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Joaquim Alencar de Seixas
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Joaquim Alencar de Seixas
Cidade:
(onde nasceu)
Bragança
Estado:
(onde nasceu)
PA
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
2/1/1922
Atividade: Operário
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Movimento Revolucionário Tiradentes MRT
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Roque
Prisão: 16/4/1971
São Paulo SP Brasil
R. Vergueiro, altura do n. 9000
Morto ou Desaparecido:
Morto
17/4/1971
São Paulo SP Brasil
OBAN
Segundo depoimentos de ex-presos políticos. Segundo Requisição de Exame de Cadáver faleceu devido a ferimentos recebidos durante tiroteio com órgãos de segurança
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Operação Bandeirante OBAN Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Carlos Alberto Brilhante Ustra Tibiriçá, Dalmo Lúcio Muniz Cirillo , Davi Araújo dos Santos , Pedro Mira Granzieri
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Paulo Augusto Queiroz Rocha, Pérsio José R. Carneiro
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Teich, Daniela Hessel. Legista depõe na CPI sobre desaparecidos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 fev. 1991. Trata do depoimento do médico Isaac Abramovich perante a Comissão Parlamentar de Inquérito, da Câmara Municipal de São Paulo, que investiga o destino de presos políticos. O médico é acusado de emitir laudos necroscópicos falsos de vítimas da polícia política à época em que trabalhava no IML/SP. O legista alegou inocência, mas teria assinado o laudo de Alexandre Vannucchi Leme, no qual afirma que o estudante teria se atirado sobre um automóvel; no entanto, presos políticos e policiais confirmam que Alexandre foi torturado. Também em Minas Gerais, o Movimento Tortura Nunca Mais está acusando 12 médicos legistas que teriam assinado laudos falsos de presos políticos mortos de 1974 a 1979. A identificação de pessoas acusadas de torturar e matar presos políticos teve início com a revelação da vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. Lá foram encontradas as ossadas de Joaquim Alencar Seixas, Carlos Nicolau Danielli, Luís Eurico Tejera Lisboa, os irmãos Iuri e Alex de Paula Xavier, Frederico Mayr e Flávio Carvalho Molina (este ainda não identificado, mas acredita-se que seja uma das ossadas da vala clandestina). Segundo o artigo, também foi enterrado, no Cemitério Vila Formosa I, na Zona Leste de São Paulo, o corpo de José Maria Ferreira de Araújo. No entanto, apesar de terem sido encontrados documentos nos arquivos do IML/SP sob o nome falso de Edson Cabral Sardinha informando que seus restos estariam na quadra 11, sepultura 119 do Cemitério de Vila Formosa I, nunca foi possível encontrá-los, pois houve alteração da quadra.

Artigo de jornal
Morto ontem chefe dos assassinos de Boilesen: baleado e morto chefe dos assassinos do industrial. Diário Popular, São Paulo, 18 abr. 1971. Foi morto Dimas Casemiro, acusado, juntamente com Joaquim Alencar Seixas (morto ao resistir à voz de prisão), do assassinato do industrial Henning Albert Boilesen. Dimas resistiu à voz de prisão, iniciando o tiroteio do qual foi vítima. Dimas era gráfico, executando vários trabalhos para as organizações "terroristas". Foi Devanir José de Carvalho quem trouxe Dimas a São Paulo, sendo que antes atuava como líder estudantil em Votuporanga, SP.

Artigo de jornal
Quadro publicado em artigo do jornal O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 set. 1990. Traz os nomes, organização a qual pertenciam e data da morte de militantes, cujos corpos foram encontrados na década de 80 no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Entre eles: Luís Eurico Tejera Lisboa, Iuri Xavier Pereira, Alex Xavier Pereira, Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, Joaquim Alencar de Seixas, Antônio Benetazzo, Carlos Nicolau Danielli e Gelson Reicher. Também traz as mesmas informações de militantes, cujos corpos podem estar nesse cemitério: Aylton Adalberto Mortati, Hioraki Torigoi, José Roberto Arantes de Almeida, Dimas Antônio Casemiro, Denis Casemiro, Devanir José de Carvalho, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, José Roman, Honestino Monteiro Guimarães e Virgílio Gomes da Silva.

Artigo de jornal
Cassado registro de médico envolvido em tortura. O São Paulo, São Paulo, 26 jun. 1996. p. 9. Informa sobre a cassação do registro do médico Pérsio José Ribeiro Carneiro, acusado de assinar laudos de necrópsia falsos, como o de Joaquim Alencar Seixas, que indica morte por tiro, mas teria morrido sob fortes torturas. A reportagem traz também a história do militante desde sua prisão em 16/04/71, as torturas que sofreu junto com o filho, Ivan Seixas, na época com dezesseis anos, até sua morte. Quando os jornais publicaram sua morte em tiroteio, no dia 17/04/71, Joaquim ainda estava vivo, conforme conta Ivan.

Foto
Foto do corpo.

Foto
Foto original e preto e branco de busto.

Relatório
Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, Brasília, 18/01/96. Relatora: Suzana Keniger Lisboa. Referente ao requerimento de Ivan Akselrud de Seixas, filho de Joaquim Alencar Seixas, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de Joaquim e a conclusão de Suzana favorável ao deferimento do pedido.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Ficha pessoal
Documento da Delegacia de Ordem Política e Social, de 22/10/70. Informa que Devanir fez curso de guerrilha na China, foi chefe do movimento Ala Vermelha e que foi publicada na imprensa notícia sobre sua morte. Faleceu em tiroteio com a polícia juntamente com Joaquim de Alencar Seixas e com Dimas Antônio Casemiro.

Ficha pessoal
Documento do IML/SP, de 22/04/71, com dados do óbito.

Artigo de revista
Mello, Rodney; Zwetsch, Valdir. A sentença do terror. O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 28 abr. 1971, p. 22-27. O artigo trata do assassinato do industrial dinamarquês Henning Albert Boilesen, atribuído a terroristas, no dia 15/04/71. Entre os acusados estão Joaquim Alencar Seixas, morto em 16/04/71 ao resistir à voz de prisão, e Dimas Antônio Casemiro, morto em 17/04/71 nas mesmas condições de Joaquim. Ele e seus companheiros teriam seguido e o veículo do industrial, e quando este e seu filho tentaram fugir, metralharam Boilesen. Fugiram, deixando folhetos subversivos que explicavam o assassinato como resposta à morte de Devanir José de Carvalho. Nas casas dos dois subversivos foi encontrada enorme quantidade de material "subversivo".

Artigo de revista
Lima, Samarone. Medicina do terror. Sem Fronteiras, São Paulo, ago. 1996, p. 19-20. O artigo trata da cassação do registro do médico Pérsio José Ribeiro Carneiro, acusado pelo Grupo Tortura Nunca Mais de colaboração indireta com o regime militar, em 1971. Nesse ano, Pérsio assinou o laudo de necrópsia de Joaquim Alencar Seixas sem descrever as mais de duzentas marcas de tortura presentes no corpo e, dessa forma, confirmando a falsa versão oficial de que Joaquim teria morrido em tiroteio. O médico psicanalista Amílcar Lobo também teve seu registro cassado, mas recorreu e ganhou sua reabilitação. O ex-pediatra Ricardo Agnese Fayad também foi processado, mas ganhou a causa, pois a 7ª Vara de Brasília afirmou que os Conselhos de Medicina não têm competência para julgar médicos militares. No dia 15/06/96 foi realizada uma cerimônia na Câmara dos Vereadores de São Paulo, em memória de Maria Lúcia Petit da Silva. Ela foi morta em 1972 no Araguaia, PA, e teve sua ossada reconhecida pelo médico-legista Badan Palhares, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Maria Lúcia foi o primeiro caso de reconhecimento dos cinqüenta e nove guerrilheiros mortos no Araguaia.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 19/04/71, realizado por Pérsio José R. Carneiro e Paulo Augusto de Queiroz Rocha.

Interrogatório
Documentos do DOI-CODI, do II Exército, de 16/04/71. Neles Joaquim Alencar Seixas é interrogado em duas sessões, e, no último, seu filho, Ivan, é interrogado.

Requisição de exame de cadáver
Documento do IML/SP, solicitado pelo DOPS, em 16/04/71. Apresenta a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de pessoa considerada terrorista. Indica que Joaquim Alencar Seixas faleceu devido a ferimentos recebidos durante tiroteio com órgãos de segurança.

Ofício
Documento do II Exército ao diretor do DOPS/SP, em 15/06/71, assinado pelo coronel Flávio Hugo Lima da Rocha. Envia documentação sobre material apreendido com Dimas Casemiro, Joaquim Alencar Seixas e outros indivíduos. Em anexo está Termo de Declarações de 17/04/71, sobre apreensão de material no aparelho subversivo de Joaquim Alencar Seixas e Dimas Casemiro; Auto de Exibição e Apreensão de 19/04/71 sobre material apreendido no aparelho "subversivo" de Dimas, Joaquim, Antônio Telles de Menezes e Gilberto Faria Lima; Auto de Exibição e Apreensão de 17/04/71 sobre apreensão de material no aparelho de Joaquim e no de Dimas; Auto de Avaliação de 07/05/71 com avaliação dos materiais apreendidos nos aparelhos de Joaquim e no de Dimas; Auto de Avaliação de 05/05/71 sobre material que teria sido roubado de uma joalheria e se encontrava nos aparelhos de Dimas e de Joaquim; Auto de Entrega de 07/05/71 sobre entrega de material roubado encontrado com Joaquim e Dimas aos seus devidos donos; e Auto de Entrega de 06/05/71 sobre entrega de relógios roubados ao seu dono, que foram apreendidos nos aparelhos de Dimas, Joaquim, Antonio e Gilberto.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.

Avaliação de laudos de corpo delito
Parecer Técnico-Pericial, solicitado pelo Grupo Tortura Nunca Mais, de 13/07/95, realizado por Nelson Massini. Analisa o laudo de Joaquim Alencar Seixas, realizado pelos médicos Pérsio José R. Carneiro e Paulo Augusto de Queiroz Rocha, em 19/04/71. Conclui que tal laudo não descreve as torturas que Joaquim sofreu, cujas marcas estavam bastante nítidas, encontrando-se incompleto e incoerente.


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