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Morto e desaparecido
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Norberto Nehring
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Norberto Nehring
Cidade:
(onde nasceu)
São Paulo
Estado:
(onde nasceu)
SP
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
20/9/1940
UniversidadeUniversidade de São Paulo USP
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Ação Libertadora Nacional ALN
Brasil
Partido Comunista Brasileiro PCB
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Ernest Snell Burmann
Prisão: 7/1/1969
São Paulo SP Brasil
em casa
Morto ou Desaparecido:
Morto
24/4/1970
São Paulo SP Brasil
Sob tortura. Versão oficial relata suicidio.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social DOPS ou DEOPS Brasil
Operação Bandeirante OBAN Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Romeu Tuma , Sérgio Paranhos Fleury
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Parte de artigo, sem título, do Jornal Movimento, São Paulo, 27 ago./ 9 set. 1979, p. 9. Descreve a forma como a polícia encobria as mortes de presos políticos por tortura. Segundo depoimento de um ex-funcionário do IML, num primeiro momento os próprios policiais levavam os corpos para serem enterrados na Estrada Velha de Cotia, em São Paulo. Mais tarde, foi necessário sofisticar os métodos e o preso era enterrado com seu nome falso. Isto também se tornou falho pois algum militante poderia denunciar os nomes. Veio então a terceira fase, quando os policiais passaram a montar verdadeiras operações de substituição de cadáveres, uma vez que os corpos de indigentes ficavam até 40 dias aguardando identificação no IML. No caso de Alexandre Vannucchi Leme, as testemunhas da morte de fato viram o atropelamento de um indivíduo. Já Susana Lisbôa não encontrou nenhuma foto do marido Luiz Eurico Tejera no IML e foi informada de que só fotografavam corpos de desconhecidos; no entanto, Luiz foi enterrado como indigente. Norberto Nehring, preso e morto no cárcere pela ação de Fleury, teve seu corpo trocado pelo próprio Fleury que se aproveitou do suicídio de um estrangeiro num hotel próximo à sede do DOPS. Eduardo Leite, o Bacuri, foi entregue à família com a versão de morte em tiroteio; mas, sem a "máquina de atestados", como explicar os dois olhos vazados, as orelhas decepadas e todos os dentes arrancados? O corpo de Luís Eduardo Merlino foi em vão procurado pelos seus familiares no IML até que um parente burlou a vigilância e abriu gaveta a gaveta, encontrando o que buscava. Caso semelhante foi o do estudante Manoel Lisboa de Moura, torturado e morto, noticiado como morte devido a tiroteio. No Cemitério Dom Bosco, de Perus, estão enterrados vários desaparecidos que a polícia não assumiu sequer a prisão: Luiz Eurico, Dênis Casemiro, Iuri Xavier Pereira, Alex Gomes de Paula (de fato, Alex de Paula Xavier Pereira, enterrado com o nome falso de João Maria de Freitas) e, provavelmente, Alexandre Vannucchi Leme. O IML era peça fundamental nestas operações e, por isso, uma das principais manifestações dos médicos que lutam pelo fim do aparelho repressivo do Estado é a não subordinação do IML à Secretaria de Segurança Pública.

Artigo de jornal
Suicídio num quarto de hotel: era terrorista. Última Hora, Brasília, 15 de jul. 1970. Reportagem sobre o suicídio de Norberto com breve biografia, o documento apresenta carimbo do arquivo do DOPS.

Artigo de jornal
Justiça Militar condena 27 subversivos em SP. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 22 mar. 1975. A Auditoria da Justiça Militar, após mais de treze horas de julgamento de processo sobre "terrorismo e subversão" em São Paulo, condena vinte e sete réus, absolve cinqüenta, entre eles Norberto Nehring e Ruy Carlos Vieira Berbert, extingue a punibilidade de doze, entre eles Nestor Veras, exclui do processo dezessete e declara encerrado o processo de treze indiciados que foram banidos do Brasil. Entre estes últimos estão: Carlos Eduardo Pires Fleury, Edmur Péricles Camargo, Jeová de Assis Gomes e João Leonardo da Silva Rocha. Seqüestro: juiz intima indiciados. (Sem fonte), 10 mar. 1970. Consta que o juiz auditor Milton Fiuza intimou três jornalistas e um comerciário por causa do seqüestro do embaixador dos Estados Unidos e que a corregedoria da Justiça Militar enviou inquérito para a Marinha sobre o seqüestro do Boeing da Varig, em 04/11/69, estando indiciados Aylton Adalberto Mortati, Lauriberto José Reyes, Maria Augusta Thomaz e Ruy Carlos Vieira Berbert.

Artigo de jornal
STM julga processo de 119 acusados de ações pela ALN. Sem fonte e data. Trata do julgamento do processo da Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo de Carlos Marighella, que não foi julgado por ter morrido em tiroteio antes da conclusão do inquérito. O processo resultou em vinte e oito condenados, cinqüenta e dois absolvidos, catorze excluídos, treze banidos e oito pessoas com penas prescritas.

Foto
Foto original e preto e branco de busto.

Relatório
Documento do DOPS, de 10/06/70, citando a apreensão de materiais “subversivos” de Norberto e o pedido de sua prisão preventiva, além de apresentar breves informações fornecidas pelo Serviço Nacional de Informação (SNI) sobre as atividades do mesmo entre 07/01/69 e 31/03/70 na capital e no interior de São Paulo.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Prontuário/ Dossiê
Documento apresentado ao Presidente da Comissão Especial de que trata a Lei 9.140/95, requerendo o reconhecimento da morte de Norberto por ação de agentes do Estado e a indenização a título de reparação. O Dossiê apresenta pequena biografia e as circunstâncias em que se deram sua prisão e morte. Acompanham fotos, documentos pessoais, artigos de jornais, auto de busca e apreensão de 07/01/69, relatório de qualificação da vítima de 21/08/1970 e auto de qualificação e interrogatório de Diógenes de Arruda Câmara de 28/08/70.

Ficha pessoal
Documento da Delegacia de Ordem Política e Social, de 15/11/71. Informa que Norberto é subversivo e pertence à Ação Libertadora Nacional (ALN), participou de um curso de guerrilha em Cuba e que foi publicado na imprensa em 29/03/78 que morreu sob tortura no dia 24/04/70.

Ficha pessoal
Documentos do DOPS, sem data. Consta que Norberto participou de um curso de guerrilha em Cuba em 07/1968, foi mencionado na lista de pessoas mortas ou desaparecidas pela repressão brasileira publicada na imprensa em 29/03/78; foi indiciado por cooperar com uma fábrica de armas do grupo de Carlos Marighella e que cometeu suicídio.

Ficha pessoal
Documento do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), sem data, com foto de rosto e anotação manuscrita sobre o suicídio de Norberto. Possui carimbo do DOPS.

Ficha pessoal
Documento do IML/SP, de 25/04/70, com os dados do óbito.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 12/08/70 realizado por Armando Canger Rodrigues e Paulo Augusto Queiroz Rocha. Acompanha foto do crânio, da arcada dentária e avaliação da mesma realizada pela Clínica Dentária.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 07/05/70, realizado por Geraldo Rebello e Samuel Haberkorn.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.


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