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Hiroaki Torigoe
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Hiroaki Torigoe
Cidade:
(onde nasceu)
Lins
Estado:
(onde nasceu)
SP
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
2/12/1944
Atividade: Estudante universitário
UniversidadeSanta Casa de São Paulo
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Ação Libertadora Nacional ALN
Brasil
Movimento de Libertação Popular MOLIPO
Brasil
Vanguarda Popular Revolucionária VPR
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Décio, Coriolano, Massahiro Nakamura
Prisão: 5/1/1972
São Paulo SP Brasil
R. Albuquerque Lins, Bairro Santa Cecília
Morto ou Desaparecido:
Morto
5/1/1972
São Paulo SP Brasil
DOI-CODI/SP
Segundo testemunhos de ex-presos políticos.
Clandestinidade
Morto
5/1/1972
São Paulo SP Brasil
Segundo Relatório do Ministério da Marinha morreu após ser ferido em tiroteio com agentes de segurança, ao reagir à bala à voz de prisão.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Aparecido Laerte Calandra Capitão Ubirajara, Capitão Amici , Capitão Castilho , Carlos Alberto Brilhante Ustra Tibiriçá, Dalmo Lúcio Muniz Cirillo , Orestes Ronaldo, Otávio Gonçalves Moreira Junior Otavinho, Pedro Antônio Mira Granciere Capitão Ramiro, Roberto Padre
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Abeylard de Queiroz Orsini, Isaac Abramovitch
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Artigo sem fonte e data intitulado "Terrorista morto ontem em São Paulo". Hiroaki Torigoi, ao receber voz de prisão, iniciou tiroteio e foi ferido, falecendo a caminho do hospital. No seu carro, agentes de segurança encontraram material de propaganda subversiva, e documentos que identificavam Hiroaki como Massahiro Nakamura. Hiroaki era bastante procurado pela polícia, acusado de vários assaltos, incêndio e atentado a bomba. Ele era estudante de medicina, curso que abandonou em 1969 para se dedicar ao Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), grupo terrorista que chegou a comandar.

Artigo de jornal
Artigo sem fonte e data intitulado "Terrorista morto usava nome falso". Agentes de segurança que investigavam placas de carro roubadas, chegaram ao bairro de Santa Cecília e identificaram um veículo que estava na sua relação. Hiroaki Torigoi, que ia entrar no carro, recebeu voz de prisão e reagiu, iniciando tiroteio. Foi ferido e acabou falecendo a caminho do Pronto Socorro. Ele usava documentos em nome Massahiro Nakamura, e dentro do carro havia panfletos subversivos. Ele era acusado de vários crimes, como assaltos, atentado a bomba e incêndio.

Artigo de jornal
Artigo sem fonte e data intitulado "Assim foi a morte do terrorista Hiroaki". Hiroaki Torigoi foi encontrado em Santa Cecília, São Paulo, SP, dentro de um carro procurado. Recebeu voz de prisão e reagiu iniciando tiroteio, no qual feriu-se, morrendo a caminho do socorro. Ele estava com documentos falsos em nome de Massahiro Nakamura e possuía material subversivo no carro. Estudava medicina e largou o curso e a família para se dedicar ao Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), o qual chegou a comandar, sendo acusado de vários crimes.

Artigo de jornal
Terrorista morre em tiroteio com agentes. A Gazeta, Florianópolis, 20 jan. 1972. Hiroaki Torigoi, ao receber voz de prisão iniciou tiroteio do qual saíram feridos ele, um policial e mais um transeunte. Hiroaki faleceu a caminho do Pronto Socorro. Ele foi avistado quando entrava em um carro com placas roubadas, dentro do qual foram encontrados panfletos subversivos. Hiroaki portava documentos falsos em nome de Massahiro Nakamura. Era também acusado de vários crimes, agindo pelo Movimento de Libertação Popular (MOLIPO).

Artigo de jornal
Quem é quem nos novos cartazes do terror. Jornal da Tarde/O Estado de S. Paulo, São Paulo, (sem data), p. 14. Trata dos cartazes que foram distribuídos pela polícia com a foto de cinqüenta e duas pessoas procuradas por ações políticas. Os órgãos de segurança acreditavam que os movimentos subversivos passavam por uma crise que os levaria à extinção. O artigo traz a lista das organizações de esquerda mais atuantes, além de um rápido comentário sobre cada um dos procurados. Entre eles estão: Hiroaki Torigoi, Iuri Xavier Pereira, Gastone Lúcia Carvalho Beltrão, Alex de Paula Xavier Pereira, Onofre Pinto, Ana Maria Nacinovic Corrêa, Stuart Edgard Angel Jones, Antônio Sérgio de Matos, Walter Ribeiro Novaes, Getúlio d'Oliveira Cabral, Sérgio Landulfo Furtado, Carmem Jacomini, José Milton Barbosa.

Artigo de jornal
Quadro publicado em artigo do jornal O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 set. 1990. Traz os nomes, organização a qual pertenciam e data da morte de militantes, cujos corpos foram encontrados na década de 80 no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Entre eles: Luís Eurico Tejera Lisboa, Iuri Xavier Pereira, Alex Xavier Pereira, Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, Joaquim Alencar de Seixas, Antônio Benetazzo, Carlos Nicolau Danielli e Gelson Reicher. Também traz as mesmas informações de militantes, cujos corpos podem estar nesse cemitério: Aylton Adalberto Mortati, Hioraki Torigoi, José Roberto Arantes de Almeida, Dimas Antônio Casemiro, Denis Casemiro, Devanir José de Carvalho, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, José Roman, Honestino Monteiro Guimarães e Virgílio Gomes da Silva.

Foto
Fotos originais e preto e brancos do corpo, encontradas no IML/SP. Possuem cópias com carimbo do arquivo do DOPS.

Foto
Fotos de rosto originais e preto e branco de Hiroaki em épocas distintas.

Relatório
Documento do Serviço de Informações do DOPS sobre Hiroaki Torigoi, enviado ao Poder Judiciário em 11/01/72. Segundo este documento, Hiroaki foi aluno da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, quando participou de movimentos estudantis. Cita o informe de 28/12/69 sobre a situação da Faculdade citada, onde são solicitadas averiguações de vários companheiros de Chael Charles Schreier, entre eles, Hiroaki Torigoi. Além disso, informa que Hiroaki atuava em assaltos e panfletagens, participou da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e da Ação Libertadora Nacional (ALN) e de atentado ao Consulado Americano. Dentre as ações "subversivas", informa que foi um dos participantes do assalto contra a perua do Banco Nacional de Minas Gerais, na Lapa, São Paulo, SP, em 1970, quando teria auxiliado Eduardo Leite a conduzir o ferido Ari Rocha Miranda para o seu "aparelho". O documento possui códigos das pastas de onde foram retiradas as informações de cada parágrafo.

Relatório
Parte de relatório confidencial, sem identificação do órgão. Consta que Iuri Xavier Pereira participou de assalto a um colégio em Pinheiros, São Paulo, SP, tendo pichado suas paredes com a sigla da Ação Libertadora Nacional (ALN). Há informação de que os agentes de segurança localizaram o aparelho de Hiroaki Torigoi no bairro Jardim da Saúde, em São Paulo. Houve também tiroteio com os agentes no qual duas pessoas faleceram. Elas foram identificadas como Emiliano Sessa, nome falso de Gelson Reicher, e João Maria de Freitas, nome falso de Alex de Paula Xavier Pereira.

Relatório
Parte de documento produzido por organismo internacional, encontrado no arquivo do DOPS/SP, com nomes de pessoas mortas ou desaparecidas pela ditadura militar brasileira, seguidos de texto em inglês indicando alguns dados da morte e fonte da informação, a maioria da Anistia Internacional. São citados, entre outros: Fernando Borges de Paula Ferreira, Fernando Augusto da Fonseca, Gastone L. Beltrão, Gelson Reicher, Gerson Teodoro de Oliveira, Getúlio de Oliveira Cabral, Grenaldo de Jesus Silva, Hamilton Fernando Cunha, Hélcio Pereira Fortes, Heleny Ferreira Teles Guariba, Hiroaki Torigoi, Ísis Dias de Oliveira del Royo e Ismael da Silva de Jesus.

Relatório
Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, Brasília, 29/02/96. Relatora: Maria L. Eunice F. Paiva. Referente ao requerimento de Hiroshi e Tomiko Torigoe, pais de Hiroaki Torigoe, representados por Shunhiti Torigoe, irmão de Hiroaki, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de Hiroaki e a conclusão de Eunice favorável ao deferimento do pedido.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Termo de declarações
Declaração prestada à Comissão de Justiça e Paz por Maria Helena Carvalho Molina e Gilberto Carvalho Molina, mãe e irmão de Flávio Carvalho Molina, em 24/09/90. Declaram que Flávio foi preso em São Paulo em 06/11/71 e morto pelos órgãos de segurança no dia seguinte, segundo a versão oficial, informação que vieram a obter apenas em 1978 por meio de integrantes do Comitê Brasileiro pela Anistia. Antes disso, souberam apenas em 08/72, pelos jornais, que Flávio havia sido morto em choque com os órgãos de segurança, juntamente com Hiroaki Torigoi (morto no início de 1972) e José Francisco de Oliveira (talvez Francisco José de Oliveira, morto em 05/11/71), mas a própria Justiça Militar disse à família, naquela época, que "o noticiário era infundado". Citam que posteriormente vieram a conhecer os presos políticos José Carlos Gianini e Natanael de Moura Giraldi que forneceram informações sobre a morte de Flávio. No final de 1981, Gilberto foi ao Cemitério Dom Bosco, em Perus, e encontrou o nome falso de Flávio, Álvaro Lopes Peralta, como tendo sido enterrado em 09/11/71, inumado em 11/05/76 e enterrado novamente, em gleba comum a outros corpos, sendo assim, bastante provável que seus restos mortais ali estejam.

Termo de declarações
Depoimento prestado por Massahiro Nakamura para o DOPS/SP, em 24/01/72. Massahiro foi à delegacia a procura de esclarecimentos: seu nome apareceu nos jornais como o de um terrorista morto em tiroteio com órgãos de segurança. A pessoa falecida era na verdade Hiroaki Torigoi, e ambos nem se conheciam. Além disso, o número da cédula de identidade do declarante difere da encontrada com o terrorista. Massahiro acredita que tenham conseguido seus documentos na Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP), onde estuda.

Ficha pessoal
Documento do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR). Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Documento pessoal
Documentos em nome de Massahiro Nakamura, nome falso de Hiroaki Torigoi. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 13/01/72, realizado por Isaac Abramovict e Abeylard de Queiroz Orsini, em nome de Massahiro Nakamura, nome falso de Hiroaki Torigoi.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exumação com finalidade de identificação dos restos mortais de Sônia Maria Lopes de Moraes. Não possui fonte e data. Informa que, além de Sônia, foram exumados também os restos mortais de Antônio Bicalho Lana e Hiroaki Torigoi, cujos restos mortais foram encontrados em uma vala comum no Cemitério de Perus. Possui descrição do local onde as ossadas foram encontradas, em que estado estas se encontravam e comparação de dados fornecidos por familiares com os encontrados no material.

Certidão de óbito
Documento emitido pelo Cartório do Registro Civil de Jardim América, São Paulo, SP, de 07/01/72, em nome de Massahiro Nakamura, nome falso de Hiroaki Torigoi.

Requisição de exame de cadáver
Documento do IML/SP, solicitado pelo DOPS, de 05/01/72, em nome de Massahiro Nakamura, nome falso de Hiroaki Torigoi. Consta que após travar tiroteio com órgãos de segurança, a vítima faleceu em conseqüência dos ferimentos recebidos. Há uma cópia com a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de indivíduo considerado terrorista e outra cópia com o carimbo do arquivo do DOPS.

Mandado de prisão
Documento da 2ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM) ao DOPS, de 05/01/71, mandando prender várias pessoas, entre elas, Alexander José Ibsen Voeroes, Ana Maria Nacinovic e Hiroaki Torigoi.

Ofício
Mandado do juiz de direito Álvaro Lazzarini ao Cartório de Registro Civil do Jardim América, em São Paulo, SP, de 08/11/72. Pede o cancelamento do registro de óbito de Massahiro Nakamura, nome sob o qual Hiroaki Torigoe foi enterrado, pedindo também que seja aberto registro de óbito em nome de Hiroaki.

Ofício
Documento do delegado titular da Delegacia Especializada de Ordem Política para o Juiz Auditor do II Exército, de 18/07/72. Encaminha certidões de óbito de Hiroaki Torigoe, enterrado como Massahiro Nakamura, e de Alex Xavier Pereira, enterrado como João Maria de Freitas. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Ofício
Documento do II Exército ao diretor do DOPS, de 11/07/72. Pedido de cópias das certidões de óbito de Hiroaki Torigoe e de Alex Xavier Pereira.

Depoimento
Documento sem identificação de autoria. Consta que Hiroaki Torigoe foi preso em Santa Cecília, São Paulo, SP, e levado ao DOI-CODI, onde foi torturado até a morte. Foi enterrado com o nome falso de Massahiro Nakamura no Cemitério de Perus. As supostas ossadas de Hiroaki aguardam identificação pela equipe do Departamento de Medicina Legal da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Evento/ Homenagem
Homenagem do Grupo de Estudos e Integração Universidade/Sociedade (GEIUS)/USP, Núcleo de Estudos da Violência/USP, União de Mulheres de São Paulo, Gabinete do Vereador César Caligiuri Filho, da Câmara Municipal de São Paulo, aos mortos políticos cujos corpos foram encontrados no Cemitério de Perus, em São Paulo, SP.

Legislação
Comissão Especial de Desaparecidos Políticos. Diário Oficial, Brasília, n. 45, 6 mar. 1996. p. 3711. Apresenta os nomes de pessoas reconhecidas pela Comissão Especial da Lei 9.140/95. Esta lei reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.

Avaliação de laudos de corpo delito
Observações de médicos legistas, da segunda metade da década de 90, sobre o laudo de necrópsia de Hiroaki Torigoi. O doutor Antenor Chicarino cita que múltiplas lesões da face não são descritas no laudo, bem como deformidades no braço direito (fratura). Faz descrição insuficiente e confusa das lesões por projéteis no exame externo e interno. O doutor Dolmevil questiona por que o cadáver estava despido se a morte ocorreu na Rua Albuquerque Lins. Nenhum dos ferimentos por projéteis teve descrição das orlas (o que indicaria se o orifício tem marca de entrada ou saída de projéteis), nem as zonas (com possíveis marcas de pólvora, que demonstrariam a proximidade da arma). Causa estranheza as trajetórias verticais de pelo menos dois projéteis. Como explicar o trajeto de um projétil que entra pela coxa direita e sai pela esquerda? Não foram descritas as lesões internas. Péssimo exame e totalmente omisso. São visíveis nas fotos e não constam no laudo: 1) ferimentos a bala nas regiões da boca (de entrada e saída); 2) vários cortes de aproximadamente 2,5 cm de extensão, produzidos por faca de corte único; 3) fratura fechada (não exposta) do braço direito; 3) marca clara de contornos mais escuros, transversal, da região esquerda do queixo até perder sua visibilidade na região cervical; 4) corte longitudinal na região anterior do braço esquerdo, grande inchaço por provável fratura de mandíbula, inchaço mediano da região abaixo do olho junto a três escoriações superficiais e paralelas.

Cartaz
Documento intitulado "Bandidos terroristas procurados pelos órgãos de Segurança Nacional", exibindo várias fotos seguidas de nome, codinome e organização de cada pessoa. Possui carimbo do DOPS.

Requerimento
Pedido feito pelo advogado de Hiroshi Torigoe, pai da vítima, ao Juiz de Direito da Vara dos Registros Públicos, para a regularização da situação civil de Hiroaki Torigoe: ele teve sua certidão de óbito lavrada em nome de Massahiro Nakamura. São Paulo, 09/05/72. Em anexo a certidão de nascimento de Hiroaki.


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