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Carlos Nicolau Danielli
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Carlos Nicolau Danielli
Cidade:
(onde nasceu)
Niterói
Estado:
(onde nasceu)
RJ
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
14/9/1929
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Partido Comunista do Brasil PC do B
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Carlos Antônio Soares Brandt, Pontes, Cláudio, Antônio
Prisão: 28/12/1972
São Paulo SP Brasil
R. Loefgreen, Vila Mariana
Morto ou Desaparecido:
Morto
0/12/1972
São Paulo SP Brasil
DOI-CODI/SP
Segundo testemunhas.
Clandestinidade
Morto
30/12/1972
São Paulo SP Brasil
Av. Armando de Arruda Pereira, 1800
Versão oficial.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Dr. Caio, Dr. Jacó, Dr. Jorge, Dr. José, Oberdan ou Zé Bonitinho, Aparecido Laerte Calandra Capitão Ubirajara, Átila , Capitão Castilho , Capitão Tomé , Carlos Alberto Brilhante Ustra Tibiriçá, Dalmo Lúcio Muniz Cirillo , Gaeta Mangabeira, Jacó , Matos , Maurício José de Freitas Lungareti, Olavo , Orestes Ronaldo, Pedro Antônio Mira Granciere Capitão Ramiro, Roberto Padre, Rubens
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Isaac Abramovitch, Paulo Augusto Queiroz Rocha
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Artigos da Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 abr. 1978, p. 10. "A Revolução degradou-se, denuncia Tancredo Neves", "Política não é para militares, diz Bethlem", "General nega declaração de nazista", "Acusada relata tortura e morte de preso no STM", e outros. Este último trata do depoimento de defesa da presa política Neide Richopo, em 15/02/73, como parte do processo de 40 pessoas acusadas de pertencerem ao Partido Comunista do Brasil (PC do B). Neide conta ter presenciado o assassinato sob tortura de Alexandre Vannucchi Leme. Também o casal César Augusto e Maria Amélia Teles afirma ter ouvido os últimos gritos de Carlos Nicolau Danielli. Outro caso citado de prisão irregular e torturas refere-se a José Genoíno Neto. O relator do processo conta que a estrutura da organização era formada por um comando nacional, do qual faziam parte: Elza Lima Monserat, Ângelo Arroyo, Carlos Nicolau Danieli, João Amazonas Souza Pedroso, Lincoln Cordeiro Oest, Maurício Grabois, Pedro Pomar, Dineas Fernandes Aguiar e Luiz Vergatti.

Artigo de jornal
Teich, Daniela Hessel. Legista depõe na CPI sobre desaparecidos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 fev. 1991. Trata do depoimento do médico Isaac Abramovich perante a Comissão Parlamentar de Inquérito, da Câmara Municipal de São Paulo, que investiga o destino de presos políticos. O médico é acusado de emitir laudos necroscópicos falsos de vítimas da polícia política à época em que trabalhava no IML/SP. O legista alegou inocência, mas teria assinado o laudo de Alexandre Vannucchi Leme, no qual afirma que o estudante teria se atirado sobre um automóvel; no entanto, presos políticos e policiais confirmam que Alexandre foi torturado. Também em Minas Gerais, o Movimento Tortura Nunca Mais está acusando 12 médicos legistas que teriam assinado laudos falsos de presos políticos mortos de 1974 a 1979. A identificação de pessoas acusadas de torturar e matar presos políticos teve início com a revelação da vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. Lá foram encontradas as ossadas de Joaquim Alencar Seixas, Carlos Nicolau Danielli, Luís Eurico Tejera Lisboa, os irmãos Iuri e Alex de Paula Xavier, Frederico Mayr e Flávio Carvalho Molina (este ainda não identificado, mas acredita-se que seja uma das ossadas da vala clandestina). Segundo o artigo, também foi enterrado, no Cemitério Vila Formosa I, na Zona Leste de São Paulo, o corpo de José Maria Ferreira de Araújo. No entanto, apesar de terem sido encontrados documentos nos arquivos do IML/SP sob o nome falso de Edson Cabral Sardinha informando que seus restos estariam na quadra 11, sepultura 119 do Cemitério de Vila Formosa I, nunca foi possível encontrá-los, pois houve alteração da quadra.

Artigo de jornal
No STM, novas denúncias em julgamento de presos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 27 abr. 1978, p. 24. Noticia que a morte de Alexandre Vannucchi Leme nas dependências do DOI-CODI e o seqüestro de José Genoíno por 11 meses no sul do Pará, foram denunciados no Superior Tribunal Militar pelos advogados de 40 pessoas acusadas de tentar reorganizar o Partido Comunista do Brasil (PC do B). Também é dada como suspeita a versão sobre a morte de Carlos Nicolau Danielli, pois foi preso juntamente com o casal César e Maria Amélia Teles, por não parecer possível que uma pessoa presa pela polícia possa ser armada por ela mesma.

Artigo de jornal
Documento sem fonte e data, provavelmente selecionado pelos órgão de repressão, intitulado: Segurança elimina foco subversivo. Relata que Carlos Nicolau Danielli foi preso e revelou à polícia que teria um encontro com um companheiro do Partido Comunista do Brasil (PC do B) que ambos dirigiam. Ele foi levado ao local e lá tentou avisar os companheiros, iniciando-se um tiroteio, que culminou com a morte de Carlos e a fuga dos seus companheiros. No aparelho montado por Carlos, foram encontrados materiais subversivos como livros, uniformes roubados da Polícia Militar, produtos químicos para a confecção de explosivos, metralhadoras e equipamento para a impressão do jornal comunista Classe Operária. Nesse aparelho também funcionava a ABN ou Agência Brasileira de Notícias, que passava para o exterior informações falsas do Brasil, como entrevistas com supostos guerrilheiros da selva amazônica, feitas por repórteres imaginários. Antes de ser preso, Carlos dedicava-se ao aliciamento de jovens para o PC do B.

Artigo de jornal
Desmantelada agencia terrorista de difamação. Folha da Tarde, São Paulo, 5 jan. 1973, p. 3. Carlos Nicolau Danielli foi preso e revelou à polícia que teria um encontro com um companheiro do Partido Comunista do Brasil (PC do B) que ambos dirigiam. Ele foi levado ao local e lá tentou avisar os companheiros, iniciando-se um tiroteio, que culminou com a morte de Carlos e a fuga dos seus companheiros. No aparelho montado por Carlos, foram encontrados materiais subversivos como livros, uniformes roubados da Polícia Militar, produtos químicos para a confecção de explosivos, metralhadoras e equipamento para a impressão do jornal comunista Classe Operária. Nesse aparelho também funcionava a ABN ou Agência Brasileira de Notícias, que passava para o exterior informações falsas do Brasil, como entrevistas com supostos guerrilheiros da selva amazônica, feitas por repórteres imaginários. Antes de ser preso, Carlos dedicava-se ao aliciamento de jovens para o PC do B.

Artigo de jornal
O caso Danielli: nós podemos dar a versão que nos convier. Em Tempo, São Paulo, (1978 ou 1979). O artigo transcreve uma carta de Maria Amélia de Almeida Teles, onde ela relata como Carlos Danielli morreu. César (seu marido), Carlos e ela foram presos em 28/12/72 e levados para a OBAN, em São Paulo, SP. Carlos foi intensamente torturado até a morte e Maria Amélia e seu marido o viram morto, sendo retirado em uma maca, no dia 30/12/72. No dia 05/01/73, um dos torturadores chamou Maria Amélia e César e mostrou a manchete de jornal, onde estava escrito "Terrorista morto em tiroteio". No artigo constava que Carlos teria morrido em um tiroteio com a polícia, e respondendo aos protestos do casal, o torturador afirmou que eles, a repressão, poderiam dar a versão que fosse conveniente.

Artigo de jornal
Documento sem fonte e data intitulado: Fotos provam ligação de médico com o DOPS. Informa que com a descoberta de fotos no arquivo do IML/SP, provou-se a ligação de Isaac Abramovitc com o regime militar e pôde-se esclarecer a morte de Carlos Nicolau Danielli e seu sepultamento clandestino no cemitério de Perus, São Paulo, SP. Isaac era o braço direito de Harry Shibata, então diretor do IML/SP, e fez o laudo necroscópico de Carlos. De acordo com Maria Amélia Teles, que foi presa junto com Carlos, ele foi bastante torturado, chegando a ficar deformado, morrendo em 30/12/72, dois dias após sua prisão. No entanto, o laudo nada diz a respeito, revelando apenas o ferimento a bala.

Artigo de jornal
Subversivo morre em meio a tiroteio com os órgãos de segurança em São Paulo. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 5 jan. 1973, p. 13. Carlos Nicolau Danielli foi preso e revelou à polícia que teria um encontro com um companheiro do Partido Comunista do Brasil (PC do B) que ambos dirigiam. Ele foi levado ao local e lá tentou avisar os companheiros, iniciando-se um tiroteio, que culminou com a morte de Carlos e a fuga dos seus companheiros. No aparelho montado por Carlos, foram encontrados materiais subversivos, como livros, uniformes roubados da Polícia Militar, produtos químicos para a confecção de explosivos, metralhadoras e equipamento para a impressão do jornal comunista Classe Operária. Nesse aparelho também funcionava a ABN ou Agência Brasileira de Notícias, que passava para o exterior informações falsas do Brasil, como entrevistas com supostos guerrilheiros da selva amazônica, feitas por repórteres imaginários. Antes de ser preso, Carlos dedicava-se ao aliciamento de jovens para o PC do B.

Artigo de jornal
O STM nega apuração de mortes em SP. Folha de S. Paulo, São Paulo, 9 maio 1978. O Superior Tribunal Militar negou a apuração das denúncias sobre a morte de Alexandre Vannucchi Leme e de Carlos Nicolau Danielli, que teriam ocorrido no DOI-CODI/SP, sob tortura. Apenas o general Rodrigo Otávio Jordão Ramos votou a favor. Durante o julgamento foi lido o depoimento de Neide Richopo, que presenciou a morte de Alexandre, o viu sendo arrastado já morto, e, depois, a versão oficial de que teria sido atropelado numa tentativa de fuga. O casal Maria Amélia e César Augusto Teles também presenciaram a tortura e morte de Carlos, vendo depois os jornais dizendo que ele teria morrido em um tiroteio com a polícia. O julgamento também reduziu as penas de alguns réus.

Artigo de jornal
Comunista morto será lembrado. Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 12 abr. 1981, p. 4. Com o translado dos restos mortais de Carlos Nicolau Danielli, do cemitério de Perus, São Paulo, SP, para Niterói, RJ, haverá uma exposição sobre sua vida e militância política. Ele foi preso em 28/12/72 no DOI-CODI/SP e torturado até a morte, que ocorreu dois dias depois, segundo testemunhas que foram presas junto com ele. A versão oficial era de que ele faleceu em conseqüência de um tiroteio com órgãos de segurança. Carlos era membro do comitê central do Partido Comunista do Brasil (PC do B).

Artigo de jornal
Quadro publicado em artigo do jornal O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 set. 1990. Traz os nomes, organização a qual pertenciam e data da morte de militantes, cujos corpos foram encontrados na década de 80 no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Entre eles: Luís Eurico Tejera Lisboa, Iuri Xavier Pereira, Alex Xavier Pereira, Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, Joaquim Alencar de Seixas, Antônio Benetazzo, Carlos Nicolau Danielli e Gelson Reicher. Também traz as mesmas informações de militantes, cujos corpos podem estar nesse cemitério: Aylton Adalberto Mortati, Hioraki Torigoi, José Roberto Arantes de Almeida, Dimas Antônio Casemiro, Denis Casemiro, Devanir José de Carvalho, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, José Roman, Honestino Monteiro Guimarães e Virgílio Gomes da Silva.

Artigo de jornal
Justiça Militar denuncia 29 subversivos em Juiz de Fora. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 12 jul. 1969. A Justiça Militar denunciou 29 pessoas implicadas na reorganização do PC do B no eixo Brasília-Goiânia. O artigo possui carimbo do arquivo do DOPS.

Foto
Foto ampliada com pequeno texto em espanhol que conta que Carlos Nicolau Danielli foi assassinado pela ditadura, assim como Lincoln Oest e Luis Guilhardini.

Foto
Foto do cadáver, encontrada no DOPS/SP.

Foto
Fotos originais, do IML/SP, de bilhetes manuscritos. Em um bilhete aparece o nome do médico Isaac Abramovitc e o número do prontuário no IML de Carlos Nicolau Danielli. No outro há o nome completo de Carlos, o número do seu prontuário, a letra "T" indicando tratar-se de "elemento terrorista" e a sigla DOPS .

Foto
Fotos originais de busto.

Foto
Fotos da exumação dos ossos de Carlos Nicolau Danielli no Cemitério de Perus, em São Paulo.

Relatório
Apelação denominada voto vencido, assinada pelo ministro general Rodrigo Octávio Jordão Ramos, em 26/04/78. Contesta a versão oficial da morte de Carlos Nicolau Danielli e de Alexandre Vannucchi. Ambos, segundo várias testemunhas citadas, morreram na OBAN, em São Paulo, SP, em conseqüência das torturas sofridas lá. No entanto, foi divulgado pelos órgãos de segurança que Carlos morreu em um tiroteio e que Alexandre, ao tentar fugir dos agentes de segurança, foi atropelado por um caminhão.

Relatório
Parte de documento da Procuradoria Geral da Justiça Militar. Traz depoimentos de várias pessoas que afirmam não serem responsáveis por atividades subversivas. No entanto, no final de cada depoimento, são pedidas as condenações para todos eles. Entre os acusados, estão César Augusto Teles e Maria Amélia de Almeida Teles, amigos de Carlos Danielli, que presenciaram sua tortura e assassinato na prisão.

Relatório
Documento do Serviço de Informações da Secretaria de Segurança Pública, atualizado em 08/07/81. Consta que foi preso em 1949 e 1956, cita uma relação de ofícios e informações, que trazem informações sobre Carlos.

Relatório
Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, Brasília, 08/02/96. Relatora: Suzana Keniger Lisboa. Referente ao requerimento de Marilda de Jesus Costa, mãe de três filhos de Carlos Nicolau Danielli, para o reconhecimento da morte e inclusão do seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de Carlos e a conclusão de Suzana favorável ao deferimento do pedido.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Folheto
Denúncia de um assassinato político - o caso Danielli. São Paulo: Comissão de Profissionais de Saúde do Comitê Brasileiro pela Anistia, 19 fev. 1979. Nele está o relato do casal Maria Amélia e César Teles sobre a história de Carlos Nicolau Danielli, denunciando seu assassinato. No dia 28/12/72, o casal e o amigo Carlos foram seqüestrados e levados a OBAN, em São Paulo, SP. Lá ficaram presos, sendo todos bastante torturados, e, em conseqüência disso, após dois dias, Danielli morreu. Maria Amélia e Cesar viram o corpo do amigo sendo retirado em uma maca, morto, sujo de sangue e deformado. Em 05/10/73, um dos torturadores chamou o casal e mostrou um jornal onde estava publicado que Danielli morrera em tiroteio com a polícia. Apesar dos protestos do casal, que dizia que aquilo era mentira, o torturador disse que poderia dar a versão mais conveniente para ele. O laudo necroscópico de Danielli não descreve as marcas de tortura, apenas o ferimento causado pelo tiro. Posteriormente, alguns artigos de jornal publicaram a contestação da versão oficial de sua morte, mas o Superior Tribunal Militar (STM) continuou negando sua morte sob tortura, sendo que apenas o general Rodrigo Otávio pediu que esse fato fosse apurado.

Prontuário/ Dossiê
Documentos do Inquérito Policial e Militar (IPM) contra Pedro Pomar e outras pessoas envolvidas em atividades do Partido Comunista do Brasil (PC do B). Neste IPM, foram intimados, entre outros, Pedro Pomar, Ângelo Arroyo, Carlos Nicolau Danielli, James Allen Luz, José Porfírio de Souza, Lincoln Cordeiro Oest e Maurício Grabois. Contém cópias de relatórios do DOPS e de outros órgãos, além de documentos internos do PC do B.

Ficha pessoal
Documento da Divisão de Informações do DOPS da Guanabara. Em anexo encontra-se pedido de busca, de 24/06/81, solicitado pelo I Exército, de algumas pessoas que compareceram no sepultamento de Carlos Nicolau Danielli.

Ficha pessoal
Documento da Delegacia de Ordem Política e Social, de 19/09/49, sem o preenchimento dos dados pessoais. No histórico consta que Carlos era comunista, foi preso em 1949 e que, com o golpe de 1964, teve seus direitos cassados, acusado de tentar reorganizar o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Consta em artigo da Folha de S. Paulo de 06/01/73 que Carlos faleceu em conseqüência de tiroteio com órgãos de segurança e, em artigo de Jornal do Brasil, publicado no Rio de Janeiro, de 29/03/78, consta que na verdade ele teria morrido sob tortura em 31/12/72.

Artigo de revista
Prado, Antônio Carlos, Fragelli, Beatriz. O tenente enterrado. Isto É Senhor, São Paulo, n. 1099, 10 out. 1990, p. 44-52. Trata de Aylton Mortati, tenente que largou o Exército para lutar na guerrilha, cujo corpo está no Cemitério de Perus. Mortati era considerado um desaparecido político até então: no livro de registros do IML/SP, ao lado do estudante carioca Flávio Carvalho Molina, outro corpo encontrado em Perus, existe uma fotografia arrancada que, familiares de desaparecidos políticos acreditam ser a de Mortati, já que era preciso esconder o seu óbito. O policial Miguel Zaninello tem seu nome como declarante de diversos óbitos relativos a corpos enterrados em Perus. Segundo Nelson Pereira, pedreiro e coveiro do Cemitério de Perus, Grenaldo Jesus da Silva foi o único morto que chegou a Perus levado por Zaninello com o nome no caixão. No caso de Carlos Nicolau Danielli, em uma das primeiras cópias de sua certidão de óbito, ele é classificado no item profissão como "terrorista" e o endereço residencial indicado é o do IML/SP; em outra cópia, com as mesmas informações do livro, folha e número, a profissão de Danielli está em branco e não se registra seu endereço. Zaninello também foi declarante do óbito de Rui Osvaldo Aguiar Pftzenreuter.

Documento pessoal
Certidão de nascimento e de casamento de Wagner Danielli, filho de Carlos Nicolau Danielli.

Documento pessoal
Certidão de casamento de Carlos Nicolau Danielli com Thelma Campos Danielli em 25/11/50, sendo o documento de 25/02/77.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 30/12/72, realizado por Isaac Abramovitc e Paulo Augusto Queiroz Rocha. Há uma cópia com o carimbo do arquivo do DOPS.

Certidão de óbito
Três documentos emitidos pelo Cartório do Registro Civil de Jardim América, São Paulo, SP: o primeiro é uma certidão original, de 1980; os outros dois datam de 31/12/72, sendo que um possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Interrogatório
Depoimento de Cesar Augusto Teles prestado à Justiça Militar em São Paulo, SP, em 11/07/73. Ele afirma não ser militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e que ele, sua esposa e seu amigo Carlos Danielli foram presos e severamente torturados na OBAN, em São Paulo, SP. Carlos acabou sendo assassinado e, no dia seguinte, os agentes policiais mostraram a eles os jornais com notícia (falsa) de que Carlos morreu em um tiroteio travado com agentes de segurança na rua.

Interrogatório
Depoimento de Maria Amélia de Almeida Teles, prestado à Justiça Militar em São Paulo, SP, em 04/07/73. Ela afirma não ser militante do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e que ela, seu marido e seu amigo Carlos Danielli foram presos e severamente torturados na OBAN, em São Paulo, SP. Carlos acabou sendo assassinado e, no dia seguinte, os agentes policiais mostraram a eles os jornais com notícia (falsa) de que Carlos morreu em um tiroteio travado com agentes de segurança na rua.

Requisição de exame de cadáver
Requisição de exame ao IML/SP, solicitada pelo DOPS/SP, em 30/12/72. Consta que Carlos travou tiroteio com órgãos de segurança, quando foi ferido e faleceu. Uma das cópias possui a letra "T" manuscrita indicando tratar-se de indivíduo considerado terrorista e outra cópia possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Ofício
Documento do DOPS, de 22/09/66, referente ao pedido de busca do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) de 13/09/66. Consta que Carlos Nicolau Danielli era um mensageiro do Partido Comunista do Brasil (PC do B), entre o comitê central e os estados do sudeste. Em sua casa e com ele foi apreendido material subversivo, sendo que ele já fizera curso em Cuba, acompanhado de Ângelo Arroyo.

Ofício
Pedido de busca secreto do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), de 13/02/66, ao DOPS da Guanabara, ao DOPS/SP e ao CENIMAR. Pede informações sobre Carlos Nicolau Danielli: sua qualificação, fotos, antecedentes ideológicos e atividades atuais.

Ofício
Informação do DOPS da Guanabara, de 23/11/66. Traz os dados pessoais de Carlos Nicolau Danielli, diz que ele é membro do comitê central do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e que atua por esse partido clandestinamente.

Ofício
Documento secreto do DOPS/RJ ao Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) e ao próprio DOPS, de 30/11/66. Traz os dados pessoais de Carlos Nicolau Danielli e informações sobre suas atividades: já fora detido duas vezes, uma em 1949 e outra em 1956, por medida de segurança. Foi encontrado em seu poder e em sua casa material de propaganda comunista e para planos de agitação em todo país. Trata-se de "mensageiro" do Partido Comunista do Brasil (PC do B) entre o comitê central do partido e os estados. Em 1962 foi para Cuba para fazer curso de guerrilha, acompanhado de Ângelo Arroyo, e continua em atividade clandestina pelo PC do B.

Ofício
Termo de compromisso de 19/03/56, de Eugênio Zimbardo, que foi nomeado para proceder o mandado de busca e apreensão na casa de Carlos Nicolau Danielli, a fim de apreender todo material subversivo que lá se encontrar.

Ofício
Mandado de busca e apreensão da Divisão de Polícia Política e Social da Delegacia de Segurança Política, de 19/03/56. Pede a revista da casa de Carlos Nicolau Danielli para a apreensão de material subversivo. Em anexo está o auto de prisão em flagrante, quando Carlos tentou passar uma revista subversiva para um dos agentes de segurança, também em 19/03/56.

Ofício
Documento do Departamento Federal de Segurança Pública do Rio de Janeiro ao Serviço de Informações, de 30/12/63. Remete auto de prisão em flagrante de Carlos Nicolau Danielli para arquivamento. Em anexo está o auto de prisão em flagrante, quando Carlos tentou passar uma revista subversiva para um dos agentes de segurança, também em 19/03/56.

Depoimento
Documento de Maria Amélia e César Augusto Teles, de 19/02/79. Conta a história de Carlos Nicolau Danielli, denunciando seu assassinato. No dia 28/12/72, o casal e o amigo Carlos foram seqüestrados e levados a OBAN, em São Paulo, SP. Lá ficaram presos, sendo todos bastante torturados e, em conseqüência disso, após dois dias, Danielli morreu. Maria Amélia e Cesar viram o corpo do amigo sendo retirado em uma maca, morto, sujo de sangue e deformado. Em 05/10/73, um dos torturadores chamou o casal e mostrou um jornal onde estava publicado que Danielli morrera em tiroteio com a polícia. Apesar dos protestos do casal, que dizia que aquilo era mentira, o torturador disse que poderia dar a versão mais conveniente para ele. O laudo necroscópico de Danielli não descreve as marcas de tortura, apenas o ferimento causado pelo tiro. Posteriormente, alguns artigos de jornal publicaram a contestação da versão oficial de sua morte, mas o Superior Tribuna Militar (STM) continuou negando sua morte sob tortura, sendo que apenas o general Rodrigo Otávio pediu que esse fato fosse apurado.

Depoimento
Documento de padre Renzo, intitulado Um Dia no Cárcere. Nele, o padre relata hora por hora, como a um diário, a visita que fez aos presos políticos da ala masculina do presídio Romão Gomes e da penitenciária feminina do Carandiru. Passou doze horas conversando com vários presos políticos e seus visitantes.

Produção artística
Desenho de Maria Amélia de Almeida Teles, presa política, do rosto de Carlos Nicolau Danielli, feito em 14/09/74 e intitulado "Homenagem a um Herói".

Evento/ Homenagem
Homenagem do Comitê Brasileiro pela Anistia de São Paulo e Rio de Janeiro a Carlos Nicolau Danielli, por ocasião do translado dos seus restos mortais de São Paulo para Niterói, entre 10 e 11/04/81. Carlos iniciou sua militância aos quinze anos no movimento operário carioca; em 1948 tornou-se membro do Partido Comunista do Brasil (PCB), sendo em 1954 eleito membro do Comitê Central e em 1962 eleito membro da Comissão Executiva. Foi assassinado durante sessão de torturas em 30/12/72. A homenagem se estende a outros membros do PC do B que foram mortos pela repressão entre 1972 e 1973: Lincoln Oest, Luís Guilhardini e Lincoln Bicalho Roque.

Evento/ Homenagem
Convite para homenagem em 11/04/81, por ocasião do translado dos restos mortais da vítima para Niterói, promovida pelo Comitê Brasileiro pela Anistia e outras entidades.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.

Avaliação de laudos de corpo delito
Observações de médicos legistas, da segunda metade da década de 90, sobre o laudo de necrópsia de Carlos Nicolau Danielli. O doutor Antenor Chicarino aponta que a fotografia mostra inchaço e arroxeamento na região do rosto próxima à orelha esquerda, que não é referida no laudo. O laudo descreve apenas duas das trajetórias de projétil de arma de fogo. O doutor Dolmevil julga que o laudo é confuso e incompleto. Não descreve os orifícios de entrada dos projéteis e não especifica qual projétil foi encontrado no lado esquerdo do tórax. Na conclusão, não especifica qual projétil fez a trajetória ali descrita. Não descreve a trajetória do projétil da região lombar esquerda, mas esta deve ter sido debaixo para cima, da esquerda para direita e de trás para frente: tal disparo só é possível quando executado com a vítima posicionada com o tronco dobrado para frente a 90º. Não foi feita nenhuma foto dos dois orifícios de entrada dos projéteis, além das fotos estarem prejudicadas pela presença de artefatos que simulam lesões e manchas. As fotos do morto comparadas com a foto de quando estava vivo, mostram lesões não descritas no laudo.

Carta
Transcrição de carta apreendida com Carlos Danielli em 12/72. Trata do andamento da Guerrilha do Araguaia. Foi escrita, provavelmente, por Maurício Grabois, trazida do Araguaia por Criméia Alice Schmidt de Almeida e entregue ao Carlos Danielli no dia de sua prisão. Foi encontrada no "Baú do General".

Requerimento
Documento de Maria Amélia e César Augusto Teles, enviado ao presidente do Conselho Regional de Medicina, em 12/80, contra os médicos Isaac Abramovitc e Paulo Augusto Queiroz Rocha. Pede a contestação da versão oficial da morte de Carlos Nicolau Danielli, na qual consta que ele teria morrido em tiroteio com órgãos de segurança. Maria Amélia e César foram presos junto com Carlos e testemunharam sua tortura e morte, dentro da OBAN, em São Paulo, SP. Consta no laudo necroscópico assinado por esses médicos que Carlos faleceu no tiroteio em 01/01/73, no entanto a requisição para o exame foi feita em 30/12/72. Além disso, não consta no laudo nenhuma lesão, hematoma ou escoriação, a não ser as causadas por projétil.


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