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Antônio Carlos Bicalho Lana
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Antônio Carlos Bicalho Lana
Cidade:
(onde nasceu)
Ouro Preto
Estado:
(onde nasceu)
MG
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
2/3/1949
Atividade: Estudante secundarista
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Ação Libertadora Nacional ALN
Brasil
Corrente Revolucionária de Minas Gerais CORRENTE
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Bruno, Mateus, Ernesto Lemos Vogel, Jair da Silva, Cristiano, Carlos, Kalil, Zezinho, Cal, Cauzinho, Louro, Lemos, Vogela, Matheus Ernesto, Crioulo, Jair da Silva
Prisão: 30/11/1973
Santos SP Brasil
Posto Rodoviário, Canal 1
Morto ou Desaparecido:
Morto
0/11/1973
São Paulo SP Brasil
sítio na Zona Sul
Segundo funcionário do DOI-CODI/SP, foi morto sob tortura.
Clandestinidade
Morto
30/11/1973
São Paulo SP Brasil
Santo Amaro
Versão dos Ministérios da Marinha e da Aeronáutica.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Harry Shibata, Paulo Augusto Queiroz Rocha
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Legistas identificam ossadas de militantes. Diário Popular, São Paulo, 10 jul. 1991. p. 3. Artigo sobre a identificação de algumas ossadas encontradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo, SP, pela equipe chefiada pelo legista Fortunato Badan Palhares, da Universidade de Campinas (UNICAMP). Foram identificados os desaparecidos Dênis Casemiro, Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria Lopes de Moraes. Houve uma cerimônia na qual participaram a prefeita Luíza Erundina e o secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, entre outras autoridades. Segundo o delegado Jair Cesário da Silva, que conduz o inquérito sobre a vala comum em Perus, esses fatos são novos e podem levar à responsabilização criminal dos envolvidos nos crimes políticos da ditadura. A família de Sônia pretende processar a União, lembrando que os torturadores continuam impunes. Em Perus podem estar também as ossadas de Dimas Antonio Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Francisco José de Oliveira, Frederico Eduardo Mayr e Grenaldo de Jesus Silva. Para isso, as ossadas foram divididas em cinco grupos, conforme as condições de identificação, e a UNICAMP está solicitando verbas para a compra de equipamento para a realização de exames de DNA. As informações dadas pelas famílias dos desaparecidos foram fundamentais para a identificação das ossadas, pois seus laudos necroscópicos não descreviam todas as lesões sofridas pelas vítimas. Luíza Erundina voltou a exigir que os arquivos do DOPS fossem liberados pela Polícia Federal, passando para o Arquivo do Estado de São Paulo, lembrando a importância dessas informações para as investigações da UNICAMP.

Artigo de jornal
Chega segunda a ossada de membro da ALN. Hoje em Dia, Belo Horizonte, 10 ago. 1991. Os despojos de Antônio Carlos Bicalho Lana, morto em 1973 pelo DOI-CODI/SP, foram encontrados e identificados no Cemitério Dom Bosco em Perus, São Paulo, SP, e estão sendo transportados para Ouro Preto, cidade natal de Antonio. Ele e sua companheira Sônia Maria Lopes Moraes, também encontrada na vala comum de Perus foram presos em 30/11/73, e sujeitos a tanta violência acabando por morrerem horas depois da prisão. No entanto, a versão oficial foi de que ambos morreram em um tiroteio em Santo Amaro, São Paulo, SP. Antônio participava do movimento estudantil em Minas Gerais e, com o golpe militar, acabou entrando na clandestinidade, indo para o Rio de Janeiro e São Paulo.

Artigo de jornal
Ossada de preso político chega a BH na segunda. Estado de Minas, Belo Horizonte, 10 ago. 1991. Após dezoito anos de sua morte, a ossada de Antônio Carlos Bicalho Lana será enterrada em Ouro Preto, MG. Sua ossada foi encontrada, junto com a de sua companheira Sônia Maria Lopes Moraes, na vala comum do cemitério Dom Bosco em Perus, São Paulo, SP, identificadas pela equipe da UNICAMP chefiada pelo legista Badan Palhares. Eles foram presos em 30/11/73 por agentes do DOI-CODI/SP, torturados e mortos no mesmo dia, mas a versão oficial foi a de que eles morreram em tiroteio em Santo Amaro, São Paulo, SP. Antônio participou do movimento estudantil em Minas Gerais e, com o golpe militar, passou para a clandestinidade, seguindo para o Rio de Janeiro e São Paulo.

Artigo de jornal
Ex-militante é sepultado em Ouro Preto. Estado de Minas, Belo Horizonte, 13 ago. 1991. p. 26. Os restos mortais de Antônio Carlos Bicalho Lana foram enterrados em Ouro Preto, em 12/08/91, dezoito anos após sua morte. Sua namorada, Sônia Maria Lopes Moraes, também teve sua ossada identificada na vala comum do cemitério Dom Bosco em Perus, São Paulo, SP. Eles foram presos em 30/11/73, em São Paulo, por agentes do DOI-CODI/SP, torturados e mortos no mesmo dia, mas a versão oficial foi de que haviam morrido em tiroteio no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, SP. As famílias das duas vítimas irão processar a União, pedindo que se punam os responsáveis pelas mortes, para que acabe a impunidade. Antônio militava no movimento estudantil mineiro e, com o golpe militar, entrou na clandestinidade, seguindo para o Rio de Janeiro e São Paulo.

Artigo de jornal
Família de 'Cauzinho' quer apuração pela justiça. Hoje em Dia, Belo Horizonte, 13 ago. 1991. p. 14. No dia 12/08/91 foram enterrados os restos mortais de Antônio Carlos Bicalho Lana, em Ouro Preto, MG. Ele foi preso pelo DOI-CODI/SP em 30/11/73, torturado e morto no mesmo dia e enterrado na vala comum do cemitério Dom Bosco em Perus, São Paulo, SP. A equipe de legistas da UNICAMP identificou sua ossada e a de outros desaparecidos. A prefeita Luíza Erundina mandou representante para o enterro. Os restos chegaram no aeroporto de Confins, MG, onde várias pessoas prestaram sua homenagem cantando o hino nacional e carregando cartazes com os dizeres de 'ditadura nunca mais'. Os familiares lutam agora para que os arquivos dos órgãos de repressão sejam abertos, para conseguir informações sobre outros desaparecidos e pedem também que os responsáveis pelas torturas e mortes sejam punidos. Antônio iniciou sua militância no movimento estudantil mineiro e, com o golpe militar, passou a viver na clandestinidade. Foi para Belo Horizonte, MG, onde começou suas atividades guerrilheiras e seguiu para o Rio de Janeiro e São Paulo, onde foi preso junto com sua namorada, Sônia Maria Lopes Moraes, que também teve sua ossada encontrada em Perus.

Artigo de jornal
Dom Luciano: 'Uma lembrança amarga'. Estado de Minas, Belo Horizonte, 13 ago. 1991. Dom Luciano Mendes de Almeida, arcebispo de Mariana, MG, esteve presente na recepção no aeroporto de Confins, MG, onde desembarcou a família de Antônio Carlos Bicalho Lana trazendo seus restos mortais. O arcebispo pediu para que uma lição de vida fosse aprendida com essa situação. Várias pessoas presentes trouxeram cartazes e foram lembrados os nomes dos cinqüenta e dois desaparecidos políticos mineiros. Antônio será enterrado em Ouro Preto, MG. Ele começou sua militância no movimento estudantil mineiro; com o golpe militar, entrou na clandestinidade, indo para o Rio de Janeiro e São Paulo. Nesta cidade, ele e sua namorada, Sônia Maria Lopes Moraes, foram presos, torturados e mortos, tendo seus corpos enterrados na vala comum do Cemitério Dom Bosco em Perus, São Paulo, SP. Sônia teve sua ossada trasladada e enterrada no Rio de Janeiro, por seus familiares.

Artigo de jornal
Terroristas morrem em tiroteio com agentes da segurança. Diário da Noite, 1 nov. 1973. O artigo relata que Antônio Carlos Bicalho Lana foi reconhecido por agentes de segurança, na região de Santo Amaro, São Paulo, SP. Ao receberem voz de prisão, Antônio e sua companheira iniciaram tiroteio, acabando feridos, e morrendo a caminho do hospital. A companheira de Antônio foi identificada como Esmeralda de Siqueira Aguiar, nome falso de Sônia Maria de Moraes Angel Jones e Antônio portava documento falso em nome de Jair da Silva. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Artigo de jornal
A atuação de cada um no terrorismo. O Globo, Rio de Janeiro, 28 set. 1971, p. 15. Lista de pessoas procuradas pelos órgãos de segurança com suas respectivas "atividades subversivas". São citados: Carlos Alberto Soares de Freitas, Sérgio Landulfo Furtado, Getúlio d'Oliveira Cabral, Mariano Joaquim da Silva, José Júlio de Araújo, Stuart Edgard Angel Jones, Iuri Xavier Pereira, Alex de Paula Xavier Pereira, Antônio Carlos Bicalho Lana.

Artigo de jornal
Chega a Rio Preto o corpo do ex-militante político. A Notícia, São José do Rio Preto, 12 ago. 1991. Restos mortais de vítima da repressão chegam a Votuporanga depois de 20 anos. Diário da Região, São José do Rio Preto, 13 ago. 1991, p. 1 e 3. Votuporanga, descanso ao guerrilheiro - Dênis Casemiro será sepultado hoje. A Notícia, São José do Rio Preto, 13 ago. 1991, p. A-3. Família de desaparecido quer indenização. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 ago. 1991, p. 8. (Caderno SP Norte). Ossada de Dênis Casemiro é sepultada no cemitério local. Diário de Votuporanga, Votuporanga, 14 ago 1991. Ossada de Dênis Casemiro será sepultada hoje. Diário de Votuporanga, Votuporanga, 13 ago. 1991. Culto à vítima do Regime Militar. A Cidade, Votuporanga, 13 ago. 1991. Legislativo suspende Ordem do Dia para culto a Dênis Casemiro. A Cidade, Votuporanga, 14 ago. 1991. Dênis é enterrado com honras de herói em Votuporanga, Diário da Região, São José do Rio Preto, 14 ago. 1991. Família só soube das atividades de Casemiro no último contato. A Cidade, Votuporanga, 15 ago. 1991, p. 3. A ossada de Dênis Casemiro foi enterrada em Votuporanga, SP, em meio a várias homenagens. O presidente da Câmara Municipal de Votuporanga, SP, suspendeu os trabalhos do dia, permitindo que os ossos de Dênis Casemiro fossem visitados publicamente. Houve atraso, pois a companhia aérea TAM negou-se a transportar o corpo, que teve de ir de carro. Dênis foi fuzilado pelo delegado Sérgio Fleury em 18/05/71, após um mês de torturas no DOPS/SP, e enterrado como indigente com dados físicos alterados na vala clandestina do cemitério de Perus, em São Paulo, SP. Acredita-se que mais presos políticos estejam enterrados na vala: Dimas Casemiro, irmão de Dênis, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, Grenaldo Jesus da Silva e Francisco José de Oliveira. Fabiano César Casemiro, sobrinho de Dênis vai pedir indenização ao Estado pela morte de seu tio.

Artigo de jornal
Novo IPM para a morte de uma terrorista. Folha da Tarde, São Paulo, 23 nov. 1982. Trata da requisição da instauração de inquérito policial-militar feita pelo advogado do tenente-coronel da Reserva João Luiz de Moraes contra os médicos legistas Harry Shibata e Antônio Valentini, sob acusação de "crime de falsa perícia". Segundo o advogado do queixoso, a filha do tenente-coronel, Sônia Maria Lopes de Moraes, havia morrido sob tortura e não em tiroteio e que a ossada não apresentava as perfurações condizentes com o que foi apresentado na autópsia. Sônia Maria foi esposa de Stuart Edgard Angel Jones, desaparecido, e morreu em companhia de Antônio Carlos Bicalho Lana. O documento é do arquivo do DOPS.

Artigo de jornal
Sepultadas as ossadas de Sônia e Lana. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 ago. 1991. Trata do sepultamento dos restos mortais de Sônia, realizado em 12/08/91, no cemitério Jardim da Saudade, no Rio de Janeiro, e do sepultamento de Antônio Carlos Bicalho Lana em Ouro Preto, MG.

Artigo de jornal
Irmão adverte os democratas. Estado de Minas, Belo Horizonte, 13 ago. 1991. O irmão de Antônio Carlos Bicalho Lana, Júlio César, presente no enterro de seus restos mortais em Ouro Preto, MG, lembrou a importância de não deixar impunes os responsáveis pelas torturas e mortes. Também foi lembrada história de Ouro Preto, com Tiradentes, e várias homenagens a Antônio e a todas as vítimas da repressão foram feitas.

Artigo de jornal
Estado de Minas, Belo Horizonte, 13 ago. 1991. "Resgate de uma outra memória", e "Dos amigos, poesia e discursos". O primeiro artigo relata que, durante o enterro de Antônio Carlos Bicalho Lana, em Ouro Preto, MG, em 12/08/91, estiveram presentes familiares de Hélcio Fortes, que participou com Antônio do movimento estudantil mineiro. Hélcio foi morto em 24/01/72, num tiroteio em São Paulo, SP, segundo a versão oficial. Sua família ficou sabendo da morte pela televisão e somente conseguiu enterrar o corpo três anos depois, após muitos esforços. No segundo artigo, comenta-se a homenagem prestada a Antônio pelo amigo Gilnei Viana, preso político por dez anos. Ele comentou a importância da luta de Antônio e de todos os militantes para que novas perspectivas fossem abertas e pediu que os arquivos da repressão fossem abertos.

Foto
Fotos de busto de Antônio Carlos Bicalho Lana em diferentes épocas.

Foto
Foto do cadáver, encontrada no DOPS/SP.

Relatório
Relatório do Serviço Público Federal sobre atividades de Antônio Carlos Bicalho Lana. Consta que fez curso de guerrilha em Cuba, participou de assaltos a viaturas policiais, indústrias e escolas, confeccionou bombas, bazucas e granadas, assassinou um marinheiro inglês durante a distribuição de panfletos e seqüestrou médicos. Em 21/06/72, ele e mais cinco companheiros receberam voz de prisão e reagiram, iniciando tiroteio. Antônio feriu-se gravemente, mas conseguiu fugir. Novamente em 05/12/73 recebeu voz de prisão. Iniciou tiroteio e foi atingido, morrendo a caminho do hospital. Na ocasião, Antônio portava documentos em nome de Jair da Silva. Consta ainda que em 1974 teve extinta sua punibilidade e que em 1978 recebeu sua anistia. Possui códigos para localização das informações sob cada parágrafo.

Relatório
Documento do Serviço de Informações do DOPS, de 14/05/73, sobre atividades de Antônio Carlos Bicalho Lana. Inicia-se comentando o aumento do "terror" a partir de 1971, que tem a Ação Libertadora Nacional (ALN) como a principal responsável. Essa organização manda seus militantes a Cuba, entre eles Antônio Carlos, para participarem de cursos de guerrilha e sabotagem. Antônio, de volta ao Brasil, participou de assaltos a supermercados, restaurantes, viaturas policiais, lojas, empresas e bancos, panfletagens em escolas, atentados a bomba e seqüestros de médicos. Possui o carimbo do arquivo do DOPS e códigos para a localização das informações sob cada parágrafo.

Relatório
Parte de relatório confidencial de atividades do DOI-CODI/SP do II Exército. Entre outros, informa que durante ronda em 30/11/73, na região de Santo Amaro, São Paulo, SP, foi dada voz de prisão a um casal suspeito, que reagiu iniciando tiroteio, onde foram feridos e faleceram a caminho do hospital. O homem portava documentos em nome de Jair da Silva e a mulher de Esmeralda Siqueira Aguiar, sendo posteriormente identificados como Antônio Carlos Bicalho Lana e Sonia Maria Lopes Moraes. Possui carimbo do arquivo do DOPS.

Relatório
Relatório da Delegacia Especializada de Ordem Social, assinado por Edsel Magnotti, Delegado de Polícia, em 21/12/72. Acusa Antônio Carlos Bicalho Lana, Alex de Paula e Iuri Xavier Pereira, Gelson Reicher e José Pereira da Silva, marido de Gastone Beltrão, de participarem de assalto a um colégio em São Paulo, SP. Consta que Alex, Iuri e Gelson estão falecidos e decreta a prisão preventiva de Antônio e José. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Relatório
Documento do Serviço de Informações do DOPS/SP, de 24/10/69. Informa que Antônio Carlos veio a São Paulo para atuar em ações subversivas, que ele é procurado por atividades subversivas feitas em Minas Gerais, que teve declarada sua prisão preventiva e encontra-se foragido.

Relatório
Documento do arquivo do DOPS, sem data, informando sobre o assalto à firma D. F. Vasconcelos, em São Paulo, SP, por um grupo de "terroristas" que se intitulou "Comando Gastone Lúcia Beltrão, da ALN". Pelas investigações, verificou-se que se tratavam de Iuri Xavier Pereira, Ana Maria Nacinovic Correa, Marcos Nonato Fonseca, Antônio Carlos Bicalho e uma quinta pessoa não identificada. Os quatro primeiros foram localizados, cercados pela polícia e receberam voz de prisão. Devido à reação à bala de armas automáticas e metralhadora, houve intenso tiroteio no qual morreram dois agentes de segurança, uma menina e um homem, além de Iuri, Ana Maria e Marcos; Antônio Carlos Bicalho conseguiu fugir em um carro. O comunicado solicita o apoio da população, dos hospitais e casas de saúde para que Antônio seja localizado.

Relatório
Documento da Delegacia Especializada de Ordem Social de 03/08/73, informando os dados pessoais e de atividades de membros da Ação Libertadora Nacional indiciados em inquérito.

Relatório
Documento do Ministério da Aeronáutica, de 08/12/71. Traz relação de nomes de pessoas que fizeram curso de "terrorismo" em Cuba e de pessoas banidas do território nacional que retornaram ao país, dando continuidade às suas atividades políticas. O documento possui carimbo do DOPS.

Relatório
Documento do II Exército ao Serviço Secreto, de 03/11/70. Relata a prisão de Joaquim Câmara Ferreira e a análise da documentação apreendida. Joaquim foi preso e tentou reagir, iniciando luta corporal com os policiais. Foi detido para ser interrogado, mas acometido de um ataque cardíaco, foi levado ao hospital, falecendo. Na sua casa foram apreendidas armas e documentos nos quais estavam os planos para ações. Foram também descobertas cartas de outros países, enviadas por militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN), sendo possível identificar codinomes de vários subversivos e áreas de treinamento para guerrilha. Entre eles, Antônio Carlos Bicalho Lana, Iuri e Alex Xavier Pereira, Ísis Dias de Oliveira e Carlos Eduardo Pires Fleury. Conclui que Carlos Lamarca esteja na liderança do esquema subversivo internacional e que a ALN está bem estruturada internacionalmente, sendo Cuba o lugar para cursos de guerrilha. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Relatório
Documento do DOPS/SP, sem data, relatando o tiroteio de Sônia e Antônio Carlos Bicalho Lana com a polícia, em que vieram a falecer a caminho do hospital.

Relatório
Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, em 08/02/96. Relatora: Suzana Keniger Lisboa. Referente ao requerimento de Adalgisa Bicalho Lana, mãe de Antônio Carlos Bicalho Lana, e de Cléa Lopes de Moraes, mãe de Sônia Maria Lopes de Moraes, para o reconhecimento das mortes e inclusão dos nomes nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias das mortes, comparadas com os laudos de necrópsia e com parecer realizado pelo legista Fortunato Badan Palhares, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e a conclusão de Suzana favorável ao deferimento do pedido.

Termo de declarações
Depoimento de João Luiz de Moraes, pai de Sônia, à Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, em 16/10/90. Ele relata as torturas sofridas por Sônia, em 1973, e por seu marido Stuart Edgar Angel Jones, em 1971, no Exército. Sônia foi presa quando viajava em companhia de Antônio Carlos Bicalho Lana. O corpo de Sônia não foi entregue a família, nem sua certidão de óbito. Com a localização de diversas ossadas no Cemitério Dom Bosco em Perus, São Paulo, SP, João Luiz espera por fim à busca dos restos mortais de sua filha.

Ficha pessoal
Documento do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) com foto numerada de rosto. Consta que Antônio fez assaltos em Minas Gerais. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Ficha pessoal
Ficha com dados pessoais de identificação para antropologia forense na UNICAMP e IML (Campinas), preenchida por familiares para identificação das ossadas de Perus.

Ficha pessoal
Ficha de dados "Premortem" de Antonio Carlos Bicalho Lana feita por Adalgiza Gomes Lana, sua mãe.

Ficha pessoal
Ficha do grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro para identificação de desaparecido político, enviado para D. Paulo Evaristo Arns em 09/90.

Ficha pessoal
Documento do IML/SP, de 10/11/74, com dados da morte.

Ficha pessoal
Documentos da Delegacia de Ordem Política e Social, de 19/06/69. No histórico consta que ele integrava a Organização Político-Militar (OPM), efetuando vários assaltos a bancos e roubos, participou de curso de guerrilha rural e urbana, de explosivos, de sabotagem e terrorismo em Cuba e que, até 29/03/72, continuava a ser procurado pelos órgãos de segurança. A segunda, sem os dados e sem data, traz no histórico que Lincoln Bicalho Roque foi morto por órgãos de segurança de São Paulo ao reagir a prisão, e segundo artigo de 29/03/78, Antônio Carlos teria morrido sob tortura em 30/11/72.

Ficha pessoal
Documento do cemitério. Consta que Antônio foi enterrado em 01/12/73 e exumado em 24/11/77.

Ficha pessoal
Documentos do DOPS, sem data. Fornece dados pessoais de Virgílio e informa que é procurado pela Justiça, mencionado em documento apreendido no "aparelho" de Antônio Bicalho Lana, citado nas declarações de Hans Rudolf Jacob Manz e que aparece em lista de desaparecidos divulgada pela Arquidiocese Paulista e publicado na imprensa. Possui os códigos das pastas de onde foram tiradas as informações.

Ficha pessoal
Documento sem identificação do órgão. Consta a filiação de Antônio, e vários códigos para a localização de informações e fotos.

Documento pessoal
Certidão de nascimento, em 02/03/49, Ouro Preto, MG. Documento emitido em 25/03/91.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exumação para identificação de ossada. Busca a confirmação da identidade de Antonio Carlos Bicalho Lana, através da comparação entre os dados fornecidos por seus familiares, os dados necroscópicos da época da morte e os dados atuais colhidos pela equipe de exumação.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 05/12/74, realizado por Harry Shibata e Antônio Valentini.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exumação com finalidade de identificação dos restos mortais de Sônia Maria Lopes de Moraes. Não possui fonte e data. Informa que, além de Sônia, foram exumados também os restos mortais de Antônio Bicalho Lana e Hiroaki Torigoi, cujos restos mortais foram encontrados em uma vala comum no Cemitério de Perus. Possui descrição do local onde as ossadas foram encontradas, em que estado estas se encontravam e comparação de dados fornecidos por familiares com os encontrados no material.

Certidão de óbito
Documento do Cartório do Registro Civil do Jardim América, São Paulo, SP, em 05/12/73, com a palavra "Bruno" manuscrita ao lado do nome de Antônio Carlos Bicalho Lana. Há cópia com carimbo do arquivo do DOPS. Há também uma certidão original, do mesmo cartório, datando de 07/08/91.

Auto de exibição e apreensão
Documento descrevendo o material apreendido no aparelho de Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria Lopes de Moraes, pelo II Exército, em 21/01/74. São citados vários livros e revistas sobre teorias comunistas e revoluções, esquemas para fabricação de armas e bombas, entre outros documentos.

Requisição de exame de cadáver
Documento do IML/SP, solicitado pelo DOPS, de 30/11/73. Consta que veio a falecer em tiroteio com órgãos de segurança. A cópia apresenta a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de pessoa considerada "terrorista".

Mandado de prisão
Mandados de prisão expedidos pelo juiz Nelson da Silva M. da Cunha para o Diretor do DOPS. Os dois primeiros datam de 25/07/73, sendo que apenas um tem o carimbo do arquivo do DOPS, pedindo a prisão preventiva de Antônio Carlos. O último data de 20/08/73, e pede a prisão de Antônio por infração à Lei de Segurança Nacional. Também possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Ofício
Documento do II Exército para o DOPS/SP, de 24/07/73. Traz relação de pessoas da Ação Libertadora Nacional (ALN). Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Ofício
Autorização de translado de corpo, de 07/08/91, expedido por Jair Cesário da Silva, Delegado seccional de polícia, para Walter Piva Rodrigues, da Secretaria dos Negócios Jurídico da Prefeitura de São Paulo. Pede autorização para transportar os despojos exumados de Antonio Carlos do cemitério Dom Bosco, de Perus, São Paulo, SP, para Ouro Preto, MG.

Ofício
Documento do I Exército ao chefe do II Exército, em 30/11/71. Comunica que foram expedidos mandados de prisão para algumas pessoas acusadas de infringir a Lei de Segurança Nacional (LSN). Entre elas está Antônio Carlos Bicalho Lana, Hélcio Pereira Fortes e José Júlio de Araújo. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Ofício
Documento da Coordenação de Informações e Operações, da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, ao DOPS e outros órgãos de segurança, de 31/08/73, enviando, em anexo, a relação de vários nomes com mandados de prisão expedidos pela Auditoria Militar de Minas Gerais.

Ofício
Documento do Centro de Informações da Polícia Federal, Brasília, de 07/73, solicitando aos órgãos da Polícia Federal, a localização e prisão de pessoas com mandado de prisão expedido pela Auditoria da Justiça Militar de Juiz de Fora, MG. Em anexo, a relação de pessoas com mandado de prisão.

Ofício
Documento da Delegacia Especializada de Ordem Social para o DOPS, de 13/10/72. Comunica encaminhamento de documentos sobre Hélcio: certidão de óbito, requisição de exame, laudo de exame, planilha e fotografia. Apenas a planilha está anexada, intitulada "Ações da organização Corrente (dissidência do PCB) que estão sendo apuradas pelos órgãos de segurança estaduais e federais". Nela constam algumas ações "terroristas" praticadas, seguidas de nomes de guerra, nomes reais e localização das pessoas. Aparecem os nomes: Hélcio Pereira Fortes, Antônio Carlos Bicalho e Nelson José de Almeida.

Ofício
Documento do DOPS/SP, de 03/01/75, com números do laudo necroscópico de Lana e Sônia informa que, na ocasião de sua morte, Sônia usava documentos falsos em nome de Esmeralda Siqueira Aguiar.

Depoimento
Biografia de Antônio Carlos Bicalho Lana, de 1991, por ocasião da descoberta de seus restos mortais e seu traslado de São Paulo a Ouro Preto, MG. Conta que iniciou sua militância no movimento estudantil na década de 60, em Minas Gerais. Com o golpe militar de 1964 entrou para a clandestinidade, indo para o Rio de Janeiro, militando na Ação Libertadora Nacional (ALN), e em seguida para São Paulo, como dirigente dessa organização. Foi preso em 30/11/73 juntamente com sua companheira Sônia Maria Lopes Moraes, pelo DOI-CODI/SP. Ambos sofreram intensas torturas, vindo a falecer no mesmo dia. A versão oficial divulgada pelo órgão foi de que ao receberam voz de prisão, Antônio e Sônia iniciaram tiroteio, onde foram atingidos, falecendo a caminho do hospital. Com o auxílio da Prefeitura de São Paulo, administrada por Luíza Erundina, foi descoberta a vala comum no cemitério Dom Bosco em Perus, São Paulo, em 1990. Os restos mortais de Antônio e de Sônia foram identificados pela equipe da UNICAMP.

Evento/ Homenagem
Convite da família para missa em intenção a Antônio Carlos Bicalho Lana. Ouro Preto, 16/08/91, realizada por Dom Luciano Mendes de Almeida, arcebispo de Mariana, MG.

Evento/ Homenagem
Feghali, Jandira. Fazendo Justiça. 15 ago. 1991. Texto lido no Pequeno Expediente da Câmara dos Deputados, por ocasião da CPI das Ossadas e do sepultamento dos restos mortais de Sônia Maria Moraes Angel Jones, Antônio Carlos Bicalho Lana e Dênis Casemiro.

Evento/ Homenagem
Homenagem aos desaparecidos políticos por meio de ato de oficialização dos nomes das ruas do Jardim da Toca, em São Paulo, SP, em 04/09/91, contando com a presença da prefeita Luíza Erundina, do vereador Ítalo Cardoso, dos familiares dos homenageados e de representantes da sociedade. Homenageados: Ana Rosa Kucinski Silva, Antônio Carlos Bicalho Lana, Antônio dos Três Reis Oliveira, Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, Aylton Adalberto Mortati, Elson Costa, Hiran de Lima Pereira, Honestino Monteiro Guimarães, Ieda Santos Delgado, Maria Lúcia Petit da Silva e Sônia Maria de Moraes Angel Jones. Acompanha convite para a solenidade.

Evento/ Homenagem
Convite para homenagem realizada para Antônio Carlos Bicalho Lana. Inicia-se em 11/08/91 com missa celebrada pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, em São Paulo; em 12/08/91 os resto mortais chegam em Belo Horizonte e serão sepultados em Ouro Preto, MG; e em 16/08/91 missa celebrada pelo arcebispo de Mariana, MG, Dom Luciano Mendes, em Ouro Preto.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.


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