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Morto e desaparecido
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Manoel Lisboa de Moura
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Manoel Lisboa de Moura
Cidade:
(onde nasceu)
Maceió
Estado:
(onde nasceu)
AL
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
21/2/1944
Atividade: Estudante universitário
UniversidadeUniversidade Federal de Alagoas UFAL
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Partido Comunista Revolucionário PCR
Brasil
Prisão: 17/8/1973
Recife PE Brasil
Morto ou Desaparecido:
Morto
4/9/1973
São Paulo SP Brasil
DOI-CODI/SP
Segundo depoimentos de ex-presos políticos.
Clandestinidade
Morto
4/9/1973
São Paulo SP Brasil
Largo de Moema
Segundo Relatório do Ministério da Aeronáutica.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/PE DOI-CODI/PE PE Brasil
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Edsel Magnotti , Luiz Miranda , Sérgio Paranhos Fleury
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Armando Canger Rodrigues, Harry Shibata
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Parte de artigo, sem título, do Jornal Movimento, São Paulo, 27 ago./ 9 set. 1979, p. 9. Descreve a forma como a polícia encobria as mortes de presos políticos por tortura. Segundo depoimento de um ex-funcionário do IML, num primeiro momento os próprios policiais levavam os corpos para serem enterrados na Estrada Velha de Cotia, em São Paulo. Mais tarde, foi necessário sofisticar os métodos e o preso era enterrado com seu nome falso. Isto também se tornou falho pois algum militante poderia denunciar os nomes. Veio então a terceira fase, quando os policiais passaram a montar verdadeiras operações de substituição de cadáveres, uma vez que os corpos de indigentes ficavam até 40 dias aguardando identificação no IML. No caso de Alexandre Vannucchi Leme, as testemunhas da morte de fato viram o atropelamento de um indivíduo. Já Susana Lisbôa não encontrou nenhuma foto do marido Luiz Eurico Tejera no IML e foi informada de que só fotografavam corpos de desconhecidos; no entanto, Luiz foi enterrado como indigente. Norberto Nehring, preso e morto no cárcere pela ação de Fleury, teve seu corpo trocado pelo próprio Fleury que se aproveitou do suicídio de um estrangeiro num hotel próximo à sede do DOPS. Eduardo Leite, o Bacuri, foi entregue à família com a versão de morte em tiroteio; mas, sem a "máquina de atestados", como explicar os dois olhos vazados, as orelhas decepadas e todos os dentes arrancados? O corpo de Luís Eduardo Merlino foi em vão procurado pelos seus familiares no IML até que um parente burlou a vigilância e abriu gaveta a gaveta, encontrando o que buscava. Caso semelhante foi o do estudante Manoel Lisboa de Moura, torturado e morto, noticiado como morte devido a tiroteio. No Cemitério Dom Bosco, de Perus, estão enterrados vários desaparecidos que a polícia não assumiu sequer a prisão: Luiz Eurico, Dênis Casemiro, Iuri Xavier Pereira, Alex Gomes de Paula (de fato, Alex de Paula Xavier Pereira, enterrado com o nome falso de João Maria de Freitas) e, provavelmente, Alexandre Vannucchi Leme. O IML era peça fundamental nestas operações e, por isso, uma das principais manifestações dos médicos que lutam pelo fim do aparelho repressivo do Estado é a não subordinação do IML à Secretaria de Segurança Pública.

Artigo de jornal
Terroristas morrem em tiroteio com agentes. Diário de Pernambuco, Recife, 5 set. 1973. Durante tiroteio entre agentes de órgãos de segurança e terroristas, morreram Manuel Lisboa e Emanuel Bezerra dos Santos, ambos pertencentes ao Partido Comunista Revolucionário (PCR). Documento pouco legível.

Artigo de jornal
Artigo sem título do arquivo do DOPS, publicado pelo Diário da Noite, em 08/12/73. Os órgãos de segurança informaram o desbaratamento do Partido Comunista Revolucionário (PCR), conhecido por agregar elementos de alta periculosidade em Recife. O Comitê do Partido localizava-se em Recife desde 1966 e atuava clandestinamente nas principais regiões do Nordeste, sendo necessários mais de 5 meses para a polícia localizar este "aparelho". Durante a operação o chefe da organização conseguiu fugir, queimando documentos, mas sendo preso mais tarde. Em Recife foram desbaratados ainda mais dois "aparelhos". Dos principais chefes da organização morreram três na capital de São Paulo e um no interior de Pernambuco. Os dois de São Paulo, Emanuel Bezerra e Manuel Lisboa de Moura, eram encarregados de formar uma frente única com elementos dissidentes da Ação Libertadora Nacional (ALN) e o chefe da organização morto no interior de Pernambuco, Manoel Aleixo da Silva, realizava trabalhos de aliciamento, agitação rural e guerrilha rural.

Artigo de jornal
Terroristas morrem em tiroteio com agentes. Diário de Pernambuco, Recife, 5 set. 1973. p. 10. Relata que, em 04/09/73, o “terrorista” Manoel Lisboa de Moura, preso, estava indo para um encontro com Emanuel Bezerra dos Santos. Este, quando percebeu a presença da polícia, iniciou tiroteio que levou os dois à morte. Emanuel acabara de voltar do exterior onde teria convidado Carlos Zaratini a voltar ao Brasil para melhor dirigir a organização “terrorista” Ação Libertadora Nacional (ALN), mas ele não aceitou. Fala ainda que Manoel e Emanuel participaram de várias atividades terroristas, como seqüestro e panfletagens.

Artigo de jornal
Artigo incompleto, sem fonte e sem data, intitulado: Encontro de anistia divulga lista com novos desaparecidos. Informa que o Congresso Nacional pela Anistia divulgou lista com nomes de pessoas mortas e desaparecidas a partir de 1964.

Foto
Fotos originais e preto e branco do corpo. Possuí cópias com carimbo do arquivo do DOPS/SP. Atenção: ele é o n. 5206.

Relatório
Documento da Delegacia Especializada de Ordem Social de São Paulo, de 03/12/73. Informa que em 04/09/73, ao receberem voz de prisão, Emanuel Bezerra dos Santos e Manoel Lisboa de Moura iniciaram tiroteio que culminou com a morte de ambos. Consta que eram elementos de alta periculosidade por terem participado do atentado ao General Costa e Silva em 1966 onde morreu uma autoridade e várias outras foram feridas. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Relatório
Parte de relatório confidencial do II Exército sobre Manoel Lisboa de Moura e Emanuel Bezerra dos Santos, mortos em tiroteio. Relata que, ao receberem voz de prisão, ambos reagiram iniciando tiroteio que culminou com a morte de ambos. Consta que Bezerra teria voltado do exterior onde fora convidar Ricardo Zaratini Filho para voltar ao Brasil a fim de melhor dirigir a Ação Libertadora Nacional (ALN). Manoel e Emanuel são acusados de panfletagens, assaltos e do atentado ao General Costa e Silva em 1966. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Relatório
Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, Brasília, 18/01/96. Relatora: Maria L. Eunice F. Paiva. Referente ao requerimento de Iracilda Lisboa de Moura, mãe de Manoel Lisboa de Moura, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de Manoel e a conclusão de Eunice favorável ao deferimento do pedido.

Relatório
Relatório das circunstâncias da morte de Manoel Lisboa de Moura, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95.

Ficha pessoal
Documento sem identificação da fonte, com fotos, qualificação e dados físicos de Manoel Lisboa de Moura.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 18/09/73, realizado por Harry Shibata e Armando Canger Rodrigues. São duas cópias, uma com o carimbo do arquivo do DOPS.

Certidão de óbito
Documento emitido pelo Cartório do Registro Civil do Jardim América, São Paulo, SP, de 18/09/73. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Requisição de exame de cadáver
Documento do IML/SP solicitado pelo DOPS, em 04/09/73. Apresenta a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de indivíduo considerado terrorista. Consta que Manoel Lisboa de Moura teria falecido ao travar tiroteio com agentes de órgãos de segurança nacional.

Ofício
Documento para a Delegacia de Segurança de Pernambuco de 04/09/73. Informa que no bairro de Moema, em São Paulo, SP, a Polícia Federal prendeu Emanuel Bezerra dos Santos e Manuel Lisboa de Moura, principais culpados pelo atentado ao General Costa e Silva ocorrido em 1966.

Ofício
Telex de Roberto Lisboa para o governador de Pernambuco, sem data, informando a prisão de Emanuel Bezerra e Manuel Lisboa, que seriam os principais acusados por um atentado ocorrido em 1966 visando o General Costa e Silva. Documento incompleto e pouco legível.

Atestado de óbito
Declaração de óbito do IML/SP, de 04/09/73, assinado por Harry Shibata. Consta morte por homicídio.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.


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