Lista de nomes
Pesquisa
  OK
Morto e desaparecido
Audiovisual
Bibliografia
Eventos
História
Legislação
Notícias
José Júlio de Araújo
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: José Júlio de Araújo
Cidade:
(onde nasceu)
Itapecerica
Estado:
(onde nasceu)
MG
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
21/7/1943
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Ação Libertadora Nacional ALN
Brasil
Prisão: 18/8/1972
São Paulo SP Brasil
bar na Vila Mariana
Morto ou Desaparecido:
Morto
18/8/1972
São Paulo SP Brasil
Segundo Valderez Nunes Fonseca, com quem foi preso, morreu sob tortura.
Clandestinidade
Morto
18/8/1972
São Paulo SP Brasil
Segundo versão policial, morreu em tiroteio com a polícia.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Dr. Nei, Oberdan ou Zé Bonitinho, Aderval Monteiro Carioca, Átila , Carlos Alberto Brilhante Ustra Tibiriçá, Dalmo Lúcio Muniz Cirillo , Gaeta Mangabeira, Maurício José de Freitas Lungareti
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Isaac Abramovitch, José Henrique da Fonseca
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
A atuação de cada um no terrorismo. O Globo, Rio de Janeiro, 28 set. 1971, p. 15. Lista de pessoas procuradas pelos órgãos de segurança com suas respectivas "atividades subversivas". São citados: Carlos Alberto Soares de Freitas, Sérgio Landulfo Furtado, Getúlio d'Oliveira Cabral, Mariano Joaquim da Silva, José Júlio de Araújo, Stuart Edgard Angel Jones, Iuri Xavier Pereira, Alex de Paula Xavier Pereira, Antônio Carlos Bicalho Lana.

Artigo de jornal
Artigo sem fonte e data intitulado "Preventiva para 7 do Grupo Marighella". Cita relatório divulgado pelo DOPS que aponta Marighella como um dos maiores responsáveis, se não o maior, pelo estado atual das coisas no país, no que concerne à subversão e ao terrorismo. Aponta o início do terrorismo, em 08/67, na Conferência da OLAS, em Havana, Cuba, em que Marighella rompeu com o Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), por considerá-lo ortodoxo. O relatório recomenda que lhe seja imposto um castigo severo, para que sirva de exemplo aos demais. O artigo também cita a organização Corrente, qua atuava em Minas Gerais e foi desbaratada pelas autoridades federais. Esta organização era composta, entre outros, por Hélcio Pereira Fortes e José Júlio de Araújo, sob a inspiração e com o apoio material de Marighella. As autoridades acreditam que, com a morte de Marighella, tenham chegado à raiz do terrorismo em São Paulo. No entanto, Joaquim Câmara Ferreira é considerado um dos principais substitutos de Carlos Marighella, apesar do desconhecimento de sua localização, por parte das autoridades. O Conselho Permanente de Justiça da 1ª Auditoria da Marinha decretou a prisão preventiva de sete estudantes (dentre eles, Flávio Carvalho Molina), acusados de pertencerem à organização de Carlos Marighella. Todos se encontram foragidos. A polícia considera sério o comprometimento de padres dominicanos, que ajudaram militantes em algumas manobras no Brasil e no exterior. Por isso foram vítimas de investigações do DOPS e do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR). Os dominicanos estariam facilitando a saída de subversivos do país com documentação falsa: desta forma, fugiram, entre outros, Arno Preis (com o nome de Rogério Figueiredo Dias) e Boanerges de Souza Massa.

Artigo de jornal
Artigo sem fonte e data, intitulado "Detetive encontra ossada no sótão", sobre a ossada de José Júlio de Araújo, morto sob tortura, em 18/08/72, em São Paulo. O irmão de José, Márcio de Araújo retirou a ossada do Cemitério de Perus, em São Paulo, SP, em 1975, e a levou para o sótão da casa da família em Minas Gerais, onde permaneceu escondida. A família, com medo da repressão imposta pela ditadura, não tomou providências para sepultar a ossada. Um detetive da polícia civil, que fazia bicos como pedreiro, ao fazer consertos na casa dos Araújo encontrou o caixote e denunciou a família por ocultamento de cadáver. A ossada foi para o IML para ser examinada.

Foto
Foto numerada do corpo, encontrada no IML/SP.

Foto
Foto de rosto.

Relatório
Parte de documento confidencial do arquivo do DOPS/SP, provavelmente de 08/72. Constam, entre outros, os nomes de Maria Augusta Thomaz, Márcio Beck Machado e Aylton Adalberto Mortati, integrantes do Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), devido a inquérito instaurado pela Delegacia Especializada de Ordem Política e Social. No dia 22, informa que José Júlio de Araújo morreu após violento tiroteio no bairro de Pinheiros, São Paulo, SP, e que a Auditoria Militar teria absolvido por unanimidade Celso Gilberto de Oliveira, entre outros acusados, de atividades subversivas.

Relatório
Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, Brasília, 08/02/96. Relator: deputado Nilmário Miranda. Referente ao requerimento de Valéria Maria de Araújo, irmã de José Júlio de Araújo, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de José e o voto do deputado favorável ao deferimento do pedido.

Relatório
Relatório das circunstâncias da morte de José Júlio de Araújo, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Prontuário/ Dossiê
Dossiê organizado pela família e enviado à Comissão Especial da Lei 9.140/95 dos Desaparecidos Políticos, em 02/02/96. O documento contém biografia de José Júlio, documentos e relatório da morte, cartas enviadas por ele para a família, artigos de jornais sobre a descoberta de seus restos mortais e sepultamento e da época de sua morte em 1972, laudo de exame de sua ossada em 1991, fotos e homenagens prestadas a José Júlio. Em anexo dossiê complementar com vários artigos sobre a investigação de ossadas, indenizações e abertura de arquivos do DOPS.

Ficha pessoal
Documento do IML/SP, de 25/08/72, com dados do óbito.

Artigo de revista
Enterro tardio. Isto É Senhor, São Paulo, 13 nov. 1991, p. 27. Trata do enterro de José Júlio de Araújo, morto sob tortura no DOPS/SP, pela equipe do então major Carlos Alberto Brilhante Ulstra, em 18/08/72. Três anos após sua morte, seu irmão, o psiquiatra Márcio Araújo retirou sua ossada do Cemitério de Perus e a transferiu, num caixote, para a casa da família em Minas Gerais. A ossada foi descoberta somente em 09/91, por um alcagüete da polícia, chamado à casa para fazer consertos no encanamento. Foi aberto inquérito contra a mãe e a irmã de José, Maria do Rosário e Valéria por ocultação de cadáver. O enterro do caixote com a ossada ocorreu com a presença de poucos familiares e ex-companheiros.

Artigo de revista
Ossos da ditadura. Isto É Senhor, São Paulo, 6 out. 1991, p. 16-18. O artigo trata da ossada de José Júlio de Araújo, militante preso e torturado até a morte pela equipe comandada pelo então major Carlos Alberto Brilhante Ulstra, no DOI-CODI/SP, em 18/08/72. Há dois documentos sob sua morte, feitos pelo mesmo legista, Isaac Abramovitc, atestando causas diferentes. O corpo de José foi enterrado no Cemitério de Perus, em São Paulo, SP. Em 1975, seu irmão Márcio de Araújo retirou sua ossada de Perus, levando-a clandestinamente para a casa da família em Minas Gerais, em caixote que ficou escondido no porão. Em 09/91, um policial que fazia bicos como bombeiro hidráulico foi à casa dos Araújo fazer alguns consertos e encontrou o caixote, denunciando à polícia a mãe e a irmã de José, por ocultação de cadáver. A ossada foi para o IML para averiguação de sua identidade e após liberação do delegado poderá ser enterrada. Nesse mesmo artigo, há um quadro intitulado "Meia volta, volver", relatando a reunião entre o ministro do Exército, general Carlos Tinoco Ribeiro Gomes e os deputados Haroldo Lima, Nilmário Miranda, José Dirceu, Roberto Valadão e Luís Carlos Sigmaringa Seixas. A pauta foi a possível ajuda do Exército para a localização de desaparecidos políticos. Apesar de alguns percalços, como o não reconhecimento por parte do Exército da Guerrilha do Araguaia, a reunião foi considerada pelos deputados um sucesso, pois foi assegurada a colaboração em casos concretos.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML, de 25/08/72, realizado por Isaac Abramovitc e José Henrique da Fonseca. Uma das cópias possui a sigla "S.I." manuscrita e o carimbo do arquivo do DOPS. Segue em anexo, o esquema gráfico do corpo com o trajeto da bala.

Certidão de óbito
Documento de 22/08/72, emitido pelo Cartório do Registro Civil do Jardim América, São Paulo, SP, com atestado de óbito firmado por Isaac Abramovict. Pertence ao arquivo do DOPS/SP.

Requisição de exame de cadáver
Requisição de exame ao IML/SP, solicitada pelo DOPS/SP, em 18/08/72. Apresenta a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de indivíduo considerado terrorista. Informa morte em decorrência de ferimentos adquiridos em tiroteio travado com agentes dos órgãos de segurança.

Impressões digitais
Impressões digitais do Departamento de Identificação de São Paulo, sem data. Pertence ao arquivo do DOPS.

Ofício
Documento do I Exército ao chefe do II Exército, em 30/11/71. Comunica que foram expedidos mandados de prisão para algumas pessoas acusadas de infringir a Lei de Segurança Nacional (LSN). Entre elas está Antônio Carlos Bicalho Lana, Hélcio Pereira Fortes e José Júlio de Araújo. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Ofício
Documento da Coordenação de Informações e Operações, da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, ao DOPS e outros órgãos de segurança, de 31/08/73, enviando, em anexo, a relação de vários nomes com mandados de prisão expedidos pela Auditoria Militar de Minas Gerais.

Ofício
Documento da Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública do Paraná ao diretor da Polícia Civil, em 31/05/72. Consta que José Júlio encontrava-se no Chile prestes a voltar ao Brasil, e que teria feito curso de guerrilha em Cuba. Traz em anexo uma foto de José.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.

Avaliação de laudos de corpo delito
Observações de médicos legistas, da segunda metade da década de 90, sobre o laudo de necrópsia de José Júlio de Araújo. Para o doutor Antenor Chicarino, o exame é sucinto e mal elaborado. Não descreve os orifícios de entrada e saída de projéteis, sugere, mas não descreve suas trajetórias e cita ter encontrado os projéteis, mas não afirma se foram entregues às autoridades. O doutor Dolmevil repete as afirmações anteriores e acrescenta que não foram descritas as lesões no cérebro produzidas pelos projéteis. Comenta que choque traumático não é diagnóstico que se possa fazer em cadáveres, pois se trata de síndromes cujos sintomas só podem ser registrados em pessoas vivas.


voltar
EREMIAS DELIZOICOV - Centro de documentação | DOSSIÊ - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil
2002 - 2007 Todos os direitos Reservados