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Ângelo Arroyo
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Ângelo Arroyo
Cidade:
(onde nasceu)
São Paulo
Estado:
(onde nasceu)
SP
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
6/11/1928
Atividade: Operário
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Partido Comunista Brasileiro PCB
Brasil
Partido Comunista do Brasil PC do B
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Aluízio, Joaquim, Noé, Carlos Haroldo Martins de Souza
Morto ou Desaparecido:
Morto
16/12/1976
São Paulo SP Brasil
R. Pio XI, 767, Bairro da Lapa
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Abeylard de Queiroz Orsini, José Gonçalves Dias
   
Biografia  
Biografia
Dirigente do PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL (PC do B).
Nasceu em 6 de novembro de1928, em São Paulo, filho de Ângelo Arroyo e Encarnação Pardito.
Foi morto aos 48 anos de idade, em São Paulo.
Operário metalúrgico, ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1945. Foi ativista do movimento sindical paulista, tornando-se um dos líderes do Sindicato dos Metalúrgicos na década de 50. Participou das greves de 1952/1953 em São Paulo.
Com o golpe militar em 1964, foi para o interior, ajudando a criar e organizar os destacamentos guerrilheiros do sul do Pará, na região do Araguaia. Era um dos comandantes da Guerrilha. Foi um dos poucos guerrilheiros sobreviventes do Araguaia que enfrentou na área todas as investidas do inimigo contra a população e que saiu da região após o término da guerrilha. Em fins de janeiro de 1974, quando a organização guerrilheira já se encontrava bastante dispersa pela ação das forças da repressão, Ângelo Arroyo conseguiu furar o cerco de quase vinte mil militares e reencontrar os companheiros do Partido em São Paulo, aos quais entregou Relatório detalhado sobre as atividades da guerrilha, a prisão e morte dos guerrilheiros.
Foi fuzilado em 16 de dezembro de 1976, quando do cerco a uma casa onde estavam reunidos os dirigentes do PC do B, na Rua Pio XI, no bairro da Lapa, em São Paulo, onde também foram assassinados Pedro Pomar e João Baptista Franco Drumond, em fato conhecido como a Chacina da Lapa.
Os agentes do DOI-CODI/SP cercaram a referida casa e, segundo os vizinhos, em nenhum momento houve troca de tiros, mas sim uma fuzilaria que partia apenas do lado de fora onde estavam os agentes da repressão política.
Ângelo Arroyo e Pedro Pomar, ambos desarmados, foram mortos no interior da casa. João Baptista Franco Drumond, segundo a nota oficial, morreu atropelado por um carro próximo do local da fuzilaria.
Assinam o laudo de necrópsia os médicos legistas José Gonçalves Dias e Abeylard de Queiroz Orsini.
Ângelo Arroyo foi enterrado pela família no Cemitério da IV Parada em São Paulo.
   
Documentos  
Artigo de jornal
Artigos da Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 abr. 1978, p. 10. "A Revolução degradou-se, denuncia Tancredo Neves", "Política não é para militares, diz Bethlem", "General nega declaração de nazista", "Acusada relata tortura e morte de preso no STM", e outros. Este último trata do depoimento de defesa da presa política Neide Richopo, em 15/02/73, como parte do processo de 40 pessoas acusadas de pertencerem ao Partido Comunista do Brasil (PC do B). Neide conta ter presenciado o assassinato sob tortura de Alexandre Vannucchi Leme. Também o casal César Augusto e Maria Amélia Teles afirma ter ouvido os últimos gritos de Carlos Nicolau Danielli. Outro caso citado de prisão irregular e torturas refere-se a José Genoíno Neto. O relator do processo conta que a estrutura da organização era formada por um comando nacional, do qual faziam parte: Elza Lima Monserat, Ângelo Arroyo, Carlos Nicolau Danieli, João Amazonas Souza Pedroso, Lincoln Cordeiro Oest, Maurício Grabois, Pedro Pomar, Dineas Fernandes Aguiar e Luiz Vergatti.

Artigo de jornal
Justiça Militar denuncia 29 subversivos em Juiz de Fora. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 12 jul. 1969. A Justiça Militar denunciou 29 pessoas implicadas na reorganização do PC do B no eixo Brasília-Goiânia. O artigo possui carimbo do arquivo do DOPS.

Artigo de jornal
Um condenado e 3 absolvidos em processo sobre subversão. (Fonte ilegível), 2 jun. 1967. A Justiça Militar absolveu por unanimidade 3 pessoas acusadas de assinarem e difundirem manifestos sobre a reorganização do PCB. No mesmo julgamento, Ângelo Arroyo foi condenado a 1 ano de detenção. No inquérito que procedeu do DOPS estavam também Pedro Pomar, Maurício Grabois e João Amazonas na lista de acusados por subversão. No entanto, pelo fato destas pessoas já estarem envolvidas no processo sobre as cadernetas de Luiz Carlos Prestes, os seus nomes foram retirados desta acusação. Possui carimbo do arquivo do DOPS.

Artigo de jornal
Juiz decreta preventiva de 18 acusados de atividades contra a segurança nacional. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 mar. 1977. Dezoito membros do Partido Comunista do Brasil indiciados por atos de subversão têm a prisão decretada pela Justiça Militar em São Paulo. No Rio de Janeiro, 36 pessoas acusadas de subversão foram julgadas, sendo que, destas, apenas trinta compareceram no tribunal. Após a leitura da denúncia e da qualificação dos acusados presentes, a sessão foi suspensa. Artigo incompleto do arquivo do DOPS.

Artigo de jornal
Artigo incompleto do arquivo do DOPS, sem fonte, publicado em 1977 e intitulado "A tortura continua". Segundo carta de presos políticos, a tortura que matou vários outros presos políticos (como os dirigentes do PC do B, Ângelo Arroyo, Pedro Pomar e João Drummond) continua sendo praticada pela polícia, apesar do governo e dos militares negarem.

Artigo de jornal
Explosivos serão retirados da JM. Última Hora, Brasília, 3 ago. 1966. Uma série de incêndios na sede da Justiça Militar fez com que o II Exército retirasse, por sugestão da promotora Marly Valle Nogueira, o material explosivo que se encontrava no prédio, na ocasião em que acompanharam o inquérito da Delegacia de Polícia de Itapecerica da Serra contra guerrilheiros paraguaios. Neste mesmo dia o CPJM retificou a denúncia movida pela Vara Criminal da Guanabara, resultante do Inquérito da DOPS carioca sobre a tentativa de reorganização do Partido Comunista. Documento do arquivo do DOPS.

Artigo de jornal
Subversivos vão à Justiça. Estado de São Paulo. 27 fev. 1966. O promotor Cipriano Osiris Josephson, da Auditoria Militar da 1ª Região Militar, opinou pela competência da Auditoria Militar da 2ª Região Militar para processar e julgar pessoas por terem subscrito manifesto comunista. Neste manifesto, divulgado em 1962, propunham um governo popular revolucionário no Brasil, uma vez que os problemas do povo, o regime de então não era capaz de resolver. Possui carimbo do arquivo do DOPS.

Artigo de jornal
Subversivos morrem em tiroteio. Diário Popular, São Paulo, 17 dez. 1976. Artigo pouco legível. Consta que após um violento tiroteio de 20 minutos entre agentes da repressão e militantes clandestinos do Partido Comunista do Brasil (PC do B) em uma casa na Lapa, São Paulo, morreram três subversivos: Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Batista Franco Drumond. Dois morreram durante o tiroteio e o terceiro morreu atropelado na rua quando tentava fugir. O cerco montado no local do tiroteio foi resultado de meses de investigações dos órgãos de segurança sobre as reuniões de membros do PCB realizadas na casa. O PC do B é uma dissidência do antigo PCB. Esta sigla surgiu a partir de mudanças nas orientações do partido de Luis Carlos Prestes, que propôs uma orientação mais revisionista e a favor da implantação do socialismo no Brasil pela via democrática. O PC do B, liderado por João Amazonas, é de orientação chinesa e propõe a via revolucionária e armada, principalmente no meio rural para a implantação do socialismo no país.

Artigo de jornal
Desmantelada célula do PC do B; 3 mortos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 17 dez. 1976. Em operação do Departamento de Operações Internas do II Exército, foi invadido um aparelho subversivo na Lapa resultando na morte de três integrantes do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil: Pedro Pomar, Ângelo Arroyo, João Batista Franco Drumond. A operação tratou-se de um cerco feito pelos agentes de segurança no aparelho. No momento em que o cerco se iniciou houve um longo e violento tiroteio entre policiais e os indivíduos que se encontravam no interior do aparelho. Esta operação foi resultado de meses de investigações que envolveram o I, II e o III Exércitos. O Exército divulgou também informações sobre as vítimas, com histórico e principais atividades. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Foto
Foto original em preto e branco numerada do corpo de frente e de perfil.

Foto
Foto original e preto e branco do corpo no local de morte

Foto
Foto original e preto e branco de busto.

Relatório
Laudo de exame pericial do Instituto de Criminalística, sem data, com descrição do exterior e interior da casa e das condições em que os corpos de Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar e de Ângelo Arroyo foram encontrados. Em anexo estão fotos da sala com os corpos estirados e do corpo de Pedro.

Relatório
Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, Brasília, em 29/02/96. Relator: deputado Nilmário Miranda. Referente ao requerimento de Dolores Cardona Arroyo, esposa de Ângelo Arroyo, representada por Camila Arroyo, filha de Ângelo, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de Ângelo e o voto do deputado favorável ao deferimento do pedido.

Folheto
"Pomar, Arroyo e Drumond heróis do povo brasileiro", folheto do Centro de Cultura Operária, transcrito de “A Classe Operária”, n. 112, com biografia dos militantes citados.

Prontuário/ Dossiê
Documentos do Inquérito Policial e Militar (IPM) contra Pedro Pomar e outras pessoas envolvidas em atividades do Partido Comunista do Brasil (PC do B). Neste IPM, foram intimados, entre outros, Pedro Pomar, Ângelo Arroyo, Carlos Nicolau Danielli, James Allen Luz, José Porfírio de Souza, Lincoln Cordeiro Oest e Maurício Grabois. Contém cópias de relatórios do DOPS e de outros órgãos, além de documentos internos do PC do B.

Ficha pessoal
Documento do IML/SP, de 20/12/76, com dados do óbito.

Jornal/ Revista
Elementos foragidos (incursos na LSN e CPM), procurados pela Polícia Judiciária Militar. Boletim Informativo da Chefia do Serviço de Polícia do III Exército, Porto Alegre, ano VII, n. 1, p. 3-5, jun. 1976. Constam os nomes de várias pessoas procuradas pela Justiça Militar, por infração à Lei de Segurança Nacional, trazendo uma breve qualificação de cada um deles. Entre eles estão Ângelo Arroyo e Alex de Paula Xavier Pereira.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 17/12/76, realizado por José Gonçalves Dias e Abeylard de Queiroz Orsini. Acompanha esquemas gráficos. Uma cópia possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Requisição de exame de cadáver
Requisição ao IML/SP, solicitada pelo DOPS, em nome de Carlos Haroldo Martins de Souza, nome falso de Ângelo, em 16/12/76. Consta que a vítima morreu ao resistir à voz de prisão.

Impressões digitais
Impressões digitais do Serviço de Identificação/SP.

Ofício
Documento do DOPS, de 22/09/66, referente ao pedido de busca do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) de 13/09/66. Consta que Carlos Nicolau Danielli era um mensageiro do Partido Comunista do Brasil (PC do B), entre o comitê central e os estados do sudeste. Em sua casa e com ele foi apreendido material subversivo, sendo que ele já fizera curso em Cuba, acompanhado de Ângelo Arroyo.

Ofício
Documento secreto do DOPS/RJ ao Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) e ao próprio DOPS, de 30/11/66. Traz os dados pessoais de Carlos Nicolau Danielli e informações sobre suas atividades: já fora detido duas vezes, uma em 1949 e outra em 1956, por medida de segurança. Foi encontrado em seu poder e em sua casa material de propaganda comunista e para planos de agitação em todo país. Trata-se de "mensageiro" do Partido Comunista do Brasil (PC do B) entre o comitê central do partido e os estados. Em 1962 foi para Cuba para fazer curso de guerrilha, acompanhado de Ângelo Arroyo, e continua em atividade clandestina pelo PC do B.

Ofício
Telegrama do juiz auditor militar José Tinoco Barreto ao delegado de ordem social Aldário Tinoco, em 06/10/66. Pede a prisão de Ângelo Arroyo.

Depoimento
Documento elaborado pela Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos, relatando o assassinato de Ângelo Arroyo e Pedro Pomar em 16/12/76, citando alguns artigos de jornais. Consta que policiais invadiram a casa onde os mesmos se encontravam e estes morreram devido ao intenso tiroteio. Até os jornalistas foram reprimidos. Os policiais levaram várias coisas da casa, como papéis, roupas e armas. Segundo a repressão, João Batista tentou fugir e acabou falecendo. Em versão relatada por um ex-funcionário da OBAN, o militar do Exército Marival Chaves, João teria morrido nas dependências do DOI-CODI.

Evento/ Homenagem
Convite para o translado dos restos mortais de Pedro de São Paulo para Belém, PA, em 11/04/80. Inclui biografia de Pedro e resumo de suas idéias e também pequeno texto em homenagem a Angelo Arroyo e João Batista Franco Drumond.

Legislação
Comissão Especial de Desaparecidos Políticos. Diário Oficial, Brasília, n. 45, 6 mar. 1996. p. 3711. Apresenta os nomes de pessoas reconhecidas pela Comissão Especial da Lei 9.140/95. Esta lei reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79.

Legislação
Lei 9.497/97. Diário Oficial do Município, Campinas, 20 nov. 1997. Atribui nomes de mortos e desaparecidos políticos no período da ditadura militar a ruas dos bairros Vila Esperança, Residencial Cosmo e Residencial Cosmo I.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.

Avaliação de laudos de corpo delito
Observações de médicos legistas, da segunda metade da década de 90, sobre o laudo de necrópsia de Ângelo Arroyo. Os doutores Antenor Chicarino e Dolmevil comentam que o laudo define, mas não descreve, as características das lesões que permitiriam identificar se se tratava de entrada ou saída de projétil de arma de fogo, assim como, se eram de curta distância ou não, principalmente no caso da lesão no pavilhão auricular, o que leva à suspeita de tiro de execução.


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