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Vala de Perus | 1990

O Cemitério Dom Bosco, local da Vala de Perus
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O Cemitério Municipal Dom Bosco, localizado no Distrito de Perus, São Paulo, foi parte integrante do sistema de repressão no país. Foi construído pela Prefeitura da Capital em 1970,.na gestão do sr. Paulo Maluf, e logo na sua inauguração transformado em cemitério exclusivo para corpos de indigentes, entre os quais passaram a ser enviados cadáveres de vítimas do regime.

Fazia parte de seu projeto original a implantação de um crematório, o que causou estranheza e levantou suspeitas à época. Havia impedimentos, até do ponto de vista legal, para a existência de um crematório para indigentes.

Diante dos problemas, o projeto do Crematório foi transferido para o Cemitério de Vila Nova Cachoeirinha e, depois, ao de Vila Alpina, onde foi construído. Ele seria o destino de uma carga com as ossadas exumadas em massa, em 1975, de duas quadras de indigentes de Perus, onde estavam também os restos mortais de oponentes do regime.

Este projeto de cremação dos corpos, do qual só se tem notícia pela memória de sepultadores, foi abandonado em 1976. As ossadas exumadas ficaram até então amontoadas no cemitério, a espera de meios mais discretos que produzissem o seu desaparecimento.

Nesse mesmo ano, as 1.049 ossadas foram jogadas em vala comum e clandestina do cemitério. Lá ficaram até 1990, quando a vala foi aberta e investigada por ordem da Prefeita Luiza Erundina.

A certeza da impunidade e o tratamento usual de desrespeito dado aos corpos de pessoas pobres na cidade foram dois fatores a permitir que militantes mortos desaparecessem em nossos próprios cemitérios. Não sabemos o que foi mais bárbaro: transformar oponentes do regime em indigentes ou tripudiar ainda mais da indigência para dar fim aos corpos de oponentes do regime.

As 1.049 ossadas do cemitério de Perus são provas atuais da violência que predominou no país nas três últimas décadas e também da violência policial contra as classes miseráveis de São Paulo.

O fenômeno da violência institucional e a impunidade ainda não foram extirpados da sociedade. Por isso, infelizmente, ainda são frágeis os instrumentos sociais para impedir que fatos inaceitáveis do passado se repitam em plena transição para a democracia



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