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Grenaldo de Jesus da Silva
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Grenaldo de Jesus da Silva
Estado:
(onde nasceu)
MA
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
11/4/1941
   
Dados da Militância  
Morto ou Desaparecido:
Morto
30/5/1972
São Paulo SP Brasil
Aeroporto de Congonhas
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Alcides Cintra Bueno Filho
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Helena Fumie Okajima, Sérgio Belmiro Acquestra
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Legistas identificam ossadas de militantes. Diário Popular, São Paulo, 10 jul. 1991. p. 3. Artigo sobre a identificação de algumas ossadas encontradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo, SP, pela equipe chefiada pelo legista Fortunato Badan Palhares, da Universidade de Campinas (UNICAMP). Foram identificados os desaparecidos Dênis Casemiro, Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria Lopes de Moraes. Houve uma cerimônia na qual participaram a prefeita Luíza Erundina e o secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, entre outras autoridades. Segundo o delegado Jair Cesário da Silva, que conduz o inquérito sobre a vala comum em Perus, esses fatos são novos e podem levar à responsabilização criminal dos envolvidos nos crimes políticos da ditadura. A família de Sônia pretende processar a União, lembrando que os torturadores continuam impunes. Em Perus podem estar também as ossadas de Dimas Antonio Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Francisco José de Oliveira, Frederico Eduardo Mayr e Grenaldo de Jesus Silva. Para isso, as ossadas foram divididas em cinco grupos, conforme as condições de identificação, e a UNICAMP está solicitando verbas para a compra de equipamento para a realização de exames de DNA. As informações dadas pelas famílias dos desaparecidos foram fundamentais para a identificação das ossadas, pois seus laudos necroscópicos não descreviam todas as lesões sofridas pelas vítimas. Luíza Erundina voltou a exigir que os arquivos do DOPS fossem liberados pela Polícia Federal, passando para o Arquivo do Estado de São Paulo, lembrando a importância dessas informações para as investigações da UNICAMP.

Artigo de jornal
Chega a Rio Preto o corpo do ex-militante político. A Notícia, São José do Rio Preto, 12 ago. 1991. Restos mortais de vítima da repressão chegam a Votuporanga depois de 20 anos. Diário da Região, São José do Rio Preto, 13 ago. 1991, p. 1 e 3. Votuporanga, descanso ao guerrilheiro - Dênis Casemiro será sepultado hoje. A Notícia, São José do Rio Preto, 13 ago. 1991, p. A-3. Família de desaparecido quer indenização. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 ago. 1991, p. 8. (Caderno SP Norte). Ossada de Dênis Casemiro é sepultada no cemitério local. Diário de Votuporanga, Votuporanga, 14 ago 1991. Ossada de Dênis Casemiro será sepultada hoje. Diário de Votuporanga, Votuporanga, 13 ago. 1991. Culto à vítima do Regime Militar. A Cidade, Votuporanga, 13 ago. 1991. Legislativo suspende Ordem do Dia para culto a Dênis Casemiro. A Cidade, Votuporanga, 14 ago. 1991. Dênis é enterrado com honras de herói em Votuporanga, Diário da Região, São José do Rio Preto, 14 ago. 1991. Família só soube das atividades de Casemiro no último contato. A Cidade, Votuporanga, 15 ago. 1991, p. 3. A ossada de Dênis Casemiro foi enterrada em Votuporanga, SP, em meio a várias homenagens. O presidente da Câmara Municipal de Votuporanga, SP, suspendeu os trabalhos do dia, permitindo que os ossos de Dênis Casemiro fossem visitados publicamente. Houve atraso, pois a companhia aérea TAM negou-se a transportar o corpo, que teve de ir de carro. Dênis foi fuzilado pelo delegado Sérgio Fleury em 18/05/71, após um mês de torturas no DOPS/SP, e enterrado como indigente com dados físicos alterados na vala clandestina do cemitério de Perus, em São Paulo, SP. Acredita-se que mais presos políticos estejam enterrados na vala: Dimas Casemiro, irmão de Dênis, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, Grenaldo Jesus da Silva e Francisco José de Oliveira. Fabiano César Casemiro, sobrinho de Dênis vai pedir indenização ao Estado pela morte de seu tio.

Artigo de jornal
Artigo intitulado Dênis Casemiro, sem fonte e data. Dênis era militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), foi preso no sul do Pará, em 04/71, trazido para São Paulo e torturado por um mês, até ser fuzilado pelo delegado Sérgio Fleury, que relatou como Dênis chorava, implorando para não morrer. A versão oficial publicada foi de que Denis, ao ser preso, tentou fugir com a arma de um policial, morrendo em tiroteio com as forças da repressão. No entanto, seu corpo teria sido encontrado no pátio do IML/SP. O laudo necroscópico apenas descreve os tiros, sem mencionar as marcas de tortura. Dênis foi enterrado em uma vala comum no cemitério de Perus, em São Paulo, SP, com seus dados alterados. Também estão lá enterrados e esperando identificação seu irmão Dimas Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Grenaldo Jesus Silva e Francisco José de Oliveira.

Artigo de jornal
Seqüestrador é sepultado. Última Hora, Brasília, 2 jun. 1972. Reportagem curta acompanhada de foto sobre o sepultamento de Grenaldo, seqüestrador do Electra II da Varig. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Artigo de jornal
Artigo sem fonte e data, intitulado "Ex-companheira: Grenaldo foi bom chefe de família". Depoimento de Mônica Edmunda Messut, companheira de Grenaldo Jesus da Silva, acusado do seqüestro de um avião da Varig. Ela conta como foi a vida com Grenaldo, relatando suas boas qualidades como marido e pai do único filho do casal. Afirma que ele raramente falava da família, sabendo ela apenas que morava no Maranhão. Um dia, Grenaldo apareceu em casa, na cidade de São Paulo, acompanhado de uma moça apresentada a Mônica como Rosa, irmã dele. Disse também que iria para o Rio de Janeiro com ela, onde Rosa faria um tratamento de saúde. Desde então nunca mais voltou nem deu notícias. Mônica entra em algumas contradições, como quando afirmou, mais tarde, que Rosa foi apresentada como amiga de Grenaldo. Estão sendo feitas investigações para saber como Grenaldo conseguiu identidade falsa, em nome de Nelson Mesquita. A polícia acredita que foi com ajuda de falsários, que possuem cópias das cédulas de identidades de todos os estados brasileiros, ou então a cédula de Grenaldo pode ser fruto de um dos roubos sofridos por postos de identificação. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Artigo de jornal
"Em cova rasa, ele é o 2836". "Grenaldo, segundo a família e os amigos". (Sem fonte), 2 jun. 1972. O primeiro artigo trata do enterro do Grenaldo Jesus da Silva, realizado em 01/06/72, no cemitério de Perus, em São Paulo, SP. Um amigo da família ligou para o IML/SP, dizendo que iria retirar o corpo. Como ele não apareceu, Grenaldo foi enterrado como indigente, em vala comum. No segundo artigo, há o depoimento de Mônica e sua mãe Cristina, companheira e sogra de Grenaldo. Elas afirmam que ele era uma boa pessoa, mas que há um ano enfrentou uma falência e começou a receber cartas do norte do país, que ele dizia serem de sua mãe, e desde então tornou-se um pouco intolerante. Em 09/71, chegou em casa acompanhado de uma moça, que ele apresentou como sua irmã. Disse também que iria acompanhá-la em um tratamento médico, mas nunca mais voltou nem deu notícias. Sua família soube pelo rádio que ele havia seqüestrado o avião da Varig.

Foto
Foto numerada do corpo no arquivo do DOPS. A cópia encontra-se pouco precisa. Há também uma ficha com as impressões digitais de Grenaldo, pouco nítida. Ambas possuem o carimbo do arquivo do DOPS.

Foto
Foto ampliada do cadáver, encontrada no DOPS/SP.

Relatório
Parte de documento produzido por organismo internacional, encontrado no arquivo do DOPS/SP, com nomes de pessoas mortas ou desaparecidas pela ditadura militar brasileira, seguidos de texto em inglês indicando alguns dados da morte e fonte da informação, a maioria da Anistia Internacional. São citados, entre outros: Fernando Borges de Paula Ferreira, Fernando Augusto da Fonseca, Gastone L. Beltrão, Gelson Reicher, Gerson Teodoro de Oliveira, Getúlio de Oliveira Cabral, Grenaldo de Jesus Silva, Hamilton Fernando Cunha, Hélcio Pereira Fortes, Heleny Ferreira Teles Guariba, Hiroaki Torigoi, Ísis Dias de Oliveira del Royo e Ismael da Silva de Jesus.

Termo de declarações
Documento da Delegacia Especializada de Ordem Social de São Paulo, de 29/06/72, de Leonardo Claro Estrela da Silva, irmão de Grenaldo. Declara que ficou mais de dez anos sem se comunicar com Grenaldo, que o mesmo trabalhava na empresa Camargo Correia e que não tinha conhecimento do envolvimento de seu irmão com política, que somente após o suicídio de Grenaldo é que soube, através de imprensa, que ele tentou seqüestrar um "aparelho" da Varig e que foi montado um esquema para capturá-lo. Informa ainda que comprou, em sociedade com Grenaldo, em 1971, um posto de gasolina, mas depois de reformá-lo, optaram por vendê-lo e com o dinheiro da venda Grenaldo adquiriu outros estabelecimentos comerciais, depois se mudou para o Rio de Janeiro e então voltou para São Paulo. Em anexo, segue ofício de encaminhamento deste termo e documento do Serviço de Informações do DOPS com o endereço de Grenaldo.

Ficha pessoal
Documento do IML/SP, de 07/06/72, com dados do óbito.

Artigo de revista
Prado, Antônio Carlos, Fragelli, Beatriz. O tenente enterrado. Isto É Senhor, São Paulo, n. 1099, 10 out. 1990, p. 44-52. Trata de Aylton Mortati, tenente que largou o Exército para lutar na guerrilha, cujo corpo está no Cemitério de Perus. Mortati era considerado um desaparecido político até então: no livro de registros do IML/SP, ao lado do estudante carioca Flávio Carvalho Molina, outro corpo encontrado em Perus, existe uma fotografia arrancada que, familiares de desaparecidos políticos acreditam ser a de Mortati, já que era preciso esconder o seu óbito. O policial Miguel Zaninello tem seu nome como declarante de diversos óbitos relativos a corpos enterrados em Perus. Segundo Nelson Pereira, pedreiro e coveiro do Cemitério de Perus, Grenaldo Jesus da Silva foi o único morto que chegou a Perus levado por Zaninello com o nome no caixão. No caso de Carlos Nicolau Danielli, em uma das primeiras cópias de sua certidão de óbito, ele é classificado no item profissão como "terrorista" e o endereço residencial indicado é o do IML/SP; em outra cópia, com as mesmas informações do livro, folha e número, a profissão de Danielli está em branco e não se registra seu endereço. Zaninello também foi declarante do óbito de Rui Osvaldo Aguiar Pftzenreuter.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 07/06/72, realizado por Sérgio Belmiro Acquestra e Helena Fumie Okajima. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Certidão de óbito
Documento emitido pelo Cartório do Registro Civil do Jardim América, São Paulo, SP, em 01/06/72. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Requisição de exame de cadáver
Documento do IML/SP, solicitado pelo DOPS, em 30/05/72, contando breve histórico do caso em que, o ex-militante seqüestrou o avião Electra II da Varig e, depois de cercado pelos agentes dos órgãos de segurança, suicidou-se ao ver-se frustrado. Há uma cópia com a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de pessoa considerada terrorista, e outra cópia com o carimbo do arquivo do DOPS.

Ofício
Ofício do delegado do DOPS/SP ao encarregado de Inquérito Policial Militar, do Ministério da Aeronáutica, datado de 26/06/72. Comunica o envio de antecedentes de Grenaldo, obtidos junto ao Centro de Informações da Marinha (CENIMAR). Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Ofício
Ofício do encarregado do Inquérito Policial Militar do Ministério da Aeronáutica ao delegado do DOPS/SP, datado de 14/06/72. Solicita informações sobre a vida pregressa de Grenaldo, em virtude do seqüestro ao avião Electra II da Varig ocorrido em 30/05/72. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Ofício
Ofício do delegado do DOPS/SP ao Ten. Cel. Alex Barroso (Zona Aérea), datado de 07/06/72. Comunica envio de documentos de Grenaldo, quais sejam, fotos, laudo necroscópico, certidão de óbito e requisição de exame necroscópico. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Ofício
Documento da Divisão de Informações de Segurança do Ministério da Aeronáutica, de 22/06/72. Informa que Grenaldo foi seqüestrador da aeronave PP-VJN e traz alguns dados pessoais do mesmo. O documento apresenta carimbo do DOPS.

Evento/ Homenagem
Homenagem do Grupo de Estudos e Integração Universidade/Sociedade (GEIUS)/USP, Núcleo de Estudos da Violência/USP, União de Mulheres de São Paulo, Gabinete do Vereador César Caligiuri Filho, da Câmara Municipal de São Paulo, aos mortos políticos cujos corpos foram encontrados no Cemitério de Perus, em São Paulo, SP.


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