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Olavo Hansen
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Olavo Hansen
Cidade:
(onde nasceu)
São Paulo
Estado:
(onde nasceu)
SP
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
14/12/1937
Atividade: Operário metalúrgico
UniversidadeUniversidade de São Paulo USP
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Partido Operário Revolucionário Trotskista PORT
Brasil
Prisão: 1/5/1970
São Paulo SP Brasil
praça de esportes da Vila Maria Zélia
7/3/1963
Dados coletados na ficha pessoal do DOPS/SP.4/3/1965
Dados coletados na ficha pessoal do DOPS/SP.7/11/1964
Dados coletados na ficha pessoal do DOPS/SP. Solto em 30/03/65 por um habeas corpus.
Morto ou Desaparecido:
Morto
8/5/1970
São Paulo SP Brasil
Hospital do Exército, Cambuci
Sob tortura. A família foi informada que ele se suicidara com inseticida no dia 9 de maio de 1970. Em documento oficial relata a morte como natural.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/SP DOPS/SP ou DEOPS/SP SP Brasil
Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna/SP DOI-CODI/SP SP Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Alcides Cintra Bueno Filho , Dr. Geraldo Ciscato , Ernesto Miltom Dias , Josecyr Cuoco , Salvio Fernandes do Monte
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Geraldo Rebelo, Paulo Augusto Queiroz Rocha
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Inquérito conclui: Hansen se suicidou. Sem fonte, 1970. Traz o resultado da apuração sobre as circunstâncias da morte de Olavo Hansen. Ele foi detido em 01/05/70, pelo 1º Batalhão de Polícia da Força Pública, encaminhado para a Operação Bandeirantes (OBAN) e finalmente para o DOPS/SP, onde foi ouvido e permaneceu detido. No dia 08/05/70, Olavo sentia-se mal e o carcereiro chamou o médico, que o encaminhou para o Hospital Geral do Exército, onde faleceu por insuficiência renal. O exame toxicológico revelou envenenamento pelo produto químico Paration. Olavo era químico e militante da ala trotskista, já tendo sido processado por infração da Lei de Segurança Nacional em 1964. Segundo o delegado, Olavo teria fácil acesso à substância química pela sua profissão e, ao ser preso, conseguiu esconder o veneno em suas vestes ou em alguma parte do corpo. Ele também cita que vários elementos subversivos usam da mesma prática. Outra possibilidade é que Olavo tenha feito uso do veneno para amenizar as dores provenientes de sua doença renal.

Artigo de jornal
Olavo Hansen: juiz pede o arquivamento do inquérito. Sem fonte, 20 nov. 1970. O artigo transcreve despacho do juiz-auditor Nelson Machado da Silva Guimarães, sobre a morte de Olavo Hansen. Conta que Olavo foi preso em 01/05/70, enquanto distribuía panfletos subversivos em uma praça de esportes em Vila Maria Zélia, São Paulo, SP. Foi detido e encaminhado ao DEOPS, onde se sentiu mal, e foi internado no Hospital Militar do Exército, onde veio a falecer. O juiz comenta o laudo necroscópico e descarta o suicídio, acreditando que Olavo tenha morrido devido a uma insuficiência renal. Em relação à intoxicação por substância química, Olavo poderia ter conseguido a substância no seu trabalho em uma indústria química e a ingeriu tentando diminuir a dor que sentia devido a sua doença e não tentando o suicídio.

Foto
Foto original e preto e branco do corpo, encontrada no DOPS/SP.

Relatório
Documento do Serviço de Informações do DOPS, de 13/05/70. Consta que Olavo Hansen foi detido por distribuir panfletos sobre Cuba, pregava a greve geral entre os operários metalúrgicos, participava do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e também estaria ligado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), distribuindo jornais para a propagação da doutrina trotskista. No dia 04/03/65 foi detido por infração à Lei de Segurança Nacional e implicado no caso do "Grupo dos Cinco", conseguindo habeas corpus, mas mantido em observação por ordem do II Exército. Foi preso novamente por distribuir panfletos subversivos. Apresenta códigos da pasta de onde foram retiradas as informações de cada parágrafo.

Relatório
Documento do IML/SP, sobre exame toxicológico realizado no cadáver de Olavo Hansen, em 01/06/070. O exame foi requisitado pelo médico Geraldo Rebello e o resultado foi positivo. Em anexo, encontram-se as fichas para o exame.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Ficha pessoal
Documento do IML/SP, de 03/06/70, com os dados do óbito.

Documento pessoal
Matrícula no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas de Santo André, de 24/10/69. Possui dados pessoais e foto.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 15/05/70, realizado por Geraldo Rebello e Paulo Augusto de Queiroz Rocha.

Requisição de exame de cadáver
Requisição de exame ao IML/SP, solicitada pelo DOPS/SP em 09/05/70. Indica que o corpo Olavo foi encontrado morto, próximo ao Hospital Militar do Exército, em São Paulo, SP.

Depoimento
"A morte de Olavo Hansen". Trechos do discurso do deputado federal Oscar Pedroso Horta, na Câmara, na sessão de 31/07/70. O deputado fez o discurso questionando o que de fato teria acontecido a Olavo Hansen. Ele foi preso e, segundo testemunhas, foi torturado e voltou a sua cela inconsciente e vomitando sangue, onde ficou por dias até ser encaminhado ao Hospital Central do Exército, onde faleceu. Sua causa mortis indica suicídio por envenamento pelo inseticida Paration. No entanto, ao ser preso Olavo não carregava nada parecido com isso e a autópsia indicou que sua traquéia, esôfago e estômago estavam limpos, descartando a hipótese de que ele teria ingerido o veneno. Talvez alguém tenha injetado o veneno na sua corrente sangüínea, que se alojou nos rins provocando pielonefrite aguda e como não teve tratamento, Olavo morreu. O deputado, diante disso, chama atenção para que haja justiça, punindo-se os culpados por esse crime.

Legislação
Comissão Especial de Desaparecidos Políticos. Diário Oficial, Brasília, n. 45, 6 mar. 1996. p. 3711. Apresenta os nomes de pessoas reconhecidas pela Comissão Especial da Lei 9.140/95. Esta lei reconhece como mortas pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas, entre 02/09/61 a 15/08/79.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.


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