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Araguaia | 16/07/2009 | O Estado de S. Paulo

Tortura Nunca Mais critica ação federal
Por Wilson Tosta
Grupo diz que governo não age concretamente para recuperar ossadas de mortos na guerrilha do Araguaia.


Integrantes do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio e familiares de militantes mortos na Guerrilha do Araguaia acusaram ontem o governo brasileiro de "continuar a violar convenções internacionais" por, segundo eles, não agir concretamente para recuperar as ossadas dos desaparecidos no confronto.

Eles criticaram o ministro da Defesa, Nelson Jobim, pela montagem do que chamaram de "operação de guerra" no Norte do País, onde guerrilheiros do PC do B e militares se enfrentaram entre 1972 e 1975. A movimentação, avaliam, assustará a população local, detentora de informações importantes sobre a localização das ossadas. Também pediram que sejam chamados a prestar depoimento militares que participaram da repressão aos guerrilheiros.

"O ministro Jobim teve o desplante de levar para uma reunião o general-chefe do serviço de inteligência do Exército", disse Victória Grabois, que perdeu três parentes no conflito - o pai e comandante da guerrilha, ex-deputado Maurício Grabois, o irmão André Grabois e o primeiro marido, Gilberto Olímpio Maria. "Achei um acinte, havia familiares de desaparecidos ali." Os familiares e o Grupo Tortura Nunca Mais afirmaram que o governo só está agindo agora por ter sido condenado na Justiça brasileira e estar sendo processado na Corte Interamericana de Direitos Humanos para que localize os restos mortais dos guerrilheiros.

A presidente do Grupo Tortura Nunca Mais no Rio, Cecília Coimbra, criticou a política de reparação financeira aos anistiados. "A reparação econômica é muito importante, mas é o fim de um processo", afirmou, lembrando que esta é a posição da Organização das Nações Unidas (ONU) e inclui a apuração do que aconteceu durante as ditaduras. "O Brasil é o mais atrasado nisso entre os países que passaram por ditaduras. Foi o mais avançado na exportação da tortura e é o mais atrasado na apuração. Não é por acaso que o governo brasileiro coloca a indenização no início."

Victória também criticou. "O governo deu o dinheiro para ver se calamos a boca. Não queremos dinheiro. Queremos a verdade."



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