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Antônio Raymundo Lucena
Ficha Pessoal  
   
Dados Pessoais  
Nome: Antônio Raymundo Lucena
Cidade:
(onde nasceu)
Colina
Estado:
(onde nasceu)
MA
País:
(onde nasceu)
Brasil
Data:
(de nascimento)
11/9/1922
Atividade: Operário
   
Dados da Militância  
Organização:
(na qual militava)
Partido Comunista Brasileiro PCB
Brasil
Vanguarda Popular Revolucionária VPR
Brasil
Nome falso:
(Codinome)
Doutor, Zé, Sr. Eduardo
Morto ou Desaparecido:
Morto
20/2/1970
Atibaia SP Brasil
Jardim das Cerejeiras
Clandestinidade
   
Dados da repressão  
Orgãos de repressão
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Departamento (Estadual) de Ordem Política e Social DOPS ou DEOPS Brasil
Polícia Militar PM Brasil
Médico legista:
(envolvido na morte ou desaparecimento)
Frederico Amaral, Orlando Brandão
   
Biografia  
   
Documentos  
Artigo de jornal
Terrorista e soldado morrem em tiroteio. (Sem fonte), 21 fev. 1970. Documento do arquivo do DOPS, noticiando a morte de um sargento e de Antônio Raymundo Lucena em tiroteio travado em Atibaia, SP. Morando há pouco tempo em Atibaia, Lucena estava sendo investigado pela polícia que desconfiava de suas ações. Foram até sua casa e pediram a sua mulher que o chamasse, o qual saiu disparando com um fuzil-metralhadora. Só parou quando foi mortalmente atingido com vários tiros no tórax e um no coração. Na casa, foram encontradas muitas armas e munições. Informa que Lucena era metalúrgico aposentado, tinha uma perua Kombi que causou suspeita à polícia, apresentava aparência de mendigo de tão mal que se vestia (segundo alguns que o conheciam) e estava com prisão preventiva decretada, acusado de participar da Vanguarda Revolucionária Popular (VPR).

Artigo de jornal
Artigos sem fonte e data: "Justiça militar liberta estudante por falta de provas" e "Terrorista morto no cerco ao aparelho". O documento, do arquivo do DOPS, noticia o interrogatório do estudante preso Newton de Leão Duarte, sob acusação de ter assaltado os bancos Boa Vista (na Rua Uruguai) e Crédito Territorial (em São Cristóvão), juntamente com os estudantes Frederico Eduardo Mayr e Flávio Carvalho Molina, entre outros. Em São Paulo, a Justiça Militar julgou improcedente a denúncia contra os sargentos acusados de ligações com o ex-capitão Carlos Lamarca: pertencendo à mesma unidade em que este servia, os sargentos deixaram de comunicar a seus superiores o trabalho de proselitismo de Lamarca na corporação. Também em São Paulo, informa sobre a morte de Antônio Raymundo Lucena em Atibaia, após tiroteio travado com a polícia em sua casa, a qual constatou-se ser um "aparelho". Posteriormente, na mesma cidade, foi preso um indivíduo que disse chamar-se Antônio Carlos Malatesta, que alguns desconfiaram tratar-se de Carlos Lamarca.

Foto
Fotos pessoais, originais e preto e branco de Antonio Raymundo com familiares.

Relatório
Relatório à Comissão Especial criada pela lei 9.140/95 de reconhecimento dos mortos e desaparecidos políticos, de 01/05/98, em nome de Janaína de Almeida Teles, Ângela Telma O. Lucena e Adilson Oliveira Lucena. Conta a busca por informações sobre o "tiroteio" em Atibaia, SP, em que foram mortos Antônio Raymundo Lucena, o sargento Antônio Aparecido Posso Nogueiró e ferido o sargento Edgar de Corrêa Silva.

Relatório
Documento do Serviço Secreto do DOPS, sem data, intitulado "Relação de vulgos conhecidos integrantes da VPR". A lista apresenta 40 codinomes em ordem alfabética, seguidos de respectivos nomes, quando identificados. Dentre eles, constam Onofre Pinto, Eduardo Leite, Carlos Roberto Zanirato, Antônio Raymundo Lucena, Yoshitane Fujimori, Hamilton Fernando da Cunha e Carlos Lamarca.

Relatório
Documento do arquivo do DOPS, de 1969, do julgamento de processo do Conselho Permanente de Justiça do Exército. Declara encerrado o processo com relação aos acusados banidos Onofre Pinto e João Leonardo da Silva Rocha, entre outros, e extingüe a punibilidade de Antônio Raymundo Lucena, Arno Preis, Carlos Lamarca, Eduardo Leite, José Raimundo da Costa, Joaquim Câmara Ferreira, entre outros.

Relatório
Documento da Divisão de Informações do DOPS/SP, sobre Onofre Pinto. Consta que Onofre foi indiciado por assalto ao Quartel de Quitaúna, em 05/09/64, e teve seus direitos políticos cassados e sua prisão preventiva declarada em 1964 e em 1965. Em 30/12/67, com Antônio Raymundo de Lucena e outros, participou de assalto a um depósito de dinamites e bombas em Cajamar, SP. Em 1968, participou de atentado à bomba a O Estado de São Paulo, ataque ao quartel da Força Pública do Estado de São Paulo (FPESP) do Barro Branco, atentado ao quartel general do II Exército. Há depoimentos que afirmam que Onofre mantinha encontros com pessoas cassadas pela "Revolução de 1964". Foi preso em 02/03/69 pelo DOPS e Exército e em 05/09/69, foi trocado pela vida do embaixador Charles Bruce Elbrick e banido do Brasil, com destino ao México. Consta também entrevista concedida ao jornal Gramma, editado pelo Comitê Central do Partido Comunista Cubano, onde Onofre comentou a identidade existente entre o grupo de Carlos Lamarca e o de Carlos Marighella. Afirma que Onofre tinha planos para retornar ao Brasil no início de 02/70, com a cobertura do deputado comunista uruguaio Ariel Collazo. Há ainda informações colhidas em autos de qualificação e interrogatório de outras pessoas sobre Onofre, entre elas Eduardo Leite, sobre suas relações e ações subversivas. Consta ainda que em 09/08/74, a irmã de Onofre, Judi Moreira, tirou férias para encontrar-se com ele, que já estaria no Brasil. Uma das cópias possui os códigos das pastas de onde foram retiradas as informações de cada parágrafo e a outra cópia está danificada, incompleta, não possui estes códigos de localização e apresenta carimbo do Setor de Análise, Operações e Informações do DOPS.

Relatório
Parte de documento, encontrado no arquivo do DOPS, de organização de esquerda contendo denúncias de mortes, violências e ilegalidades cometidas pela ditadura militar. Comenta que, para a ditadura defender-se, viola as leis que ela própria elaborou, entregando o comando da repressão a órgãos clandestinos como o DOI-CODI e a OBAN e cita nomes de pessoas mortas ou desaparecidas por estes órgãos, como: Marighella, Edson Luís, José Guimarães, João Roberto, Padre Henrique (Antônio Henrique Pereira Neto), Bernardino Saraiva, João Domingues da Silva, Carlos Schirmer, Marco Antônio Braz Carvalho, Pedro Inácio de Araújo, Hamilton Cunha, Eremias Delizoicov (considerado aqui como ex-militar morto no Rio), Carlos Roberto Zanirato, Antônio Raymundo Lucena, José Wilson Lessa Sabag, José Roberto Spiegner, Dorival Ferreira, José Idésio Brianezi e Juarez P. de Brito.

Termo de declarações
Documento do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, de 23/02/99, com declarações prestadas por Angela Telma de Oliveira Lucena, filha de Antônio. Conta as circunstâncias de morte de seu pai, quando tinha três anos e meio de idade. Cita que um grupo de policiais compareceu a sua casa procurando por um ladrão de carros, após uma conversa, houve troca de tiros e viu seu pai receber o último tiro, na têmpora, do lado de fora da casa. Então, o grupo de policiais manteve a família dentro de casa, quando sua mãe teria sido torturada. Afirma que, até o momento, desconhece onde estaria enterrado o corpo de seu pai e que, após ter tomado conhecimento do laudo necroscópico, verificou não constar a descrição sobre o tiro na têmpora.

Termo de declarações
Documento do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, de 23/02/99, com declarações prestadas por Adilson Oliveira Lucena, filho de Antônio. Conta as circunstâncias de morte de seu pai, em que um grupo de policiais compareceu a sua casa procurando por um ladrão de carros, após uma conversa, houve troca de tiros e viu seu pai caído e ferido. Afirma que, até o momento, desconhece onde estaria enterrado o corpo de seu pai e que, após ter tomado conhecimento, recentemente, do laudo necroscópico, verificou não constar a descrição sobre o tiro na têmpora, presenciado por sua mãe.

Termo de declarações
Documento do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, de 23/02/99, com declarações prestadas por Denise Oliveira Lucena, filha de Antônio. Conta as circunstâncias de morte de seu pai, em que um grupo de policiais compareceu a sua casa; após uma conversa, houve troca de tiros e viu seu pai ferido com muito sangue na cabeça, parecendo ter recebido um tiro neste local. Afirma que, até o momento, desconhece o teor do laudo necroscópico.

Termo de declarações
Documento do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, de 23/02/99, com declarações prestadas por Damaris Oliveira Lucena, viúva de Antônio. Conta as circunstâncias de morte de seu marido, em que um grupo de policiais compareceu a sua casa, ordenando a Antônio que se vestisse e os acompanhasse até a delegacia. Antônio entrou na casa e saiu já trocando tiros com a polícia. Após vários tiros, caiu na porta de casa, recebendo um último tiro contra a cabeça. Afirma que, até o momento, desconhece onde estaria enterrado o corpo de seu marido e que, após ter tomado conhecimento, recentemente, do laudo necroscópico, verificou não constar a descrição sobre o tiro na cabeça.

Termo de declarações
Termo de Frederico Ildefonso Marri Amaral, prestado em 17/02/98, no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Nele, declara que trabalhava como médico legista no IML/SP em 1970, tendo feito o exame necroscópico de Antônio Raymundo Lucena. Afirma que nada sabia sobre os "T" ou "terrorista" manuscritos nos documentos e que suas conclusões eram baseados em exames Afirma que, à época, nada sabia sobre torturas.

Prontuário/ Dossiê
Antônio Raymundo Lucena: dossiê enviado à Comissão Especial, Lei 9.140 de 04 de dezembro de 1995. Inclui: relatório das circunstâncias da morte de Antônio Raymundo Lucena; xerox do jornal Folha da Tarde, de 21 e 22/02/70 com reportagem sobre a morte de Lucena; Auto de Qualificação e Interrogatório de Damaris Oliveira Lucena, do DOPS/SP; relatório do DOPS ao juiz auditor da II Auditoria Militar; depoimento de Damaris Oliveira Lucena; menção à fita de vídeo com o documentário de Marta Nehring e Maria Oliveira, intitulado 15 Filhos e laudo de necrópsia do IML; prontuário de Antônio na Delegacia de Polícia de Atibaia, de 09/03/70; e outros.

Ficha pessoal
Documento do IML/SP, de 17/03/70, com os dados de óbito.

Ficha pessoal
Documentos da Delegacia de Ordem Política e Social (um deles do Paraná), de 10/11/75 e 04/03/69, com a anotação manuscrita "Falecido". Informa sobre a participação de Antônio na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e no roubo de dinamites e detonadores em depósito em Cajamar, SP. Indica que, conforme o Jornal do Brasil, publicado no Rio de Janeiro, de 29/03/78, Antônio morreu em combate em 20/02/70.

Laudo de exame de corpo delito
Laudo de exame do IML/SP, de 03/03/70, realizado por Frederico Amaral e Orlando Brandão.

Interrogatório
Informações sobre a vida pregressa de Damaris Oliveira Lucena, esposa de Antônio, na Delegacia Especializada de Ordem Social, em 14/03/70. Informa seus dados gerais, que vive às custas da organização e que não está arrependida de seus atos.

Interrogatório
Parte do auto de qualificação e interrogatório de preso político, na Delegacia Especializada de Ordem Social, sem data, mas com carimbo do DOPS de 23/06/69. A partir de um álbum de fotografias reconheceu, entre outros, Carlos Lamarca, Onofre Pinto, Hamilton Fernando Cunha, Marco Antônio Brás de Carvalho, Yoshitane Fujimori, Eduardo Leite e Antônio Raymundo Lucena.

Interrogatório
Parte de interrogatório de Onofre Pinto, na Delegacia Especializada de Ordem Social, sem data, com carimbo do DOPS de 23/06/69.

Requisição de exame de cadáver
Requisição de exame ao IML/SP, solicitada pela Delegacia de Bragança (a palavra original "Atibaia" foi rasurada), em 20/02/70. Apresenta a letra "T" manuscrita, indicando tratar-se de indivíduo considerado terrorista. Aponta morte decorrente de tiroteio com policiais de Atibaia.

Ofício
Termo de audiência referente aos termos de declarações da viúva e filhos de Antônio, realizado no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, em 23/02/99.

Ofício
Termo de compromisso, de 21/03/70, de lavratura dos autos de reconhecimento e depósito de material roubado, apreendido na residência de Antônio Raymundo Lucena, realizado na sede da Operação Bandeirantes (OBAN) do II Exército, em São Paulo, SP.

Ofício
Documento da Delegacia Especializada de Ordem Social, do DEOPS/SP, de 27/05/70, ao comandante do quartel de Quitaúna, Osasco, SP, comunicando encaminhamento de fuzil furtado deste quartel e apreendido na residência de Raimundo Antônio Lucena (Antônio Raymundo Lucena), por ocasião de tiroteio deste com a polícia, que resultou em sua morte.

Ofício
Comunicado, de 20/05/70, de que Damaris, esposa de Antônio Raymundo Lucena, mantém correspondência com sua irmã, empregada da residência do médico João Yasbek (Rua Bom Pastor). Este médico comprometeu-se a entregar toda a correspondência ao órgão em questão. As cartas chegam ora do Canadá, ora de Genebra. Segue em anexo, uma das cartas onde Damaris explica a forma de enviá-las. O documento possui carimbo do DOPS.

Depoimento
Documento registrado em cartório por Damaris Oliveira Lucena, viúva de Antônio Raymundo Lucena, em 06/03/96, na cidade de Sumaré. Damaris conta quando um grupamento da polícia do Exército bateu a sua casa em Atibaia, SP, pedindo para que chamassem seu marido com um pretexto, segundo ela, sem cabimento. Ele saiu e foi baleado e morto, na presença de Damaris e dos seus três filhos.

Auto de depósito
Documento da Operação Bandeirantes (OBAN) do II Exército, de 20/03/70, autorizando depósito de automóvel apreendido, de propriedade de Antônio Raymundo Lucena.

Auto de depósito
Documento da Operação Bandeirantes (OBAN) do II Exército, de 30/03/70, de auto de depósito do material apreendido na casa de Antônio Raymundo Lucena e sua mulher Damaris Oliveira Lucena, em Atibaia, SP, reconhecido como sendo o mesmo que foi roubado de um hospital.

Auto de depósito
Documento da Operação Bandeirantes (OBAN) do II Exército, de 30/03/70, de auto de depósito do material perecível apreendido na casa do "terrorista" Antônio Raymundo Lucena e sua mulher Damaris Oliveira Lucena, em Atibaia, SP.

Auto de depósito
Documento da Operação Bandeirantes (OBAN) do II Exército, de 30/03/70, de auto de depósito de três caixas contendo produtos farmacêuticos, perecíveis, amostras grátis, apreendidas na casa do "terrorista" Antônio Raymundo Lucena, em Atibaia, SP.

Auto de depósito
Documento da Operação Bandeirantes (OBAN) do II Exército, de 30/03/70, de auto de depósito de armamento e munição, encontrado na casa do "terrorista" Antônio Raymundo Lucena e reconhecidos como sendo o que foi roubado de quartel em Quitaúna, Osasco, SP.

Auto de depósito
Documento da Operação Bandeirantes (OBAN) do II Exército, de 30/03/70, de auto de depósito de armamento e munição, encontrado na casa do "terrorista" Antônio Raymundo Lucena, e reconhecidos como sendo o que foi roubado de quartel em São Caetano do Sul, SP.

Auto de reconhecimento
Documento da Operação Bandeirantes (OBAN) do II Exército, de 23/03/70, sobre o material apreendido no "aparelho" de Antônio Raymundo Lucena e sua mulher Damaris Oliveira Lucena, em Atibaia, SP, reconhecido como sendo o mesmo que foi roubado de um hospital.

Auto de avaliação
Documento da Operação Bandeirantes (OBAN) do II Exército, de 23/03/70, de avaliação de valor do material apreendido no "aparelho" de Antônio Raymundo Lucena e sua mulher Damaris Oliveira Lucena, em Atibaia, SP, reconhecido como sendo o mesmo que foi roubado de um hospital.


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