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Morto e desaparecido
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Ronaldo Mouth Queiroz
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Ronaldo Mouth Queiroz
Cidade:
(onde nasceu)
São Paulo
Estado:
(onde nasceu)
SP
País:
(onde nasceu)
Brasil
Atividade: Estudante universitário
UniversidadeUniversidade de São Paulo USP
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Ação Libertadora Nacional ALN
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Alfredo, Papa
Morto ou Desaparecido:
Morto
6/4/1973
São Paulo SP Brasil
Av. Angélica
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Isaac Abramovitch, Orlando Brandão
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Alexandre Vannucchi Leme: verdades e mentiras. Jornal do Campus (USP), São Paulo, 16 out. 1986. Descreve a ida de Seu José, pai de Alexandre, a São Paulo aos órgão policiais, assim que soube, por um telefonema anônimo, que seu filho havia sido preso e as contradições com as quais se deparou: soube pela imprensa que Alexandre havia sido morto por atropelamento enquanto fugia; no IML constatou que havia sido enterrado às pressas como indigente; no DOPS, o delegado Sérgio Paranhos Fleury quis presenteá-lo com a placa do caminhão que o atropelou e, em seguida, o delegado Edsel Magnotti disse que a morte foi suicídio. Além disso, como foi verificado depois, as práticas terroristas das quais foi acusado ocorreram quando Alexandre convalescia de uma operação de apendicite ou quando assistia às aulas; a participação na Ação Libertadora Nacional (ALN) foi negada por Ronaldo Queiroz, membro da organização metralhado pela polícia em São Paulo; o atropelamento não teve boletim de ocorrência e o motorista disse que havia atropelado um velho; e vários presos declararam sua morte por tortura. Mesmo assim, o caso foi arquivado. Em 1978, tentou ser reaberto pelo Ministro Rodrigo Otávio Jordão, mas seu voto foi vencido por 13 a 1. O artigo apresenta também breve histórico das idéias, das lutas e do assassinato de Alexandre.

Foto
Foto original do busto de Ronaldo.

Relatório
Documento da Delegacia Especializada de Ordem Social de 03/08/73, informando os dados pessoais e de atividades de membros da Ação Libertadora Nacional indiciados em inquérito.

Relatório
Documento do Serviço Nacional de Informações (SNI)/Agência Central, de 26/01/76, sobre a denúncia de torturas ao Gabinete Civil da Presidência da República. Apresenta diversas informações sobre o movimento de denúncias às torturas no Brasil, inclusive em sua atuação fora do país, baseados em documentos produzidos pelos grupos de esquerda, e apontando a preocupação desta campanha pela "difamação" dos órgãos de segurança e a tentativa de transformar "elementos subversivos" em vítimas. Entre outros, cita o documento com a lista dos "torturadores", apreendido no aparelho de Ronaldo Mouth Queiroz e elaborado pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil, formado e dirigido pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), que foi encaminhado aos Bispos do Brasil, em 02/73. O relatório também encara como exemplo da idéia fixa de caluniar o fato dos nomes de Bergson Gurjão Farias e Helenira Rezende de Souza Nazareth, mortos em combate na repressão à guerrilha do Araguaia, em 1972, aparecerem nos relatórios de seus companheiros como "presos políticos assassinados sob tortura e tidos como desaparecidos".

Relatório
Parte de relatório do II Exército, de 1972, pertencente ao arquivo do DOPS, com dados sobre pessoas procuradas. Indica que Ronaldo é profissionalizado pela Ação Libertadora Nacional (ALN), militando e trabalhando para o setor de imprensa dessa organização.

Relatório
Relatório sobre as circunstâncias da morte de Ronaldo, elaborado pelo Comitê Pró-Anistia Geral dos Presos Políticos no Brasil, para a Comissão Especial Lei 9.140/95. Nele é contestada a versão oficial da morte de Ronaldo, a de morte em tiroteio com órgãos de segurança, em São Paulo. O Comitê afirma que Ronaldo teria sido preso e torturado até a morte e que o tiroteio foi uma farsa: não ocorreu perícia no local, sendo o corpo levado imediatamente para o IML/SP; não foi feito exame para detectar a presença de pólvora nas mãos de Ronaldo, o que poderia comprovar se ele usava ou não alguma arma; o corpo foi entregue à família em caixão lacrado e não há fotos do cadáver, entre outras questões.

Relatório
Relatório das circunstâncias da morte de Ronaldo Mouth Queiroz, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos em 02/05/96, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95.

Folheto
Documento sobre Ronaldo Mouth Queiroz, em 17/03/98, pelos vinte e cinco anos de sua morte, feito pelos colegas geólogos e outros companheiros. A homenagem também se estende a Alexandre Vannucchi Leme, que morreu apenas vinte dias antes de Ronaldo.

Prontuário/ Dossiê
Documentos levantados por Elza Mouth Queiroz e Sidnei Mouth Queiroz, mãe e irmão de Ronaldo. Há um requerimento de Elza à Comissão Especial do Ministério da Justiça, de 19/04/96, pedindo para incluir o nome de Ronaldo como beneficiário da Lei 9.140/95 dos Mortos e Desaparecidos. Em anexo, estão o recibo do requerimento, CIC e RG de Ronaldo e uma biografia de Ronaldo escrita por seu irmão Sidnei. Nele, o irmão descreve como Ronaldo sempre foi esforçado, estudioso, trabalhando desde cedo e também preocupado com os rumos do Brasil. Começou a ser perseguido pelo DOPS/SP, vivendo na clandestinidade desde o fim de 1971 até 04/73. Foi preso e morto pelo DOPS, mas a família só veio a saber da sua morte por um noticiário na televisão, onde diziam que ele havia morrido em um tiroteio com a polícia.

Ficha pessoal
Documento do IML/SP, de 13/04/73, com dados do óbito.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 11/04/73, realizado pelos médicos Isaac Abramovitc e Orlando Brandão.

Certidão de óbito
Documento emitido pelo Cartório do Registro Civil de Penha de França, São Paulo, SP, de 07/04/73.

Requisição de exame de cadáver
Requisição de exame ao IML/SP, solicitada pelo DOPS/SP, em 06/04/73, indicando morte em tiroteio com órgãos de segurança nacional. Apresenta a letra “T” manuscrita, indicando tratar-se de pessoa considerada terrorista.

Ofício
Documento do II Exército para o DOPS/SP, de 24/07/73. Traz relação de pessoas da Ação Libertadora Nacional (ALN). Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Ofício
Informação do Serviço de Informações do DOPS/SP, de 13/08/73, comunicando envio de panfleto distribuído aos moradores e comerciantes da Av. Santo Amaro, na cidade de São Paulo, sobre o jovem Luiz José da Cunha. Traz em anexo cópia do panfleto contando que Luís José da Cunha falecera em tiroteio com a polícia e que nos jornais ele apareceu como perigoso subversivo, acusado da morte de um comerciante. O panfleto revela que o tal comerciante era um informante que ocasionou a morte de outros jovens como Iuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic, Arnaldo Cardoso Rocha, Francisco Seiko Okama, Manoel Penteado (Francisco Emanoel Penteado) e Ronaldo Mouth Queiroz.

Ofício
Ofício do II Exército ao diretor do DOPS/SP, em 26/04/73. Informa que Ronaldo, em 03/04/73, foi localizado pelo DOI-CODI na esquina da Av. Angélica com R. Sergipe, sendo que ao receber voz de prisão iniciou o tiroteio que culminou com sua morte. Possuía dois revólveres.

Parte de livro
Ustra, Carlos Alberto Brilhante. Rompendo o silêncio : OBAN DOI-CODI 29 set. 70 - 23 jan. 74. Brasília: Editerra Editorial, 1987. p. 162-165. No capítulo intitulado "A Seção de Investigação", Ustra conta como era o procedimento para a investigação das organizações. Normalmente infiltravam alguém, que em geral já militava na organização, que obtinha todo o tipo de informações para a repressão. Esses informantes tinham vários disfarces e acessórios à sua disposição, inclusive armas. O momento para derrubada do grupo só acontecia após terem sido obtidos todos os dados possíveis sobre os militantes e as organizações. Alguns militantes não eram presos, evitando desconfianças sobre o informante e para que os não presos, em busca de ajuda, fossem a outra organização, que assim poderia ser investigada.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.


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