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Joaquim Câmara Ferreira
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Joaquim Câmara Ferreira
Cidade:
(onde nasceu)
São Paulo
Estado:
(onde nasceu)
SP
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
5/9/1913
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Ação Libertadora Nacional ALN
Brasil
Corrente Revolucionária de Minas Gerais CORRENTE
Brasil
Partido Comunista Brasileiro PCB
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Toledo, Velho, Walter
Prisão: 14/3/1940
SP Brasil
Dados coletados em ficha pessoal do DOPS/SP. Motivo da prisão: tentativa de rearticulação do PCB.0/0/1964
São Bernardo do Campo SP Brasil
Preso por realizar uma palestra para operários.23/10/1970
São Paulo SP Brasil
Av. Lavandisca, Bairro de Indianópolis
Morto ou Desaparecido:
Morto
23/10/1970
São Paulo SP Brasil
sítio do Delegado Sérgio Fleury
Segundo a presa política Maria de Lourdes Rego Melo, foi morto sob tortura.
Clandestinidade
Morto
23/10/1970
São Paulo SP Brasil
Versão oficial: morte por problemas cardíacos decorrente de briga no momento da prisão.
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social/SP DOPS/SP ou DEOPS/SP SP Brasil
Agente da repressão:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Sérgio Paranhos Fleury
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Mário Santalúcia, Paulo Augusto Queiroz Rocha
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Terrorista revela ligação de brasileiros com grupo internacional. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 19 fev. 1970. Artigo de imprensa do arquivo do DOPS, que segundo depoimento, confirma que o "terrorismo" no Brasil recebe orientações de Cuba.

Artigo de jornal
A morte de Eduardo Leite, o Bacuri. Jornal da Tarde, São Paulo, 9 dez. 1970. Informa que o DOPS de Santos distribuiu um comunicado sobre a morte de Eduardo. Segundo a nota, Eduardo Leite foi localizado por uma diligência empreendida em São Sebastião, SP, a partir de informações colhidas em documentos apreendidos pertencentes a Yoshitane Fujimori. Eduardo Leite estaria escondido desde a prisão do líder Joaquim Câmara Ferreira, em 10/70, e fugiu um pouco antes do cerco ao seu refúgio, mas foi alcançado, vindo a morrer em tiroteio com seus perseguidores.

Artigo de jornal
JM decreta a prisão de 17 estudantes. (Sem fonte e data). Relata o decreto de prisão preventiva dos dezessete estudantes que participaram do seqüestro do embaixador dos Estados Unidos Charles Elbrick, citando os que já se encontram presos e os demais, que estão foragidos. Entre eles estão Joaquim Câmara Ferreira e Stuart Edgard Angel Jones. Também relata o julgamento que absolveu Leonel Brizola e mais seis pessoas, por falta de provas, das acusações de atividades "anti-revolucionárias" e condenou vinte e oito pessoas acusadas de subversão. Informa sobre a ação de "terroristas" no Nordeste, citando a descoberta da polícia de estudantes com "aparelhos" em João Pessoa e que estão escondidos no Recife e discorre sobre Amaro Luis de Carvalho, o "Capivara", preso no Nordeste após ter participado de cursos em Cuba e na China, seqüestro de avião em São Paulo e de ter organizado um foco de subversão em Pernambuco. Informa ainda sobre a morte de Chael Charles Schreier, ferido por tiros ao resistir à prisão no desmantelamento de aparelho no Rio de Janeiro. Finaliza com a denúncia de Aladino Félix, que utilizava o nome falso de "Sábato Dinotos" e de mais 12 pessoas ligadas a ele, após investigações citadas no artigo. Possui o carimbo do DOPS.

Artigo de jornal
Artigo sem fonte e data intitulado "Preventiva para 7 do Grupo Marighella". Cita relatório divulgado pelo DOPS que aponta Marighella como um dos maiores responsáveis, se não o maior, pelo estado atual das coisas no país, no que concerne à subversão e ao terrorismo. Aponta o início do terrorismo, em 08/67, na Conferência da OLAS, em Havana, Cuba, em que Marighella rompeu com o Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), por considerá-lo ortodoxo. O relatório recomenda que lhe seja imposto um castigo severo, para que sirva de exemplo aos demais. O artigo também cita a organização Corrente, qua atuava em Minas Gerais e foi desbaratada pelas autoridades federais. Esta organização era composta, entre outros, por Hélcio Pereira Fortes e José Júlio de Araújo, sob a inspiração e com o apoio material de Marighella. As autoridades acreditam que, com a morte de Marighella, tenham chegado à raiz do terrorismo em São Paulo. No entanto, Joaquim Câmara Ferreira é considerado um dos principais substitutos de Carlos Marighella, apesar do desconhecimento de sua localização, por parte das autoridades. O Conselho Permanente de Justiça da 1ª Auditoria da Marinha decretou a prisão preventiva de sete estudantes (dentre eles, Flávio Carvalho Molina), acusados de pertencerem à organização de Carlos Marighella. Todos se encontram foragidos. A polícia considera sério o comprometimento de padres dominicanos, que ajudaram militantes em algumas manobras no Brasil e no exterior. Por isso foram vítimas de investigações do DOPS e do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR). Os dominicanos estariam facilitando a saída de subversivos do país com documentação falsa: desta forma, fugiram, entre outros, Arno Preis (com o nome de Rogério Figueiredo Dias) e Boanerges de Souza Massa.

Artigo de jornal
Últimas notícias do terror. Jornal da Tarde, São Paulo, 12 nov. 1969. Comenta entrevista do jornal Gramma do Partido Comunista Cubano prestada por foragidos brasileiros em Cuba, os quais afirmam que pretendem unir as organizações de esquerda. Onofre Pinto diz que existe uma grande identidade entre o grupo de Lamarca e o de Marighella e que estão planejando uma ação libertadora, tendo como fim o socialismo, através de aliança entre operários e camponeses e da prática da guerrilha. No Brasil, o Exército continua prendendo subversivos e estourando "aparelhos" onde encontram vários documentos, principalmente relações das organizações subversivas com nomes e endereços em códigos. Acredita-se que com a morte de Marighella surja uma nova liderança, que os órgãos de segurança apontam como Joaquim Câmara Ferreira. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Artigo de jornal
STM julga processo de 119 acusados de ações pela ALN. Sem fonte e data. Trata do julgamento do processo da Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo de Carlos Marighella, que não foi julgado por ter morrido em tiroteio antes da conclusão do inquérito. O processo resultou em vinte e oito condenados, cinqüenta e dois absolvidos, catorze excluídos, treze banidos e oito pessoas com penas prescritas.

Artigo de jornal
Beto confessa e delata mais 9 subversivos. Folha da Manhã, Porto Alegre, 20 nov. 1969, p. 30. Ao mesmo tempo em que foi divulgada, no dia anterior, manifestação assinada por diversos sacerdotes em apoio aos religiosos apontados pela polícia como terroristas e subversivos, a Secretaria de Segurança Pública publicou uma nota na imprensa sobre Frei Beto e suas relações com terroristas. Segundo a nota, Frei Beto (Alberto Libânio Christo) declarou que teve vários contatos com Carlos Marighella e recebeu instruções para manter um esquema de fugas, tendo conseguido levar ao exterior dez pessoas ligadas a ações terroristas em São Paulo.

Artigo de jornal
DOPS divulgou provas contra Frei Beto. Folha da Tarde, São Paulo, 20 nov. 1969, p. 45. Relata que, mais uma vez, o secretário de Segurança Pública convidou os jornalistas para verem algumas provas colhidas contra Frei Beto (Carlos Alberto Libânio Christo) e outros religiosos. Em seus depoimentos, Frei Beto afirmou que teve vários contatos com Carlos Marighella, recebeu instruções para manter o esquema de fugas, auxiliando a saída de ao menos dez pessoas para o exterior, inclusive Francisco Câmara Ferreira (de fato, Joaquim Câmara Ferreira) e Luiz Eurico Tejera Lisboa.

Relatório
Documento da 2ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM), da 2ª Auditoria de Exército. Traz informações da qualificação e interrogatório de Carlos Eduardo Pires Fleury, preso em 02/12/69. Informa que participava de um grupo que pretendia mudar a ordem social do país. Nos contatos que realizava, conheceu Joaquim Câmara Ferreira e Virgílio Gomes da Silva. Em anexo, auto de qualificação e interrogatório, de 02/12/69, do DOPS/SP.

Relatório
Transcreve-se aqui, usando-se as palavras do informe, o Documento do Serviço de Informações do DOPS, sem data. Informa que Carlos Eduardo Pires Fleury distribuía folhetos da UNE, foi preso em 30/09/69, participou de assalto a banco, foi citado num interrogatório como membro da Ação Libertadora Nacional (ALN), do Grupo de Expropriações e do Grupo de Carlos Marighella, que foi banido do território nacional em troca da liberdade do embaixador Von Holleben. O documento apresenta código das pastas de onde foram retiradas essas informações.

Relatório
Documento do Serviço de Informações do DOPS/SP, de 24/04/70, a partir das informações prestadas por Edmur Péricles Camargo, preso no DOPS de Porto Alegre. Segundo as palavras adotadas no documento, informa que ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1944; a partir de 1946 passou a trabalhar no Sindicato dos Armadores, no Rio de Janeiro e, em 1952, trabalhou como jornalista em "A Tribuna Gaúcha", órgão de imprensa do PCB, em Porto Alegre, RS. Com o golpe de 1964, refugiou-se no Uruguai. Voltou para o Brasil e refugiou-se, em 1967, numa chácara do Partido em Ferraz de Vasconcelos, freqüentada pelos militantes da Ala Marighella, como Joaquim Câmara Ferreira e Nestor Veras. Na VI Conferência do Partido, em 07/67, em Campinas, SP, Luiz Carlos Prestes perdeu o controle da direção estadual em São Paulo, para Carlos Marighella. Em 04/69, Edmur resolveu desligar-se do grupo Marighella e foi para Porto Alegre, onde organizou o grupo Marighella, Mao Tsé-Tung, Marx e Guevara (M3-G). Fez contato com a VAR-Palmares, em Porto Alegre, com Gustavo Buarque Schiller, que se encontrava preso nesta cidade, para onde foi enviado por Juarez Guimarães Brito, coordenador da VAR-Palmares, na Guanabara.

Relatório
Documento do Serviço de Informações, da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, de 11/12/70. Trata-se de relatório do arquivo do DOPS, sobre Eduardo Leite, o Bacuri. Afirma que Eduardo Leite é membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e que teria participado do planejamento e seqüestro do Cônsul japonês. Cita relatório de 07/05/70, segundo o qual, quatro grupos agem em São Paulo, sendo um deles denominado REDE, chefiado por Eduardo Leite. Também cita que seu nome é mencionado em vários documentos apreendidos em poder de Joaquim Câmara Ferreira, arquivados em 11/11/70 e que consta da relação de presos, de 19/10/70, à disposição do DOPS.

Relatório
Carta Mensal n. 6, São Paulo, de 31/03/70, incompleta. Documento do arquivo do DOPS, exaltando o esforço do Governo desde 31/03/64, na recuperação econômica, social e moral do país e manifestando a coesão dos que trabalham naquele DOPS frente à luta nesta missão revolucionária. Descreve a ação dos componentes da Ação Libertadora Nacional (ALN), citada como Aliança de Libertação Nacional, e seu confronto com os órgãos de repressão. Dentre os mortos ou desaparecidos políticos, constam neste relatório: Fernando Borges de Paula Ferreira, Luiz Fogaça Balboni e João Domingos da Silva, os dois primeiros mortos e o último ferido, em tiroteio no Largo da Banana (Barra Funda, São Paulo, SP), em 29/07/69, vindo a falecer posteriormente; e Carlos Marighella (morto), Joaquim Câmara Ferreira (foragido), Márcio Beck Machado (teria fugido para Cuba), Virgílio Gomes da Silva (preso) e Carlos Eduardo Pires Fleury (preso), todos citados segundo o cargo que ocupavam na ALN até 1969.

Relatório
Lista do DOPS contendo 70 itens com nomes de pessoas (muitos se repetem), seguidos de codinomes e condição (preso, liberado, banido ou morto). Dez desses nomes podem ser identificados dentre os mortos e desaparecidos políticos pela ditadura militar: Helenira Rezende de Souza Nazareth, Yoshitane Fujimori, Carlos Lamarca, Eremias Delizoicov, Eduardo Collen Leite, Joaquim Câmara Ferreira, Arno Preis, Maria Augusta Thomaz, Márcio Beck Machado, Aylton Adalberto Mortati.

Relatório
Parte de informação de 31/12/69. Consta que Joaquim Câmara Ferreira fugiu para Cuba e que foram apreendidas armas e outros materiais roubados do Exército por Carlos Lamarca. Há ainda informações sobre outras pessoas ligados ao movimento de Carlos Marighella.

Relatório
Parte de informativo de 06/12/69. Consta que Joaquim Câmara Ferreira é o nome mais cotado para substituir Carlos Marighella, que foi morto, no comando de sua organização. Há a informação de que Joaquim e Carlos Lamarca estão no Uruguai e que, desde a criação da OBAN, o "terrorismo" caiu cerca de noventa por cento. Em congresso sobre a Segurança Pública, o general Vianna Moog afirmou que a Igreja está abalada, lembrando o envolvimento de alguns membros do clero com elementos subversivos, e diz não saber de nenhum caso de tortura com relação a presos e detidos.

Relatório
Documento do DOPS, de 05/05/60. Traz informações sobre dois indivíduos envolvidos com a Ação Libertadora Nacional (ALN), cujas reuniões eram promovidas por Toledo, codinome de Joaquim Câmara Ferreira.

Relatório
Resumo das declarações prestadas por João Batista Spainer, em 02, 03, 06 e 07/04/70, em interrogatório ao Exército. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Relatório
Documento do II Exército ao Serviço Secreto, de 03/11/70. Relata a prisão de Joaquim Câmara Ferreira e a análise da documentação apreendida. Joaquim foi preso e tentou reagir, iniciando luta corporal com os policiais. Foi detido para ser interrogado, mas acometido de um ataque cardíaco, foi levado ao hospital, falecendo. Na sua casa foram apreendidas armas e documentos nos quais estavam os planos para ações. Foram também descobertas cartas de outros países, enviadas por militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN), sendo possível identificar codinomes de vários subversivos e áreas de treinamento para guerrilha. Entre eles, Antônio Carlos Bicalho Lana, Iuri e Alex Xavier Pereira, Ísis Dias de Oliveira e Carlos Eduardo Pires Fleury. Conclui que Carlos Lamarca esteja na liderança do esquema subversivo internacional e que a ALN está bem estruturada internacionalmente, sendo Cuba o lugar para cursos de guerrilha. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Relatório
Documento do arquivo do DOPS, de 1969, do julgamento de processo do Conselho Permanente de Justiça do Exército. Declara encerrado o processo com relação aos acusados banidos Onofre Pinto e João Leonardo da Silva Rocha, entre outros, e extingüe a punibilidade de Antônio Raymundo Lucena, Arno Preis, Carlos Lamarca, Eduardo Leite, José Raimundo da Costa, Joaquim Câmara Ferreira, entre outros.

Relatório
Informação confidencial do Exército, Rio de Janeiro, de 03/02/72, para vários órgãos de segurança sobre a Ação Libertadora Nacional (ALN). Traz o resumo de depoimentos, que segundo a polícia teriam sido prestados por Hélcio Pereira Fortes, morto em São Paulo ao tentar fugir em um "ponto". São citados: Hélcio Pereira Fortes, Arnaldo Cardoso Rocha, Sérgio Landulfo Furtado, Antônio Sérgio de Mattos, Mário de Souza Prata, Marcos Nonato da Fonseca, Paulo de Tarso Celestino da Silva, Aurora Maria do Nascimento, Ísis Dias de Oliveira, Antônio Carlos Nogueira Cabral, Alex e Iuri Xavier Pereira, José Miltom Barbosa, Aldo de Sá Brito, Getúlio d'Oliveira Cabral e James Allen Luz. Há ainda informações sobre vários militantes como Josephina Vargas Hernandes, mulher de Luiz Almeida Araújo, que estaria grávida, morando na Guanabara.

Relatório
Parte de relatório de 24/02/70, com relação de pessoas com a prisão preventiva decretada, entre eles Juarez Guimarães de Brito, e de pessoas indiciadas pelo seqüestro do embaixador americano em 06/69, como Stuart Edgard Angel Jones, Virgílio Gomes da Silva e Joaquim Câmara Ferreira. Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Relatório
Documento da Comissão Especial - Lei 9.140/95, Brasília, 23/04/96. Relatora: Suzana Keniger Lisboa. Referente ao requerimento de Roberto Cardieri Ferreira e Denise Fraenkel, filhos de Joaquim Câmara Ferreira, para o reconhecimento da morte e inclusão de seu nome nos termos da Lei 9.140/95. Traz as circunstâncias da morte de Joaquim e a conclusão de Suzana favorável ao deferimento do pedido.

Relatório
Relatório das circunstâncias da morte de Joaquim Câmara Ferreira, elaborado pela Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos em 18/04/96, e enviado à Comissão Especial Lei 9.140/95.

Relatório
Relatório produzido pelo Comitê de Solidariedade aos Presos Políticos do Brasil em 02/73. Denuncia mortes de presos políticos aos Bispos do Brasil. Documento apreendido pelo DOPS em poder de Ronaldo Mouth Queiroz.

Prontuário/ Dossiê
Documentos reunidos pela Divisão de Segurança e Informações da Polícia Civil do Paraná. Contém: ofício de 05/12/69, do Instituto de Identificação do Paraná para a Delegacia de Ordem Política e Social confirmando dados pessoais de Joaquim Câmara Ferreira com uma foto sua pouco nítida; artigo: "Chefe do terror reage à prisão e morre do coração". Diário do Paraná, 25 out. 1970, tratando das investigações do DOPS que levaram à prisão e à conseqüente morte de Joaquim; documento do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) para vários órgãos da repressão no Brasil enviando cópias dactiloscópicas da vítima e solicitando uma comparação entre as fichas dactiloscópicas nos vários estados; e artigo: Identificados nas cartas a "Toledo" os cognomes do terror, (Sem fonte e data), tratando de uma carta enviada a Joaquim por pessoas banidas do Brasil, com a qual foi possível identificar os codinomes de alguns subversivos. A carta foi encontrada no aparelho de Joaquim pelo DOI-CODI. Entre os identificados estão Jeová Assis Gomes e Carlos Eduardo Fleury.

Prontuário/ Dossiê
Dossiê de cartas e textos de Carlos Marighella organizados pela Ação Libertadora Nacional (ALN), em 01/72. São abordados temas como Marxismo, guerrilhas e organizações de esquerda. Inclui também entrevista com Joaquim Câmara Ferreira, um ano após a morte de Marighella. Documento do arquivo do DOPS.

Ficha pessoal
Documento policial com histórico de Jeová de Assis Gomes, sem data e identificação institucional. Informa que Jeová foi um dos responsáveis pelo aliciamento e incitamento dos residentes do CRUSP (conjunto residencial da USP) à chamada "Greve do Fogão" contra o restaurante do Centro de Convivência da USP, assim como pela intensa campanha de propaganda com distribuição de panfletos, afixação de cartazes e participação em "reuniões fechadas", incitando os estudantes do CRUSP à desordem e promovendo o desrespeito e desacato às autoridades da Universidade. Também participou da ocupação do Bloco F com queima de arquivo e agressão a funcionário e da invasão da Reitoria da Universidade. É integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN), teve vários contatos com Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira. Esteve em Cuba, quando rachou com a ALN, passando para o "Grupo da Ilha". Voltou ao Brasil em 1971, indo para o campo na Bahia, Goiás e Minas Gerais. O documento está incompleto em suas margens laterais.

Ficha pessoal
Documento do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR). Consta que Joaquim Câmara Ferreira encontra-se foragido. Possui carimbo do arquivo do DOPS.

Ficha pessoal
Documentos da Delegacia de Ordem Política e Social. No primeiro, de 18/11/40, consta que nos anos 40, Joaquim Câmara Ferreira, foi preso por querer rearticular o Partido Comunista Brasileiro (PCB), e por injúrias ao presidente da república. Posteriormente, passou a integrar o grupo de Marighella, tendo participado de movimento de guerrilhas em Minas Gerais. Possui a palavra "faleceu" manuscrita. O segundo documento possui apenas o nome de Joaquim.

Ficha pessoal
Documento do IML/SP, sem data, com dados do óbito.

Ficha pessoal
Documento, sem data e identificação do órgão de repressão, com foto de Frei Tito e informando que este foi preso em Ibiúna, SP, no XXX Congresso da UNE, recebeu de Carlos Marighella e de Joaquim Câmara Ferreira a missão de fazer um levantamento da região Norte e Nordeste do Brasil, teve a prisão decretada por ser considerado subversivo e concordou em ser banido do país em troca do embaixador Giovani Enrico Bucher, seqüestrado em 07/12/70.

Ficha pessoal
Ficha pessoal sem identificação do órgão. Consta que Edmur saiu da Ação Libertadora Nacional (ALN) por desentendimento com Carlos Marighella, formando sua própria organização. Fez curso de guerrilha no Uruguai. Foi banido em troca da libertação do embaixador da Suiça Giovani Enrico Bucher.

Artigo de revista
Sou um homem realizado em tudo. Realidade, São Paulo, 1971. Entrevista com Sérgio Fleury que afirma ser a favor da pena de morte em casos específicos (segurança nacional, estupro seguido de morte e latrocínio). Conta que viu a morte de Luiz Fogaça Balboni, de Joaquim Câmara Ferreira e de Carlos Marighella, na qual auxiliou com apenas "um tiro". Declara ser uma pessoa religiosa, pobre, além de realizada e tranqüila por fazer aquilo que gosta.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 24/10/70, realizado por Mário Santalúcia e Paulo Augusto de Queiroz Rocha. Consta aviso manuscrito: "Ao arquivo e fichário da Social p/ anotar na ficha e após arquivar na Pasta do Instituto Médico Legal- nesse arquivo e fichário - Lobo-Ex chefe- SP 05-11-1970".

Interrogatório
Resumo de declarações prestadas por um preso político, em 10, 12 e 14/04/70, em interrogatório ao Exército. Declarou que com a morte de José Wilson Sabag, ficou incumbido de tirar sua esposa Maria Augusta Thomaz de São Paulo, levando-a para Curitiba. Informa que se reunia há dois meses em um armazém de seu pai no Ipiranga com outras pessoas, incluindo "Toledo" (Joaquim Câmara Ferreira). Possui o carimbo do arquivo do DOPS.

Requisição de exame de cadáver
Documento do IML/SP, solicitado pelo DOPS, em 24/10/70. Apresenta a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de pessoa considerada terrorista. Indica falecimento por mal súbito.

Pedido de busca
Documento do Gabinete do Exército, Rio de Janeiro, de 1972. Trata-se de pedido de busca ao Dr. Iberê Brandão e Fonseca. O item sobre os dados conhecidos informa que: o Dr. Iberê pertenceu ao esquema médico da Ação Libertadora Nacional (ALN), sendo ligado a Carlos Marighella, Joaquim Câmara Ferreira, Hélcio Pereira Fortes e a Aldo de Sá Brito (morto). Em anexo, cópia da foto de Iberê Brandão e Fonseca.

Ofício
Documento encaminhado pelo Ministério da Aeronáutica a diversos órgãos da repressão, em 27/08/70 e 06/10/70. Consta que Eduardo Leite teria comandado a ação de seqüestro do Embaixador da Alemanha, Von Holleben. No termo de declarações, datado de 24/08/70, no Rio de Janeiro, Guanabara, de Eduardo Leite, preso pelo Centro de Informações da Marinha (CENIMAR), este teria contado sua trajetória por organizações de esquerda e as suas funções na Ação Libertadora Nacional (ALN). Segundo as palavras do documento, devido às quedas da maioria da cúpula da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), chegaram à conclusão de que deveriam organizar uma ação de seqüestro de um embaixador com fins de libertar algumas pessoas mais importantes da VPR e incluir algumas da ALN. Em função disto, teria conhecido militantes da VPR como Gerson Theodoro da Silva (provavelmente refere-se a Gerson Theodoro de Oliveira) e José Milton Barbosa, ambos tendo participado da ação. Descreve a ação que contou com nove ativistas que abordaram o Embaixador no carro em que era conduzido. Cita que teria recebido uma lista com 39 nomes elaborada em reunião havida em São Paulo, com a participação de Carlos Lamarca e Joaquim Câmara Ferreira, da qual teria tirado um nome e inserido dois outros. Informa também que teria preparado mensagens em código que foram transmitidas pela Rádio Eldorado, em São Paulo e pela Rádio Nacional, no Rio.

Ofício
Documento do II Exército ao diretor do DEOPS/SP, de 30/10/70. Informa a restituição ao DEOPS/SP de um indivíduo preso em encontro com Joaquim Câmara Ferreira, em São Paulo, SP.

Ofício
Informação da Seção de Informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo ao DOPS, em 25/11/75. Traz as denúncias do deputado federal Raimundo Soares sobre as mortes violentas de Joaquim Câmara Ferreira e de Vladmir Herzog, bem como o desaparecimento de Manuel Conceição e de prisões feitas com informações conseguidas em sessões de tortura.

Ofício
Informação do IV Exército ao DOPS, divulgando um telegrama do Comando da Marinha do Rio de Janeiro. Neste, consta que Joaquim Câmara Ferreira tentou resistir à voz de prisão, iniciando luta corporal com os policiais, durante a qual sofreu um ataque cardíaco, vindo a falecer a caminho de socorro. O preso Eduardo Leite, que foi levado ao local para indicar quem era Joaquim, aproveitou-se da confusão, e, auxiliado por dois comparsas de Joaquim, conseguiu escapar, estando foragido.

Parte de livro
Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade? São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 2000. p.172-176. Lista de nomes dos presos políticos cujas famílias receberam indenização do governo por este ter assumido a responsabilidade pela morte ou desaparecimento dos mesmos.

Cartaz
Documento intitulado "Sequestradores terroristas procurados", exibindo várias fotos seguidas de nome, codinome e organização de cada pessoa.


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