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Flávio Carvalho Molina
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Flávio Carvalho Molina
Cidade:
(onde nasceu)
Rio de Janeiro
Estado:
(onde nasceu)
RJ
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
8/11/1947
UniversidadeUniversidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Ação Libertadora Nacional ALN
Brasil
Movimento de Libertação Popular MOLIPO
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
André, Fernando, Armando, Álvaro Lopes Peralta
Prisão: 6/11/1971
São Paulo SP Brasil
Morto ou Desaparecido:
Morto
7/11/1971
São Paulo SP Brasil
DOI-CODI/SP
Segundo testemunho de presos políticos.
Clandestinidade
Morto
7/11/1971
São Paulo SP Brasil
Bairro do Ipiranga
Segundo versão oficial, foi morto em tiroteio ao tentar reagir à prisão.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Dulcídio Wanderley Boschilia , Pedro Ivo , Renato D'Andréia
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
José Henrique da Fonseca, Renato Capellano
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Teich, Daniela Hessel. Legista depõe na CPI sobre desaparecidos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 fev. 1991. Trata do depoimento do médico Isaac Abramovich perante a Comissão Parlamentar de Inquérito, da Câmara Municipal de São Paulo, que investiga o destino de presos políticos. O médico é acusado de emitir laudos necroscópicos falsos de vítimas da polícia política à época em que trabalhava no IML/SP. O legista alegou inocência, mas teria assinado o laudo de Alexandre Vannucchi Leme, no qual afirma que o estudante teria se atirado sobre um automóvel; no entanto, presos políticos e policiais confirmam que Alexandre foi torturado. Também em Minas Gerais, o Movimento Tortura Nunca Mais está acusando 12 médicos legistas que teriam assinado laudos falsos de presos políticos mortos de 1974 a 1979. A identificação de pessoas acusadas de torturar e matar presos políticos teve início com a revelação da vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. Lá foram encontradas as ossadas de Joaquim Alencar Seixas, Carlos Nicolau Danielli, Luís Eurico Tejera Lisboa, os irmãos Iuri e Alex de Paula Xavier, Frederico Mayr e Flávio Carvalho Molina (este ainda não identificado, mas acredita-se que seja uma das ossadas da vala clandestina). Segundo o artigo, também foi enterrado, no Cemitério Vila Formosa I, na Zona Leste de São Paulo, o corpo de José Maria Ferreira de Araújo. No entanto, apesar de terem sido encontrados documentos nos arquivos do IML/SP sob o nome falso de Edson Cabral Sardinha informando que seus restos estariam na quadra 11, sepultura 119 do Cemitério de Vila Formosa I, nunca foi possível encontrá-los, pois houve alteração da quadra.

Artigo de jornal
Legistas identificam ossadas de militantes. Diário Popular, São Paulo, 10 jul. 1991. p. 3. Artigo sobre a identificação de algumas ossadas encontradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo, SP, pela equipe chefiada pelo legista Fortunato Badan Palhares, da Universidade de Campinas (UNICAMP). Foram identificados os desaparecidos Dênis Casemiro, Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria Lopes de Moraes. Houve uma cerimônia na qual participaram a prefeita Luíza Erundina e o secretário de Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, entre outras autoridades. Segundo o delegado Jair Cesário da Silva, que conduz o inquérito sobre a vala comum em Perus, esses fatos são novos e podem levar à responsabilização criminal dos envolvidos nos crimes políticos da ditadura. A família de Sônia pretende processar a União, lembrando que os torturadores continuam impunes. Em Perus podem estar também as ossadas de Dimas Antonio Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Francisco José de Oliveira, Frederico Eduardo Mayr e Grenaldo de Jesus Silva. Para isso, as ossadas foram divididas em cinco grupos, conforme as condições de identificação, e a UNICAMP está solicitando verbas para a compra de equipamento para a realização de exames de DNA. As informações dadas pelas famílias dos desaparecidos foram fundamentais para a identificação das ossadas, pois seus laudos necroscópicos não descreviam todas as lesões sofridas pelas vítimas. Luíza Erundina voltou a exigir que os arquivos do DOPS fossem liberados pela Polícia Federal, passando para o Arquivo do Estado de São Paulo, lembrando a importância dessas informações para as investigações da UNICAMP.

Artigo de jornal
Artigos sem fonte e data: "Justiça militar liberta estudante por falta de provas" e "Terrorista morto no cerco ao aparelho". O documento, do arquivo do DOPS, noticia o interrogatório do estudante preso Newton de Leão Duarte, sob acusação de ter assaltado os bancos Boa Vista (na Rua Uruguai) e Crédito Territorial (em São Cristóvão), juntamente com os estudantes Frederico Eduardo Mayr e Flávio Carvalho Molina, entre outros. Em São Paulo, a Justiça Militar julgou improcedente a denúncia contra os sargentos acusados de ligações com o ex-capitão Carlos Lamarca: pertencendo à mesma unidade em que este servia, os sargentos deixaram de comunicar a seus superiores o trabalho de proselitismo de Lamarca na corporação. Também em São Paulo, informa sobre a morte de Antônio Raymundo Lucena em Atibaia, após tiroteio travado com a polícia em sua casa, a qual constatou-se ser um "aparelho". Posteriormente, na mesma cidade, foi preso um indivíduo que disse chamar-se Antônio Carlos Malatesta, que alguns desconfiaram tratar-se de Carlos Lamarca.

Artigo de jornal
Chega a Rio Preto o corpo do ex-militante político. A Notícia, São José do Rio Preto, 12 ago. 1991. Restos mortais de vítima da repressão chegam a Votuporanga depois de 20 anos. Diário da Região, São José do Rio Preto, 13 ago. 1991, p. 1 e 3. Votuporanga, descanso ao guerrilheiro - Dênis Casemiro será sepultado hoje. A Notícia, São José do Rio Preto, 13 ago. 1991, p. A-3. Família de desaparecido quer indenização. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 ago. 1991, p. 8. (Caderno SP Norte). Ossada de Dênis Casemiro é sepultada no cemitério local. Diário de Votuporanga, Votuporanga, 14 ago 1991. Ossada de Dênis Casemiro será sepultada hoje. Diário de Votuporanga, Votuporanga, 13 ago. 1991. Culto à vítima do Regime Militar. A Cidade, Votuporanga, 13 ago. 1991. Legislativo suspende Ordem do Dia para culto a Dênis Casemiro. A Cidade, Votuporanga, 14 ago. 1991. Dênis é enterrado com honras de herói em Votuporanga, Diário da Região, São José do Rio Preto, 14 ago. 1991. Família só soube das atividades de Casemiro no último contato. A Cidade, Votuporanga, 15 ago. 1991, p. 3. A ossada de Dênis Casemiro foi enterrada em Votuporanga, SP, em meio a várias homenagens. O presidente da Câmara Municipal de Votuporanga, SP, suspendeu os trabalhos do dia, permitindo que os ossos de Dênis Casemiro fossem visitados publicamente. Houve atraso, pois a companhia aérea TAM negou-se a transportar o corpo, que teve de ir de carro. Dênis foi fuzilado pelo delegado Sérgio Fleury em 18/05/71, após um mês de torturas no DOPS/SP, e enterrado como indigente com dados físicos alterados na vala clandestina do cemitério de Perus, em São Paulo, SP. Acredita-se que mais presos políticos estejam enterrados na vala: Dimas Casemiro, irmão de Dênis, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, Grenaldo Jesus da Silva e Francisco José de Oliveira. Fabiano César Casemiro, sobrinho de Dênis vai pedir indenização ao Estado pela morte de seu tio.

Artigo de jornal
Artigo intitulado Dênis Casemiro, sem fonte e data. Dênis era militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), foi preso no sul do Pará, em 04/71, trazido para São Paulo e torturado por um mês, até ser fuzilado pelo delegado Sérgio Fleury, que relatou como Dênis chorava, implorando para não morrer. A versão oficial publicada foi de que Denis, ao ser preso, tentou fugir com a arma de um policial, morrendo em tiroteio com as forças da repressão. No entanto, seu corpo teria sido encontrado no pátio do IML/SP. O laudo necroscópico apenas descreve os tiros, sem mencionar as marcas de tortura. Dênis foi enterrado em uma vala comum no cemitério de Perus, em São Paulo, SP, com seus dados alterados. Também estão lá enterrados e esperando identificação seu irmão Dimas Casemiro, Flávio Carvalho Molina, Grenaldo Jesus Silva e Francisco José de Oliveira.

Artigo de jornal
Quadro publicado em artigo do jornal O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 set. 1990. Traz os nomes, organização a qual pertenciam e data da morte de militantes, cujos corpos foram encontrados na década de 80 no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Entre eles: Luís Eurico Tejera Lisboa, Iuri Xavier Pereira, Alex Xavier Pereira, Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones, Joaquim Alencar de Seixas, Antônio Benetazzo, Carlos Nicolau Danielli e Gelson Reicher. Também traz as mesmas informações de militantes, cujos corpos podem estar nesse cemitério: Aylton Adalberto Mortati, Hioraki Torigoi, José Roberto Arantes de Almeida, Dimas Antônio Casemiro, Denis Casemiro, Devanir José de Carvalho, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, José Roman, Honestino Monteiro Guimarães e Virgílio Gomes da Silva.

Artigo de jornal
Artigo sem fonte e data intitulado "Preventiva para 7 do Grupo Marighella". Cita relatório divulgado pelo DOPS que aponta Marighella como um dos maiores responsáveis, se não o maior, pelo estado atual das coisas no país, no que concerne à subversão e ao terrorismo. Aponta o início do terrorismo, em 08/67, na Conferência da OLAS, em Havana, Cuba, em que Marighella rompeu com o Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), por considerá-lo ortodoxo. O relatório recomenda que lhe seja imposto um castigo severo, para que sirva de exemplo aos demais. O artigo também cita a organização Corrente, qua atuava em Minas Gerais e foi desbaratada pelas autoridades federais. Esta organização era composta, entre outros, por Hélcio Pereira Fortes e José Júlio de Araújo, sob a inspiração e com o apoio material de Marighella. As autoridades acreditam que, com a morte de Marighella, tenham chegado à raiz do terrorismo em São Paulo. No entanto, Joaquim Câmara Ferreira é considerado um dos principais substitutos de Carlos Marighella, apesar do desconhecimento de sua localização, por parte das autoridades. O Conselho Permanente de Justiça da 1ª Auditoria da Marinha decretou a prisão preventiva de sete estudantes (dentre eles, Flávio Carvalho Molina), acusados de pertencerem à organização de Carlos Marighella. Todos se encontram foragidos. A polícia considera sério o comprometimento de padres dominicanos, que ajudaram militantes em algumas manobras no Brasil e no exterior. Por isso foram vítimas de investigações do DOPS e do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR). Os dominicanos estariam facilitando a saída de subversivos do país com documentação falsa: desta forma, fugiram, entre outros, Arno Preis (com o nome de Rogério Figueiredo Dias) e Boanerges de Souza Massa.

Foto
Fotos originais e preto e branco de rosto.

Foto
Fotos do corpo, numeradas, encontradas no IML/SP.

Foto
Relação de fotos dos estudantes participantes no XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna, SP, 1968. O de n. 125 é Aylton Adalberto Mortati e o de n. 127 é Flávio de Carvalho Molina. Pertence ao arquivo do DOPS.

Foto
Foto de lenço apreendido com Flávio, onde foram registrados os seguintes escritos da polícia: "ALN", "eu sou um terrorista", além de palavras de baixo calão.

Relatório
Documento do arquivo do DOPS intitulado "Relação de aparelhos estourados nos meados de julho de 1971 a fevereiro de 1972". Entre outros, cita os aparelhos do MOLIPO pertencentes a Aylton Adalberto Mortati, na Rua Cervantes, Vila Prudente, Francisco José de Oliveira, na Rua Capote Valente, Flávio Carvalho Molina, na Rua Gonçalves Dias, Eduardo Antônio da Fonseca, na Praça Laurindo de Brito, e Frederico Eduardo Mayr, na Rua Arujá, em São Paulo, SP.

Relatório
Documento do Serviço de Informações do DOPS, de 10/07/74, pouco legível. Informa que Flávio é integrante do Grupo Marighella e que faleceu a 07/011/71. O documento possui carimbo do DOPS de 29/08/79.

Relatório
Documento do Serviço Público Federal sobre Flávio Carvalho Molina, sem data, com os códigos das pastas em que constam as informações a cada parágrafo. Cita os artigos de jornal que discorrem sobre a prisão preventiva e a condenação de Flávio e de outros de seu grupo, assim como sobre os dois assaltos a banco efetuados. Cita documento arquivado em 03/03/73 referente à XIII Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, onde consta um item sobre os presos e torturados pelas autoridades brasileiras, em que o nome de Flávio aparece, indicando sua prisão a 04 ou 05/11/71 pelo DOI, sendo sua morte anunciada meses depois, sem a menor explicação. Completa que a foto do cadáver autopsiado revela claramente que Molina foi torturado por vários dias, devido às deformações no rosto. Também é citado documento do Amnesty International/ Research Department, de 03/74, referente a relação de prisioneiros políticos mortos no Brasil, incluindo o nome de Flávio.

Relatório
Documento do Ministério da Aeronáutica, de 08/12/71. Traz relação de nomes de pessoas que fizeram curso de "terrorismo" em Cuba e de pessoas banidas do território nacional que retornaram ao país, dando continuidade às suas atividades políticas. O documento possui carimbo do DOPS.

Relatório
Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, em 18/01/96. Relatora: Suzana Keniger Lisboa. Referente ao requerimento de Gilberto Carvalho Molina, irmão de Flávio, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de Flávio e o voto da relatora favorável ao deferimento do pedido.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Termo de declarações
Declaração prestada à Comissão de Justiça e Paz por Maria Helena Carvalho Molina e Gilberto Carvalho Molina, mãe e irmão de Flávio Carvalho Molina, em 24/09/90. Declaram que Flávio foi preso em São Paulo em 06/11/71 e morto pelos órgãos de segurança no dia seguinte, segundo a versão oficial, informação que vieram a obter apenas em 1978 por meio de integrantes do Comitê Brasileiro pela Anistia. Antes disso, souberam apenas em 08/72, pelos jornais, que Flávio havia sido morto em choque com os órgãos de segurança, juntamente com Hiroaki Torigoi (morto no início de 1972) e José Francisco de Oliveira (talvez Francisco José de Oliveira, morto em 05/11/71), mas a própria Justiça Militar disse à família, naquela época, que "o noticiário era infundado". Citam que posteriormente vieram a conhecer os presos políticos José Carlos Gianini e Natanael de Moura Giraldi que forneceram informações sobre a morte de Flávio. No final de 1981, Gilberto foi ao Cemitério Dom Bosco, em Perus, e encontrou o nome falso de Flávio, Álvaro Lopes Peralta, como tendo sido enterrado em 09/11/71, inumado em 11/05/76 e enterrado novamente, em gleba comum a outros corpos, sendo assim, bastante provável que seus restos mortais ali estejam.

Ficha pessoal
Documento da Delegacia de Ordem Política e Social, de 04/10/71, informando que Flávio: freqüentou um curso de "sabotagem e guerrilha" em Cuba; pertence ao "Grupo da Ilha" ou "Grupo dos 28", da Ação Libertadora Nacional (ALN); e foi morto sob tortura em 05/11/71, em São Paulo, segundo o Jornal do Brasil, publicado no Rio de Janeiro, de 29/03/78.

Ficha pessoal
Documento do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), sem data, pertencente ao arquivo do DOPS, com dados pessoais e informações como a viagem a Cuba.

Ficha pessoal
Documento do IML/SP, com o nome falso de Álvaro Lopes Peralta, apresentando dados do óbito. Está pouco legível.

Ficha pessoal
Documento do arquivo do DOPS com dados pessoais e a informação, de 07/11/71, de que Flávio travou tiroteio com membros dos órgãos de segurança, vindo a falecer em conseqüência dos ferimentos adquiridos, no bairro do Ipiranga, São Paulo, SP. Usava o nome falso de Álvaro Lopes Peralta, o qual foi adotado em sua certidão de óbito, em cartório deste mesmo bairro de São Paulo.

Artigo de revista
Prado, Antônio Carlos, Fragelli, Beatriz. O tenente enterrado. Isto É Senhor, São Paulo, n. 1099, 10 out. 1990, p. 44-52. Trata de Aylton Mortati, tenente que largou o Exército para lutar na guerrilha, cujo corpo está no Cemitério de Perus. Mortati era considerado um desaparecido político até então: no livro de registros do IML/SP, ao lado do estudante carioca Flávio Carvalho Molina, outro corpo encontrado em Perus, existe uma fotografia arrancada que, familiares de desaparecidos políticos acreditam ser a de Mortati, já que era preciso esconder o seu óbito. O policial Miguel Zaninello tem seu nome como declarante de diversos óbitos relativos a corpos enterrados em Perus. Segundo Nelson Pereira, pedreiro e coveiro do Cemitério de Perus, Grenaldo Jesus da Silva foi o único morto que chegou a Perus levado por Zaninello com o nome no caixão. No caso de Carlos Nicolau Danielli, em uma das primeiras cópias de sua certidão de óbito, ele é classificado no item profissão como "terrorista" e o endereço residencial indicado é o do IML/SP; em outra cópia, com as mesmas informações do livro, folha e número, a profissão de Danielli está em branco e não se registra seu endereço. Zaninello também foi declarante do óbito de Rui Osvaldo Aguiar Pftzenreuter.

Artigo de revista
Prado, Antonio Carlos. Um corpo da ditadura. Isto É Senhor, São Paulo, n. 1096, 19 set. 1990, p. 20-23. Tem início o desvendamento da história enterrada no Cemitério de Perus, em São Paulo, SP, pela ditadura militar, que mandou para baixo da terra os corpos de alguns de seus adversários políticos em funerais que apenas os agentes de segurança tinham conhecimento e nos quais os mortos tinham nomes trocados. Foi localizada uma vala comum com cerca de 1500 ossadas, onde provavelmente estariam corpos de presos políticos classificados pelos organismos de repressão como desaparecidos políticos. Até o dia 13 último, podia-se afirmar que ao menos um corpo está neste Cemitério: o corpo do estudante carioca Flávio Carvalho Molina, morto no dia 07/11/71, no Ipiranga, São Paulo, SP. O artigo discorre sobre o processo de identificação das ossadas do Cemitério de Perus e sobre a história e as circunstâncias de morte de Flávio.

Documento pessoal
Cópia da carteira de trabalho com o nome falso de Álvaro Lopes Peralta, do arquivo do DOPS.

Documento pessoal
Cópia do passaporte para Honduras em nome de Joaquim Gustavo Villeda Leiva, em ficha do DOPS que, por sua vez, está em nome de Álvaro Lopes Peralta. O carimbo do DOPS é de 03/01/72.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 16/11/71, realizado por Renato Cappellano e José Henrique da Fonseca, com o nome falso de Álvaro Lopes Peralta. Contém esquemas gráficos do trajeto de três balas em seu tronco.

Certidão de óbito
Documentos em nome de Álvaro Lopes Peralta, de 08/11/71 e de 23/08/78, de cartório do Ipiranga, São Paulo, SP. A certidão pertence ao arquivo do DOPS.

Processo jurídico
Apelação cível de Maria Helena Carvalho Molina, mãe de Flávio, de 11/12/95, contra a União, requerendo ressarcimento por dano moral e material pela prisão ilegal, tortura, morte e ocultação de cadáver de Flávio. Acompanha voto do relator.

Processo jurídico
Medida cautelar incidental com pedido de concessão por Maria Helena Carvalho Molina, mãe de Flávio, de 31/03/99, contra a União, requerendo ressarcimento por dano moral e material pela prisão ilegal, tortura, morte e ocultação de cadáver de Flávio.

Requisição de exame de cadáver
Requisição de exame ao IML/SP, solicitada pelo DOPS, em 07/11/71, em nome de Álvaro Lopes Peralta, indicando morte causada pelos ferimentos adquiridos em tiroteio com a polícia. Uma das cópias, apresenta a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de indivíduo considerado terrorista. A outra cópia possui carimbo do DOPS de 03/01/72 e os dados não foram igualmente preenchidos, deixando evidente tratar-se de documentos diferentes.

Impressões digitais
Documento do Serviço de Identificação de São Paulo.

Ofício
Documento do DOPS/SP para 2ª Auditoria da Marinha, do Rio de Janeiro, de 07/08/78, comunicando envio de certidão de óbito expedida em nome de Álvaro Lopes Peralta, nome falso de Flávio Carvalho Molina, e relatório com informações de Flávio. Este último segue em anexo e refere-se a documento da Divisão de Ordem Social, da Polícia Civil de São Paulo, relatando que, em 15/10/70, Flávio Carvalho Molina foi condenado a um ano de prisão; em 06/11/71, Flávio foi preso, informando ter um ponto no dia seguinte numa rua de São Paulo, sendo conduzido para lá, quando tentou a fuga e foi morto à bala; e em 27/02/72, Flávio, Ana Maria Nacinovic Correa e Alex Xavier Pereira, entre outros, deixaram de ser indiciados em inquérito, em virtude do falecimento dos mesmos.

Ofício
Documento referente ao processo em que Maria Helena Molina, mãe de Flávio, é a requerente, da Justiça Federal de 1ª Instância, ao reitor da UNICAMP Hermano Tavares, de 14/05/99, Rio de Janeiro. Solicita providências no sentido de informar sobre a situação das ossadas tiradas do Cemitério de Perus, se a UNICAMP tem condições de efetuar exame pericial a fim de identificar os restos mortais de Flávio Carvalho Molina e, em caso, negativo, quem ou qual instituição poderia fazê-lo.

Ofício
Documentos referentes ao processo em que Maria Helena Molina, mãe de Flávio, é a requerente, enviados pela Justiça Federal de 1ª Instância, em 03/08/99, Rio de Janeiro, ao Secretário de Segurança Pública e ao Secretário de Justiça, de São Paulo, comunicando que foi requerida liminar na ação em questão, objetivando realizar exames periciais nas ossadas retiradas do Cemitério de Perus, com o fim de identificar os restos mortais de Flávio de Carvalho Molina, para o que, foi expedido ofício ao Instituto Oscar Freire, da USP. Este ofício encontra-se em anexo, de mesma data e remetente, e solicita informações sobre as condições técnico-científicas na realização de exame pericial nas ossadas citadas, por este Instituto.

Produção artística
Desenho de Molina feito por seu amigo e companheiro, Frederico Mayr, em março de 1967, também assassinado pela ditadura.

Evento/ Homenagem
Homenagem do Grupo de Estudos e Integração Universidade/Sociedade (GEIUS)/USP, Núcleo de Estudos da Violência/USP, União de Mulheres de São Paulo, Gabinete do Vereador César Caligiuri Filho, da Câmara Municipal de São Paulo, aos mortos políticos cujos corpos foram encontrados no Cemitério de Perus, em São Paulo, SP.

Evento/ Homenagem
Texto redigido para a cerimônia de entrega da Medalha Chico Mendes, em 03/91. Finaliza citando que a família teve que esperar vinte anos, desde a morte de Flávio, para que pudesse contar com respaldo político e apoio técnico no desvendamento do crime: em 09/90, graças à Prefeitura de São Paulo, o caso veio à tona e ganhou repercussão internacional. Com isso, a família Molina obteve judicialmente a retificação de assentamento de óbito e a reconstituição da identidade de Flávio.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.

Carta
Carta de Flávio a sua mãe, de 08/69, do Rio de Janeiro, em que conta que está bem de saúde e em segurança total. Comenta que a fase inicial de separação é difícil para todos e foi muito rápida e prematura. Explica que acredita que o que está fazendo é certo e necessário, e por isso teve que sair de casa e abandonar os estudos. Fala sobre seus familiares e recomenda que todos leiam sua carta.

Carta
Carta a sua namorada e à família, em 07/70. Nessa época, Flávio estava em Cuba, mas a carta foi enviada por companheiros de Roma e indica no cabeçalho que realmente foi escrita nesta cidade. Flávio diz a sua namorada Leila para que ela sempre brigue pelo que acha certo, pede para que não comente com os amigos que lhe escreveu e para que leve a carta até a família dele. Diz que não tem nada para contar nem quer saber nada pois já vem acompanhando os jornais brasileiros.

Carta
Documento de Agathe K. Christ, membro do Action of Chistians for the Abolition of Torture (ACAT) para o então presidente Fernando Collor de Mello solicitando atitudes a respeito da investigação de desaparecimento de pessoas no Rio de Janeiro em ato violento, em 28/07/90, e da exumação das ossadas de Flávio Molina e Frederico Mayr encontradas em uma vala comum no cemitério de Perus, em São Paulo.

Carta
Carta do Grupo Tortura Nunca Mais para a então prefeita do município de São Paulo, Luíza Erundina, em 18/10/90. Encaminhando a denúncia sobre o cemitério de Perus, que a Organização Mundial Contra a Tortura estava remetendo a entidades de Direitos Humanos. Em anexo há o documento da Organização Contra a Tortura, informando sobre o desaparecimento de dez pessoas, vítimas da violência no Rio de Janeiro em 28/07/90, e sobre a identificação das ossadas de Flávio Molina e Frederico Mayr, encontradas no cemitério de Perus em São Paulo. O documento informa que, segundo o Grupo Tortura Nunca Mais, o reconhecimento das ossadas corre risco de ser suspenso pelas autoridades. Além disso, o documento solicita o envio de pedidos para autoridades brasileiras no sentido de se descobrir o paradeiro das pessoas desaparecidas no Rio de Janeiro e na devida exumação e identificação das ossadas encontradas em São Paulo.

Decisão
Documento da Justiça Militar, de 12/09/78, declarando extinta a punibilidade de Flávio devido ao seu falecimento.


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