Araguaia
Pesquisa
  OK
Morto e desaparecido
Audiovisual
Bibliografia
Eventos
História
Legislação
Notícias
Araguaia | 17/01/2011 | O Globo

Parentes se dividem entre revolta e descrença
Por Evandro Éboli
Ninguém acredita que estejam vivos


A decisão do governo provocou polêmica entre parentes dos ex-guerrilheiros. Enquanto uns reagiram com indignação considerando a iniciativa um desrespeito e um deboche, outros apoiam a investigação, mas não acreditam que os ex-militantes do PCdoB estejam vivos. Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio, Beth Silveira, irmã de Luís René, afirma que a ação é um afronta:

- É um horror, uma vergonha, um deboche. Não só com meu irmão, com todos. Não apresentaram uma prova de que possam estar vivos. A ditadura continua. Uma tortura para os familiares.

Djalma Oliveira, irmão de Dinalva, a Dina, apoia a iniciativa, mas diz não ter esperança de encontrar a irmã viva:

- O único motivo para ela não ter nos procurado, se estivesse viva, é estar com amnésia ou outro problema cerebral. É a única explicação - disse Djalma, da direção do PCdoB no Rio, acrescentando ser "folclórica" a versão de que Dina teria sido vista no Rio durante a visita do Papa, em 1980.

Mesmo incrédulo, Roberto Valadão, cunhado de Áurea Valadão, também apoia e investigação:

- Não consigo acreditar que tenha sequer um vivo. Já se passaram quase duas gerações. A repressão era muito cruel.

Suzana Lisbôa, que integrou a Comissão de Mortos e Desaparecidos, critica o governo e classifica a investigação de infame e irresponsável. Para ela, é um absurdo o governo tratar como oficiais informações inconsistentes:

- Acho um escárnio. O governo é obrigado a apresentar publicamente as pessoas que dizem essas coisas. Passar adiante essas informações e considerá-las verossímeis é um escândalo.

Para Criméia Almeida, sobrevivente da Guerrilha do Araguaia, o governo atual continua com a visão dos militares da ditadura, que consideravam foragidos os desaparecidos. Integrante do GTT, onde representa familiares de desaparecidos, Diva Santana, cuja irmã consta entre os desaparecidos no Araguaia, defende a apuração:

- Acompanho essa história há 40 anos e participei de muitas expedições ao Araguaia. Acho que não tem ninguém vivo. Agora, se há rumores aqui e ali, deve ser investigado. Eu quero a verdade. Já ouvi muitas histórias, como a de gente que fez plástica e foi viver fora do Brasil. Os militares plantaram muitas informações também.



voltar
EREMIAS DELIZOICOV - Centro de documentação | DOSSIÊ - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil
2002 - 2007 Todos os direitos Reservados