal de 13/12/69.

Foto
Relação de fotos dos estudantes participantes no XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna, SP, 1968. O de n. 125 é Aylton Adalberto Mortati e o de n. 127 é Flávio de Carvalho Molina. Pertence ao arquivo do DOPS.

Foto
Fotos originais e preto e branco de busto de épocas diferentes.

Relatório
Parte de relatório de inquérito, pouco legível, da Delegacia Especializada de Ordem Social. O relatório não apresenta data, mas aponta ações de indiciados ocorridas em 1971. Informa sobre as ações políticas efetivadas por Aylton Adalberto Mortati, pertencente ao Movimento de Libertação Popular (MOLIPO); sobre o indiciado Arnaldo Cardoso da Rocha, atuante da Ação Libertadora Nacional (ALN) e com mandado de prisão preventiva; aponta as ações cometidas por Maria Augusta Thomaz e por Márcio Beck Machado, indiciado indiretamente por se encontrar foragido.

Relatório
Parte de relatório do arquivo do DOPS, de 13/12/69, que inclui trechos de artigos publicados na imprensa divididos em blocos de assuntos. O item "Atividades subversivas" informa sobre o primeiro relatório divulgado sobre o seqüestro do avião da Varig, em 04/11/69, entre Buenos Aires e Santiago do Chile, praticado por nove brasileiros, três dos quais identificados: Ailton Adalberto Mortati, Maria Augusta Thomaz e Lauriberto José Reyes, todos estudantes que participaram do Congresso da ex-UNE, em Ibiúna, SP. Também informa sobre o decreto de prisão preventiva de quatro pessoas ligadas a Carlos Marighella e sobre manchete de jornal do dia anterior que noticia: "Prisão para 18 do Grupo Marighella".

Relatório
Documento do arquivo do DOPS intitulado "Relação de aparelhos estourados nos meados de julho de 1971 a fevereiro de 1972". Entre outros, cita os aparelhos do MOLIPO pertencentes a Aylton Adalberto Mortati, na Rua Cervantes, Vila Prudente, Francisco José de Oliveira, na Rua Capote Valente, Flávio Carvalho Molina, na Rua Gonçalves Dias, Eduardo Antônio da Fonseca, na Praça Laurindo de Brito, e Frederico Eduardo Mayr, na Rua Arujá, em São Paulo, SP.

Relatório
Documento do Serviço de Informações do DEOPS/SP, de 02/07/70, com dados pessoais de Aylton. Comunica a publicação em vários jornais de 13/12/69, de notícias em que Aylton é acusado de haver chefiado o primeiro seqüestro de Boeing PPX, da Varig, em 04/11/69, entre Buenos Aires e Santiago do Chile, rumando para Cuba. Também informa sobre o artigo de imprensa que noticiou a demissão do segundo tenente Aylton Adalberto Mortati, pelo presidente Emílio Garrastazzu Médici, com base no AI-5/68. O relatório possui os códigos das pastas correspondentes, a cada parágrafo, em que constam as informações citadas. Há uma anotação final de que se trata de pedido do Dr. Alcides Cintra, delegado da Ordem Política.

Relatório
Documento do Serviço de Informações do DOPS/SP, de 24/05/73. Consta que Aylton participou do XXX Congresso da UNE em Ibiúna, e de um atentado ao carro de um membro do DOPS. Está envolvido em assaltos e no incêndio de um ônibus em São Paulo, SP. Fez curso de guerrilha em Cuba, regressando ao Brasil com ajuda de companheiros da Ação Libertadora Nacional (ALN). O Relatório possui cópia com os códigos das pastas de onde foram retiradas as informações de cada parágrafo.

Relatório
Documento do Ministério do Exército, de 19/09/77, comunicando "estouro" pelo DOI-CODI de um "aparelho" do Movimento de Libertação Popular (MOLIPO) na Vila Prudente, São Paulo, SP, onde residiam Aylton Adalberto Mortati, José Roberto Arantes de Almeida e Maria Augusta Thomaz. Cita que, dentre inúmeros materiais e documentos, foi encontrado passaporte adulterado de Flora Frisch para Floro Frisch, utilizado por Francisco José de Oliveira, morto em 05/11/71, em parte de seu trajeto de Cuba para o Brasil. O documento apresenta carimbo do DOPS.

Relatório
Lista do DOPS contendo 70 itens com nomes de pessoas (muitos se repetem), seguidos de codinomes e condição (preso, liberado, banido ou morto). Dez desses nomes podem ser identificados dentre os mortos e desaparecidos políticos pela ditadura militar: Helenira Rezende de Souza Nazareth, Yoshitane Fujimori, Carlos Lamarca, Eremias Delizoicov, Eduardo Collen Leite, Joaquim Câmara Ferreira, Arno Preis, Maria Augusta Thomaz, Márcio Beck Machado, Aylton Adalberto Mortati.

Relatório
Documento do Ministério da Aeronáutica, de 08/12/71. Traz relação de nomes de pessoas que fizeram curso de "terrorismo" em Cuba e de pessoas banidas do território nacional que retornaram ao país, dando continuidade às suas atividades políticas. O documento possui carimbo do DOPS.

Relatório
Parte de documento confidencial do arquivo do DOPS/SP, provavelmente de 08/72. Constam, entre outros, os nomes de Maria Augusta Thomaz, Márcio Beck Machado e Aylton Adalberto Mortati, integrantes do Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), devido a inquérito instaurado pela Delegacia Especializada de Ordem Política e Social. No dia 22, informa que José Júlio de Araújo morreu após violento tiroteio no bairro de Pinheiros, São Paulo, SP, e que a Auditoria Militar teria absolvido por unanimidade Celso Gilberto de Oliveira, entre outros acusados, de atividades subversivas.

Relatório
Documento do Serviço de Informações do DOPS. Consta que Maria Augusta Thomaz participou do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, SP, sendo indiciada. Sua residência foi localizada, tornando possível a escuta de conversas suas com os pais e que provavelmente fugira para Cuba. É acusada de atentado subversivo em 18/05/71. Também é acusada do seqüestro do avião da Varig em 13/12/69, junto com Aylton Adalberto Mortati e Lauriberto José Reyes. Possui o carimbo do arquivo do DOPS e códigos das pastas de onde foram retiradas as informações de cada parágrafo.

Relatório
Parte de documento, recolhido no DOPS, com dados pessoais de pessoas que participaram do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em Ibiúna, SP, em 09/06/68.

Relatório
Relatório das circunstâncias do desaparecimento de Aylton Adalberto Mortati, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Termo de declarações
Depoimento de Carmem Sobrinho Martins, mãe de Aylton, de 26/09/90, à Comissão Justiça e Paz de São Paulo. Declarou que, devido às atividades políticas de seu filho, estudante de Direito na Universidade Mackenzie, desaparecido após ter sido preso em 11/71, sua casa foi invadida várias vezes. Depois que soube que Aylton havia seqüestrado um avião e o desviara para Cuba, passou a sofrer constante vigilância e provocações por parte dos órgãos de segurança, que estacionavam carros à frente de sua residência, subiam no telhado, revistavam compras de supermercado, censuravam o telefone e até espancaram seus sobrinhos menores. Passou a receber vários bilhetes ameaçadores dizendo que seu filho ia morrer, os quais levava ao Comando da Aeronáutica, onde havia sido interrogada anteriormente; de tanto levar bilhetes, forneceram a ela uma carta que dizia que a Aeronáutica tinha feito uma vistoria em sua casa e que nada tinha a ver com seu filho. A situação continuou assim até que, no início de novembro de 1971 recebeu um telefonema anônimo informando que Aylton havia sido preso, estava na Operação Bandeirantes (OBAN), baleado e muito mal e que a família tomasse providência. Ao tentar localizá-lo, soube da existência de seu atestado de óbito, o qual só pôde obter após a Lei de Anistia, de 1979.

Termo de declarações
Depoimento de Andrelina Sobrinho Barra, de 26/09/90, à Comissão Justiça e Paz de São Paulo, que acompanhou a mãe de Aylton, Carmen Sobrinho Martins, em diversas repartições em busca de seu filho. Conta que foram recebidas na Rua Tutóia, após telefonema anônimo sobre prisão de Aylton, pelo Major Carlos Alberto Brilhante Ustra, que negou a prisão de Aylton e as enxotou sob ameaça de prendê-las. Afirma que procuraram pelo promotor Durval Moura Araújo, da Auditoria Militar, que entregou uma carta a Carmen para que fosse buscar o atestado de óbito de seu filho no DOPS. Após tentativas frustradas de obter o atestado, o Dr. Durval prontificou-se a pessoalmente consegui-lo. No entanto, foi transferido dias depois da Auditoria e nunca mais falou com ela.

Ficha pessoal
Documento do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), com foto, alguns dados pessoais e a informação de que Aylton teria seqüestrado avião para Cuba. O documento pertence ao arquivo do DOPS.

Ficha pessoal
Documento do Arquivo e Fichário da Delegacia Especializada de Ordem Social, com foto numerada e alguns dados pessoais.

Ficha pessoal
Documentos da Delegacia de Ordem Política e Social, do Paraná, sendo um deles datado de 29/09/71. Informa que Aylton participou do XXX Congresso da extinta União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna, SP, em 1968; freqüentou cursos em Cuba e seqüestrou um avião para este país; realizou 67 ações como assaltos a bancos, casas comerciais e outros, segundo jornal Folha de São Paulo; e, de acordo com o Jornal do Brasil, publicado no Rio de Janeiro, de 29/03/78, foi morto sob tortura em 05/11/71, no Rio de Janeiro.

Ficha pessoal
Qualificação e histórico de Aylton Adalberto Mortati no DOPS. Informa dados pessoais, os quatro indiciamentos em inquéritos policiais de 1967 a 1972, mandado de prisão de 1972 e outros.

Artigo de revista
Prado, Antônio Carlos, Fragelli, Beatriz. O tenente enterrado. Isto É Senhor, São Paulo, n. 1099, 10 out. 1990, p. 44-52. Trata de Aylton Mortati, tenente que largou o Exército para lutar na guerrilha, cujo corpo está no Cemitério de Perus. Mortati era considerado um desaparecido político até então: no livro de registros do IML/SP, ao lado do estudante carioca Flávio Carvalho Molina, outro corpo encontrado em Perus, existe uma fotografia arrancada que, familiares de desaparecidos políticos acreditam ser a de Mortati, já que era preciso esconder o seu óbito. O policial Miguel Zaninello tem seu nome como declarante de diversos óbitos relativos a corpos enterrados em Perus. Segundo Nelson Pereira, pedreiro e coveiro do Cemitério de Perus, Grenaldo Jesus da Silva foi o único morto que chegou a Perus levado por Zaninello com o nome no caixão. No caso de Carlos Nicolau Danielli, em uma das primeiras cópias de sua certidão de óbito, ele é classificado no item profissão como "terrorista" e o endereço residencial indicado é o do IML/SP; em outra cópia, com as mesmas informações do livro, folha e número, a profissão de Danielli está em branco e não se registra seu endereço. Zaninello também foi declarante do óbito de Rui Osvaldo Aguiar Pftzenreuter.

Ofício
Comunicado do Instituto Mackenzie à Delegacia Especializada de Ordem Política, de 03/07/70, atendendo solicitação das fichas escolares e outros documentos de Airton Mortati. Os documentos escolares e pessoais seguem em anexo.

Ofício
Comunicado do Serviço de Informações, do Departamento da Polícia Federal, de Curitiba, PR, de 13/09/74, sobre Eduardo Janot Pacheco, nome falso utilizado por Aylton, encaminhando relatório de 09/09/74 a órgãos da repressão. O documento cita que o aparelho onde residiam Aylton e outros, na Vila Prudente, São Paulo, SP, foi "estourado", em 04/11/71. Nele encontraram documentos falsos em nome de Eduardo Janot Pacheco. Informa também que em 02/07/74, Aylton teria embarcado para Paris para fazer um curso com duração de dois anos, segundo informações da Reitoria da USP. O órgão solicita que Aylton seja detido tão logo retorne ao Brasil, definitivamente ou a passeio.

Ofício
Comunicado da 2ª Auditoria, da 2ª Circunscrição Judiciária Militar, de 29/10/79, ao DOPS declarando extinta a punibilidade, pela Lei da Anistia de 1979, de 12 pessoas envolvidas nos processos 100/72 e 120/72, incluindo Ayrton Adalberto Mortati e Maria Augusta Thomaz, para o que solicita a restituição dos mandados de prisão encaminhados.

Depoimento
Biografia sobre Ruy Berbert, vulgo Joaquim, escrita em 26/03/92, por Ana Corbisier. Conta como foi a vida de Ruy em Cuba junto a alguns militantes brasileiros como Maria Augusta Thomaz, Aylton Adalberto Mortati, Arno Preis, Lauriberto Reyes, Antônio Benetazzo, João Leonardo da Silva Rocha, Boanerges de Souza Massa e a própria autora. Ficavam em uma casa cedida pelo governo cubano onde pela manhã faziam exercícios físicos e à tarde estudavam. Visitavam a cidade, freqüentavam a praia, sempre pensando na preparação para voltar ao Brasil. Acabaram por formar o Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), nascido dos questionamentos em relação à Ação Libertadora Nacional (ALN). Há a carta datilografada e o original manuscrito.

Evento/ Homenagem
Homenagem aos desaparecidos políticos por meio de ato de oficialização dos nomes das ruas do Jardim da Toca, em São Paulo, SP, em 04/09/91, contando com a presença da prefeita Luíza Erundina, do vereador Ítalo Cardoso, dos familiares dos homenageados e de representantes da sociedade. Homenageados: Ana Rosa Kucinski Silva, Antônio Carlos Bicalho Lana, Antônio dos Três Reis Oliveira, Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, Aylton Adalberto Mortati, Elson Costa, Hiran de Lima Pereira, Honestino Monteiro Guimarães, Ieda Santos Delgado, Maria Lúcia Petit da Silva e Sônia Maria de Moraes Angel Jones. Acompanha convite para a solenidade.

Legislação
Lei 9.140/95. Diário Oficial, Brasília, n. 232, 5 dez. 1995. Reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79, e que por este motivo tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, desde então, desaparecidas, sem que delas haja notícias. No Anexo I desta Lei foram publicados os nomes das pessoas que se enquadram na descrição acima. Ao todo são 136 nomes.

Certidão
Certidão da Divisão de Segurança e Informações, da Polícia Civil do Paraná, para a Comissão Especial de Investigação das Ossadas encontradas no Cemitério de Perus, de 24/07/91. Certifica que as fichas das pessoas a seguir foram encontradas no arquivo do DOPS, em gaveta com a identificação "Falecidos": Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, Hiran de Lima Ferreira, Edgard de Aquino Duarte, Paulo Stuart Wright, Eduardo Collier Filho, Helenira Resende de Sousa Nazareth, Miguel Pereira dos Santos, José Huberto Bronca, Isis Dias de Oliveira, Antônio dos Três Reis Oliveira, Ayrton Adalberto Mortati, Jorge Leal Gonçalves Pereira, Luiz Almeida, Ruy Carlos Vieira Berbert, Joaquim Pires Cerveira, Virgílio Gomes da Silva e Elson da Costa.


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