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Manoel Fiel Filho
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Manoel Fiel Filho
Cidade:
(onde nasceu)
Quebrângulo
Estado:
(onde nasceu)
AL
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
7/1/1927
Atividade: Operário
   
Dados da Militância  
Prisão: 16/1/1976
Brasil
Morto ou Desaparecido:
Morto
17/1/1976
São Paulo SP Brasil
DOI-CODI/SP
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Ednardo D'Ávila Melo
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
José Antônio de Mello, José Henrique da Fonseca
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Vão a julgamento 23 do PC do B. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 28 ago. 1977. Relata que haverá o julgamento de 23 pessoas, último processo de uma série relacionada à reorganização do Partido Comunista no Brasil. Os primeiros processos referem-se à localização de uma gráfica do PCB no Rio de Janeiro em 12/74, e outra no Cambuci, em São Paulo, em 02/75; à prisão de vários membros da cúpula do PCB em São Paulo; à existência de uma célula do Partido Comunista dentro da Polícia Militar no decorrer do qual ocorreu a morte do primeiro-tenente José Ferreira Almeida; às prisões de professores, advogados e jornalistas, entre os quais, Vladmir Herzog; e às prisões de alguns operários, entre eles, Manoel Fiel Filho. A morte deste operário levou ao afastamento do general Ednardo D'Ávilla Mello do comando do II Exército. É este o último processo a ser julgado.

Artigo de jornal
"Nota do II Exército sobre a morte no DOI", Folha da Tarde, São Paulo, 20 jan. 1976, p. 2. "II Exército esclarece morte no DOI", Notícias Populares, São Paulo, 20 jan. 1976, p. 2. Artigos de jornal do arquivo do DOPS, divulgando a informação do II Exército sobre a morte de Manoel Fiel Filho em um dos xadrezes do DOI-CODI, em 17/01/76, instaurando Inquérito Policial Militar para apurar o ocorrido.

Artigo de jornal
IPM sobre morte do DOI levará 30 dias. Este artigo e outro com o título incompleto, sem data e fonte, pertencentes ao arquivo do DOPS, discorrem sobre a substituição do general Ednardo D'Ávila Melo do comando do II Exército e a provável relação com a morte do operário Manoel Fiel Filho, no DOI-CODI. O vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Heleno Fragoso argumenta que "de nada valerá trocar os comandos se se mantiver o terror policial, que viola a Constituição e as leis do País. A segurança nacional não pode ser defendida com a ilegalidade e a insegurança do cidadão". Também foram divulgadas as transferências do comandante e do subchefe do DOI-CODI para o Rio de Janeiro e para Brasília, respectivamente.

Artigo de jornal
Depoimento de Konder, jornalista torturado. Diário Popular, São Paulo, 7 fev. 1976. Apresenta o depoimento do jornalista Rodolfo Konder, preso em 24/10/75, no DOI-CODI, e liberado, em grande parte, devido ao movimento de opinião pública causado pelo assassinato de seu colega Vladimir Herzog, com quem encontrou-se durante os interrogatórios e a tortura. Konder ouviu Herzog ser torturado e, certa manhã, os jornalistas presos foram informados de que Vladmir se suicidara. A vítima seguinte foi Manoel Fiel Filho, operário do bairro da Moóca, também sob a versão de suicídio, desta vez com uma meia. O artigo cita que, ao contrário dos anos anteriores, a repressão militar já preocupa camadas amplas da opinião pública brasileira. Sendo assim, Geisel demitiu o comandante do II Exército, o general Ednardo D'Ávila Melo. Seu substituto afirmou no ato de posse que o combate à subversão e à corrupção continuará, pois a subversão é caracterizada pela expansão do comunismo internacional, que se infiltra até nas Forças Armadas. Possui carimbo do Serviço de Informações, do Departamento da Polícia Federal.

Artigo de jornal
STM mantém pena de três terroristas. O Globo, Rio de Janeiro, 27 fev. 1976. A segunda parte do artigo informa a conclusão do Inquérito Policial Militar, no prazo previsto de 30 dias, que apurou a morte do operário Manuel Fiel Filho, nas dependências do DOI-CODI, onde estava detido para averiguações. Pelo caráter reservado das investigações, o IPM só será divulgado pela Justiça Militar.

Artigo de jornal
Artigo sem fonte e data intitulado "Exército anuncia morte de preso". Informa a morte de Manoel Fiel Filho em uma das celas do DOI-CODI, em São Paulo, e a instauração de Inquérito Policial Militar para apurar o caso. A versão oficial é de que teria se suicidado com as meias que usava. Relata o conhecimento das principais autoridades do país sobre a violência e a tortura contra os presos políticos, os nomes dos torturados e os nomes e as funções dos torturados, em função do documento que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil recebeu de presos políticos. Apresenta algumas das trinta torturas citadas naquele documento, mas falta a parte central do artigo.

Artigo de jornal
Luppi, Carlos Alberto. Legista afirma que Fiel Filho "morreu por estrangulamento". Folha de S. Paulo, São Paulo, 4 nov. 1978. Divulga a declaração do professor de Medicina Legal da Faculdade de Direito de Guarulhos José Antônio de Mello, autor da necrópsia do corpo de Manoel Fiel Filho. Ele afirma que a morte do operário em 17/01/76, ocorreu por estrangulamento e não por enforcamento. No exame não foi possível detectar se ocorreu por ação de terceiros ou do próprio Manoel. Casos de auto-estrangulamento são raríssimos, e ele mesmo nunca soube de um caso desses em 20 anos de Medicina Legal. Afirma que o laudo concluído foi perfeito, e não emitiu opinião por não ser de sua alçada. Mostrou-se surpreso quando soube que a esposa de Manoel estava entrando na Justiça para apurar as condições de sua morte, por acreditar que este caso deveria ter sido tratado judicialmente por ser totalmente atípico. Disse não ter sido chamado à época para depor no Inquérito Policial Militar e nem soube de sua existência.

Artigo de jornal
"Caso Fiel pode ser reaberto (...)" e Luppi, Carlos Alberto. "Não quero vingança, quero justiça". Os artigos sem fonte e data, pertencentes ao arquivo do DOPS, informam que a Comissão de Justiça e Paz, da Arquidiocese de São Paulo, resolveu acolher o pedido da viúva de Manoel Fiel Filho, Tereza de Lourdes Martins Fiel, para apurar as circunstâncias em que ocorreu a morte de seu marido nas dependências do DOI-CODI, a 17/01/76. Os advogados pretendem analisar o Inquérito Policial Militar que concluiu pelo suicídio: a mesma conclusão que chegaram no caso Herzog, já contestada por sentença judicial. Descrevem quando levaram Manoel embora e o comunicado da morte a sua família, que de pronto presumiu ter se tratado de homicídio. Após o enterro, Tereza não se pronunciou em público: naquela época, não tinha dinheiro para conseguir que o advogado continuasse no caso, além do receio de ter de enfrentar problemas decorrentes do que viesse a declarar. Mas, dois anos depois, incentivada pela condenação da União no caso Herzog, o qual sempre acompanhou, resolveu tratar também do seu caso.

Artigo de jornal
"Família de Fiel vai à Justiça", "Caso Fiel: a viúva decide ir à Justiça". Sem fonte e data (provavelmente 1978), informando que a viúva de Manoel Fiel Filho decidiu ir à Justiça para apurar as circunstâncias da morte de seu marido, a 17/01/76, no DOI-CODI, motivada pela decisão, em primeira instância, que condenou a União pela morte de Vladimir Herzog. Os artigos descrevem quando a polícia levou Manoel, o comunicado de sua morte, o enterro e o Inquérito Policial Militar. Do velório, a viúva de Fiel se recorda da presença de muitas pessoas estranhas que se aproximavam das rodas de conversa para ouvir o que se dizia.

Artigo de jornal
O II Exército comunica: outra morte no DO(...). O Estado de S. Paulo, São Paulo, 20 jan. 1976. Relata a morte de Manoel Fiel Filho nas dependências do DOI-CODI no dia 17 daquele mês. Descreve sua vida, muito discreta e tranqüila, na casa onde morava com sua mulher e família, razão pela qual os vizinhos sabem muito pouco sobre Manoel. Discorre sobre as conseqüências da morte de Manoel entre os líderes sindicais e políticos. O deputado do MDB de Salvador, Elquisson Soares comenta, a partir deste caso, sobre a necessidade de pacificação posto que estes atos de violência são contínuos e indevidamente esclarecidos e que as garantias e os direitos humanos não são meras concessões governamentais, mas uma conquista da civilização. Documento possui registro do arquivo do DOPS.

Artigo de jornal
Advogado vai desarquivar inquérito sobre Fiel Fº. Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 nov. 1978. O advogado da Comissão de Justiça e Paz, da Arquidiocese de São Paulo, vai pedir o desarquivamento do Inquérito Policial Militar sobre a morte no DOI-CODI do operário Manoel Fiel Filho, após ter ouvido depoimentos de dois ex-presos políticos e da viúva do operário. Geraldo Castro da Silva, atendente de Enfermagem, estava preso com Manoel, em janeiro de 1976, e era interrogado quando ouviu os gritos de Manoel durante a tortura, abafados por um rádio que foi ligado, até que, a certa altura, cessaram os gritos e o rádio, um homem disse: "chefe, o omelete está feito". No depoimento que Geraldo prestou no Inquérito Policial Militar, foi forçado a retirar esta frase. Na gíria policial, omelete significa morte ou execução. Sebastião de Almeida, vendedor de bilhetes, encontrou-se com Manoel na prisão. Sebastião e Geraldo, além de outros presos, foram levados para a cela onde Manoel estava morto. Todos eles foram obrigados a assinar uma declaração de que Manoel havia de suicidado com uma meia amarrada no pescoço. Documento possui o carimbo do DOPS.

Artigo de jornal
"Três missas pelo operário morto no DOI-CODI". Jornal da Tarde, São Paulo, 26 jan. 1976. "Missa em memória do operário". Sem fonte e data. "Missa em intenção da alma de Manoel Fiel Filho". DN, 26 jan. 1976. "Metalúrgicos promovem missa". Notícias Populares, São Paulo, 23 jan. 1976. As três missas realizadas em memória de Manoel Fiel Filho, morto nas dependências do DOI-CODI. Uma das missas contou com mais de 400 pessoas. Houve manifestação dos religiosos que as celebraram sobre as torturas e as prisões. Os comentários de alguns dos amigos de Manoel era de que "ele está nas mãos de Deus e o caso nas mãos do presidente Geisel". Documentos possuem carimbos do Setor de Análise, da Delegacia Especializada de Ordem Social.

Artigo de jornal
Vlado lembrado na Assembléia. Última Hora, Brasília, 26 out. 1978. Discorre sobre discurso do deputado Alberto Goldman do MDB no dia anterior na Assembléia Legislativa de São Paulo, em que lembra o terceiro aniversário da morte de Vladimir Herzog nas dependências do DOI-CODI. Afirma que, a partir deste fato, vem ocorrendo no país e no exterior rigorosa reação contra a situação dos direitos humanos no Brasil, não sendo em vão a morte de Herzog e de Manoel Fiel Filho. Desde então, familiares e amigos de Herzog, jornalistas (categoria a que ele pertencia) e todos os democratas do país aguardam o estabelecimento da responsabilidade penal do caso. No entanto, o governo vem tomando medidas que impedem seu esclarecimento. Possui carimbo do arquivo do DOPS.

Artigo de jornal
Reportagem incompleta, sem título, fonte e data. Relata o enterro de Wladmir Herzog, dizendo que a polícia fez de tudo para conter a indignação das seiscentas pessoas que acompanhavam a rápida cerimônia. Apresenta fotos de Wladmir Herzog e de Manoel Fiel Filho. Possui carimbo do arquivo do DOPS.

Foto
Foto ampliada de rosto.

Relatório
Documento do Instituto de Criminalística de São Paulo, de 17/01/76 requerido pela Delegacia de Ordem Social para o exame da morte de Manoel Fiel Filho. Conclui não ser possível comprovar se o caso foi homicídio ou suicídio, por carência de elementos materiais para comprovação. Seguem as fotos do local e do corpo e os desenhos esquemáticos.

Relatório
Documento da Delegacia de Sindicatos e Associações de Classe, da Divisão de Ordem Social, do DOPS/SP, 17/01/80, ao encarregado de investigadores. Trata do ato público em homenagem a Manoel Fiel Filho, no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de São Paulo, relatado pela equipe denominada Fox 12 que lá esteve. Cita horário de início e término, número aproximado de pessoas presentes e entidades e pessoas que o promoveram. Comenta que o movimento de 1964 foi muito criticado, o Presidente da República foi chamado de "salafrário do Figueiredo", diversos ex-presos políticos e ex-banidos foram homenageados e falou uma pessoa que disse ter sido presa e torturada. A equipe também comenta que "um elemento" conhecido, provavelmente por ter sido detido e que assistia à reunião, olhou o pessoal da equipe atentamente por longo tempo. Conclui que não houve incidentes nem ânimos exaltados.

Relatório
Documento do Gabinete do Secretário da Segurança Pública, de 26/01/76, relatando fatos da metade do dia 23/01 à metade de 24/01, dividido em duas partes: campo guerra revolucionária e campo policial. Na primeira parte, menciona-se a ocorrência de vários telefonemas falsos ameaçando ou avisando a colocação de bombas: à Assembléia Legislativa, Empresa Folha da Manhã, Círculo Militar e Estação Vila Matilde da Rede Ferroviária Federal. Também relata as três missas realizadas por intenção da alma de Manoel Fiel Filho, algumas com grande presença da imprensa e manifestação dos religiosos sobre as torturas e prisões. A segunda parte relata a apreensão de armas e cartuchos encontradas no chão e o furto de uniformes de um oficial e um patrulheiro da Polícia Militar.

Relatório
Documento do Serviço de Informações do DOPS/SP de 07/04/80 para difusão à comunidade de informações, sobre o movimento sindical. Informa a edição do jornal Tribuna Metalúrgica, de 04/80, pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema; manifesto do Partido Operário Revolucionário Trotskista-Posadista, de 02/04/80, intitulado "Todo apoio à greve metalúrgica"; edição do jornal Correio Sindical, de 03 e 04/80; circular divulgando a 1ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT), em São Paulo, de 24 a 28/09/80; e panfleto do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo convidando para o lançamento do livro "Manoel Fiel Filho: quem vai pagar por este crime?", do jornalista Carlos Alberto Luppi. Há só a primeira folha do relatório. Acompanha parte do relatório diário da Divisão de Informações do DOPS/SP com as mesmas informações.

Relatório
Documento da Divisão de informações, do DOPS/SP, de 17/01/80, referente ao ato realizado no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, em homenagem a Manoel Fiel Filho. Cita horário de início e fim e número aproximado de pessoas, anexando ao documento vários panfletos e cartazes sobre este evento e sobre outros temas. Cita também todas as pessoas que falaram no evento, entre eles, Ubiracir Pontes de Oliveira, considerado o mais exaltado, por ter dito "salafrário do Figueiredo" e outros sinônimos, e o jornalista Alberto Luppi que criticou a peritagem realizada, a dificuldade de entrevistar pessoas envolvidas, finalizando com a divulgação da publicação de um livro a ser lançado no mês de março.

Relatório
Parte do documento intitulado "Secreto", comunicando missa em intenção à alma do "suicida" Manoel Fiel Filho, pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Metalúrgica, Mecânica e Material Elétrico", dia 24 próximo. Supõe-se que o documento seja do mês de janeiro de 1976.

Relatório
Documento da Divisão de Informações do DEOPS/SP, de 24/01/76, sobre a missa realizada no dia 24, por iniciativa do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Metalúrgica, Mecânica e de Material Elétrico, em intenção da alma de Manoel Fiel Filho. Consta que houveram aproximadamente 110 pessoas, entre diretores da entidade sindical, familiares e jornalistas e que o celebrante disse que o operário fora massacrado pelos fariseus de hoje e conclamou os trabalhadores a se conscientizarem do papel que lhes cabe na sociedade.

Relatório
Parte de documento do DOPS/SP de 23/06/76, com informações de agente que encontrou dois panfletos considerados de cunho subversivo: "Torturas", sobre a prisão de 200 militantes acusados de pertencerem ao PC do B e PCB, e "Salvemos a vida de Roberto João da Mota", que fala sobre a prisão de Manoel da Conceição dos Santos e a morte de Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho.

Relatório
Parte de relatório do DOPS/SP, de 16/01/80, relatando atividades de sindicatos e de seus membros, entre elas, a realização de sessão solene, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, dia 17, em homenagem ao operário Manoel Fiel Filho, morto nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo.

Relatório
Parte de documento com informações de pessoas presas, torturadas e mortas pelos órgãos de segurança. Consta que Manoel Fiel Filho e Vladmir Herzog foram respectivamente assassinados em 17/01/76 nas dependências do DOI-CODI do II Exército e em 25/10/75 na sede da Operação Bandeirantes (OBAN). Segundo fontes oficiais ambos se suicidaram. Possui carimbo do DOPS.

Relatório
Relatório das circunstâncias da morte de Manoel Fiel Filho, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos em 22/04/96, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95.

Mapa
Documento do Serviço de Informações, do DOPS/SP, de 22/01/76, a ser difundido para a comunidade de informações, sobre a missa a ser realizada no dia 24, por iniciativa do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Metalúrgica, Mecânica e de Material Elétrico, em intenção da alma do "suicida" Manoel Fiel Filho.

Termo de declarações
Documento do DOPS/SP com declarações prestadas por Sebastião de Almeida ("Deco"), em 17 e 18/01/76. Declara pertencer ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e descreve a distribuição do jornal A Voz Operária que, em períodos distintos, recebeu de Fiori de Tal, de Ademar Feitosa Xavier ("Souza") e de José Teixeira da Silva ("Teixeira"), e então eram repassados a Manoel Fiel Filho, Jorge de Tal ("Jorginho"), Indústria V. Maria e Antônio D'Albuquerque. Sebastião esclarece que no último período, o PCB sofreu grandes baixas, vindo a fundir alguns núcleos de trabalho e a diminuir a distribuição do jornal citado. Em seguida, o documento apresenta a acareação ocorrida entre Sebastião de Almeida e Manoel Fiel Filho.

Ficha pessoal
Documento do IML/SP, de 17/01/76, com os dados do óbito.

Ficha pessoal
Documento da Delegacia de Ordem Social com dados pessoais e informações da imprensa sobre a morte de Manoel e as conseqüências desta no governo, no que se refere à apuração dos fatos mal explicados da responsabilidade pela morte.

Ficha pessoal
Parte de documento do II Exército, com dados pessoais de Manoel Fiel Filho e a informação de seu suicídio a "17/18 Jan 76".

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 21/01/76, realizado por José Antônio de Mello e José Henrique da Fonseca. Acompanha exame químico toxicológico do Laboratório de Toxicologia, fornecendo resultados negativos para a existência de substância tóxica no corpo da vítima.

Certidão de óbito
Documento emitido pelo Cartório de Registro Civil da Lapa, em São Paulo, SP, de 11/02/76.

Processo jurídico
Ação ordinária de indenização contra a União Federal movida por Thereza de Lourdes Martins Fiel, Márcia de Fátima Fiel e Maria Aparecida Fiel Pivotto, viúva e filhas de Manoel Fiel Filho, de 17/12/80, em função da morte de Manoel Fiel Filho a 17/01/76 no DOI-CODI, em São Paulo.

Requisição de exame de cadáver
Requisição de exame ao IML/SP, solicitada pelo DOPS/SP, em 17/01/76, sem indicação da causa de morte.

Ofício
Parte de relatório do plantão de 17 e 18/01/80, do DOPS/SP, informando desembarque de anistiado, ameaça de bomba e o relatório da equipe Fox 12 sobre o ato público no Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Metalúrgica, Mecânica e Material Elétrico de São Paulo, em homenagem a Manoel Fiel Filho.

Ofício
Parte de relatório do DOPS/SP de 20 e 21/01/76, comunicando os "fatos junto aos Sindicatos, após divulgação falecimento Manoel Fiel Filho", entre outros fatos ocorridos nestes dias.

Ofício
Parte de documento do DOPS/SP, com informações sobre sessão solene realizada em 17/01/80, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, em homenagem ao operário Manoel Fiel Filho, morto nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo. Cita o comparecimento de cerca de 200 participantes, entre eles, membros do CBA, do DCE da USP e familiares. Informa xerox de relatório em anexo.

Ofício
Documento do DOPS/SP, de 16/01/80, informando a realização de reunião patrocinada pelo Comitê de Apoio e Solidariedade aos Demitidos, dia 11/01/80, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Nesta reunião ficou resolvida a realização de um ato para lembrar a morte do operário Manoel Fiel Filho, dia 17/01/80, às 19 horas. Relata as pessoas que confirmaram presença e outras informações relativas à preparação para o evento.

Ofício
Parte de relatório do DOPS/SP, onde consta, entre outros, anexo de relatório de Jundiaí, SP, sobre as atividades de David Capistrano da Costa Filho e o arquivamento do processo do metalúrgico Manoel Fiel Filho, concluindo pelo suicídio.

Depoimento
Depoimento manuscrito de Antônio Albuquerque. Relata sua prisão a 15/01/76, levado de seu local de trabalho para prestar depoimentos algemado e encapuzado. Disseram a ele que havia sido preso pela Operação Bandeirantes (OBAN), que deveria falar tudo, mas ao negar todas as acusações, começou a ser torturado. No dia 16 as torturas continuaram, apesar de Antônio já estar bastante debilitado. Dia 17, pararam seu interrogatório e tortura e alguém gritou que Fiel havia morrido. Antônio e mais algumas pessoas foram levadas para uma cela onde se encontrava um corpo com duas meias atadas ao pescoço. Disseram que "aquele covarde" havia se suicidado. No dia seguinte, aumentou "duas confissões", indicou a casa de várias pessoas conhecidas e escreveu uma "biografia". Foi enviado para o DOPS/SP, de onde foi solto dois dias depois.

Produção artística
Folheto com poesia de Rafael de Carvalho, escrita especialmente para o ato em homenagem a Manoel Fiel Filho, realizado no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, a 17/01/80. Possui carimbo do arquivo do DOPS.

Evento/ Homenagem
Folheto de divulgação do lançamento do livro "Manoel Fiel Filho: quem vai pagar por este crime?", do jornalista Carlos Alberto Luppi, em 17/04 (ano não indicado, mas refere-se a 1980), no auditório do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Paulo. Inclui breve relato da prisão e morte de Manoel, em 1976, cuja versão oficial de suicídio pôde ser contestada e comprovada a morte sob tortura. Acompanha cópia originária do arquivo do DOPS.

Evento/ Homenagem
Decreto de 32.579, de 10/11/92, publicado pelo Diário Oficial do Município de São Paulo, de 11/011/92, ano 37, n. 212, pela prefeita Luíza Erundina de Sousa, na qual dispõe sobre a denominação da "Escola Municipal de Educação Infantil Manoel Fiel Filho", localizada no Parque São Rafael.

Evento/ Homenagem
Material de divulgação do Sindicato do Metalúrgicos de São Paulo, convida "os companheiros" para uma reunião a 17/01/80 no Sindicato, quando será prestada uma homenagem póstuma a Manoel Fiel Filho, considerado vítima da violência policial em 1976.

Evento/ Homenagem
Material produzido para a realização da "Missa em favor de Manoel Fiel Filho e de todos quantos, no mundo, estão caindo vítimas das mais diversificadas formas de violência", cujo conteúdo exalta os direitos humanos.

Evento/ Homenagem
Documento retirado de publicação sem fonte e data, com as homilias de D. Angélico e do Padre Haddad proferidas nas missas realizadas por intenção do metalúrgico Manoel Fiel Filho. As homilias foram retiradas do jornal "O São Paulo", de 31/?/76. A homilia de Haddad está incompleta.

Evento/ Homenagem
Parte de documento que contém, entre outros textos relacionados às atividades da Igreja Católica, a homilia de D. Ângelo Sândalo Bernardino, na missa de sétimo dia do operário metalúrgico Manoel Fiel Filho, dia 24/01/76, onde questiona se Manoel teria sofrido torturas e se o DOI-CODI teria se transformado em "casa dos horrores, onde os presos são submetidos a terríveis constrangimentos e violências". Com carimbo do arquivo do DOPS (incompleto).

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.

Cartaz
Cartaz produzido e divulgado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, através da Comissão de Solidariedade dos Demitidos, em 01/80, em homenagem à memória de Manuel Fiel Filho, trabalhador metalúrgico de São Paulo assassinado em 01/76. Inclui foto ampliada de rosto e breve histórico das circunstâncias de sua morte.

Requerimento
Documentos da Auditoria da 2ª Junta Militar de 28/04/76 e 03/05/76. Concluem pela ausência de responsabilidade na morte por parte dos que tinham a guarda do detido Manoel Fiel Filho, constatam a hipótese de suicídio e requerem o arquivamento do processo pela inexistência de crimes a punir. Os documentos possuem carimbos do DOPS.


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