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Araguaia | 26/06/2009 | O Estado de S. Paulo

Exército já vasculha região do Araguaia
Por Leonêncio Nossa
Oficiais do 52º Batalhão de Infantaria de Selva, de Marabá, vasculham há um mês a Serra das Andorinhas, no Sul do Pará, região indicada em relatórios como local de combates e sepultamento de integrantes da Guerrilha do Araguaia (1972-1975). A região de Três Quedas, no município de São Geraldo do Araguaia, foi um dos lugares mapeados recentemente pelos militares. Nos dias 27 e 28 de maio, uma equipe de quatro oficiais do Exército esteve nas terras do empresário Jorge Araújo, que não estão numa área de manobra e treinamento militar.

A presença do Exército na região da guerrilha chama a atenção porque a área deve ser revirada em breve à procura das ossadas dos militantes do PC do B e camponeses mortos. Uma comissão foi criada há quase dois meses pelo Ministério da Defesa, mas a indicação dos nomes de quem vai participar das buscas está atrasada - apesar de o ministro Nelson Jobim ter estabelecido que a comissão deveria ser constituída até o dia 14 de maio. Até o momento, só três integrantes foram nomeados. Seis procuradores da República já pediram que as buscas no Araguaia sejam coordenadas por autoridades civis vinculadas à promoção de direitos humanos e acompanhadas por familiares de vítimas.

Às 8 horas do dia 28 de maio, uma equipe militar esteve no Hotel Cidade, do empresário Jorge Araújo, no centro de São Geraldo do Araguaia, e pediu autorização de entrada na fazenda, a 28 quilômetros da cidade. "Eles disseram que estavam atrás dos ossos do pessoal da guerrilha", relata Araújo. O gerente do Hotel Cidade, Pauliram Pereira da Silva, 25 anos, disse ao Estado que os oficiais estavam com aparelhos GPS e poucas armas. "Eu perguntei se eles tinham condições de achar as ossadas. Um oficial me respondeu que tudo estava mapeado, eles estavam com GPS e tinham as localizações."

Após obterem a autorização, os militares seguiram numa Toyota fechada para Três Quedas. Por volta de 9 horas, entraram numa estrada de terra que dá acesso à fazenda. Encostaram o carro na frente do primeiro sítio que encontraram, onde mora o camponês Antônio Ribamar da Silva, 47 anos. "Perguntaram há quanto tempo eu moro aqui. Eu respondi que moro aqui há dez anos. Queriam saber sobre o pessoal que morreu na serra. Se eu sabia da guerrilha. Aí, depois, subiram a serra. Voltaram bem de tarde. Na volta, disseram que tiraram muitas fotos", relatou o camponês.

Minutos depois, a equipe parou no sítio do camponês Francisco Pereira da Cosa, 75 anos. Os militares fizeram a mesma pergunta. "Me perguntaram se eu morava há muito tempo aqui. Eu disse que tenho 25 anos de Pará. Sou do Tocantins", relata. "A gente não sabia nada, porque chegamos bem depois da guerrilha", diz Rita, 70 anos, mulher de Francisco. 'Eles tinham aparelhos. A conversa foi na cerca mesmo.Subiram pela estrada."

Os depoimentos sobre a visita da equipe terminam aí. Do sítio de Francisco e Rita até a fazenda de Jorge Araújo não há mais moradores. A casa da fazenda está vazia. O Estado esteve na manhã de ontem no local na companhia de Pauliram, que conhece a fazenda, e um guia que serviu durante cinco anos no 52º BIS. As marcas da Toyota terminaram na porteira da fazenda - localizada entre dois paredões da Serra das Andorinhas. É uma região de cerrado. A um quilômetro da casa, há uma área aberta e plana, apenas tomada pela savana.

OUTRO LADO

A assessoria do Ministério da Defesa disse ontem que "o Exército não está vasculhando áreas". O que o comando local está fazendo é "adiantar os trabalhos da comissão (de Jobim), reconhecendo os locais que deverão ser vasculhados. Os militares não farão o trabalho de busca, apenas darão apoio logístico ao pessoal do grupo de trabalho". Segundo a Defesa, "a parte do Exército está pronta, esperando a indicação das pessoas para que se iniciem os trabalhos".

O Exército não participará dos trabalhos de busca para evitar acusações de "interferência indevida".



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