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Hélcio Pereira Fortes
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Hélcio Pereira Fortes
Cidade:
(onde nasceu)
Ouro Preto
Estado:
(onde nasceu)
MG
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
24/1/1948
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Ação Libertadora Nacional ALN
Brasil
Corrente Revolucionária de Minas Gerais CORRENTE
Brasil
Partido Comunista Brasileiro PCB
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Gomes, Crioulo, Nelson, Ernesto, Alex, Fradinho, Toninho
Prisão: 22/1/1972
Rio de Janeiro RJ Brasil
Morto ou Desaparecido:
Morto
28/1/1972
São Paulo SP Brasil
DOI-CODI/SP
Segundo testemunho de ex-presos políticos.
Clandestinidade
Morto
0/1/1972
São Paulo SP Brasil
Rodoviária de São Paulo
Versão oficial distribuída à imprensa.
Clandestinidade
Morto
28/1/1972
São Paulo SP Brasil
Hospital das Clínicas
Segundo Relatório da Aeronáutica após travar titoteio com agentes de segurança.
Clandestinidade
Morto
28/1/1972
São Paulo SP Brasil
Segundo Relatório da Marinha faleceu durante tiroteio com agentes de segurança.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/RJ DOI-CODI/RJ RJ Brasil
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Abeylard de Queiroz Orsini, Isaac Abramovitch
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Artigo sem fonte e data intitulado "Preventiva para 7 do Grupo Marighella". Cita relatório divulgado pelo DOPS que aponta Marighella como um dos maiores responsáveis, se não o maior, pelo estado atual das coisas no país, no que concerne à subversão e ao terrorismo. Aponta o início do terrorismo, em 08/67, na Conferência da OLAS, em Havana, Cuba, em que Marighella rompeu com o Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), por considerá-lo ortodoxo. O relatório recomenda que lhe seja imposto um castigo severo, para que sirva de exemplo aos demais. O artigo também cita a organização Corrente, qua atuava em Minas Gerais e foi desbaratada pelas autoridades federais. Esta organização era composta, entre outros, por Hélcio Pereira Fortes e José Júlio de Araújo, sob a inspiração e com o apoio material de Marighella. As autoridades acreditam que, com a morte de Marighella, tenham chegado à raiz do terrorismo em São Paulo. No entanto, Joaquim Câmara Ferreira é considerado um dos principais substitutos de Carlos Marighella, apesar do desconhecimento de sua localização, por parte das autoridades. O Conselho Permanente de Justiça da 1ª Auditoria da Marinha decretou a prisão preventiva de sete estudantes (dentre eles, Flávio Carvalho Molina), acusados de pertencerem à organização de Carlos Marighella. Todos se encontram foragidos. A polícia considera sério o comprometimento de padres dominicanos, que ajudaram militantes em algumas manobras no Brasil e no exterior. Por isso foram vítimas de investigações do DOPS e do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR). Os dominicanos estariam facilitando a saída de subversivos do país com documentação falsa: desta forma, fugiram, entre outros, Arno Preis (com o nome de Rogério Figueiredo Dias) e Boanerges de Souza Massa.

Artigo de jornal
Estado de Minas, Belo Horizonte, 13 ago. 1991. "Resgate de uma outra memória", e "Dos amigos, poesia e discursos". O primeiro artigo relata que, durante o enterro de Antônio Carlos Bicalho Lana, em Ouro Preto, MG, em 12/08/91, estiveram presentes familiares de Hélcio Fortes, que participou com Antônio do movimento estudantil mineiro. Hélcio foi morto em 24/01/72, num tiroteio em São Paulo, SP, segundo a versão oficial. Sua família ficou sabendo da morte pela televisão e somente conseguiu enterrar o corpo três anos depois, após muitos esforços. No segundo artigo, comenta-se a homenagem prestada a Antônio pelo amigo Gilnei Viana, preso político por dez anos. Ele comentou a importância da luta de Antônio e de todos os militantes para que novas perspectivas fossem abertas e pediu que os arquivos da repressão fossem abertos.

Foto
Fotos numeradas do cadáver.

Relatório
Documentos do Serviço de Informações do DOPS/SP, de 27/10/69 e 01/02/71. Consta que Hélcio participou de ações em Minas Gerais, fazia parte da direção da CORRENTE, a qual contou com o apoio de Carlos Marighella, é procurado por atividades subversivas, teve sua prisão preventiva decretada em 11/07/69 e encontra-se foragido. Possui códigos de localização das pastas que possuem estas informações a cada parágrafo. O primeiro documento é menor, tendo sua continuidade no segundo que finaliza com o dado "INF. P/ A CHEFIA".

Relatório
Informação confidencial do Exército, Rio de Janeiro, de 03/02/72, para vários órgãos de segurança sobre a Ação Libertadora Nacional (ALN). Traz o resumo de depoimentos, que segundo a polícia teriam sido prestados por Hélcio Pereira Fortes, morto em São Paulo ao tentar fugir em um "ponto". São citados: Hélcio Pereira Fortes, Arnaldo Cardoso Rocha, Sérgio Landulfo Furtado, Antônio Sérgio de Mattos, Mário de Souza Prata, Marcos Nonato da Fonseca, Paulo de Tarso Celestino da Silva, Aurora Maria do Nascimento, Ísis Dias de Oliveira, Antônio Carlos Nogueira Cabral, Alex e Iuri Xavier Pereira, José Miltom Barbosa, Aldo de Sá Brito, Getúlio d'Oliveira Cabral e James Allen Luz. Há ainda informações sobre vários militantes como Josephina Vargas Hernandes, mulher de Luiz Almeida Araújo, que estaria grávida, morando na Guanabara.

Relatório
Parte de documento produzido por organismo internacional, encontrado no arquivo do DOPS/SP, com nomes de pessoas mortas ou desaparecidas pela ditadura militar brasileira, seguidos de texto em inglês indicando alguns dados da morte e fonte da informação, a maioria da Anistia Internacional. São citados, entre outros: Fernando Borges de Paula Ferreira, Fernando Augusto da Fonseca, Gastone L. Beltrão, Gelson Reicher, Gerson Teodoro de Oliveira, Getúlio de Oliveira Cabral, Grenaldo de Jesus Silva, Hamilton Fernando Cunha, Hélcio Pereira Fortes, Heleny Ferreira Teles Guariba, Hiroaki Torigoi, Ísis Dias de Oliveira del Royo e Ismael da Silva de Jesus.

Relatório
Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, Brasília, 08/02/96. Relator: deputado Nilmário Miranda. Referente ao requerimento de Alice Pereira Fortes, mãe de Hélcio Pereira Fortes, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte e o voto do deputado favorável ao deferimento do pedido.

Relatório
Relatório das circunstâncias da morte de Hélcio Pereira Fortes, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Ficha pessoal
Documentos da Delegacia de Ordem Política e Social. Um está sem data, apresentando apenas o nome completo. Outros dois datam de 19/06/69 e 26/06/72. Este último informa que Hélcio participou de vários assaltos e ações subversivas desde 1969, fez curso de guerrilha e explosivos em Cuba em 1970, teve expedidos em seu nome mandados de prisão e, em 01/02/72, foi publicada notícia de que foi morto em tiroteio com agentes de órgãos de segurança em São Paulo. E no último documento, de 06/08/73, consta a informação de que Hélcio teria morrido sob tortura em 28/01/72, no Rio de Janeiro, segundo Jornal do Brasil, publicado no Rio de Janeiro, de 29/03/78.

Ficha pessoal
Documento do IML/SP, de 12/02/72, com dados do óbito.

Ficha pessoal
Documento do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), com foto numerada de rosto pouco legível. Possui o carimbo do arquivo do DOPS. Informa que Hélcio é oriundo de Minas Gerais e que teria participado de diversas ações.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 11/02/72, realizado por Isaac Abramovitc e Abeylard de Queiroz Orsini. São duas cópias, sendo uma com o carimbo do arquivo do DOPS.

Certidão de óbito
Documento emitido pelo Cartório do Registro Civil de Indianópolis, São Paulo, SP, de 29/01/72, com atestado firmado pelo médico Isaac Abramovict. Possui carimbo do arquivo do DOPS.

Requisição de exame de cadáver
Requisição ao IML/SP solicitada pelo DOPS, em 28/01/72, com a letra "T" manuscrita indicando tratar-se de pessoa considerada terrorista. Indica que Hélcio morreu em tiroteio com órgãos de segurança. Há uma cópia incompleta, sem o "T", mas com o carimbo do arquivo do DOPS.

Pedido de busca
Documento do Gabinete do Exército, Rio de Janeiro, de 1972. Trata-se de pedido de busca ao Dr. Iberê Brandão e Fonseca. O item sobre os dados conhecidos informa que: o Dr. Iberê pertenceu ao esquema médico da Ação Libertadora Nacional (ALN), sendo ligado a Carlos Marighella, Joaquim Câmara Ferreira, Hélcio Pereira Fortes e a Aldo de Sá Brito (morto). Em anexo, cópia da foto de Iberê Brandão e Fonseca.

Impressões digitais
Documento do Serviço de Identificação de São Paulo, constando também foto numerada do cadáver.

Ofício
Documento do I Exército ao chefe do II Exército, em 30/11/71. Comunica que foram expedidos mandados de prisão para algumas pessoas acusadas de infringir a Lei de Segurança Nacional (LSN). Entre elas está Antônio Carlos Bicalho Lana, Hélcio Pereira Fortes e José Júlio de Araújo. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Ofício
Documento da Coordenação de Informações e Operações, da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, ao DOPS e outros órgãos de segurança, de 31/08/73, enviando, em anexo, a relação de vários nomes com mandados de prisão expedidos pela Auditoria Militar de Minas Gerais.

Ofício
Documento da Delegacia Especializada de Ordem Social para o DOPS, de 13/10/72. Comunica encaminhamento de documentos sobre Hélcio: certidão de óbito, requisição de exame, laudo de exame, planilha e fotografia. Apenas a planilha está anexada, intitulada "Ações da organização Corrente (dissidência do PCB) que estão sendo apuradas pelos órgãos de segurança estaduais e federais". Nela constam algumas ações "terroristas" praticadas, seguidas de nomes de guerra, nomes reais e localização das pessoas. Aparecem os nomes: Hélcio Pereira Fortes, Antônio Carlos Bicalho e Nelson José de Almeida.

Ofício
Ofício confidencial do Centro de Operações da Polícia Federal do Paraná, de 08/03/72, para o DOPS/PR, entre outros. Comunica encaminhamento de cópia do depoimento de Hélcio, morto ao tentar fugir da prisão em São Paulo.

Ofício
Informação confidencial do I Exército para o DOPS/RJ, entre outros, de 10/02/72. Informa que, segundo Hélcio Pereira Fortes (morto em tiroteio), Luiz Eurico Tejera Lisboa e sua esposa, estariam voltando ao Brasil depois de terem feito curso de guerrilha em Cuba.

Depoimento
Declaração de Darci Toshiko Miyaki, em 16/01/96. Conta que esteve presa junto com Hélcio no Rio de Janeiro, sendo ambos muito torturados. Foram então levados em uma viatura para o DOI-CODI/SP, onde continuou a tortura. Um dos carcereiros lhe disse que um preso tinha acabado de morrer, ao que concluiu tratar-se de Hélcio, pois desde esse dia não ouvira mais seus gritos. A declaração está registrado no Cartório de Notas de Jabaquara, São Paulo, SP.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.

Avaliação de laudos de corpo delito
Observações de médicos legistas, da segunda metade da década de 90, sobre o laudo de necrópsia de Hélcio Pereira Fortes. Para o doutor Antenor Chicarino, o laudo não descreve as características das lesões por projéteis, não faz referência à distância, apenas definindo-as como entrada e saída e antecipa, no exame externo, as trajetórias dos projéteis, não o fazendo no exame interno. As lesões descritas não são imediatamente mortais e os projéteis não são retirados e encaminhados para inquérito, mesmo estando localizados em tecidos de fácil acesso. O doutor Dolmevil cita que o primeiro projétil descreveu trajetória da esquerda para direita, de cima para baixo e ligeiramente de frente para trás: isto indica que, se foi disparado a média ou curta distância, é típico de execução.


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